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Treinadora quebra barreiras masculinas no futebol africano – DW – 06/10/2024
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Jackline Juma fez história em setembro, quando se tornou a primeira técnica feminina a liderar um time profissional masculino na primeira divisão de um torneio importante. Liga Africana. O facto de ter conseguido a sua primeira vitória com o FC Talanta, uma vitória por 1-0 sobre o Sofapaka no Queniano Premier League, era quase secundária.
Ao apito final, o seu homólogo Robert Matano, um dos treinadores mais experientes e conhecidos do país, pareceu não aceitar bem a derrota.
“Ele ganhou tudo e pensou que conseguiria o máximo de pontos contra mim”, disse Juma à DW. “Depois da partida, ele não disse nada nem apertou a mão. Nas redes sociais, as pessoas diziam que era porque ele perdeu para uma treinadora”.
Continua a ser uma raridade ver uma treinadora feminina à margem, definindo tácticas, fazendo substituições e gritando instruções.
“No futebol africano, é quase um tabu que as mulheres treinem ou mesmo dirijam jogos masculinos”, disse Festus Chuma, jornalista da Pulse Kenya, à DW.
“Isto era algo que as pessoas não pensavam que iria acontecer. Em muitas partes de África, as mulheres ainda são vistas como inferiores, especialmente em áreas dominadas pelos homens, como futebol.”
Ele acrescentou que o não aperto de mão dos treinadores adversários pode ser apenas uma reação.
“A aceitação pode levar algum tempo.”
A jornada de Juma
Juma está acostumado a provar que as pessoas estão erradas. Embora seus pais quisessem que ela fosse advogada, ela sempre amou futebol e começou a jogar ainda jovem.
“Eu saía escondida para brincar com meu irmão, mas quando voltei foi um inferno, com brigas e minha mãe não aguentava mais”, disse ela.
Tudo mudou quando ela foi convocada para a seleção nacional, aos 16 anos.
“Este foi o meu ponto de viragem. Os meus pais não conseguiam acreditar que existia uma selecção nacional para mulheres a jogar futebol e desde então apoiaram-me.”
Mesmo assim, Juma pensava no jogo de um ponto de vista diferente dos outros jogadores.
“Isso me deu uma visão mais profunda do jogo em comparação com um jogador normal. Ser treinador é uma vocação para mim.”
Obtendo sua “licença” – a mais alta qualificação como treinador de futebol em África — em Maio foi um grande passo. Ela então recebeu um telefonema do CEO da Talanta.
“Ele me disse ‘queremos trazer você para assumir o time masculino’. Foi um choque. Eu estava ministrando uma aula de coaching na época e tive que sair”, lembrou ela.
“Ele disse ‘você tem a capacidade e a licença, então por que não?'”
Ela disse que então se fez a pergunta mais importante: se ela achava que poderia fazer isso.
“Eu acredito em mim mesmo e concordei em aceitar o trabalho.”
Sucesso depende do desempenho de Juma em campo
Se é a primeira vez que os homens são treinados por uma mulher, é a primeira vez para Juma também.
“Treinar homens é totalmente diferente de treinar uma equipe feminina”, disse ela. “Existem alguns aspectos que você precisa considerar em termos de saúde feminina. Claro que existe a menstruação e às vezes ela atrapalha o treino. Os homens estão sempre prontos.”
Embora a reação dos torcedores pareça ter sido amplamente positiva, potencialmente o maior obstáculo foram os jogadores.
“Como todos, eles ficaram chocados porque isso nunca tinha acontecido antes”, disse Juma. “Alguns pensaram que eu conseguiria, outros não tinham certeza, mas tenho fé nas minhas habilidades como treinador.”
Sua filosofia é baseada no domínio e na posse de bola e seus modelos de treinador são Carlo Ancelotti, do Real Madrid, e Mikel Arteta, do Arsenal.
“Seu sucesso e posição a longo prazo dependerão em grande parte do desempenho da equipe nesta temporada”, disse o jornalista Festus Chuma.
“O FC Talanta tem desafios orçamentais e carece de jogadores de alta qualidade de clubes maiores, o que pode atrapalhá-la, apesar da sua experiência e qualificações. Se conseguir bons resultados, poderá conseguir melhores oportunidades de treinador, possivelmente fora do Quénia.”
‘Uma forte mensagem de empoderamento’
Juma tem ambições internacionais dentro e fora do campo e espera poder inspirar meninas e se tornar uma pioneira para outras pessoas no Quênia e em outros lugares. A inspiração de Juma é necessária após recente incidentes de violência em relação às atletas femininas no país ganhou as manchetes em todo o mundo.
Em setembro, Rebecca Cheptegei, um Uganda corredora que vivia e treinava no Quênia, foi morta por seu ex-namorado depois que ele a encharcou com gasolina e a incendiou. Em 2021, Agnes Tirop, ex-campeã mundial que ficou em quarto lugar nos 5.000 metros nas Olimpíadas de Tóquio, foi morta a facadas pelo marido. Na mesma semana, Edith Muthoni, uma corredora de 27 anos, foi morta num ataque de facão em Nairobi.
Atleta de Uganda morre após ser incendiado
“Depois do violência e discriminação enfrentadas pelas mulheres atletas no Quênia, a nomeação de Juma envia uma forte mensagem de empoderamento”, disse Chuma.
“Mostra ao mundo que o Quénia está a fazer progressos, mesmo em campos dominados pelos homens como o futebol. Para as mulheres, especialmente as que vivem nas zonas rurais, este momento representa esperança e inspiração. Prova que as mulheres podem destacar-se e quebrar barreiras em qualquer campo, independentemente das expectativas da sociedade.”
Além dos pontos em campo, é isso que Juma busca.
“Não nos deixemos levar por ‘somos apenas treinadoras’ ou ‘apenas atletas femininas’, mas somos todos iguais”, disse Juma. “Quero ser uma inspiração não só no Quénia, não só na África Oriental, não só em África, mas no resto do mundo. Temos voz e devemos falar sem medo, sem intimidação. Podemos fazê-lo.”
Editado por: Chuck Penfold
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Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital — Universidade Federal do Acre
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26 de junho de 2026A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou da solenidade de inauguração da nova sede da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape), da qual ela é presidente do Conselho Curador. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 26, no campus-sede, local em que se localiza o espaço administrativo e operacional da fundação.
Guida destacou a importância da Fundape para a Ufac e para outras instituições da Região Norte. Para ela, a fundação passou por um processo de fortalecimento nos últimos anos. “A Fundape hoje nos faz realizar, na verdade, todas as parcerias de formação de docentes, de ensino, de pesquisa, de extensão, de inovação”, afirmou.
Segundo a reitora, a fundação ampliou sua atuação para além do Acre, atendendo também instituições de Rondônia, Amapá e Roraima. “Olha a grandeza disso. E nós, enquanto Universidade Federal do Acre, temos que nos orgulhar”, pontuou.
O diretor-presidente da Fundape, Ismar Bernardo de Araújo, disse que a inauguração da sede própria representa uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe e visão de futuro. “Hoje não celebramos apenas a abertura de um novo espaço físico; celebramos uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe, visão de futuro e confiança.”

Ismar lembrou que a Fundape foi instituída em 22 de junho de 1998 e completa 28 anos em 2026. Atualmente, a fundação conta com 38 colaboradores, representa quatro universidades federais, três institutos federais e um hospital universitário, estando presente em quatro Estados da região Norte.
Membro fundador da Fundape e pró-reitor de Planejamento da Ufac, Alexandre Hid, relembrou a criação da fundação e os desafios enfrentados ao longo da trajetória institucional. “Hoje a fundação está aí forte e firme para maiores e melhores desafios.”

Também participaram da solenidade a reitora da Unir, Marília Pimentel; o procurador-geral adjunto para Assuntos Administrativos e Institucionais do MP-AC, Carlos Roberto da Silva Maia, representando o procurador-geral Oswaldo Lima Neto; o diretor técnico da Fundape, Camilo Gouveia; o diretor administrativo-financeiro da Fundape, Dionel de Araújo; Gemil Júnior, suplente do senador Alan Rick (Republicanos-AC); a pró-reitora de Inovação, Pesquisa e Pós-Graduação do Ifac, Alana Chocorosqui, representando o reitor Fábio Storch; o ex-reitor da Ufac, Minoru Kinpara; além de dirigentes, coordenadores de projetos, colaboradores e representantes de instituições parceiras.
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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre
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23 de junho de 2026O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no âmbito do mestrado interinstitucional para técnico-administrativos da Ufac e do Instituto Federal do Acre (Ifac), realiza o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública, de 14 a 16 de julho, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede da Ufac. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 16 de julho, por meio online.
O evento será transmitido pelo YouTube e terá como tema “Governança, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios Estruturais para o Acre”, propondo um debate sobre questões territoriais, sociais, ambientais, urbanas, institucionais e econômicas que atravessam a realidade amazônica e acreana.
A programação científica será organizada em quatro eixos temáticos: governança urbana, mobilidade e direito à cidade na Amazônia; infraestrutura, saneamento e resiliência em contextos de enchentes e queimadas; governança ambiental, desenvolvimento sustentável e capacidade estatal na Amazônia; e educação e empreendedorismo na Amazônia.
O seminário tem como público-alvo a comunidade universitária e gestores públicos, contando com a participação de autoridades locais, pesquisadores da UTFPR, docentes da Ufac e do Ifac, bem como especialistas convidados de diferentes áreas.
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Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre
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17 de junho de 2026A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.
Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.
A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.
“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).
A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.
“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”
A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.
Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.
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