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Quando estudante em Londres, ansiava por voltar para casa, até encontrar o paraíso: uma vasta e antiga vila com colegas de casa perfeitos | André Martins

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Andrew Martin

EUm meados da década de 1980, eu tinha 20 e poucos anos e estava lendo para a Ordem dos Advogados em Londres. Eu estava morando em um quarto mofado em Balham e voltando regularmente para a zona de conforto de minha cidade natal, York, quando um amigo me disse que um quarto estava sendo alugado em uma casa compartilhada em Leytonstone.

Eu não esperava muito do E11. Eu não esperava árvores, por exemplo, mas minha caminhada desde o atraente estação de metrô art déco me levou por estradas melhor descritas como avenidas. A casa em si parecia quase a última em Londres, uma ilusão criada pela proximidade de Wanstead Flats. Era uma casa grande e isolada da década de 1920, branca com telhado vermelho, e tinha um nome, mas vou chamá-la apenas de villa.

Havia lareiras em todos os cômodos do andar de baixo, e a maioria das lareiras estava acesa naquela noite de outono, quando a porta foi atendida pelo bondoso chefe da vila, um elegante velho etoniano fazendo doutorado em história. Os outros inquilinos eram um poeta-acadêmico e sua esposa, uma pintora. Todos eram alguns anos mais velhos que eu e gostei deles imediatamente.

Na minha “entrevista” para o quarto, explicaram que alugaram a moradia a uma associação habitacional, uma vez que estava prejudicada pela perspectiva da estrada de ligação M11, que ligaria a M11 à A12 – arrasando grande parte de Leytonstone, e provavelmente a villa, no processo.

Houve um momento complicado no meu primeiro dia de residência, quando peguei o Guardian da cozinha até meu quarto. O patrão foi bastante severo com isso: “O Guardião não sai da cozinha”. Caso contrário, as relações eram harmoniosas. Meus três colegas de casa estabeleceram um tom civilizado que eu aspirava. Ensinaram-me a cozinhar, começando pelo molho ragu, a cola – por assim dizer – que mantém unida qualquer casa comunitária. Eles encorajaram meus romances desajeitados: “Convide-a para jantar, Andrew. Vamos sair, se você quiser. Havia uma TV na grande sala com painéis de madeira, mas ninguém assistia. Passamos muito tempo ouvindo discos deitados em espreguiçadeiras de veludo (a casa estava cheia de espreguiçadeiras).

Lembro-me do poeta me pedindo para tocar a música do Talking Heads Fique com fome repetidamente porque ele gostou muito das falas: “Aqui está aquele ritmo de novo/ Aqui está minha omoplata”. Havia um telefone branco sobre uma mesa telefônica. As mensagens foram anotadas meticulosamente: “André, seu pai ligou. Ligue de volta ‘se você quiser’.”

O patrão tinha um cachorro, um vira-lata esbelto e inteligente chamado Ben. Muitas vezes caminhei com Ben em Wanstead Flats, conhecido por sua baixa neblina de inverno. Eu tinha ouvido falar que a imaginação mórbida de Alfred Hitchcock, que nasceu em Leytonstone, era alimentada pela maneira como as torres da corte da coroa de Snaresbrook assomavam ameaçadoramente naquela névoa.

Sempre imagino cenas de inverno quando me lembro da vila. Minha memória se concentra em um determinado final de tarde de sábado: os barcos a remo estão congelados no gelo de Hollow Pond; o sol de inverno está caindo atrás do hotel Sir Alfred Hitchcock. Ben corre repetidamente para dentro da névoa, sempre encontrando milagrosamente o pedaço de pau que acabei de jogar, e às vezes eu corro para dentro da névoa com ele, porque ocasionalmente tento vencê-lo. De regresso à villa, fazemos um desvio para a rua principal; os resultados do futebol estão sendo exibidos nas quitandas onde compro cebolas para um ragu.

Eu estava na vila na hora do grande tempestade de outubro de 1987e o incêndio de King’s Cross um mês depois. Eu poderia ter sido apanhado naquele incêndio, mas a desmoralização que uma vez me levou a fazer viagens noturnas a York havia diminuído. Quanto à tempestade, eu sabia que a vila estaria imune aos ventos com força de furacão, embora estivesse cercada por árvores altas. Nenhuma coisa realmente ruim poderia acontecer ali, porque a coisa realmente ruim já havia acontecido: algum idiota havia desligado o link M11.

A construção estava em andamento em meados da década de 1990, alguns anos depois de minha saída. A vila sobreviveu, mas, como se estivesse infectada pelo grande desfiladeiro poluído da estrada, está menos bonita do que antes. Suas janelas Crittall foram substituídas por vidros duplos de plástico e assim por diante; mas era assim que sempre seria. Eu me senti tão à vontade ali precisamente porque sabia que a situação era temporária, condicional. O cavalo de presente veio até mim; Eu vi o que era e sabia onde não procurar.



Leia Mais: The Guardian

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Curso de Medicina Veterinária da Ufac promove 4ª edição do Universo VET — Universidade Federal do Acre

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Curso de Medicina Veterinária da Ufac promove 4ª edição do Universo VET — Universidade Federal do Acre

As escolas da rede municipal realizam visitas guiadas aos espaços temáticos montados especialmente para o evento. A programação inclui dois planetários, salas ambientadas, mostras de esqueletos de animais, estudos de células, exposição de animais de fazenda, jogos educativos e outras atividades voltadas à popularização da ciência.

A pró-reitora de Inovação e Tecnologia, Almecina Balbino, acompanhou o evento. “O Universo VET evidencia três pilares fundamentais: pesquisa, que é a base do que fazemos; extensão, que leva o conhecimento para além dos muros da Ufac; e inovação, essencial para o avanço das áreas científicas”, afirmou. “Tecnologias como robótica e inteligência artificial mostram como a inovação transforma nossa capacidade de pesquisa e ensino.”

A coordenadora do Universo VET, professora Tamyres Izarelly, destacou o caráter formativo e extensionista da iniciativa. “Estamos na quarta edição e conseguimos atender à comunidade interna e externa, que está bastante engajada no projeto”, afirmou. “Todo o curso de Medicina Veterinária participa, além de colaboradores da Química, Engenharia Elétrica e outras áreas que abraçaram o projeto para complementá-lo.”

Ela também reforçou o compromisso da universidade com a democratização do conhecimento. “Nosso objetivo é proporcionar um dia diferente, com aprendizado, diversão, jogos e experiências que muitos estudantes não têm a oportunidade de vivenciar em sala de aula”, disse. “A extensão é um dos pilares da universidade, e é ela que move nossas ações aqui.”

A programação do Universo VET segue ao longo do dia, com atividades interativas para estudantes e visitantes.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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Doutorandos da Ufac elaboram plano de prevenção a incêndios no PZ — Universidade Federal do Acre

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Doutorandos da Ufac elaboram plano de prevenção a incêndios no PZ — Universidade Federal do Acre

Doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (Rede Bionorte) apresentaram, na última quarta-feira, 19, propostas para o primeiro Plano de Prevenção e Ações de Combate a Incêndios voltado ao campus sede e ao Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre (Ufac). A atividade foi realizada na sala ambiente do PZ, como resultado da disciplina “Fundamentos de Geoinformação e Representação Gráfica para a Análise Ambiental”, ministrada pelo professor Rodrigo Serrano.

A ação marca a primeira iniciativa formalizada voltada à proteção do maior fragmento urbano de floresta em Rio Branco. As propostas foram desenvolvidas com o apoio de servidores do PZ e utilizaram ferramentas como o QGIS, mapas mentais e dados de campo.

Entre os produtos apresentados estão o Mapa de Risco de Fogo, com análise de vegetação, áreas urbanas e tráfego humano, e o Mapa de Rotas e Pontos de Água, com trilhas de evacuação e açudes úteis no combate ao fogo.

Os estudos sugerem a criação de um Plano Permanente com ações como: Parcerias com o Corpo de Bombeiros; Definição de rotas de fuga e acessos de emergência; Manutenção de aceiros e sinalização; Instalação de hidrantes ou reservatórios móveis; Monitoramento por drones; Formação de brigada voluntária e contratação de brigadistas em período de estiagem.

O Parque Zoobotânico abriga 345 espécies florestais e 402 de fauna silvestre. As medidas visam garantir a segurança da área, que integra o patrimônio ambiental da universidade.

“É importante registrar essa iniciativa acadêmica voltada à proteção do Campus Sede e do PZ”, disse Harley Araújo da Silva, coordenador do Parque Zoobotânico. Ele destacou “a sensibilidade do professor Rodrigo Serrano ao propor o desenvolvimento do trabalho em uma área da própria universidade, permitindo que os doutorandos apliquem conhecimentos técnicos de forma concreta e contribuam diretamente para a gestão e segurança” do espaço.

Participaram da atividade os doutorandos Alessandro, Francisco Bezerra, Moisés, Norma, Daniela Silva Tamwing Aguilar, David Pedroza Guimarães, Luana Alencar de Lima, Richarlly da Costa Silva e Rodrigo da Gama de Santana. A equipe contou com apoio dos servidores Nilson Alves Brilhante, Plínio Carlos Mitoso e Francisco Félix Amaral.

 



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Ufac sedia 10ª edição do Seminário de Integração do PGEDA — Universidade Federal do Acre

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Ufac sedia 10ª edição do Seminário de Integração do PGEDA — Universidade Federal do Acre

A Rede Educanorte é composta por universidades da região amazônica que ofertam doutorado em Educação de forma consorciada. A proposta é formar pesquisadores capazes de compreender e enfrentar os desafios educacionais da Amazônia, fortalecendo a pós-graduação na região.

Coordenadora geral da Rede Educanorte, a professora Fátima Matos, da Universidade Federal do Pará (UFPA), destacou que o seminário tem como objetivo avaliar as atividades realizadas no semestre e planejar os próximos passos. “A cada semestre, realizamos o seminário em um dos polos do programa. Aqui em Rio Branco, estamos conhecendo de perto a dinâmica do polo da Ufac, aproximando a gestão da Rede da reitoria local e permitindo que professores, coordenadores e alunos compartilhem experiências”, explicou. Para ela, cada edição contribui para consolidar o programa. “É uma forma de dizer à sociedade que temos um doutorado potente em Educação. Cada visita fortalece os polos e amplia o impacto do programa em nossas cidades e na região Norte.”

Durante a cerimônia, o professor Mark Clark Assen de Carvalho, coordenador do polo Rio Branco, reforçou o papel da Ufac na Rede. “Em 2022, nos credenciamos com sete docentes e passamos a ser um polo. Hoje somos dez professores, sendo dois do Campus Floresta, e temos 27 doutorandos em andamento e mais 13 aprovados no edital de 2025. Isso representa um avanço importante na qualificação de pesquisadores da região”, afirmou.

Mark Clark explicou ainda que o seminário é um espaço estratégico. “Esse encontro é uma prática da Rede, realizado semestralmente, para avaliação das atividades e planejamento do que será desenvolvido no próximo quadriênio. A nossa expectativa é ampliar o conceito na Avaliação Quadrienal da Capes, pois esse modelo de doutorado em rede é único no país e tem impacto relevante na formação docente da região norte”, pontuou.

Representando a reitora Guida Aquino, o diretor de pós-graduação da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg), Lisandro Juno Soares, destacou o compromisso institucional com os programas em rede. “A Ufac tem se esforçado para estruturar tanto seus programas próprios quanto os consorciados. O Educanorte mostra que é possível, mesmo com limitações orçamentárias, fortalecer a pós-graduação, utilizando estratégias como captação de recursos por emendas parlamentares e parcerias com agências de fomento”, disse.

Lisandro também ressaltou os impactos sociais do programa. “Esses doutores e doutoras retornam às suas comunidades, fortalecem redes de ensino e inspiram novas gerações a seguir na pesquisa. É uma formação que também gera impacto social e econômico.”

A coordenadora regional da Rede Educanorte, professora Ney Cristina Monteiro, da Universidade Federal do Pará (UFPA), lembrou o esforço coletivo na criação do programa e reforçou o protagonismo da região norte. “O PGEDA é hoje o maior programa de pós-graduação da UFPA em número de docentes e discentes. Desde 2020, já formamos mais de 100 doutores. É um orgulho fazer parte dessa rede, que nasceu de uma mobilização conjunta das universidades amazônicas e que precisa ser fortalecida com melhores condições de funcionamento”, afirmou.

Participou também da mesa de abertura o vice-reitor da Ufac, Josimar Batista Ferreira.



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