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PS de Rio Branco entra em colapso e pacientes são medicados dentro de ambulâncias do Samu
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5 anos atrásem
O maior hospital de urgência e emergência do Acre, o pronto-socorro de Rio Branco, entrou em colapso total na noite de quinta-feira (15).
A reportagem recebeu diversas reclamações que partiram dos pacientes, acompanhantes e até mesmo de profissionais da saúde que, segundo eles, estavam impossibilitados de trabalhar naquelas circunstâncias.
Todas as salas do trauma e enfermarias estavam lotadas, até nos corredores da unidade de saúde haviam macas com pacientes.
Segundo o relato de um profissional da saúde que pediu para não se identificar, o hospital estava tão lotado que as ambulâncias do Samu já não estavam mais conseguindo deixar os pacientes porque não havia mais espaço e muito menos maca para acomodar os infermos.
Uma ambulância que veio do município de Epitaciolândia estava com pacientes politraumatizados no interior do veículo há mais de 12 horas, aguardando uma maca serem liberados e ter uma vaga no setor de emergência do trauma. Enquanto isso, os pacientes receberam a medicação dentro da ambulância. Familiares estavam revoltados pela situação e pediram à imprensa noticiar o fato.
Outros acompanhantes disseram que estavam mais de 10 horas sem notícias dos seus parentes, pois não puderam ficar com seus entes queridos porque o PS já estava lotado.
Para aumentar ainda mais a angústia e a revoltada da população, os seguranças foram tirados e o transtorno ficou maior, pois algumas portas de acesso ao interior do hospital tiveram que ser fechadas, e muitos usuários de entorpecentes resolveram intimidar os acompanhantes em busca de dinheiro para comprar drogas. Com a saída desses vigilantes, a segurança da unidade ficou totalmente fragilizada e exposta à ocorrências mais graves na área policial.
A reportagem entrou em contato com a direção do pronto-socorro de Rio Branco que emitiu uma nota para esclarecer os fatos, veja a nota:
Acerca da reportagem, que afirma que o Pronto Socorro está em “colapso”, a Direção da unidade vêm à público apresentar os seguintes esclarecimentos:
1. O Hospital de Urgência e Emergência – Pronto Socorro de Rio Branco é uma unidade de referência em atendimento de alta complexidade, realizando em média 9000 atendimento por mês. São cerca de 300 entradas por dia de pacientes das mais diversas especialidades, referenciados de outras unidades, trazidos pelo SAMU e por demanda própria. Este perfil é o regular para a instituição.
2. Nas últimas semanas, com o avanço da vacinação e a retomada de serviços, comércios e diversas atividades que encontravam-se suspensas pela pandemia de Covid-19, houve um sensível aumento na procura de pacientes por atendimento.
3. Com isso, na noite de 16/07/2021, houve uma superlotação pontual de pacientes em atendimento concomitante, situação que foi amenizada com a referência de diversos casos para outras unidades de saúde, inclusive UPAs e Fundhacre.
4. Acerca da presença de acompanhantes no interior do hospital, insta frisar que, a fim de preservar as normas sanitárias e de controle de infecção hospitalar, os setores de cuidados mais críticos e complexos não comportam a presença destes, independentemente do quantitativo de pacientes em atendimento.
5. Acerca da vigilância que foi mencionada, esclarecemos que o contrato com a Empresa Protege está em negociação pela Secretaria de Estado de Saúde, a qual providenciou, junto à Polícia Militar, a intensificação de rondas, não somente no PS, nas em todas as unidades de saúde em que tais vigilantes atuavam.
6. Por fim, esta Direção reafirma seu compromisso com a saúde da população, e informa que está tomando todas as medidas administrativas possíveis para lidar com o súbito aumento da demanda por atendimento, primando sempre pela integridade e restabelecimento da saúde dos pacientes que buscam o Pronto Socorro.
Atenciosamente,
Areski Peniche
Gerente Geral do Pronto Socorro
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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2 dias atrásem
15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.
A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).
O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.
Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.
“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.
O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.
Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.
Fhagner Soares – Estagiário