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Sou do governo Lula e estou com Maduro – 12/01/2025 – Opinião

O Brasil parece estar comandado por um clássico Diretório Central de Estudantes de alguma universidade federal. É como se o famigerado Foro de São Paulo estivesse se materializando no Brasil. A decisão de enviar a embaixadora brasileira para a terceira posse de Maduro, seguida pela nota do Itamaraty condenando a perseguição a opositores, foi um espetáculo de contradição. Na prática, é como se o Brasil estivesse dançando “Sou do Levante e estou com Maduro”.

Enquanto o Cone Sul, Estados Unidos e boa parte da Europa se recusam a reconhecer a legitimidade de Maduro, o Brasil opta por enviar a embaixadora à posse. O gesto ignora o desgaste internacional e reforça a impressão de que o governo brasileiro abraça uma narrativa antiquada. Na América do Sul, Gustavo Petro, da Colômbia, também assume a mesma postura hesitante de Lula. Enquanto isso, regimes autoritários e antidemocráticos, como Nicarágua, Cuba, Honduras, Rússia, China e Turquia, já reconheceram Maduro.

A nota emitida pelo Itamaraty foi um exemplo claro da fraqueza diplomática brasileira. Pedir que Maduro respeite os direitos humanos soa mais como um apelo infantil do que uma posição de liderança de quem pretende influenciar a geopolítica sul-americana. É como se estivéssemos lidando com um conto de fadas, onde palavras educadas bastassem para reverter décadas de violações e autoritarismo chavista.

Até mesmo Gabriel Boric, do Chile, que cresceu no movimento estudantil e que poderia ter uma visão mais indulgente por militarem no mesmo campo ideológico, entende que apoiar Maduro é incompatível com qualquer discurso sério sobre democracia e direitos humanos.

Enquanto Lula mantém sua aliança com Maduro, a Venezuela afunda ainda mais em repressão. María Corina Machado não apenas foi detida enquanto se manifestava pacificamente em Caracas, como sua mãe, de 84 anos, foi cercada por autoridades do regime. Além disso, até mesmo o genro de Edmundo González permanece desaparecido. Violações grotescas de direitos humanos como essas não deveriam deixar nenhum líder —ainda que do mesmo campo ideológico— silente ou conivente.

Posturas como a de Lula e de outros líderes hesitantes pavimentam o caminho para que María Corina Machado e Edmundo tenham o mesmo destino infrutífero de Juan Guaidó em 2019. Naquela época, a comunidade internacional foi mais facilmente mobilizada, com Bolsonaro liderando o apoio do Brasil e Trump à frente dos EUA. Ainda assim, Guaidó não conseguiu assumir o poder. Agora, com Trump voltando ao cenário político e Lula à frente do Brasil, o resultado pode se repetir. Os próximos capítulos dirão se a Venezuela ficará novamente à deriva.

No fim das contas, o Brasil parece comandado por um DCE. Um grupo de estudantes incapazes de perceber o impacto que suas decisões têm no cenário internacional. Se a intenção é liderar a América Latina, Lula precisa urgentemente decidir se quer ser um protagonista internacional ou um mero apoiador de regimes fracassados.



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