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Sindicalismo dependente: Governo tenta obrigar tra…

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José Casado

O governo Lula vai tentar, de novo, aprovar uma legislação impondo aos trabalhadores o financiamento dos sindicatos. Nos últimos dois anos, o Congresso rejeitou todas as iniciativas de restauração da antiga contribuição sindical compulsória, extinta em 2017 na administração Michel Temer.

A ideia da recriação persiste, agora defendida pelo Ministério do Trabalho com o argumento da necessidade de fixar remuneração extra para as entidades nos acordos trabalhistas. Sindicatos seriam obrigatoriamente remunerados por todos, a cada acordo coletivo aprovado em assembleia, além da taxa mensal que já cobram dos associados.

É um problema prioritário para a representação sindical trabalhista, que perdeu quase metade da receita, em alguns casos até dois terços, desde a extinção do antigo imposto sindical.

É questão polêmica no Congresso por várias razões. Uma delas é a perpetuação de uma estrutura sindical dependente do governo, como ocorre há quase um século, até para sobrevivência financeira.

Lula manteve esse tipo de relação. O Ministério do Trabalho, chefiado por Luiz Marinho, antigo sindicalista metalúrgico de São Bernardo do Campo e ex-presidente da Central Única de Trabalhadores, lidera a coalizão sindical interessada no aval do Congresso para recompor o próprio caixa com a imposição de remuneração extra nos acordos coletivos.

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Governo e organizações sindicais não tratam o assunto com transparência. Os dados oficiais sobre sindicatos são opacos. O ministério, por exemplo, limita-se a divulgar a existência de 17.355 sindicatos com “registro ativo” até esta segunda-feira (13/1). Desses, 12.045 seriam de trabalhadores e 5.310 de empregadores.

Permanecem ocultos, se existem, detalhes sobre organização (centrais, federações ou sindicatos), categoria profissional ou econômica, evolução dos “registros”, pulverização, representatividade efetiva, custeio e controle social, entre outras informações relevantes. Rara, também, é a divulgação das contas das entidades sindicais trabalhistas ou empresariais — estas amparadas no bilionário e paraestatal Sistema S (Sesc, Senac, Sesi, Senar e similares).

Houve períodos, nas últimas duas décadas, em que o governo certificou a criação de uma entidade sindical por dia. Surgiram sindicatos de cordelistas, parapsicólogos e até de proprietários de cavalos puro sangue inglês de corrida, entre outros.

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Apareceram, também, os genéricos, como o “dos trabalhadores de categorias similares e conexas”. Nada, porém, superou o “Sindicato dos Trabalhadores que Prestam Serviços de Natureza Contínua ou Não, de Finalidade não Lucrativa à Pessoa ou à Família, no Âmbito Residencial Destas”.

Em outubro, às vésperas do segundo turno das eleições municipais, trabalhadores formaram uma fila no centro de São Paulo para registrar a decisão de não pagar uma taxa ao Sitraemfa (Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência e Educação à Criança, ao Adolescente e a Família do Estado de São Paulo).

Há evidente risco político para o governo na imposição aos trabalhadores de novas formas de financiamento dos sindicatos. Pode satisfazer à clientela do sindicalismo que ascendeu na política com Lula, mas tende a ser vista como mais uma espécie de tributação sobre os salários.



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OPINIÃO

Opinião: A ciranda troca de partidos e a busca por cargos públicos

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Foto de capa [arquivo pessoal]
Os parlamentares que mudam de partido – como macacos puladores de galho – ou se candidatam a outros cargos no Legislativo e no Executivo apenas para preservar privilégios demonstram desrespeito à República e deveriam sentir vergonha de tal conduta. Essa prática evidencia a ausência de compromisso ideológico e a busca incessante por posições de poder, transmitindo à sociedade a imagem de oportunistas movidos por conveniências pessoais. A política deveria ser encarada como missão cívica, exercício de cidadania e serviço transitório à nação. Encerrado o mandato, o retorno às profissões de origem seria saudável para a oxigenação da vida pública.  
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Infelizmente, o sistema político brasileiro está povoado por aqueles que veem na política não um espaço de serviço público, mas um negócio lucrativo. Como já destacou o jornal El País, ser político no Brasil é um grande negócio, dadas as vantagens conferidas e auferidas — e a constante movimentação de troca de partidos confirma essa percepção.  
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A cada eleição, o jogo se repete: alianças improváveis, trocas de legenda na janela partidária e negociações de bastidores que pouco têm a ver com as necessidades reais da população. Em vez de missão cívica, vemos aventureiros transformando a política em palco de interesses pessoais e cabide de empregos. A busca incessante pela reeleição e por cargos demonstra que, para muitos, a política deixou de ser a casa do povo e tornou-se um negócio.  
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Convém lembrar aos que se consideram úteis  e insubstituíveis à política que o cemitério guarda uma legião de ex-políticos esquecidos, cuja ausência jamais fez falta ao país.  
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As próximas eleições são a oportunidade para os eleitores moralizarem o Legislativo, elegendo apenas candidatos novos, sem os vícios da velha política, que tenham conduta ilibada e boa formação cultural. Por outro lado, diga não à reeleição política, aos trocadores de partidos, aos que interromperam o mandato para exercer cargos nos governos, e àqueles que já sofreram condenação na Justiça ou punição no Conselho de Ética do Legislativo. 
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Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC

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Matheus Leitão

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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social) 


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