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São Paulo em 20 obras arquitetônicas – 25/01/2025 – Cotidiano

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Adriano Vizoni, Clayton Castelani

São Paulo chega aos 471 anos em acentuada transformação. Estímulos públicos para o adensamento de áreas com maior oferta de infraestrutura resultam em uma verticalização sem precedentes.

No passado, a cidade empurrou trabalhadores para as periferias devido à falta de respostas ao déficit habitacional e reagiu ao problema da mobilidade com a construção de avenidas para carros. O que se tenta agora é atenuar danos da expansão desordenada, trazendo de volta moradores ao centro.

Esse objetivo é perseguido com a construção de edifícios onde antes existiam indústrias, comércio e áreas residenciais de classe média.

Na capital dos prédios e dos conflitos que os envolvem, a arquitetura tem papel central. Muito além de ícones, São Paulo produziu soluções arquitetônicas e urbanísticas em todos os cantos dos seus cerca de 1.500 quilômetros quadrados.

Algumas saíram das pranchetas de profissionais renomados, outras refletem iniciativas populares. Todas contam de alguma forma como a batalha pelo espaço moldou a vida no território.

A Folha retrata, em 20 fotos aéreas, algumas dessas estruturas. Sobre as imagens foi aplicado um efeito de miniaturização (tilt-shift), transformando edifícios em cenários que lembram maquetes.

Capela de São Miguel Arcanjo

A atual capela, localizada em São Miguel Paulista (zona leste), foi construída em 1622, ocupando o lugar de uma pequena igreja erguida por volta de 1560, ano da fundação do bairro pelo padre José de Anchieta, um dos fundadores do povoado de São Paulo, em 1554. É, portanto, uma das construções mais antigas do país. Preserva características originais da arquitetura jesuítica da época, como paredes de taipa de pilão e elementos decorativos coloniais, com destaque para a pia batismal de jacarandá. Está tombada pelo patrimônio histórico da cidade desde 1973.

Casa do Caxingui

Também chamada de Casa do Sertanista, a construção no bairro Caxingui (zona oeste) é uma das casas bandeiristas remanescentes de São Paulo. Exemplar da arquitetura colonial paulista, foi construída no século 17, segundo registro do Museu da Cidade de São Paulo. Localizada na arborizada praça Ênio Barbato, perto da estação São Paulo-Morumbi do metrô, é aberta a visitação pública de terça a domingo.

Fábrica da Antarctica na Mooca

Monumental representante do período da industrialização paulistana, somente em 2016 o conjunto industrial remanescente da Companhia Antarctica Paulista foi reconhecido como integrante do patrimônio histórico municipal. A planta fabril de 1920 deixou de ser utilizada na década de 1990, quando a cervejaria passou a integrar a gigante do ramo de bebidas Ambev. Em estado de ruína, o imóvel pertence à empresa de saúde Prevent Sênior, cuja intenção de transformar a área em um centro de atividades para pessoas da terceira idade não se concretizou. Com diversos imóveis tombados, a Mooca é atualmente objeto de uma operação urbana que dá incentivos para que o mercado construa novos prédios.

Palacete Tereza Toledo Lara

Na esquina das ruas Quintino Bocaiuva e Direita, no centro histórico da capital, o palacete inaugurado em 1910 se destaca como uma das mais belas obras arquitetônicas paulistanas, como descreve Douglas Nascimento, presidente do Instituto São Paulo Antiga. Projetado pelo arquiteto Augusto Fried, o prédio de três andares foi nomeado em homenagem à filha do conde Antônio de Toledo Lara. O imóvel, que já foi sede da rádio Record nos anos 1930, está completamente restaurado e abriga a Casa de Francisca, um dos relevantes endereços culturais da capital e que desponta como um dos símbolos da tentativa de requalificação do centro.

Palacete Franco de Mello

Remanescente do loteamento original da avenida Paulista, o casarão de 1905 ganhou aspecto de abandono ao longo de décadas de disputas entre herdeiros do imóvel e o poder público. Com o desfecho da ação em favor do governo estadual, a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou em 2023 que a mansão, uma das últimas da urbanização potencializada pelo ciclo do café, seria transformado em um centro de cultura LGBTQIA+, com investimento estimado em R$ 60 milhões.

Palácio das Indústrias

Às margens do rio Tamanduateí, o edifício projetado pelo escritório Ramos de Azevedo —também responsável por ícones da arquitetura paulistana como o Theatro Municipal– foi inaugurado em 1924 como um local de exposições industriais e agropecuárias. Hoje é conhecido por ser a sede do Museu Catavento, voltado à ciência e tecnologia. Destoando do degradado parque Dom Pedro 2º, onde está inserido, o prédio de tijolos aparentes e ornamentado com diferentes cumes e esculturas de animais já foi sede da Assembleia Legislativa e da prefeitura.

Casa das Caldeiras

A instalação na Água Branca (zona oeste) foi responsável por gerar energia para as antigas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo. Suas primeiras chaminés e caldeira surgiram em 1922. Em 1986, a construção de tijolos foi tombada pelo órgão de patrimônio estadual, o Condephaat, e, em 1999, restaurada para abrigar um centro de eventos sociais e privados.

Edifício Esther

A praça da República, na região central, guarda exemplares pioneiros da verticalização da cidade, como o Esther. Projetado por Álvaro Vital Brazil e Adhemar Marinho, o edifício inaugurado em 1938 é descrito pelo Condephaat como o primeiro prédio de grande porte em São Paulo a seguir o princípio funcionalista —abordagem que coloca a utilidade no centro do projeto. Suas lajes contínuas deram flexibilidade ao prédio multifuncional, conciliando restaurantes, escritórios e residências. É também considerado uma obra precursora do movimento modernista na arquitetura paulistana.

Edifício Montreal

A esquina das avenidas Ipiranga e Cásper Líbero, na República, é o endereço do marcante prédio projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1954. Os brises na fachada arredondada para controlar a incidência solar eram uma inovação para a época e, assim como outras características da arquitetura modernista, esses quebra-sóis voltam a ser observados como alternativa ao ar-condicionado em tempos de mudança climática.

Edifício Eiffel

Turistas e mesmo moradores que visitam o centro têm o edifício Copan como referência dos traços de Niemeyer na paisagem paulistana, mas o principal arquiteto brasileiro deixou diversas obras pela cidade. Uma delas é o edifício Eiffel, inaugurado em 1956 na praça da República. O desenho formado por um prisma retangular vertical e suas duas asas simétricas laterais é descrito pelo arquiteto Fábio Valentim como uma resposta surpreendente para atender às exigências legais da época para novas construções no centro. Com uma galeria e lojas voltadas para a rua, o Eiffel também se mostra alinhado com as atuais necessidades da vida urbana. Esse conceito, chamado de fachada ativa, é hoje estimulado pelo Plano Diretor da cidade.

Conjunto Habitacional Santa Cruz

Os 23 blocos de apartamentos com três pavimentos inaugurados em 1964 na Vila Mariana, zona sul, exemplificam um prolífico período de produção habitacional social privada por meio dos institutos de aposentadorias e pensões. As construções padronizadas diluídas na vegetação criam uma característica de parque urbano, unindo a racionalização construtiva aos princípios urbanísticos das cidades-jardins.

Nova Jaguaré

A criação de um parque industrial no distrito Jaguaré (zona oeste) sem a devida oferta de moradia para seus trabalhadores resultou na ocupação irregular das encostas do morro às margens do rio Pinheiros a partir da década de 1960. A favela de 168 mil m² seguiu repleta de habitações precárias em locais de alto risco para deslizamentos até 2006, quando teve início seu processo de urbanização. A regularização fundiária e obras de urbanização conferiram à vila Nova Jaguaré a condição de núcleo urbanizado descrito por diversos especialistas como alternativa bem-sucedida à remoção.

Cebolão e marginais

As vias marginais dos rios Tietê e Pinheiros refletem uma aposta em um modelo de mobilidade forjado pela existência dos automóveis. Em 1982, a inauguração do complexo viário Heróis de 1932 conectou as duas pistas, criando uma ligação viária direta entre as porções leste, norte, oeste e sul da cidade. Apelidada de Cebolão, a obra pensada para fazer o tráfego fluir tem suas várias camadas sobrepostas de pontes e viadutos invariavelmente congestionadas a cada horário de pico. Um paradoxo replicado em obras viárias anteriores e posteriores ao Cebolão.

Terminal Rodoviário Tietê

O maior terminal rodoviário do país foi inaugurado na Vila Guilherme (zona norte) em 1982 como parte de uma estratégia para tirar da região central os ônibus que chegavam e partiam da antiga rodoviária no bairro da Luz. Interligado à estação Portuguesa-Tietê do Metrô, o terminal Governador Carvalho Pinto, mais conhecido como Tietê, movimenta aproximadamente 3.000 veículos levando e trazendo passageiros de 1.033 cidades do Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai. Além de ser uma das principais portas da capital, a rodoviária está localizada em uma área repleta de construções que reforçam a vocação da cidade para o turismo de negócios e eventos, como o Sambódromo e o pavilhão de exposições do Anhembi.

Parque Ecológico Tietê

O núcleo de lazer do parque Ecológico Tietê, em Engenheiro Goulart, no extremo leste paulistano, é resultado da implantação parcial do projeto do escritório do arquiteto Ruy Ohtake para preservação da várzea do trecho metropolitano do principal rio do estado. Inaugurado em 1982, recebe milhares de frequentadores em suas trilhas de caminhada, quadras esportivas e outros equipamentos de lazer. A proposta original previa um parque linear contínuo cortando a Grande São Paulo de leste a oeste, desde a nascente do Tietê, no município de Salesópolis, até a cidade de Santana de Parnaíba.

Sesc Pompeia

O equipamento de lazer e cultura do Serviço Social do Comércio construído entre galpões de uma fábrica na zona oeste está entre os mais conhecidos dos paulistanos. Os três grandes prédios, com diferentes formas geométricas de aspecto maciço, foram projetados por Lina Bo Bardi, que também desenhou o Masp. Em 2016, o jornal britânico The Guardian classificou o Sesc Pompeia como a sexta melhor construção em concreto do mundo.

Conjunto União da Juta

No início dos anos 1990, a migração dos trabalhadores para as periferias estava consolidada. O movimento iniciado 50 anos antes, em meio a uma crise imobiliária que resultou na explosão de loteamentos precários, resultou em um caótico adensamento dos bairros. O déficit habitacional, porém, persistia. Nesse contexto, mutirões de autogestão despontaram como alternativa para a produção de habitação popular em larga escala. Resultado da pressão do movimento Sem-Terra Leste 1 sobre o governo estadual, o conjunto habitacional União da Juta foi concluído em 1998 no distrito de Sapopemba (zona leste). O projeto da Usina CTAH, assessoria técnica a movimentos de habitação, é reconhecido por integrar serviços e infraestrutura urbana em um modelo construtivo simplificado e barato.

MuBE

Milhares de fãs de produções do cinema e da TV são atraídos pelas populares exposições do MIS (Museu da Imagem e do Som), no Jardim Europa, bairro repleto de residências de alto padrão na zona oeste. Não raramente, alguns desses visitantes ficam surpresos ao descobrirem que a praça ao lado do prédio é também um museu e uma das joias da arquitetura paulistana. O MuBE, Museu Brasileiro da Escultura e da Ecologia, foi criado em 1986 e dá aos visitantes a chance de contemplar o trabalho de dois ícones: o projeto da construção é do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, sendo que o espaço conta com um jardim projetado por Roberto Burle Marx.

Hotel Unique

Construído em forma de um arco invertido suspenso com cem metros de extensão, o luxuoso Hotel Unique se tornou um símbolo contemporâneo paulistano. Projetado por Ruy Ohtake, foi inaugurado em 2002 no Jardim Paulista, próximo ao parque Ibirapuera. Na borda de uma zona residencial onde não se pode construir edifícios altos, o Unique consegue oferecer em seu amplo terraço uma das vistas panorâmicas mais apreciadas da cidade.

CEU Rosa da China

Os CEUs (Centros Educacionais Unificados) surgiram em São Paulo em 2002, quando a gestão municipal de Marta Suplicy (PT) decidiu colocar em prática na capital o modelo de escolas-parque do educador Anísio Teixeira. Além de consolidado como equipamento de relevância para programas de educação integral, os CEUs também se tornaram referência para suas comunidades ao oferecerem atividades culturais e recreativas para toda população. Inaugurado em 2005 no distrito de Sapopemba, o CEU Rosa da China é um dos cerca de 60 equipamentos construídos. Com quadras esportivas, piscina, sala de música e biblioteca, entre outros espaços, a estrutura modular pré-fabricada foi a solução encontrada pela equipe do arquiteto da prefeitura Alexandre Delijaicov para a adaptação aos diferentes terrenos nas periferias, descreve a arquiteta Anália Amorim.



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Ufac e SEE discutem disponibilização de produtos educacionais para professores da rede estadual — Universidade Federal do Acre

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Ufac e SEE discutem disponibilização de produtos educacionais para professores da rede estadual — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Mestrado Profissional em Ensino de Ciências e Matemática (MPECIM), reuniu-se com representantes da Secretaria de Estado de Educação do Acre (SEE) na manhã desta terça-feira, 13, para discutir possibilidades de parceria para disponibilizar produtos educacionais desenvolvidos no programa de pós-graduação aos professores da rede estadual de ensino. O encontro ocorreu na sede da secretaria.

A proposta busca ampliar o acesso dos professores aos materiais produzidos no âmbito do MPECIM, contribuindo para o fortalecimento das práticas pedagógicas e da formação continuada dos docentes.

Participaram da reunião o coordenador do MPECIM, Pierre André Garcia Pires; a secretária adjunta de Ensino, Gleicicleia Gonçalves de Souza; e a assessora técnico-pedagógica da Diretoria de Ensino, Fabiany Soares Mamed.

O encontro permitiu discutir possibilidades de cooperação entre as instituições para viabilizar o acesso dos professores da rede estadual aos produtos educacionais desenvolvidos pela universidade



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Ufac inaugura núcleo de apoio administrativo às coordenações de curso — Universidade Federal do Acre

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Ufac inaugura núcleo de apoio administrativo às coordenações de curso — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) inaugurou, na manhã desta terça-feira, 13, o Núcleo Integrado de Apoio às Coordenações (NIAC), instalado na Pró-Reitoria de Graduação (Prograd). A iniciativa tem como objetivo oferecer suporte administrativo aos cursos de graduação, neste momento com atendimento prioritário a oito coordenações que estão sem servidores técnico-administrativos. A proposta prevê também o desenvolvimento de outras ações de apoio às coordenações no âmbito do núcleo. A solenidade contou com a participação do reitor Josimar Ferreira, da vice-reitora Almecina Balbino, da pró-reitora de Graduação, Danila Torres, e da pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas substituta, Juliana Queirós.

O reitor destacou a importância da iniciativa para o funcionamento dos cursos e reconheceu a colaboração dos servidores envolvidos. “Quero parabenizar toda a equipe da Prograd, reconhecer o voluntariado dos nossos secretários de curso e o apoio das coordenações”, afirmou Josimar. Segundo ele, o serviço dará suporte especialmente às coordenações que estão sem secretários, mas também poderá atender aos demais coordenadores de curso.

A criação do NIAC é uma iniciativa da Prograd e da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (Prodgep), que contou também com a participação inicial do Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca). O espaço foi organizado nas instalações da Prograd para facilitar o acompanhamento das atividades e o apoio aos servidores.

Segundo a pró-reitora Danila Torres, a proposta surgiu da necessidade de atender coordenações que enfrentam dificuldades na execução das atividades administrativas. Algumas delas estão há mais de oito meses sem servidores técnicos, deixando os coordenadores responsáveis também pelas rotinas administrativas. “A gente vai tentar apoiar as coordenações naquilo que elas precisam”, explicou.

O núcleo funciona por meio de uma escala de revezamento de servidores técnico-administrativos de outras coordenações. Atualmente, sete profissionais participam voluntariamente da iniciativa, com autorização das chefias imediatas, dedicando dois dias por semana ao atendimento compartilhado, sem deixar suas atividades nas unidades de origem.

A meta é ampliar a equipe para dez servidores, permitindo a presença de dois profissionais no turno da manhã e dois à tarde. “O serviço deles é padrão, é comum, então não tem um técnico para uma coordenação. Todos trabalham em todas essas oito coordenações”, explicou Danila.

Entre as primeiras demandas do NIAC está o lançamento das ofertas de disciplinas do semestre letivo 2026.2 no sistema acadêmico, considerando o início das solicitações de matrícula pelos estudantes nesta quinta-feira, 15. A medida busca assegurar o andamento dos procedimentos acadêmicos nas coordenações que não dispõem de técnicos para executar essas atividades.

Além do atendimento inicial às oito coordenações, a proposta é ampliar gradualmente a atuação do núcleo para oferecer suporte às demais unidades acadêmicas, incluindo o auxílio a novos coordenadores nas rotinas administrativas dos cursos e o desenvolvimento de outras ações de apoio às coordenações.



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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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