NOSSAS REDES

ACRE

Procurador de SP diz ver teses sobre PCC sem base lógica – 30/10/2024 – Cotidiano

PUBLICADO

em

Rogério Pagnan

Em uma aula ministrada a policiais, promotores e juízes do Mato Grosso, o procurador paulista Marcio Sergio Christino dissecou a estrutura das organizações criminosas existentes mundo afora e, nesse contexto, disse que boa parte das notícias sobre o PCC não tem base científica ou lógica.

Especialista em crime organizado e estudioso de máfias, Christino colocou na lista de teses sem lastro a equiparação feita entre PCC e a máfia siciliana, a suposta rede de postos de combustíveis pertencente à facção e o suposto plano dos criminosos ligados a Marco Camacho, o Marcola, de se infiltrar na política.

Também citou o volume de dinheiro movimentado pela quadrilha citado em reportagens.

“[As pessoas dizem]: ‘Ah, o PCC está vendendo R$ 10 bilhões [em drogas]…’ Tá, mas de onde você está tirando isso? Você não tem base de cálculo para afirmar. Você não sabe quanto ele transporta. Pode ser dez, mas pode ser cem. Como também pode ser um. De onde você tira essa base de cálculo? Não tem”, disse ele em evento organizado pela Esmagis-MT (Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso), no mês passado.

O principal foco da aula magna foi demonstrar a fragilidade das afirmações feitas, inclusive por integrantes do próprio Ministério Público, de que o PCC poderá se tornar no Brasil o mesmo que a Cosa Nostra se tornou na Itália, com uma infiltração cada vez maior na organização do estado brasileiro.

Para o procurador, essa comparação poderia ser válida se o PCC tivesse mais de cem anos de existência e, de alguma forma, tivesse feito parte do estado ou da organização dele. No caso da Cosa Nostra, disse ele, até os Estados Unidos se aliaram a ela para tomar a Sicília e, na sequência, ocupar o restante da Itália.

“E, depois da guerra, eles [EUA] nomearam dirigentes mafiosos, líderes da máfia, como administradores públicos”, disse. “Então, o PCC não vai se tornar a Cosa Nostra. Nunca. Ele pode ser uma outra. Eu não estou dizendo que o PCC não existe. Eu não estou dizendo que ele não é forte. Eu só estou dizendo que não é parte do estado como a máfia”, complementou ele à reportagem.

Christino avaliou que o PCC não tem condições de invadir ou atacar o estado brasileiro e também não consegue se infiltrar no estado brasileiro da mesma maneira que a máfia fez na Sicília, por conta da consolidação do estado brasileiro e de suas instituições.

“O PCC não tem esse poder, nunca teve. Não tem esse poder porque o estado brasileiro já está formado. Esse espaço não existe, o Brasil não está em fase de construção de um sistema político. Você teria esse papel se o PCC tivesse 200, 300 anos de existência? Mais de 100! […]”, disse à Folha.

Isso também vale, ainda segundo ele, sobre a possível entrada do PCC na política e na administração pública.

“O processo político brasileiro não é atrativo e não permite que você tenha candidatos cuja natureza seja ligada ao crime organizado. Por quê? Uma razão muito simples. A primeira observação: você não tem garantia de que eles serão eleitos. Não existe garantia. […] Não existe fórmula para alguém ganhar uma eleição. Se existisse, já estava sendo usada”, disse o procurador.

O procurador afirmou que a complexidade para montar uma empresa para participar em licitações públicas deixa esse negócio pouco atrativo para os criminosos. “Depende de uma estrutura. É possível, mas é muito difícil. O que é mais fácil? É mais fácil ele vender drogas, investir em outras atividades criminosas. Isso ele pode fazer, sem ter a necessidade de manter uma estrutura paralela”, explicou.

Sobre a versão (apresentada até por autoridades paulistas) de que o PCC é o suposto dono de uma rede de 1.350 postos de combustível e de três refinarias, Christino disse ver aí um problema de lógica. Os postos seriam suspeitos de sonegação fiscal, algo conflitante com a lavagem de dinheiro.

“O sonegador não paga o tributo e fica com o dinheiro sujo. Ele vai precisar lavar em outra circunstância. Agora, o lavador de dinheiro quer pagar o imposto. Aliás, a coisa que o lavador mais quer na vida é pagar imposto. Quando ele paga imposto, ele legitima o dinheiro que entra. Fica com o dinheiro ‘quente’. Então, a sonegação fiscal é incompatível com a lavagem de dinheiro”, afirmou durante a palestra.

O procurador disse até fazer um desafio para quem faz esse tipo de afirmação.

“Recentemente um colega disse o seguinte: ‘o PCC tem 1.350 postos de gasolina para lavar dinheiro’. ‘E o PCC tem três refinarias’. Pois não, me dá um. Me dá os dez maiores. Ué, se você sabe que tem 1.350 postos, você está sabendo quem são. Então me dá dez. Aí, um vira, e diz: ‘o posto de gasolina do PCC é aquele que tem um balão azul’. Que balão azul? Falei: ‘vocês estão loucos’. Então vamos lá, vamos ver um posto que tem um balão azul. Vamos lá”, complementou.

Um dos maiores absurdos publicados pela imprensa sobre a suposta influência ou participação do crime organizado em esquemas, continuou Christino, foi uma reportagem sobre supostas fraudes em maquininhas de pegar bichinho de pelúcia, comum em shoppings.

“Vocês viram a reportagem? Era o seguinte, olha: ‘essas máquinas estão sendo programadas para só pegar um bichinho de pelúcia a cada dez [tentativas]’. Aí, vem um cara e fala assim: ‘suspeita-se do envolvimento do crime organizado e das milícias nos bichinhos de pelúcia’. Eu virei e falei assim: ‘olha, isso não é sério’. Não, isso não! Bichinho de pelúcia? Os caras com tanque de guerra, metralhadora, vão se envolver com bichinho de pelúcia?”

Para o procurador, atribuir participação do crime organizado em todos os esquemas existentes é dar um poder para o PCC que ele não tem de fato. Isso tem um efetivo muito negativo ao consolidar no imaginário popular, continua ele, de um grupo criminoso quase onipresente, o que é ruim para sociedade.

“Você cria o temor social, você cria o medo, e você cria especulações.”

Por fim, o procurador também questiona a versão apresentada na imprensa, com base em informações de autoridades, sobre a suposta existência de uma milícia atuando na região central de SP, com a participação de integrantes da GCM (Guarda Civil Municipal).

“Se você entender que milícia é qualquer organização, qualquer quadrilha formada por policiais, você tem milícia em todo lugar. […] Agora, se você tem, por exemplo, um cara que vai lá e cobra proteção, você vai comparar isso com a milícia do Rio de Janeiro? Não dá. Porque a milícia do Rio de Janeiro controlaria não somente o fluxo de drogas, mas todos os outros crimes e também impediria a ação do Estado”, disse.

O procurador finaliza. “Então você tem afirmações que não são baseadas em dados confiáveis. A base de dados não confirma isso. E nem a lógica.”



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Revista da gestão de Guida Aquino registra legado de 8 anos — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Revista da gestão de Guida Aquino registra legado de 8 anos.jpg

A Ufac lançou a revista online “Avanços que Deixam Legado para o Futuro: 2018-2026” (124 p.). A publicação marca o encerramento da gestão da professora Guida Aquino à frente da Reitoria e reúne, em formato interativo, com dez capítulos, o balanço das principais conquistas e ações desenvolvidas pela administração superior nos últimos oito anos. O evento ocorreu nessa quinta-feira, 6, no Órgão dos Colegiados Superiores, campus-sede.

A revista serve como um registro de prestação de contas e memória institucional. O lançamento reuniu a equipe que esteve ao lado da gestão nesse período, num momento de agradecimento e celebração pelo trabalho realizado. “Agradeço o apoio e a colaboração de todos”, disse Guida.

(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac registra fase final de construção do novo CAp no campus-sede — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac registra fase final de construção do novo CAp no campus-sede.jpg

A Ufac realizou a solenidade de registro da fase final das obras de construção do novo prédio do Colégio de Aplicação (CAp). O evento ocorreu nesta sexta-feira, 7, no campus-sede, marcando a entrega parcial do complexo educacional, que já atinge 90% de execução física. O projeto de transferência do colégio para o campus universitário foi priorizado em 2022 pela Reitoria.

A estrutura foi concebida para atender às exigências da educação básica, contando com salas de aula, refeitório, auditório, parque aquático, laboratórios de informática e pontos de acesso à internet com tecnologia wi-fi 7. Os recursos financeiros foram viabilizados por meio de emendas parlamentares do Orçamento Geral da União.

“Essa obra representa mais do que tijolos e concreto; é a realização de um compromisso com a qualidade da educação básica e com o futuro das nossas crianças no Acre”, disse a reitora Guida Aquino. Ela informou que o antigo prédio do colégio, localizado no centro da capital e tombado como patrimônio histórico da instituição, passará por revitalização para abrigar o Palácio da Cultura da Ufac.

A vice-reitora eleita, Almecina Balbino, reafirmou a continuidade dos projetos de expansão da infraestrutura da instituição. “Eu estarei sempre à disposição, de portas abertas, para seguir os mesmos passos que a professora Guida deixou.”

O diretor do CAp, Ceilton França, enfatizou a adequação do projeto arquitetônico às necessidades da educação básica. “Para nós o sonho já está acontecendo. Quando enxergamos que a construção existe, é uma construção adequada à nossa realidade da educação básica.”

A vice-diretora do CAp, Alessandra Perez Lima, destacou a relevância do novo espaço para a rotina pedagógica e acadêmica. “Muito em breve vamos deixar de ser nômades e teremos o nosso lugar. Eu olho para cada espaço aqui e já vejo essas crianças correndo e sendo felizes.”

Também participaram da cerimônia o pró-reitor de Planejamento, Alexandre Rid; o pró-reitor de Administração, Marcelo Cruz; o prefeito do campus, Artesson Cruz; além de professores, técnico-administrativos, estudantes e representantes da construtora responsável pela obra.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Reitora visita obra da passarela do curso de Medicina Veterinária — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Reitora visita obra da passarela do curso de Medicina Veterinária.jpg

A reitora da Ufac, Guida Aquino, visitou, nesta quinta-feira, 6, a fase final da obra da passarela do curso de Medicina Veterinária, no campus-sede. A estrutura liga a Clínica de Medicina Veterinária ao Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) e deve ser entregue em duas semanas.

Segundo Guida, a construção da passarela atende a uma antiga reivindicação dos estudantes e integra os compromissos assumidos pela gestão. “Em breve estará pronta, em torno de duas semanas, e esse será mais um legado da nossa gestão”, afirmou. A reitora também agradeceu à equipe pelo trabalho, dedicação e compromisso ao longo dos últimos oito anos.

Além da passarela de Medicina Veterinária, a obra do novo Colégio de Aplicação da Ufac também está em fase de conclusão e deve ser entregue em breve.
Participaram da visita pró-reitores e membros da administração superior da Ufac.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS