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Relação de EUA e Cuba piorou nos 10 anos após abertura – 14/12/2024 – Mundo

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Julia Chaib

Dez anos após a retomada das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos, em 17 de dezembro de 2014, o vínculo entre ambos os países piorou e enfrenta a expectativa de agravamento com a volta de Donald Trump ao poder.

A ilha caribenha próxima a Miami vive desde os anos 1960 sob um duro embargo econômico aplicado pelos EUA. O bloqueio tem o objetivo de diminuir as relações comerciais com Cuba, proibindo a importação de produtos e limitando a exportação de itens tanto dos EUA como de outros países ao regime instaurado por Fidel Castro.

Ao longo dos anos, a medida foi reforçada, com algumas exceções para permitir exportação de alimentos e insumos médicos, mas sempre com a condição de que o bloqueio só seria desfeito se o regime cubano mudasse.

A mudança mais evidente na relação com Cuba ocorreu com a chegada de Barack Obama ao poder, em 2008, que já assumiu com discurso mais flexível em relação à ilha. Em dezembro de 2014, ele e o então líder do regime, Raúl Castro, anunciaram a volta das relações diplomáticas. No ano seguinte, o democrata se encontrou com o cubano, e as embaixadas foram novamente reabertas.

Embora não tenha suspendido o embargo –algo que só o Congresso americano pode fazer–, Obama flexibilizou algumas sanções e tirou Cuba da lista de países que patrocinam o terrorismo. Ele ampliou as permissões de viagens e autorizou empréstimos de empresas americanas às cubanas da área de infraestrutura. Também permitiu que a ilha exportasse alguns produtos para os EUA.

O democrata ainda permitiu que fossem feitos cruzeiros com finalidade cultural a Cuba, o que acabou por aumentar o fluxo de americanos ao local.

Quando Donald Trump foi eleito, em 2017, porém, Washington retomou uma série de sanções. Foram expandidas as restrições a viagens de americanos à ilha e de cubanos aos EUA. Transações financeiras com entidades ligadas às Forças Armadas cubanas foram restringidas e foi estabelecido um limite para remessas de americanos para Cuba. Em 2021, poucos dias antes de deixar a Casa Branca, o republicano incluiu novamente a ilha na lista de países que patrocinam o terrorismo, junto com a Síria, o Irã e a Coreia do Norte.

Naquele mesmo ano, com a inauguração do governo Biden, a relação passou por nova mudança. O democrata flexibilizou novamente algumas sanções. Ao longo dos anos, ele voltou a permitir mais licenças para viagem a Cuba, eliminou o limite de transações que cubanos-americanos podem fazer para pessoas e empresas específicas na ilha. Também retomou o programa que permite a cubanos há um ano em solo americano que tentem uma residência permanente no país.

Biden também recriou um sistema por meio do qual cubanos, venezuelanos e haitianos podem morar temporariamente nos EUA com visto de trabalho. Neste ano, o Departamento de Estado liberou a emissão de vistos para intercâmbios educacionais com Cuba. O atual presidente, porém, deixou algumas medidas de Trump ativas, como a que recolocou o país na lista de apoiadores de terrorismo, e não aliviou as sanções ou o embargo histórico dos EUA contra Cuba, que já dura mais de 60 anos.

Aliados de Biden e estudiosos apontam que ele fez isso, em parte, por conta da repressão de Díaz-Canel à população. Durante protestos por melhorias econômicas em 2021, o cubano prendeu centenas de manifestantes, o que levou a uma reação de Biden.

O embargo é apontado por Cuba e por diversos países como o principal motivo pelas dificuldades da população. Em 2018, a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe da ONU confirmou que o embargo já tinha custado US$ 130 milhões nos últimos 60 anos ao país.

Os moradores de Cuba enfrentam escassez de alimentos, energia, combustível e medicamentos. A situação tem levado a um recorde de emigração de cubanos nos últimos anos. Em 2022 entraram 313 mil cubanos irregularmente nos EUA. Em 2023, foram 153 mil, segundo dados da Agência de Alfândega e Proteção das Fronteiras. Isso representa cerca de 4,8% dos 11,1 milhões de habitantes de Cuba.

Professores e diplomatas avaliam que hoje a relação com Cuba piorou e a tendência é se agravar.

“Marco Rubio [indicado para o Departamento de Estado] tem sido apoiador de uma política difícil, de pressão máxima, dificultando muito difícil para Cuba comercializar com os Estados Unidos. E talvez possa até mesmo controlar contatos entre cubanos daqui e a ilha. Então, acredito que vai ser uma volta para uma situação muito tensa que caracterizou a primeira administração de Trump”, avalia Jorge Duany, professor de antropologia da Universidade Internacional da Flórida, que estuda migração.

Ricardo Zuniga, diplomata americano que atuou no Departamento de Estado e foi um dos principais auxiliares de Obama na negociação do acordo com Cuba, avalia que as relações pioraram de lá para cá.

“Obama via o relacionamento com Cuba como um legado da Guerra Fria, que ele queria deixar para trás. Ele também acreditava que a abordagem dos EUA realmente não tinha sido bem-sucedida em alcançar o propósito de trazer mudanças positivas para Cuba e ter um vizinho mais democrático e assim por diante”, conta

Zuniga diz que Obama fez o que pode dentro das condições do embargo e isso foi suficiente para gerar uma onda de otimismo. Segundo ele, os Castros, no entanto, reagiram mal ao discurso do democrata, que soou como uma ameaça política, e fez Havana dar passos para trás na relação.

“Vimos uma desaceleração na disposição cubana de seguir, de estar, de meio que acompanhar um relacionamento mais positivo. Quando Trump venceu, acho que eles perceberam que cometeram um erro ao não aproveitar a janela de oportunidade que existia sob Obama. Trump assumiu e simplesmente reverteu tudo e isso realmente fechou a porta”, avalia Zuniga.

Veja o que cubanos e americanos podem fazer:

Cidadãos norte-americanos podem fazer viagens de turismo a Cuba?

Não. Viagens a turismo são proibidas por lei. Os americanos têm 12 licenças para ir a Cuba ligadas a algumas atividades específicas: trabalho, comparecer a eventos esportivos e públicos, jornalismo, visitas familiares, assuntos governamentais, atividades religiosas, pesquisa, projetos humanitários e atividades de exportação autorizadas.

Nesses casos, precisam de visto?

Sim.

Tem limite de dinheiro para levar?

Não, mas se o montante for superior a US$ 5 mil, o valor precisa ser declarado. Cartões de crédito e débito dos EUA não funcionam em Cuba. É preciso levar dólares ou euros e trocar por peso no país.

Os americanos podem se hospedar em qualquer lugar em Cuba?

Não. O Departamento de Estado tem uma lista com endereços de acomodações que são proibidas para os americanos por serem do governo ou controladas por ele, por exemplo.

Cidadãos americanos podem mandar dinheiro para Cuba?

Sim, em algumas situações. Os americanos podem enviar dinheiro a membros da família, pessoas específicas e algumas entidades. Há uma lista com uma série de organizações e pessoas que são proibidas de receberem dinheiro dos Estados Unidos por estarem ligadas a militares e ao partido de Cuba.

Cubanos podem viajar para os Estados Unidos?

Sim.

Precisam de visto?

Sim.

Cubanos podem residir nos Estados Unidos?

Sim, a depender do caso. Uma lei de 1966 permite que nativos ou cidadãos cubanos que estejam a um ano no país, mesmo que tenham entrado de forma ilegal, possam tentar obter um visto de residência permanente. Em algumas situações, o governo também pode dar um parole, que é uma autorização de visto temporária. Em 2022, os EUA retomaram o Programa de Parole de Reunificação Familiar Cubana, que permite a parentes de cubanos que aguardam a resposta sobre o visto permanente fiquem no país norte-americano por até três anos.



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Herbário da Ufac participa do 76º Congresso Nacional de Botânica — Universidade Federal do Acre

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A servidora Júlia Gomes da Silva, curadora do Herbário da Ufac, vinculado ao Parque Zoobotânico (PZ), representou a instituição no 76º Congresso Nacional de Botânica e 15º Encontro de Botânicos do Centro-Oeste, eventos ocorridos de 11 a 16 de outubro, em Campo Grande. Ela participou de mesa-redonda com apresentação das coleções dos herbários da região Norte.

Na ocasião, os curadores discutiram avanços, desafios estruturais e o futuro das coleções científicas do país. Durante sua exposição, Júlia conduziu o público por uma linha do tempo que remonta a 22 de outubro de 1979, data da primeira coleta registrada no campus-sede da Ufac: uma ‘Vismia’ (gênero científico de planta) coletada por L. Coêlho. Em razão desse registro, o herbário da Ufac comemora 47 anos nesta quinta-feira, 22.

Júlia destacou perspectivas importantes para o cenário científico acreano. Entre os projetos de destaque estão investimentos viabilizados via Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), incluindo a projeção de um novo prédio de cerca de 600 metros quadrados e a aquisição de armários compactadores modernos para garantir a preservação do acervo em longo prazo.

Também representaram a Ufac estudantes do campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), e a professora Simone Reis. A universidade enviou 11 resumos, dos quais oito foram apresentados. O evento possibilitou a troca de experiência com botânicos do país e conversas sobre parcerias de trabalho, incluindo a realização de expedições para grupos de plantas pouco estudados no Acre.

Herbário

O Herbário da Ufac tem uma equipe técnica composta por Júlia Gomes da Silva, Izailene Saar e colaboradores, como a ex-curadora e atual vice-reitora Almecina Balbino, o técnico Davi Borges e estagiários. O acervo abriga preciosidades da flora amazônica e sul-americana, registrando a superação de gargalos históricos de digitalização e integrando atualmente plataformas globais de dados de biodiversidade, como o SpeciesLink e o Global Biodiversity Information Facility.

Entre os marcos recentes destacados está o avanço na informatização de milhares de registros e a aposta em inovações, como a participação na Rede de Herbários Espectrais da Amazônia, que utiliza a espectroscopia no infravermelho próximo (tecnologia NIR portátil) para otimizar a identificação de espécies diante da escassez de taxonomistas na região.

A informatização completa do acervo ainda está em processo e figura como um dos principais objetivos da equipe, que agradeceu à direção do PZ e à Ufac pelo apoio contínuo aos servidores e à coleção, além de exaltar o esforço coletivo dos bolsistas, voluntários e parceiros que documentam, protegem e estudam a flora e funga brasileira.



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Ufac retoma Semana Acadêmica de Física após 6 anos, com planetário — Universidade Federal do Acre

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Ufac retoma Semana Acadêmica de Física após 6 anos, com planetário — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) realiza até esta sexta-feira, 23, a 3ª Semana Acadêmica de Física, no prédio do curso, no campus-sede, em Rio Branco. Iniciado nessa segunda-feira, 19, o evento retoma as atividades presenciais da semana acadêmica após seis anos de interrupção, causada pela pandemia de covid-19 e pela reorganização do calendário universitário.

A programação tem atrações abertas ao público, como oficinas de astronomia, observação do Sol com telescópio e um planetário móvel, instalado no segundo andar do prédio de Física. Há ainda palestras, apresentações de pesquisas de estudantes e minicursos práticos de elaboração de material didático, física experimental, criação de mapas, processamento de dados e sismologia.

Organizada em três eixos temáticos, a semana é voltada aos estudantes da licenciatura e do bacharelado em Física e do curso de Física Aplicada às Ciências da Terra. Os primeiros dias tiveram debates e palestras sobre o ensino de física e a formação docente. Em seguida, a programação trata de física pura, como mecânica quântica, relatividade e física de partículas, e termina com geofísica, astronomia e fenômenos naturais.

Segundo o coordenador do evento e professor do curso de Física, Victor Carreira, a retomada presencial reaproxima o curso da comunidade externa e das escolas de educação básica. Turmas do Instituto Federal do Acre visitaram a semana, e escolas da rede pública foram convidadas.

“A semana acadêmica é muito importante tanto para os nossos alunos quanto para a comunidade em geral de Rio Branco”, disse Carreira. “É uma oportunidade para jovens do ensino médio conhecerem a universidade e vivenciarem a ciência na prática.”

A cerimônia de encerramento ocorre nesta sexta-feira, 23, à tarde.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)

 



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Pavic-Lab da Ufac apresenta seis trabalhos em congresso internacional de computação — Universidade Federal do Acre

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Pavic-Lab da Ufac apresenta seis trabalhos em congresso internacional de computação — Universidade Federal do Acre

Pesquisadores do projeto Pavic-Lab, da Universidade Federal do Acre (Ufac), apresentaram seis trabalhos científicos durante a Conference on Graphics, Patterns and Images (SIBGRAPI 2026), congresso internacional de referência nas áreas de computação gráfica, processamento de imagens e visão computacional, realizado de 29 de setembro a 2 de outubro, em Goiânia (GO). As pesquisas foram desenvolvidas no projeto de pesquisa e desenvolvimento (P&D) Pesquisas Aplicadas em Visão e Inteligência Computacional (Pavic-Lab), uma iniciativa de cooperação técnico-científica entre a Ufac, Motorola, Flextronics e Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape).

Segundo a professora do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas (CCET), Ana Beatriz Alvarez Mamani, a participação no congresso contribui para divulgar a produção científica desenvolvida no Acre e ampliar o intercâmbio com outras instituições. Ela destacou que a presença da Ufac em eventos científicos também ajuda a reduzir as desigualdades regionais na ciência brasileira, além de possibilitar novas parcerias e o aperfeiçoamento das pesquisas.

A equipe foi composta pela professora Ana Beatriz Alvarez Mamani, pelo pesquisador Quefren Leher, pelos mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação (PPGCC) Clécio Silva, Lucas Carvalho, Gustavo Ferreti, Julio Martins e Ian Teixeira, além do graduando em Sistemas de Informação Kauã Galvão de Macedo.

Dos seis trabalhos apresentados, um integrou uma sessão especial do congresso e já foi publicado na revista científica Computers & Graphics. Outros três foram apresentados na programação principal, com previsão de publicação nos anais do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) e na biblioteca digital da Sociedade Brasileira de Computação (SBC). Os dois trabalhos restantes foram apresentados em workshops, também com previsão de publicação na biblioteca digital da SBC.

As pesquisas estão divididas em duas áreas principais: reconstrução tridimensional e processamento de imagens. Na primeira, Clécio Silva apresentou um método computacional para criar representações digitais mais detalhadas de ambientes internos a partir de imagens. A tecnologia pode ser aplicada em jogos, realidade virtual e aumentada, simulações e projetos da construção civil.

Na área de processamento de imagens, Lucas Carvalho apresentou uma pesquisa para reconstruir imagens de alta faixa dinâmica (HDR) a partir de uma única imagem convencional, buscando recuperar detalhes em regiões claras e escuras. Gustavo Ferreti desenvolveu uma rede neural para combinar imagens com diferentes níveis de exposição e melhorar a qualidade visual dos resultados.

Julio Martins apresentou uma metodologia para reduzir o custo computacional da reconstrução de imagens HDR, preservando a qualidade das imagens produzidas. Ian Teixeira investigou o uso de mecanismos de atenção em modelos de inteligência artificial para recuperar informações em imagens de baixa qualidade. Já Kauã Galvão de Macedo apresentou uma abordagem que combina redes neurais e técnicas de processamento de sinais para melhorar imagens capturadas em ambientes com pouca iluminação.

Os métodos desenvolvidos apresentam potencial de aplicação em sistemas embarcados com recursos computacionais limitados, como dispositivos eletrônicos que integram processamento de imagens, permitindo aprimorar a qualidade visual com menor demanda de processamento.

Para o graduando Kauã Galvão de Macedo, a participação no congresso proporcionou a oportunidade de apresentar os resultados de sua pesquisa e conhecer novas abordagens científicas. “Foi uma ótima experiência, tanto pela oportunidade de apresentar minhas pesquisas desenvolvidas na Ufac quanto pela troca de conhecimentos com pesquisadores de outras instituições”, afirmou.

Segundo Kauã, as discussões realizadas durante o evento possibilitaram o contato com técnicas que poderão contribuir para suas pesquisas e para os projetos desenvolvidos pelo Pavic-Lab, além de abrir oportunidades de colaboração científica.

O mestrando em Ciência da Computação Gustavo de Souza Ferreti também destacou a importância da experiência para sua formação acadêmica. “Tive a oportunidade gratificante de conhecer professores e pesquisadores com ampla trajetória no nosso campo, além de ouvir sobre suas vivências e receber orientações valiosas para aprimorar meu trabalho”, disse.

O Pavic-Lab desenvolve atividades de pesquisa voltadas ao processamento de imagens, ao aprimoramento da qualidade visual e à reconstrução tridimensional de ambientes e objetos. Após a participação no congresso, a equipe dará continuidade às pesquisas científicas, com novos experimentos e avaliações para aperfeiçoar os métodos, reduzir custos computacionais e ampliar as possibilidades de aplicação prática dos resultados.



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