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Sob ataques de Israel, sul do Líbano virou zona de guerra – 17/10/2024 – Mundo

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Patrícia Campos Mello

Um dia após ser alvo de pelo menos 15 bombardeios aéreos de Israel, a cidade de Nabatieh, no sul do Líbano, é um amontoado de ruínas. A fuligem e o cheiro de queimado continuam no ar nesta cidade a 30 quilômetros da fronteira com Israel. Ouvem-se caças israelenses voando, bombardeios e a resposta dos combatentes do grupo extremista Hezbollah, com foguetes.

A cidade recebeu ordens de retirada de civis dadas pelas forças israelenses antes do ataque de quarta-feira (16). Mas o prefeito de Nabatieh, Ahmad Kahil, e outros funcionários da prefeitura insistiram em ficar. Planejavam discutir a distribuição de ajuda humanitária para os poucos libaneses que se recusam a sair de suas casas. Um dos bombardeios atingiu em cheio a prefeitura em plena reunião e matou o prefeito e mais cinco pessoas. No total, 16 mortos e 52 feridos na cidade.

O primeiro-ministro do Líbano, Najib Mikati, condenou o ataque, dizendo que Israel havia alvejado intencionalmente funcionários municipais que estavam distribuindo ajuda.

Nabatieh é agora uma cidade fantasma, como boa parte das localidades do sul do Líbano e das estradas da região, por onde trafegam apenas alguns poucos veículos do Exército libanês. Cidades e vilarejos no sul libanês são bombardeados diariamente.

Nesta quinta-feira (17), a reportagem encontrou dezenas de prédios e casas destruídas, destroços em todo canto, fumaça e ruas desertas. A cidade, de maioria xiita e controlada pelo Hezbollah, tinha vários pôsteres de Nassan Nasrallah, o líder da facção morto em um bombardeio israelense no final de setembro.

Nas paredes e postes, havia também dezenas de fotos de combatentes mortos, chamados de mártires, de membros do grupo extremista e do partido Amal, também xiita. Um único morador, que se identificou como Ali, andava no meio dos escombros. “Eu fiquei sozinho aqui. Eu estou aqui desde o começo da guerra e eu vi tudo”, disse o homem de muletas, que parecia estar desorientado.

A reportagem deixou o local após ser abordada por combatentes do Hezbollah que chegaram de moto.

Nabatieh havia sido bombardeada na semana passada. Foi destruído na ocasião um marco histórico da cidade —um mercado da era otomana, de 1910. Mas a cidade vinha sendo atacada desde que o Hezbollah começou a lançar foguetes contra Israel em apoio ao Hamas, depois dos atentados terroristas que mataram cerca de 1.200 em Israel em 7 de outubro de 2023. Em Gaza, já morreram mais de 43 mil pessoas, segundo dados do Ministério da Saúde local, controlado pela facção palestina.

Um porta-voz das forças israelenses afirmou que Tel Aviv havia atingido dezenas de alvos do Hezbollah na área de Nabatieh. O embaixador de Israel na Organização das Nações Unidas (ONU), Danny Danon, acusou o grupo libanês de se aproveitar de infraestrutura civil.

O país de Binyamin Netanyahu afirma ter dois objetivos em sua ofensiva no Líbano —enfraquecer o Hezbollah e empurrá-lo para mais longe da fronteira, acima do rio Litani, seguindo a resolução 1701 da ONU. Segundo o governo israelense, isso permitiria que 60 mil israelenses deslocados do norte do país voltassem a suas casas, e Netanyahu já pontuou esse retorno como um de seus objetivos no conflito.

As ordens israelenses de retirada de civis, no entanto, envolvem mais de 150 cidades no sul do Líbano, muitas delas bem acima do rio Litani, colocando em dúvida o objetivo alegado de apenas seguir a resolução.

Na cidade cristã de Marjayoun, a 8 quilômetros da fronteira de Israel, o cenário é diferente. O local foi praticamente poupado —desde o acirramento do conflito em setembro, dois carros que passavam no vilarejo foram bombardeados, mas não houve destruição de casas como em Nabatieh.

No entanto, as forças israelenses atingiram o hospital da cidade onde atuavam equipes de resgate, de modo que agora Marjayoun está sem acesso a serviços médicos. Além disso, a cidade está cercada por vilarejos em que houve invasão terrestre de Israel e onde segue havendo intensos bombardeios, como Kfar Kila e Khiam.

Além disso, Marjayoun está em frente a posições de onde o Hezbollah ataca Israel. “O problema é que Hezbollah ataca com Katyusha [foguetes da era soviética], sem controle nenhum, e eles caem em qualquer lugar, ou seja, estamos vulneráveis a ataques tanto do Hezbollah, quanto de Israel”, diz Amer, um vereador de Marjayoun que falou à reportagem, mas que não quis dar seu sobrenome.

Os moradores afirmam se sentir como alvos ambulantes em meio ao conflito entre os dois países vizinhos. A maioria diz preferir andar só de carro, porque se baseiam na ideia de que Israel já identificou seus veículos e sabem que eles não são membros do Hezbollah. “Se a gente estiver andando a pé, nada garante”, diz Hassan (nome fictício), um morador da cidade que trabalha com a ONU e também falou sob anonimato.

Outro medo é com a infiltração dos membros do Hezbollah na cidade. Segundo eles, muitos membros do grupo extremista estão usando casas abandonadas pelas pessoas que fugiram para Beirute para estocar armas. “Vai saber se tem alguém deles escondido do lado da minha casa e Israel vai bombardear”, diz Hassan.

Amer, o vereador, estima que, dos 2.500 habitantes de Marjayou antes do conflito, só 240 ainda estão na cidade —o que representaria uma redução de 90% da população.

Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, os ataques de Israel desde outubro de 2023 mataram ao menos 2.367 pessoas. Os feridos somam mais de 11 mil.



Leia Mais: Folha

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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