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Quais são os objectivos da Turquia? – DW – 12/04/2024

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Notícias de que a guerra civil em Síria que reapareceu não surpreendeu os cidadãos turcos. Presidente Recep Tayyip Erdogan e o seu parceiro de coligação nacionalista de direita, Devlet Bahceli, falaram pouco mais do que a mudança de poder no Médio Oriente e quais poderiam ser as possíveis consequências negativas disso para Peru há mais de dois meses.

A sugestão foi que mudanças regionais poderiam ser vantajosas para Curdos na Síria que controlam o nordeste de Rojava — também conhecida como Administração Autônoma do Norte e Leste da Síria (AANES) — desde o início da guerra civil em 2011, um facto que tem sido um espinho constante no lado de Ancara.

O governo turco também está preocupado com outro desenvolvimento na região: o presidente sírio Bashar al-Assadaliados Hezbolá e Irã foram enfraquecidos após um ano de ataques a Israel; e protetor de Assad Rússia está cada vez mais investido na invasão da Ucrânia. A Rússia ainda mantém bases militares na Síria, mas o especialista em segurança baseado em Istambul, Burak Yildirim, diz que Moscou só tem 13 caças estacionados lá agora, sete dos quais estão operáveis, depois de ter 50 lá antes de sua chegada. guerra de agressão contra Kyiv.

Acrescente a isso o facto de os EUA terem afirmado que também querem reposicionar-se na região. Embora ainda não esteja claro como isso poderá parecer sob o novo presidente Donald Trump. As questões incluem se ele retirará os soldados dos EUA da Síria e Iraquee que impacto isso pode ter.

Uma ‘janela de oportunidade’ para os rebeldes sírios

Os rebeldes sírios reconheceram a situação como uma janela de oportunidade, iniciando uma grande ofensiva contra Assad e as suas tropas em 27 de Novembro. os viu tomar a segunda maior cidade da Síria, Aleppoem questão de dias. Agora eles estão expandindo a campanha para outras cidades próximas. A operação está a ser liderada pelo islamita Hayat Tahrir al-Sham (HTS), um grupo regional anteriormente aliado da Al-Qaeda. Os EUA designaram o HTS como organização terrorista em 2018.

Observadores dizem que Ancara provavelmente foi informada da operação antes de ela começar. Sem a aquiescência de Ancara ou potencialmente o seu apoio, não há forma de o HTS ter qualquer hipótese contra Assad, explicou o especialista em Médio Oriente Michael Lüders numa entrevista ao canal de notícias público alemão Deutschlandfunk: “Não só não há dúvida de que Ancara sabia da ofensiva , também está a fornecer assistência militar. Naturalmente, os rebeldes precisam de armamento adequado. Olhando para a situação geográfica, só podem obtê-lo da Turquia.”

A região noroeste de Idlib, onde a ofensiva começou, está, em essência, hermeticamente fechada.

Forças do governo sírio reagem contra rebeldes

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O objetivo de Ancara é derrubar os curdos

Quando a guerra civil na Síria começou, Ancara ficou do lado dos rebeldes, rompendo todas as relações diplomáticas com Damasco. Mais recentemente, o Presidente Erdogan tentou reavivar os laços diplomáticos mas Assad rejeitou a abertura, dizendo que a normalização estava fora de questão até que as tropas turcas fossem retiradas do norte da Síria.

Mas a Turquia não está disposta a retirar as suas tropas do que chama de “zona de segurança” no norte da Síria, que a Turquia controla com a ajuda do Exército Nacional Sírio (SNA), uma milícia islâmica apoiada por Ancara.

O objetivo final da Turquia é derrubar a Administração Autônoma Curda do Norte e Leste da Síriaonde o Partido da União Democrática (PYD), um desdobramento do banido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK)está no controle.

Actualmente, os dois grupos mais poderosos que operam na região são o HTS e o SNA. Este último, segundo o especialista turco em Médio Oriente Erhan Kelesoglu, iniciou imediatamente uma ofensiva contra os curdos assim que Aleppo caiu.

Ancara nega qualquer envolvimento na Síria, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Hakan Fidan, a dizer que a Turquia nunca apoiaria atividades que pudessem desencadear outra inundação de refugiados. A Turquia acolheu cerca de 3,5 milhões de refugiados sírios desde o início da guerra, mas o clima começou a piorar como resultado da grave crise económica da Turquia. A migração desempenhou um papel descomunal nas recentes eleições municipais e parlamentares da Turquia, colocando o Presidente Erdogan sob pressão para agir. Erdogan deixou claro que gostaria de enviar a maioria desses refugiados de volta para a Síria. Eles seriam transferidos para a zona tampão no norte da Síria. Erdogan repetiu recentemente a sua intenção de manter o controlo da faixa de 30-40 quilómetros (19-25 milhas).

O ressurgimento da guerra na Síria não surgiu do nada, diz especialista

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Quanto controle Ancara tem sobre o SNA?

Mas será que Erdogan estaria disposto a cooperar com os jihadistas fazer isso? De acordo com Burak Yildirim, é exactamente isso que é o SNA apoiado pela Turquia. O controle do grupo, diz ele, está nas mãos de rebeldes que agem sob instruções de Ancara.

“Na maior parte, as operações estão a decorrer de acordo com os planos da Turquia”, disse ele, observando que actualmente não há lutas internas entre os insurgentes. “O HTS e o SNA querem ver a queda de Assad”, disse Yildirim, acrescentando que poderiam dividir a região entre si.

Desde o fim de semana, os islâmicos aliados da Turquia também relataram sucesso no combate aos curdos. O SNA, por exemplo, afirmou ter assumido o controlo da área em torno de Tell Rifaat e está a planear ataques a outras cidades curdas em breve.

No entanto, embora o governo turco esteja a prestar apoio militar à actual ofensiva, está a tentar evitar um conflito directo com a Rússia, o Irão e o regime de Assad, explicou Kelesoglu, especialista em Médio Oriente. Mas primeiro, disse ele, Ancara vai esperar e ver até onde os seus aliados conseguem fazer recuar os curdos e quanto do seu território podem tomar.

O exército turco iniciou grandes operações militares na região em 2016 e tem sido bombardeando áreas controladas pelos curdos desde então. Os soldados turcos estão atualmente estacionados em Jarabulus, al-Bab, A’zaz, Tell Abyad e no reduto rebelde Idlib.

Organizações como a ONG Human Rights Watch (HRW) afirmam que Ancara está a cometer crimes de guerra na sua campanha. Num relatório divulgado em março, a HRW afirmou que Ancara era responsável por sequestros, saques, tortura e violência sexual. A Turquia, afirmou, é culpada por ataques pesados ​​e possíveis crimes de guerra, cometidos tanto pelas suas próprias tropas como por grupos locais armados que operam em áreas ocupadas pela Turquia no norte da Síria.

Qual é o envolvimento da Turquia na Síria?

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Este artigo foi traduzido do alemão por Jon Shelton



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Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre

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Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio-interna.jpg

A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.

A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.

O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.

Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.

A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.

A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.

O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.



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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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