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MUNDO

Susto: Avião do Palmeiras arremete duas vezes em tentativa de pouso

Luanna, Colaboradora do Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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O time do Palmeiras teve uma chegada tensa à Argentina na madrugada deste domingo, 21.

O avião que levava a delegação teve dificuldade para pousar no aeroporto de Mendoza e o piloto precisou arremeter duas vezes.

Por causa dos problemas, a rota foi alterada.

Por causa das rajadas de vento, o grupo foi levado para Rosário e, depois, para Buenos Aires.

Membros da delegação passaram mal e vomitaram.

Arremeter significa que o piloto teve de fazer, no caso, duas vezes, a subida brusca da aeronave, interrompendo a aproximação da pista para evitar acidente.

CRISE

Cidade com indígenas pró-Evo em área opositora vira campo de batalha

Folha de São Paulo, via Acrenoticias.com - Da Amazônia para o Mundo!

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Em enterro de jovem de 20 anos, indígenas gritam palavras de ordem e dizem sofrer humilhação.

Flávia Mantovani e Bruno Santos
MONTERO (BOLÍVIA)

Senhores jornalistas de outro país. Nos ajudem a denunciar ao mundo inteiro que aqui na Bolívia a polícia e os militares estão matando as pessoas indígenas. Queremos justiça.”

O bilhete, à mão, foi entregue por uma vendedora ambulante à reportagem da Folha na cidade de Montero, região de Santa Cruz, na Bolívia.

Localizado a 55 quilômetros de Santa Cruz de La Sierra, reduto da oposição a Evo Morales, o município tem muitos apoiadores do ex-presidente e foi cenário de três mortes desde a contestada eleição presidencial do dia 20. O total de vítimas subiu para 15 com os violentos conflitos de sexta-feira em Cochabamba, que deixaram ao menos 20 feridos.

A Folha acompanhou o funeral de Roberth Ariel Calizaya, 20, morto na quarta-feira (13) com um tiro no peito. Segundo a mãe dele, o jovem, que era de outra cidade, estava em Montero visitando os tios e saiu para ir ao banco no momento em que havia uma concentração de apoiadores de Evo. Ela afirma que ele não era envolvido com política. “Nem votou na última eleição.”

O velório, porém, foi organizado por apoiadores do MAS (Movimento ao Socialismo, partido de Evo). Muitos eram vendedores do mercado da cidade e ressaltavam que não são militantes, “apenas camponeses, trabalhadores”. O caixão ficou debaixo de uma tenda, com velas, fotos e flores. No dia anterior havia circulado pelas ruas. Na entrada, havia faixas com dizeres como “Jeanine Añez [autodeclarada presidente] assassina” e garotos mascando folha de coca guardando o acesso.

Havia centenas de pessoas, e a Folha foi rodeada por várias delas, que reclamavam de como ficou sua situação após a renúncia de Evo. “Estão nos matando como animais”, “estão nos humilhando e discriminando”, diziam. Vários se queixavam de que a imprensa local não lhes dá ouvidos —jornalistas da cidade, por sua vez, afirmam que são hostilizados por eles quando tentam fazer as coberturas.

Por volta das 11h, um cortejo percorreu a pé os 3 quilômetros até o cemitério. Senhoras com tranças, saia e chapéu, vendedores de suco de tamarindo e sacolés e muitos homens em moto acompanhavam o caixão. Uma multidão subiu em lápides para ver o enterro, enquanto uma banda tocava o hino da Bolívia.

Um homem fez um discurso condenando os “traidores da pátria”, enquanto parentes choravam e pessoas gritavam “Justiça!” ou “Que volte Evo!”.

“Me senti sem pai nem mãe quando ele renunciou”, diz a vendedora Sofia Cruz, 51, que afirma ter conhecido Evo criança no Chapare, região cocaleira que é considerada o berço político do ex-presidente.

Cidade com cerca de 150 mil habitantes, Montero recebeu, entre 30 e 50 anos atrás, muitos migrantes do oeste do país, onde vivem povos indígenas e Evo tinha muito apoio. Existe também um Comitê Cívico atuante, formado por entidades empresariais, profissionais e de vizinhos.

Há muita tensão entre os dois grupos, e no dia 30 de outubro eles protagonizaram uma batalha de várias horas que resultou em dois mortos e dezenas de feridos. A região vivia uma greve geral para pressionar Evo a renunciar após denúncias de fraude nas eleições. Voluntários faziam bloqueios nas ruas e estradas.

Segundo a polícia, as mortes ocorreram na entrada de Guadalupe Cofadena, assentamento com cerca de 800 casas que a Folha visitou. Na entrada, havia guardas e restos de barricada. Em seguida, um centro comunitário pintado com o rosto de Evo Morales e o nome de seu partido onde um grupo cantava músicas religiosas.

Os moradores mostraram casas que, segundo eles, foram queimadas pelos “cívicos” —a quem uma delas chama de “inimigos”. “Era como uma guerra. Um monte de vândalos encapuzados chegaram em caminhonetes”, afirma. “Nos defendemos como conseguimos. As crianças estão traumatizadas.”

As versões para o acontecido variam, mas todas começam com o descontentamento do bairro com a greve. Segundo Máximo Flores, que se apresenta como presidente do lugar, houve protestos pacíficos contra os bloqueios. “Nós só queríamos chegar ao trabalho”, diz ele.

Já a polícia e o Comitê Cívico dizem que, no dia seguinte, eles voltaram armados com espingardas e explosivos caseiros e que houve confronto entre os dois grupos —ironicamente, em um lugar chamado Ponte da Amizade.

“Isso explodiu nas redes sociais e o povo ficou com raiva. Eles voltaram a se entrincheirar em seu bairro e foram encurralados. Tentamos apaziguar, mas a situação estava fora de controle”, diz Luis Saeltzig, membro do diretório do Comitê Cívico.

Foi aí que ocorreram as mortes, de acordo com a polícia. As vítimas são Marcelo Terrazas e Mario Salvatierra, que haviam ido defender os bloqueios da greve.

Máximo Flores, por sua vez, afirma que não há ninguém de Cofadena envolvido com a violência. “Acharam que éramos nós e vieram se vingar.”

 

Com a sociedade muito polarizada, vídeos são usados para corroborar ambas as narrativas. A reportagem da Folha recebeu vários deles, enviados pelos dois lados. Um deles mostra o momento em que Roberth foi baleado.

Segundo a polícia, em Cofadena ficou escondido um argentino membro das antigas Farc (Forças Revolucionárias da Colômbia), que se feriu em um enfrentamento e está hospitalizado em estado grave. Os moradores negam que ele estivesse lá.

No mesmo bairro, um jovem diz ter sido atingido por tiros ao tentar socorrer Roberth. Usando muletas, ele mostra o ferimento na coxa e afirma que não foi ao hospital por medo de ser preso.

Morador mostra ferimento durante confronto em Montero, na região de Santa Cruz
Morador mostra ferimento durante confronto em Montero, na região de Santa Cruz – Bruno Santos/Folhapress

Em meio a tudo isso, o prefeito socialista de Montero renunciou na quinta (14) à noite e foi substituído por um político de oposição, eleito pelos legisladores municipais. Alguns dizem que ele foi ameaçado e obrigado a renunciar. Outros, que foram encontradas provas do envolvimento dele com pessoas ligadas às mortes do dia 30.

Para Saeltzig, do Comitê Cívico, dirigentes do MAS estão por trás das marchas de camponeses. “Eles manipulam crianças, mulheres e idosos”, afirma. Em sua opinião, a gestão de Evo era um “narcogoverno” que controlava os mais pobres com “migalhas”. Ele afirma também que o comitê fez muito mais por Montero do que a administração pública. “Somos promotores do desenvolvimento econômico na nossa cidade. Todos têm carinho por nós.”

Os indígenas pró-Evo afirmam não se sentirem representados pelo comitê e defendem o legado do ex-presidente, dizendo que a vida melhorou e que a discriminação contra eles diminuiu nos últimos 13 anos. Alguns dizem acreditar que a fraude denunciada na eleição foi cometida por infiltrados da oposição no Tribunal Superior Eleitoral do país.

Sobrinho de uma das vítimas dos conflitos em Montero (Mario Salvatierra), Silver Heredia, 30, garante que seu tio nunca tinha se mobilizado politicamente antes deste ano e que “só queria que seu voto fosse respeitado” nas eleições. “Ele nunca foi de partido, mas quis participar da greve pacífica”, afirma. “Tinha três filhos, sua mulher é doente. Sua morte nos causa raiva, impotência. É muito doloroso que os bolivianos estejamos nos matando.”

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CRISE

Você não acreditará no que disse Evo Morales no Twitter, apesar de asilado no México

Folha de São Paulo, via Acrenoticias.com - Da Amazônia para o Mundo!

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Evo Morales deixa a Bolívia rumo ao México

Ex-presidente boliviano diz que dói ‘abandonar o país por razões políticas’

LA PAZ

No fim de um dia de violentas manifestações, fechamento da Assembleia Nacional e anúncio de envio das Forças Armadas às ruas, o ex-presidente Evo Morales informou na noite desta segunda (11), pelo Twitter, que deixa Bolívia “rumo ao México”.

O líder que renunciou à Presidência no domingo (10), pressionado por intensas manifestações e pelas Forças Armadas, disse que “dói abandonar o país por razões políticas”. Ele prometeu voltar com “mais força e energia”.

Evo Morales segura bandeira do México dentro de avião rumo ao país que lhe concedeu asilo
Evo Morales segura bandeira do México dentro de avião rumo ao país que lhe concedeu asilo – Reprodução Twitter/m_ebrard
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A aeronave fez uma escala em Assunção, no Paraguai, para reabastecimento. O avião pousou à 1h35, na hora local (a mesma de Brasília), e decolou às 5h. Há a possibilidade de uma escala em Lima, no Peru, antes da chegada ao destino final.

O avião, modelo Gulfstream G550, da Força Aérea Méxicana, leva Evo, seu filho e o ex-vice presidente Álvaro Garcia Linera. 

O governo mexicano concedeu asilo a Evo nesta segunda, de acordo com o chanceler do país, Marcelo Ebrard, que disse considerar que a “vida e a integridade” do ex-presidente boliviano correm perigo.

Minutos antes da publicação de Evo, o comandante das Forças Armadas da Bolívia, Williams Kaliman, havia anunciado na TV que enviaria tropas às ruas para realizar “operações armadas em conjunto [com a polícia] contra grupos de vândalos”.

A decisão foi uma resposta ao pedido de intervenção militar feito pela polícia para conter uma reação violenta dos apoiadores de Evo contra os opositores Carlos Mesa e Luís Fernando Camacho e contra o Congresso Nacional.


 

Mais cedo, o comandante da polícia, Yuri Calderón, nomeado pela gestão Evo, também havia renunciado. Por ora, a polícia está sendo comandada por uma junta interina.

Nos protestos desta segunda, centenas de moradores de El Alto desceram em direção a La Paz, correndo pelas vias tortuosas que ligam as duas cidades, para chegar à sede do governo boliviano. Eram apoiadores de Evo, que gritavam: “Agora sim, guerra civil”.

Nos protestos desta segunda, centenas de moradores de El Alto desceram em direção a La Paz, correndo pelas vias tortuosas que ligam as duas cidades, para chegar à sede do governo boliviano. Eram apoiadores de Evo, que gritavam: “Agora sim, guerra civil”.

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Armados com pedaços de paus, tocando vuvuzelas e soltando rojões, eles repetiam: “Camacho, Mesa, queremos sua cabeça”.

As poucas lojas e quiosques que estavam abertos pelo caminho fecharam as portas, e havia gente correndo para não ser atropelada pela multidão.

Alguns dos manifestantes que falaram com a Folha, sem mostrar o rosto, disseram que reagiam porque tiveram suas casas e comércios invadidos por apoiadores de Camacho.

Os preparativos em El Alto começaram no meio da tarde, quando já havia barricadas e fogueiras montadas. Entre os manifestantes, a maioria era formada por homens, mas havia também famílias e algumas pessoas encapuzadas.

Já na zona sul da capital, onde estão os bairros de classe média alta, os moradores ergueram suas próprias barreiras de proteção, e a polícia tentava deter os manifestantes. 

Garotos nas linhas de frente mostraram à reportagem marcas de tiros de borracha.

Ao longe, ouvia-se o som de disparos de bombas de gás lacrimogêneo e tiros de bala de borracha. Segundo a imprensa local, apenas nesta segunda houve mais de 20 feridos.

O agora ex-presidente fez várias postagens no Twitter. Primeiro, agradeceu as “demonstrações espontâneas de apoio ao governo democrático que foi derrubado pelo golpe cívico-militar-policial”. 

Depois, com a escalada da violência, tentou passar uma mensagem mais pacífica. “Peço a meu povo, com muito carinho e respeito, que cuide da paz e não caia na violência de grupos que buscam destruir o Estado de Direito. Não podemos nos enfrentar entre irmãos bolivianos. Faço um chamado urgente para que se resolva qualquer diferença com o diálogo”, escreveu.

A sua carta de renúncia chegou à Assembleia Nacional às 13h (14h em Brasília).

Havia expectativa de que os parlamentares dessem sequência ao processo —é preciso validar quem será o novo presidente e definir os próximos passos. Por enquanto, o país segue acéfalo.

Mas a sessão no Congresso foi interrompida por volta das 16h (17h em Brasília) pelos manifestantes evistas que protestavam do lado de fora.

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Antes de encerrar os trabalhos às pressas, a senadora Jeanine Áñez, que afirma ser a próxima na linha de sucessão, disse que quer “pacificar o país”, que o movimento das últimas horas foi “cidadão” e que pretende encaminhar uma “transição para novas eleições”.

A senadora precisou ser retirada da Assembleia e levada a um local desconhecido —no fim da tarde, a própria Assembleia também foi evacuada.

Ela saiu acompanhada de policiais e declarou que os legisladores pretendem tratar nesta terça da renúncia de Evo e do vice, Álvaro García Linera. Áñez disse ainda que sua posse formal deve ocorrer na quarta-feira (13) e que tem o respaldo da polícia boliviana e das Forças Armadas.

Mais cedo, o rival de Evo nas eleições, Carlos Mesa, disse que o país precisa de “uma saída democrática” e pediu que os manifestantes reunidos nas imediações da Assembleia Nacional e da Casa de Governo não impeçam os parlamentares do MAS (Movimento ao Socialismo) de circularem e terem acesso ao voto.

“Se eles não participarem, ganha força a narrativa de golpe de Estado, que é mentirosa, e queremos fazer as coisas de modo democrático e constitucional”, afirmou Mesa.

O ex-vice García Linera denunciou que manifestantes querem queimar sua casa, que conta com uma biblioteca de 30 mil livros. 

Evo também reclamou de uma tentativa de incendiar sua casa. Segundo ele, o local foi protegido pelos vizinhos. 

O processo na Bolívia é acompanhado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que elogiou a ação dos militares. “Esses eventos enviam um forte sinal aos regimes ilegítimos da Venezuela e da Nicarágua de que a democracia e vontade do povo sempre prevalecerão.”

Nesta terça-feira, a OEA (Organização dos Estados Americanos) deve fazer uma reunião de emergência para discutir a crise na Bolívia. 

A sessão extraordinária foi convocada a pedido de Brasil, Canadá, Colômbia, EUA, Guatemala, Peru, República Dominicana e Venezuela.


LEIA PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE COMO FICA A BOLÍVIA APÓS RENÚNCIA DE EVO

Quem governa a Bolívia atualmente?

No momento, ninguém. Pela Constituição, a sucessão começa com o vice-presidente, seguido pelo presidente do Senado e depois pelo titular da Câmara dos Deputados, mas todos renunciaram com Evo. O país está, portanto, em um vácuo de poder.

O que estabelece a Constituição nesse caso?

 A Carta boliviana determina apenas que em caso de “impedimento ou ausência definitiva” do presidente, do vice-presidente e do presidente do Senado, deverá assumir o chefe da Câmara dos Deputados e eleições precisam ser convocadas em até 90 dias. Ou seja, não diz o que acontece quando o líder da Câmara também pede demissão. 

Que possibilidades estão sendo cogitadas?

Uma das interpretações é que quem deve assumir é a vice-presidente do Senado, a opositora Jeanine Añez —ela já disse estar preparada para isso e prometeu organizar novas eleições. Outra possibilidade seria que a Assembleia Legislativa escolhesse novos presidentes do Senado e da Câmara.

Carlos Mesa, segundo colocado na última eleição, defendeu outro caminho: que os congressistas definam um governo transitório de consenso. Outro líder opositor, Luis Fernando Camacho, foi além e propôs prescindir da Assembleia Legislativa e convocar uma “junta de governo transitório” com personalidades do âmbito político e social para se encarregar de novas eleições em um prazo máximo de 60 dias.

Já a proposta do prefeito de La Paz, Luis Revilla, aliado de Mesa, é o Legislativo recompor o TSE (Tribunal Supremo Eleitoral) em 48 horas, por meio de uma lei de exceção —ao renunciar, Evo demitiu a cúpula do órgão. 

Quais serão os próximos passos?

Espera-se que a Assembleia Legislativa convoque uma sessão extraordinária para avaliar como será encaminhado o processo. A Assembleia também precisa oficializar a saída de Evo e dos outros políticos, já eles renunciaram por anúncios em meios de comunicação, e não de forma oficial. Segundo a imprensa local, ainda não há data definida para essa sessão.


O podcast Café da Manhã desta terça (12) debate a situação na Bolívia. Ouça abaixo:

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