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Três vivas à imigração – 22/10/2024 – Deirdre Nansen McCloskey

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Donald Trump perderá a eleição porque não se tornou um moderado, como fazem os candidatos inteligentes no último mês. Não, ele repete o tema principal de sua vida —culpar o “sangue ruim” dos imigrantes por qualquer coisa errada no país. Certa vez, disse que se os imigrantes fossem da Noruega, como eram meus bisavós, em vez de, digamos, da África ou México, ele não reclamaria. Ele é francamente racista com qualquer pessoa, exceto os europeus, especialmente os do norte da Europa.

Décadas atrás, ele e seu pai —filho de imigrante alemão— estavam ilegalmente impedindo que negros morassem em seus prédios de apartamentos. Agora ele quer reunir 11 milhões de residentes sem documentos nos EUA e colocá-los em campos de concentração. Os noruegueses indocumentados serão isentos. Aparentemente, sua mãe, imigrante da Escócia, nunca lhe ensinou a regra de ouro, o único pilar essencial de uma sociedade liberal e próspera.

Duas das três esposas dele, Ivania, a tcheca, e Melania, a eslovena, eram satisfatoriamente brancas e europeias. Os pais de Melania foram naturalizados sob uma lei que Trump rejeitaria. E assim por diante. Sabíamos que ele era um idiota. Mas idiotas que seguem a regra de ouro são, pelo menos, inofensivos.

Então, ponto número 1: é idiota pessoas do Novo Mundo atacarem imigrantes e não tratar os outros como gostariam de ser tratados. Todos no Brasil, exceto os povos originários, são descendentes de imigrantes, voluntários ou forçados, mesmo recentemente. É assim também nos EUA. Por exemplo, a maior parte da família imediata de Trump.

O ponto número 2 é que a imigração é boa para os EUA e o Brasil. É equivalente ao comércio. É vantajoso para você, brasileiro, poder negociar com, digamos, o sr. Ishishi, do Japão. Portanto é vantajoso deixar Ishishi entrar no Brasil… para negociar com você. A história mostra de modo avassalador que a imigração foi economicamente vantajosa para os nossos países.

Ponto 3: a imigração é obviamente vantajosa para os próprios imigrantes. Por qual aplicação da regra de ouro nos importamos apenas com nossos atuais concidadãos? Você, assim como Trump, desdenha da vantagem de todos, exceto dos europeus? A razão pela qual pessoas correm grande risco ao cruzar o Mediterrâneo para ir à Itália ou cruzar a América Central para chegar aos EUA é para melhorar suas famílias. Qual é a sua reclamação ética sobre isso?

4: As culturas brasileira e norte-americana foram imensamente enriquecidas pelos imigrantes. O que seriam os EUA sem o jazz africano e o humor judaico? Entediantes. Você pode citar o caso brasileiro.

5: Os imigrantes frequentemente são pobres. No entanto, muitas vezes seus netos têm sucesso. A casta Singh de imigrantes da Índia hoje administra muitos, muitos motéis. Veja seus netos se formando na universidade. Os italianos fizeram isso.

6: Longe de “trazer criminosos para o país”, até mesmo os imigrantes sem documentos cometem menos crimes que os nativos.

Meu sétimo ponto não é muito ouvido. Se você odeia a imigração, por que não odeia também a migração doméstica?

É odioso e antiético. Pare com isso.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves


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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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