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Porque é que milhões de raparigas do Bangladesh abandonam a escola? – DW – 01/07/2025
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Milhões de meninas em Bangladesh estão enfrentando uma difícil batalha para permanecer na escola. Para muitos, a pandemia de COVID-19as catástrofes naturais e as dificuldades económicas tornaram esta luta ainda mais assustadora.
Nascida numa aldeia remota da região Nordeste do país, Zueana, de 19 anos, é a primeira pessoa da sua família a ir à escola. Ela beneficiou de “escolas de barco” – salas de aula instaladas em barcos fluviais – que visam evitar que as crianças de aldeias remotas se desloquem perigosamente durante a estação das chuvas.
Durante a pandemia, porém, ela abandonou a escola secundária e mudou-se para a capital, Dhaka, para ganhar a vida.
“O meu pai nunca me disse para parar de ir à escola. Eu estudava numa escola-barco (gerida) por uma ONG e estudava de graça. Mas não tinha dinheiro para comprar papel e caneta para estudar”, disse Zueana. “Além disso, não há escolas secundárias e faculdades na minha aldeia. O custo do transporte é de 40 centavos por dia, o que não é possível para meu pai arranjar”, acrescentou ela.
A escola acabou com ‘nada além de dívidas’
Além dessas despesas, Zueana diz que os desastres naturais e as alterações climáticas também perturbaram a sua educação.
“Venho de uma área propensa a inundações”, disse ela à DW. “Se chover muito na Índia, ficamos inundados, o que está piorando com o tempo. Saímos sem nada além de dívidas que temos que pagar.”
O pai de Zueana é trabalhador agrícola e não possui terras. Sonhando em quebrar o ciclo da pobreza, ele mandou todos os seus filhos, exceto um, para a escola. Mas não foi apenas Zueana quem interrompeu os seus estudos. Duas de suas irmãs abandonaram os estudos após concluírem o ensino primário.
A sua família seguiu Zueana até Dhaka e agora trabalha na vasta região do país, embora mal pago e regulamentadosetor de produção de vestuário.
Especialistas veem “grande demanda” por educação
Histórias como a de Zueana e da sua família são demasiado comuns no Bangladesh. As estatísticas oficiais mostram que cerca de 8,8 milhões de raparigas frequentaram a escola primária em todos os níveis em 2018. Mas a comparação desse número com o número de raparigas matriculadas nas escolas secundárias em 2023 indica que cerca de 3,3 milhões interromperam a sua educação entre esses anos. Mesmo depois de ajustar este valor para ter em conta as raparigas que frequentam madrasas (escolas islâmicas) e escolas profissionais, a taxa de abandono ultrapassa os 35%.
Educação sexual para meninas madrasa em Bangladesh
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Esta tendência preocupante continua mesmo com muitas pessoas mais pobres no Bangladesh a compreenderem os benefícios da educação.
A especialista educacional Rasheda K Choudhury disse à DW que há uma “grande demanda” por educação no país.
“As pessoas que quase não vivem com dificuldades acreditam que a educação pode mudar as suas vidas. Conseguiremos satisfazer a sua procura por educação? Muitas famílias não conseguem arcar com os custos associados ao ensino secundário, incluindo propinas, livros e transporte.”
“Nas zonas rurais, as raparigas são frequentemente retiradas para contribuir para o rendimento familiar”, disse Choudhury, director executivo da Campanha pela Educação Popular (Campe).
O casamento infantil perpetua o ciclo da pobreza
Outros factores que mantêm as crianças fora das escolas é que, em regiões remotas, os alunos têm de lidar com a fraca conectividade e a falta de transportes, com barreiras culturais e com a falta de segurança.
A questão do casamento infantil também tem um impacto “generalizado” na taxa de abandono escolar, de acordo com AQM Shafiul Azam, chefe do sector de planeamento e desenvolvimento na Direcção do Ensino Secundário e Superior.
Adolescentes de Bangladesh fazem campanha contra o casamento infantil
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“Quando uma rapariga abandona a escola e isso resulta em casamento infantil e parto prematuro – existe a possibilidade de dar à luz uma criança subnutrida que não beneficia da educação e acaba no ciclo da pobreza”, disse ele.
Os dados do Wold Bank para 2022 indicaram que cerca de 7,3% das raparigas com idades entre os 15 e os 19 anos deram à luz no Bangladesh.
Além disso, as raparigas que abandonam a escola são mais vulneráveis à violência, ao abuso e à exploração.
“As mulheres com menos educação ou sem educação não têm a coragem que uma rapariga instruída tem para lutar pela justiça ou continuar a suportar o peso do custo legal da justiça”, disse a especialista em educação Rasheda.
O que pode ser feito para ajudar as meninas a permanecer na escola?
Para melhorar a educação das raparigas do Bangladesh, os especialistas recomendam transportes seguros, espaços seguros para as raparigas, dormitórios separados e campanhas para combater a violência contra as mulheres.
Rasheda K Choudhury, do Campe, destaca a importância de investir na educação.
“Muitas famílias não podem arcar com os custos associados ao ensino secundário, incluindo propinas, livros e transporte. A pobreza, o casamento infantil e as barreiras culturais agravam ainda mais o problema”, disse ela.
Por sua vez, AQM Shafiul Azam aponta parcerias com organizações de desenvolvimento que visam manter as raparigas na escola. Ele disse que as autoridades estão a tentar “mudar as crenças socialmente construídas, incluindo a partilha da responsabilidade das tarefas domésticas” e o impacto do casamento infantil, entre outras questões.
“Estamos a aumentar a consciência da sociedade sobre a importância da contribuição das mulheres para o impulso económico e, em geral, para um futuro melhor do Bangladesh”, disse ele.
Outras nações enfrentando problemas semelhantes já traçaram um caminho que poderia ser usado em Bangladesh. Na Nigéria, um projecto denominado “Iniciativa das Raparigas Adolescentes para a Aprendizagem e o Empoderamento” proporcionou bolsas de estudo para meio milhão de meninas de origem pobre. Existem também iniciativas internacionais como o programa liderado pela ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Malala Yousafzai, denominado Rede de Campeões Educacionais do Fundo Malalaou vários grandes projetos financiados pelo Banco Mundial que visam manter as meninas nas escolas. Com salas de aula seguras, bolsas de estudo, envolvimento comunitário e programas de desenvolvimento de habilidadesBangladesh pode trabalhar para garantir um futuro melhor para meninas como Zueana.
Editado por: Darko Janjevic
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Rede de trabalho franco-brasileira atua em propriedades amazônicas — Universidade Federal do Acre
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6 de março de 2026A Ufac integra uma rede de trabalho técnico-científico formada por pesquisadores do Brasil e da França, desenvolvendo trabalhos nas áreas de pecuária sustentável e produção integrada. Também compõem a rede profissionais das Universidades Federais do Paraná e de Viçosa, além do Instituto Agrícola de Dijon (França).
A rede foi construída a partir do projeto “Agropecuária Tropical e Subtropical e Desenvolvimento Regional: Cooperação entre Brasil e França”, aprovado em chamada nacional da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e do Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil. Esse programa iniciou na década de 1970 e, pela primeira vez, uma instituição do Acre teve um projeto aprovado.
Atualmente, alunas do doutorado em Agronomia da Ufac, Natalia Torres e Niqueli Sales, realizam parte do curso no Instituto Agrícola de Dijon, na modalidade doutorado sanduíche. Elas fazem estudos sobre sistemas que integram produção de bovinos, agricultura e a ecofisiologia de espécies forrageiras arbustivas/arbóreas.
Além disso, a equipe do projeto realiza entrevistas com criadores de gado (leite e corte), a fim de produzir informações para proposição de melhorias e multiplicação das experiências de sucesso. Há, ainda, um projeto em parceria com a equipe da Cooperativa Reca para fortalecer a pecuária integrada e sustentável.
Outra ação da rede é a proposta do sistema silvipastoril de alta densidade de plantas, com objetivo de auxiliar agricultores que possuem embargos ambientais na atividade de recomposição de reservas. No momento, a equipe discute um consórcio de plantas que atende à legislação ambiental. Da Ufac, fazem parte da rede os professores Almecina Balbino Ferreira, Vanderley Borges dos Santos, Eduardo Mitke Brandão Reis e Eduardo Pacca Luna Mattar, que trabalham nos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária e Engenharia Florestal.
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Professora publica livro sobre sítios naturais sagrados do povo Nukini — Universidade Federal do Acre
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4 de março de 2026A professora Renata Duarte de O. Freitas, do curso de Direito do campus Floresta da Ufac, lança o livro “Aldeia Isã Vakevu, do Povo Originário Nukini: Um Sítio Natural Sagrado no Coração do Juruá” (Lumen Juris, 240 p.). O evento ocorre neste sábado, 7, às 19h, no teatro dos Nauas, em Cruzeiro do Sul. Resultado de investigação científica, a obra integra a cosmologia indígena aos marcos regulatórios da justiça ambiental.
A pesquisa é fundamentada na trajetória de resistência do povo Nukini. O livro presta homenagem à memória de Arlete Muniz (Ynesto Kumã), matriarca, parteira e liderança espiritual que preservou os conhecimentos milenares do Povo da Onça frente aos processos de aculturação e violência histórica.
O texto destaca a continuidade desse patrimônio imaterial, transmitido de geração para geração ao seu neto, o líder espiritual Txane Pistyani Nukini (Leonardo Muniz). Atualmente, esse legado sustenta a governança espiritual no Kupixawa Huhu Inesto, onde a aplicação das medicinas da floresta e a proteção territorial dialogam com a escrita acadêmica para materializar a visão de mundo Nukini perante a sociedade global.
Renata Duarte de O. Freitas introduz no cenário jurídico eixos teóricos que propõem um novo paradigma para a conservação ambiental: sítios naturais sagrados, que são locais de identidade cultural e espiritual; direito achado na aldeia, cuja proposta é que o ordenamento jurídico reconheça que a lei também emana da sacralidade desses locais; e direitos bioculturais, que demonstram que a biodiversidade da Serra do Divisor é preservada porque está ligada ao respeito pelos sítios naturais sagrados.
Ao analisar a sobreposição de uma parte do território Nukini com o Parque Nacional da Serra do Divisor, a obra oferece uma solução científica: o reconhecimento de que áreas protegidas pelo Estado devem ser geridas em conjunto com os povos originários, respeitando seus territórios sagrados.
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Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre
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25 de fevereiro de 2026A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, na Reitoria, campus-sede, a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, no âmbito da caravana Aqui Tem MEC, iniciativa do Ministério da Educação voltada ao acompanhamento de ações e investimentos nas instituições federais de ensino.
Durante a agenda, o ministro destacou que a caravana tem percorrido instituições federais em diferentes Estados para conhecer a realidade de cada campus, dialogar com gestores e a comunidade acadêmica, além de acompanhar as demandas da educação pública federal.
Ao tratar dos investimentos relacionados à Ufac, a reitora Guida Aquino destacou a obra do campus Fronteira, em Brasileia, que conta com R$ 40 milhões em recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A estrutura terá seis cursos, com salas de aula, laboratórios, restaurante universitário e biblioteca.
Abordando a visita, Guida ressaltou a importância da universidade para o Estado e a missão da educação pública. “A Ufac é a única universidade pública federal de ensino superior do Acre e, por isso, tem papel estratégico na formação e no desenvolvimento regional. A educação é que transforma vidas, transforma o país.”

Outro tema tratado durante a agenda foi a implantação do Hospital Universitário no Acre. Camilo Santana afirmou que o Estado é o único que ainda não conta com essa estrutura e informou que o governo federal dispõe de R$ 50 milhões, por meio do Novo PAC, para viabilizar adequações e a implantação da unidade.
Ele explicou que a prioridade continua sendo a concretização de uma parceria para doação de um hospital, mas afirmou que, se isso não ocorrer, o MEC buscará outra alternativa para garantir a instalação do serviço no Estado. “O importante é que nenhum Estado desse país deixe de ter um hospital universitário”, enfatizou.

Guida reforçou a importância do projeto e disse que o Hospital Universitário já poderia ser celebrado no Acre. Ao defender a iniciativa, contou que a unidade contribuiria para qualificar o atendimento, reduzir filas de tratamento fora de domicílio e atender melhor pacientes do interior, inclusive em casos ligados às doenças tropicais da Amazônia. Em tom crítico, declarou: “O cavalo selado, ele só passa uma vez”, ao se referir à oportunidade de implantação do hospital.
Após coletiva de imprensa, o ministro participou de reunião fechada com pró-reitores, gestores, políticos e parlamentares da bancada federal acreana, entre eles o senador Sérgio Petecão (PSD) e as deputadas Meire Serafim (União) e Socorro Neri (PP).
A comitiva do MEC foi formada pela secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt; pelo secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli; pelo secretário de Educação Superior, Marcus Vinicius David; e pelo presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Arthur Chioro.
Laboratório de Paleontologia
Depois de participar de reunião, Camilo Santana visitou o Laboratório de Paleontologia da Ufac. O professor Edson Guilherme, coordenador do espaço, apresentou o acervo científico ao ministro e destacou a importância da estrutura para o avanço das pesquisas no Acre. O laboratório foi reformulado, ampliado e recentemente reinaugurado.

Aberto para visitação de segunda a sexta-feira, em horário de expediente, exceto feriados, o local reúne fósseis originais e réplicas de animais que viveram no período do Mioceno, quando o oeste amazônico era dominado por grandes sistemas de rios e lagos. A entrada é gratuita e a visitação é aberta a estudantes e à comunidade em geral.
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