NOSSAS REDES

ACRE

Provar jerez é como ter o mar na sua taça – 01/11/2024 – Isabelle Moreira Lima

PUBLICADO

em

No Brasil, o jerez ainda é xodó de poucos. Com olfato e paladar complexos e diferentes da ideia convencional de vinho, um processo de produção peculiar e preços que começam em R$ 100, não consegue mover paixões em massa. Mas é comum quem prova se encantar e virar advogado da causa. Todo ano, em novembro, quando é realizada a Semana Internacional do Jerez, uma campanha tenta convencer o mundo de que esse vinho é dos mais especiais que existem sobre a Terra.

Para que o leitor entenda essa paixão: há um tipo de jerez —ou sherry, ou xerez— que quando se bebe é como ter um pouco do mar na taça; é seco, refrescante, leve, mineral, salino. Tem como não se encantar com isso? Me refiro ao fino ou manzanilla, que integra uma das três famílias dos vinhos de jerez e sobre os quais falo aqui.

O nome vem de Jerez de La Frontera, município na Andaluzia, sul da Espanha. É apenas lá e nas vizinhas El Puerto de Santa Maria, Sanlúcar de Barrameda e agora em San José del Valle que esses vinhos são produzidos, o que explica um pouco do preço. O jerez fino que estagia em soleras em Sanlúcar, onde o clima é mais ameno e praiano, é chamado manzanilla (camomila).

O terroir inclui os vinhedos mais quentes do mundo, com um solo branco de giz chamado de albariza, onde são cultivadas pedro ximénez, palomino fino e moscatel, além de outras seis uvas autóctones que acabaram de ser autorizadas pela regulamentação da região.

Mas é de uma levedura chamada flor que vem o estilo vibrante, que tira o paladar do tédio e acompanha até célebres inimigos do vinho (azeitonas, tapas com ovos, peixes fortes em conserva). Ela se forma na superfície de vinhos fortificados (com adição de aguardente vínica) a 15% e os protege da oxidação.

A flor age quando o vinho vai morar em barricas que já estão quase cheias de safras anteriores, numa mistura constante que dá o perfil de cada casa de Jerez. As barricas são organizadas no sistema de “solera”, que as empilha de forma que as preenchidas com os mais antigos fiquem embaixo (no solo ou “suelo”), de onde partem para o engarrafamento, e os mais novos no topo.

Há dois anos, mudanças na regulação incluíram duas novas categorias, fino viejo e manzanilla passada, para bebidas envelhecidas por pelo menos sete anos.

Essa complexidade da produção, na taça, se mostra como um marcador de tempo: ao beber o primeiro gole entendemos que o lazer começou. Munida de um copo de fino ou manzanilla, até me engano: acho que estou saboreando um coquetel delicioso e delicado, como só alguns vinhos são.

Vai uma taça? Se esta é a sua primeira incursão no mundo de Jerez, eu iria de Manzanilla, que é delicado e tem o gosto do mar. Duas ideias são o La Guita (R$ 225 na Confraria Queijo e Vinho) e o Viva La Pepa (R$ 189 na Belle Cave). O Barbadillo Fino (R$ 149 na World Wine) tem ótimo custo-benefício.

A Sherry Week começa nesta terça (5) e, em São Paulo, a programação inclui toda sorte de atividade, desde uma excursão por bares guiada pela sommelière superespecializada Gabriele Frizon, “a louca do jerez”, no dia da abertura, até uma feira no Oka Caburé (dia 9), onde será possível provar rótulos de diferentes estilos e produtores (ingressos por R$ 50 no Sympla). As festividades serão encerradas no dia 10, com o Cine Jerez, na Vinícola Urbana, em Pinheiros, com a exibição de “Jerez y el Misterio del Palo Cortado”. A programação completa está no site da Sherry Week.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.





Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Consu aprova comissão para destinar cotas a pessoas transgênero — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

2026.09.30 Reunião Consu-Ufac (2).JPG

O Conselho Universitário (Consu) da Ufac aprovou a criação de uma comissão para elaborar a proposta de cotas de acesso à graduação para pessoas transgênero, que é uma pauta da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), recentemente criada com o objetivo de expandir políticas de inclusão na universidade. A aprovação ocorreu nessa quarta-feira, 30, na 5ª Reunião Ordinária do Consu, realizada no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, campus-sede.

A Ufac já possui regulamentação que garante o acesso por cotas à comunidade transgênero na pós-graduação desde 2023. A proposta aprovada pelo Consu busca ampliar esse direito para a graduação, assegurando não apenas a entrada, mas também o acompanhamento para permanência de estudantes até a conclusão dos cursos.

A comissão terá prazo de 90 dias para realizar os estudos e apresentar a minuta final do projeto. O grupo terá formação intersetorial, reunindo representantes das três categorias acadêmicas: docentes, técnico-administrativos e discentes, além de representantes de entidades e movimentos sociais da sociedade civil voltados aos direitos da população transgênero no Acre.

“Reafirmamos nosso compromisso ao instituir a comissão que vai deliberar sobre as cotas trans”, disser o reitor Josimar Ferreira. “Trata-se de uma ação demandada pela sociedade para incluir populações historicamente invisibilizadas, garantindo que as ações afirmativas façam parte da história do nosso conselho.”

Segundo a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Letícia Mamed, a política visa transformar a realidade de um dos grupos mais marginalizados socialmente. “Precisamos atentar para a garantia de acesso, permanência e dignidade para que essa comunidade possa construir seus projetos de vida com mais oportunidades”, comentou. “No Brasil, cerca de 30 universidades já adotam políticas semelhantes, e a Ufac dá um passo essencial para consolidar essa transformação.”

Integrante do Consu, a professora Raquel Ishii ressaltou que a comissão foi criada para ir além da gestão superior da universidade. “Considero essa aprovação uma grande vitória para a sociedade civil e para a universidade. A comissão amplia o debate da pós-graduação para a graduação. Trata-se de um grupo bem amplo, constituído não só pela gestão, mas com convites abertos ao Diretório Central dos Estudantes e a movimentos sociais externos à universidade.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

A Diretoria Geral do Campus Floresta (DG-Camp), por meio do Setor de Assistência Estudantil (SAE-CZS), comunica a suspensão do Restaurante Universitário nesta segunda-feira, 28, para o Campus Floresta, em decorrência do ponto facultativo decretado pela Reitoria por meio da Portaria n.º 3.914, de 24/09/2026, em virtude da celebração do Aniversário do município de Cruzeiro do Sul (AC).
Contamos com a compreensão de toda a comunidade acadêmica.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Gestão da Ufac realiza visita ao laboratório Charles Mérieux — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

2026.09.24 Visita ao laboratório Charles Mérieux (2).jpg

A Ufac realizou uma visita institucional ao Centro de Infectologia Charles Mérieux (CICM). A agenda reuniu a gestão superior da universidade, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e representantes do centro para alinhar propostas de cooperação que permitam o desenvolvimento de pesquisas avançadas e projetos de inovação em saúde pública nas instalações do laboratório. O encontro ocorreu nessa quinta-feira, 24.

O coordenador de Gestão e Infraestrutura do CICM, George Dobré, apresentou as propostas operacionais para viabilizar o uso da infraestrutura laboratorial por equipes de pesquisadores e estudantes da Ufac. A iniciativa visa unificar o potencial de pesquisa acadêmica da universidade com a capacidade tecnológica e de vigilância do centro.

A reunião contou com a presença do reitor Josimar Ferreira; do pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Dionatas Meneguetti; do diretor de Pesquisa da Ufac, Thiago Augusto da Cunha; do diretor-geral da Fiocruz-RO, Jansen Medeiros; e dos pesquisadores da Fiocruz, Gabriel Melim e Deusilene Vieira, que também atua como coordenadora de Pesquisa, Vigilância e Educação do CICM.

(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS