NOSSAS REDES

ESPECIAL

Relato de um sobrevivente: Calma nos salvou, relata motorista de caminhonete levada por onda de lama

Folha de São Paulo, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

PUBLICADO

em

Veja o vídeo:

Funcionários da Vale contam como sobreviveram a rompimento da barragem em Brumadinho (MG).

Foto de capa: Caminhonete usada por Elias e Sebastião para tentar fugir da lama.

O “pai nosso que estais no céu” começou quando Elias e Sebastião viram que não tinha mais saída. Eles até tentaram fugir, dirigindo em zigue-zague em busca de uma estrada que leva a um ponto mais alto da mina, mas àquela altura a lama já havia cercado a caminhonete em que os dois amigos estavam.

Veio um primeiro estrondo: eram os rejeitos batendo em uma das portas. Veio um segundo estrondo: eram os rejeitos batendo na outra. O carro balançava, mas a reza seguia forte, já gritada. No exato momento em que terminaram dizendo “amém”, tudo parou.

A lama havia levantado a caminhonete, que ficou na diagonal, com o lado do passageiro virado para o céu. Os poucos segundos que se seguiram até que eles saíssem do carro foram uma mistura de choque e calma. Sebastião paralisou, mas Elias se esticou e conseguiu abrir a porta do lado do amigo.

A poucos metros dali, Leandro já estava quase completamente soterrado, só com parte do rosto para fora. Respirava com dificuldade, porque seus pulmões estavam prensados entre a lama e a carregadeira que ele conduzia, mas ainda podia pedir socorro.

No alto, à esquerda, a caminhonete onde estavam Sebastião Gomes e Elias Nunes; mais ao centro, a carregadeira laranja onde estava Leandro Cândido 

https://i2.wp.com/f.i.uol.com.br/fotografia/2019/01/26/15485183445c4c83c8c90ad_1548518344_3x2_md.jpg?resize=740%2C493&ssl=1

Só estava vivo porque alguns momentos antes, quando viu a lama fazer com que vagões de trem voassem bem na sua frente “como cena de filme”, pensou rápido a ponto de tirar o cinto e quebrar o vidro lateral com o pé. 

Quando a lama chegou rompendo o para-brisa e “tomando a máquina toda”, ele teve por onde sair.
Mas não conseguiria ter saído sozinho. Elias e Sebastião andaram sobre a densa lama de rejeitos até chegarem a ele e cavaram com as mãos os escombros para arrancá-lo dali. “Pode puxar”, dizia ele mesmo, com a perna presa no maquinário. A bota ficou.

https://i1.wp.com/f.i.uol.com.br/fotografia/2019/02/02/15491362115c55f1537ef57_1549136211_3x2_md.jpg?resize=740%2C493&ssl=1

Foto: Elias de Jesus Nunes, 43, sobrevivente que estava em caminhonete.

A partir daí ele não lembra direito o que aconteceu, só viu depois na TV, já com a perna fraturada e 22 pontos no braço: um helicóptero da TV Record registrou Sebastião, que estava erguendo um colete laranja para que resgatassem Leandro. Alguns minutos depois chegou a aeronave da Polícia Militar, que o levou a uma ambulância e, finalmente, ao hospital.

Elias Nunes, 43, Sebastião Gomes, 53, e Leandro Cândido, 37, estão entre as pessoas resgatadas com vida após o rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (região metropolitana de Belo Horizonte), naquela sexta-feira (25). Outras 121 morreram e 226 continuam desaparecidas, a maioria delas também funcionárias da Vale.

Sebastião trabalha para a companhia há nove anos; Elias, há 13. A função dos dois naquele dia era acompanhar funcionários terceirizados que prestavam serviços sanitários em uma fossa do complexo da mina do Córrego do Feijão.

“A calma nos salvou. Se tivesse me desesperado, a gente estaria ali hoje sendo achado pelos bombeiros como 80%, 90% dos amigos que eu perdi”, diz Elias, que saiu ileso, em sua casa na cidade de Mário Campos (Grande Belo Horizonte) junto das filhas.

Quando ouviu um barulho “que parecia de dinamite” da barragem ruindo, foi ele quem pensou em sair correndo para dentro da caminhonete e chamou Tião, como o colega é conhecido, para entrar no banco do passageiro.

Tião chegou a tropeçar antes de chegar no carro, mas conseguiu se levantar. Elias dirigiu até se ver cercado pela lama. Foi quando desligou o veículo, com medo de que ele pegasse fogo com o impacto dos rejeitos, e eles começaram a rezar.

“É uma força muito grande [a da lama], acho que nem uma bomba atômica faria aquilo. [Depois que a onda de rejeitos passa], é como se nunca tivesse existido nada ali”, descreve Elias.

Toda a cena da fuga foi filmada por uma câmera de segurança da mineradora e divulgada depois pela Band. Ele não gosta de rever as imagens, que têm passado frequentemente na televisão.

Sebastião está há sete dias quase sem dormir, chorando a todo momento.

“Não estou querendo falar muito sobre isso, o psiquiatra me deu até esses remédios pra eu tomar”, afirma ele em seu sofá ao lado da esposa, na cidade de Betim, também na Grande BH.

Cabisbaixa e com a fala lenta, Ana Gomes, 47, diz que agora tem que ser forte em dobro, por si e pelo marido. “Mexe com a mente da gente demais da conta. Ele não consegue nem conversar direito, dá desespero e choro nele, perdeu muitos amigos.” Fisicamente, porém, Sebastião só sofreu alguns arranhões nos joelhos e nos braços.

Já para o pai de Leandro, faltaram palavras na hora em que conheceu a dupla que resgatou seu filho, que trabalha há dois anos carregando os vagões do trem com minério de ferro que foi arremessado e soterrado pela lama.

“Eles disseram ‘fomos nós que salvamos o seu filho’. Eu não tive nem argumento para responder, só agradeci e chorei”, conta Antônio Cândido, 62, ainda com os olhos marejados.

A Vale até agora não trouxe a público os documentos que, diz a empresa, atestavam a estabilidade da barragem 1 da mina do Córrego do Feijão. Segundo a mineradora, os papéis foram “entregues às autoridades competentes”.

Conforme revelou a Folha, a empresa já previa em seu plano de emergência que a área da administração e o refeitório (onde morreu a maioria das pessoas) poderiam ser destruídos em menos de um minuto caso a estrutura colapsasse.

Oito dias depois, Leandro ainda se questiona sobre como tudo aconteceu. “Meia hora antes estava rindo com os amigos. Fico pensando como tudo mudou tão rápido.” Por Fabrício Lobel e Júlia Barbon. 

Advertisement
Comentários

Comente aqui

EXCLUSIVO

Ação Civil Pública contra ex-gestores de Tarauacá será arquivada na Justiça

Avatar

PUBLICADO

em

Em decisão de 01/11/2019, o magistrado determinou novamente a intimação das partes para requerer o que entender de direito no prazo de 30 dias, sob pena de arquivamento dos autos. Ninguém se manifestou ainda. 

No ano de 2006, a Procuradoria Jurídica da Prefeitura de Tarauacá ajuizou Ação Ordinária de Ressarcimento ao Erário Público contra Jasone Ferreira da Silva, Moisés Diniz Lima, Francisco das Chagas Gomes de Figueiredo Filho, Francisco de Assis da Silva Souza, Raimundo Pinheiro Zumba e Gilcélio Acioli Holanda.

Na época, os então requeridos Jasone Ferreira da Silva, Moisés Diniz Lima, Francisco das Chagas Gomes de Figueiredo Filho e Raimundo Pinheiro Zumba foram condenados a devolver aos cofres públicos os valores definidos na r. Sentença, enquanto os requeridos Francisco de Assis da Silva Souza e Gilcélio Acioli Holanda foram absolvidos, conforme sentença de págs. 461/469, dos Autos 0500683-27.2006.8.01.0014 (014.06.500683-0). 

O então requerido Moisés Diniz Lima fez acordo com o Município de Tarauacá sobre os valores que deveria ressarcir, enquanto os demais impetraram recurso de apelação contra a Sentença condenatória.

Moisés Diniz Lima, na época, requereu a extinção do processo em razão de ter efetuado o pagamento da dívida devidamente atualizada. O que foi aceito pela Justiça.

O então requerido Raimundo Pinheiro Zumba, por sua vez, pugnou pela extinção do processo, pelo fato do ter efetivado o pagamento da totalidade do débito, ocorrido solidariamente com requerido Moisés Diniz Lima, em vista da condenação ter sido em regime solidário entre ambos, tratando-se de mesma dívida que foram aos valores efetivamente pagos.

Em manifestação, o Ministério Público pugnou pela extinção do processo em relação aos requeridos Moisés Diniz Lima e Raimundo Pinheiro Zumba, em vista do efetivo pagamento dos valores estipulados na condenação.

Por sua vez, o Município de Tarauacá não apresentou manifestação aos pedidos dos requeridos Moíses e Pinheiro. Novamente intimado, o Município de Tarauacá requereu realização de cálculo judicial para mensurar o real valor do débito dos réus.

O Juiz então determinou a realização do cálculo pela Secretaria da Vara de Tarauacá. A secretaria informou, porém, que não era possível realizar os cálculos em vista de não dispor de Contador.

A Procuradoria da Prefeitura do Município de Tarauacá manifestou-se no sentido de encaminhar para contadoria do Tribunal de Justiça do Acre ou, disponibilizar prazo para que o mesmo realizasse os cálculos necessários.

O magistrado da Comarca então indeferiu o pedido do Município de Tarauacá quanto à atualização dos valores, e acolheu a manifestação do Ministério Público e decretou a extinção do processo em relação à Moisés Diniz Lima e Raimundo Pinheiro Zumba, pelo cumprimento do acordo.

Após isso, no dia 19/03/2019, terminou o prazo sem que qualquer das partes tenham se manifestado sobre a decisão do juiz. O juízo havia determinado a intimação das partes, para que, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentassem manifestação sob pena de arquivamento do processo.

Até hoje (18/01/2020), nenhuma das partes nada requereram, nem a Prefeitura Municipal. O prazo encerra dia 12/02/2020.

Não havendo manifestação, o processo poderá ser arquivado. Os autos tramitam em caráter público, podendo qualquer cidadão ter acesso. 

Continue lendo

ACRE

Fotos reais revelam 3 crianças em suposto abandono em Tarauacá e pai é preso em flagrante

Editorial do Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

PUBLICADO

em

Magistrado Guilherme Aparecido do Nascimento Fraga homologou a prisão em flagrante do pai das crianças, Antônio da Silva de Jesus, apelido “NÓ”, nos autos 0000074-13.2020.8.01.0014. A Justiça entrou em ação após receber representação por parte do Conselho Tutelar. 

O delegado de polícia arbitrou fiança no valor de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) para o pai das três crianças. O homem foi posto em liberdade após o pagamento da fiança. Assim responderá aos fatos em liberdade. 

Foto de capa ilustrativa: Protesta en Av. San Martin y Andresito, Alimentos en mal estado – Red. Foto Marcos Otaño.

Três crianças da mesma família em situação de suposto abandono foram resgatadas por uma equipe do Conselho Tutelar de Tarauacá no início da semana, após receber denúncia anônima.

Após receber a denúncia, o Conselho Tutelar formalizou representação ao Juízo da Infância e Juventude da Comarca de Tarauacá. Em seguida, a demanda foi encaminhada à Delegacia de Polícia do município. 

De acordo com informações da polícia, agentes da Polícia Civil foram até a zona rural para socorrer as crianças que, segundo relatos, estavam por três dias abandonas dentro de uma residência, sem a presença dos pais.

Os agentes da Polícia Civil e Conselheiros, relataram que encontraram as crianças sujas, com fome e no local havia um forte odor. Os três irmãos foram resgatados e levados até a delegacia da cidade. 

Fotos reais: As três crianças foram resgatadas pelos agentes de proteção e polícia civil. R. com idade de 04, L. com idade de 03, e J. com idade de 01 ano e 9 meses. No local, havia uma geladeira e um bebedouro, ambos vazios e em desuso. Não havia alimentos no local.

Mais informações:

A ação ocorreu graças uma denúncia anônima ao Conselho Tutelar e Polícia Civil do município de Tarauacá, que após autorização judicial do magistrado da Comarca, resgataram as três crianças: R. com idade de 04, L. com idade de 03, e J. com idade de 01 ano e 9 meses. 

Antônio da Silva de Jesus, apelido “NÓ”, alegou em seu interrogatório na Delegacia de Polícia, que possui problemas mentais, e sua ex-esposa abandonou o lar. Disse ainda que cuida das crianças, porém, precisa trabalhar fora de casa, tendo de deixar as crianças sozinhas em casa.

As três crianças estavam na comunidade “Maracanã”, na zona rural do município, BR 364, trecho de Tarauacá a Cruzeiro do Sul. No local, foram encontradas as crianças sujas, famintas, sem água, com muito odor de xixi e cocô. Elas estavam há mais de 03 dias sozinhas trancadas na casa.
.
O pai, Antônio da Silva de Jesus, apelido “NÓ”, foi preso em flagrante e conduzido à delegacia de polícia, onde foi interrogado e falou sobre o fato. Em sua defesa, disse que possui problemas mentais, e que a mãe das crianças foi embora, abandonando o lar, as crianças e o marido. 
.
Veja o interrogatório do pai:
.

Continue lendo

+30 mil seguidores

TOP MAIS LIDAS

Advogados Online