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Trump quer retirar morador de Gaza e ‘limpar a coisa toda’ – 26/01/2025 – Mundo

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Igor Gielow

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu a retirada de boa parte da população palestina da Faixa de Gaza para outros países árabes, a fim de “limpar a coisa toda” após mais de um ano de destruição devido à guerra entre Israel e o Hamas, que governa o território.

O próprio Trump relatou a ideia a repórteres que o acompanhavam no avião presidencial na noite de sábado (25). Ele voltava da Califórnia, havia acabado de ter uma conversa por telefone com o rei Abdullah, da Jordânia.

“Eu preferiria estar envolvido com algumas nações árabes e construir habitações em uma localidade diferente, onde eles [os palestinos] poderiam talvez viver em paz, para variar”, disse. “Você está falando de talvez 1,5 milhão de pessoas, e nós apenas limpamos a coisa toda e dizemos: Sabe como é, acabou.”

Ele disse ao rei que gostaria que a Jordânia recebesse os refugiados, e disse que fará a mesma sugestão neste domingo (26) numa conversa com o ditador egípcio, Abdel Fattah al-Sisi. Ele não relatou a reação de Abdullah.

Ainda que ele tenha falado que a solução possa ser “temporária ou de longa duração”, sua fala vai de encontro com todos os temores históricos dos palestinos e com o desejo da ultradireita que sustenta o governo do premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, de colonizar Gaza.

Não por acaso, o principal integrante da facção no gabinete israelense, o ministro Bezalel Smotrich (Finanças), chamou a proposta de “grande ideia” e disse que vai criar “um plano operacional” paa implementá-la.

A faixa tem cerca de 2,2 milhões de habitantes, o que dá a escala da “limpeza” proposta por Trump, que já ganhou a qualificação de “étnica” ao ser comentada por um importante político palestino, Mustafa Barghouti, à agência árabe Maan.

A ideia ecoa, para os palestinos, a nakba (catástrofe, em árabe), o termo dado à expulsão de árabes pelos judeus durante a formação conflituosa do Estado de Israel, em 1948.

Tel Aviv rejeita a noção, lembrando que foi atacada por seus vizinhos quando a ONU determinou a partilha da antiga Palestina britânica, mas o fato é que milhões deixaram suas casas no processo.

O fato de Trump procurar Amã e o Cairo não é casual. Ao longo das décadas desde a criação de Israel, ambos os países receberam refugiados palestinos e também tentaram se livrar deles, além de registrar conflitos com suas lideranças.

O governo egípcio já havia advertido, ao longo do conflito iniciado quando o Hamas atacou Israel no dia 7 de outubro de 2023, que não aceitaria uma nova remoção forçada dos palestinos de seu território. Pelos acordos de paz de 1994, Gaza e Cisjordânia formam o embrião de um Estado.

Isso nunca deu certo. Governos israelenses, particularmente a longeva gestão Netanyahu, bombardearam os acordos ao estimular a colonização ilegal por ativistas judeus. Os palestinos também racharam, com o Hamas dominando Gaza a partir de 2007, após ter a eleição que ganhou melada pela rival Autoridade Nacional Palestina, que governa a Cisjordânia.

Acusações de lado a lado à parte, o fato é que a dita solução de dois Estados nunca se viabilizou. A guerra iniciada pelo Hamas, que chegou à segunda semana de seu cessar-fogo neste domingo, abriu o caminho para soluções de força mais arbitrárias, como indicou Trump.

Concorre em favor do discurso a obliteração de Gaza. Segundo a agência da ONU que opera no território, 92% das construções da faixa foram ou destruídas, ou danificadas durante o conflito. Morreram, segundo o Hamas, 47 mil pessoas no processo —o grupo, por sua vez, matou 1.200 no ataque do 7 de Outubro.

Antes do cessar-fogo e de assumir o governo, Trump havia sugerido mandar os palestinos para a Indonésia, maior país muçulmano do mundo, tendo esquecido de consultar Jacarta sobre a ideia. O Qatar, principal mediador da trégua, rejeita qualquer solução que preveja a saída da população.

O novo inquilino da Casa Branca tenta dar uma roupagem humanitária à sua ideia. Ao mesmo tempo, levantou no sábado um veto que seu antecessor, Joe Biden, havia imposto ao fornecimento de poderosas bombas de 900 kg usadas por Israel em Gaza.

Ainda neste domingo, Israel bloqueou a volta de alguns palestinos ao norte da Faixa de Gaza, como estava previsto no acordo do cessar-fogo. O Estado judeu diz que o Hamas violou no sábado os termos do arranjo ao libertar quatro militares mulheres do cativeiro.

O previsto era a soltura das mulheres civis tomadas no 7 de Outubro primeiro. O Hamas nega que a refém remanescente esteja morta, mas não explicou o motivo de ela não ter sido solta. Duzentos palestinos foram libertados de cadeias israelenses nessa segunda etapa do cessar-fogo.



Leia Mais: Folha

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Ufac lança projeto voltado à educação na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac lança projeto voltado à educação na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac lançou o projeto de extensão “Tecendo Teias de Aprendizagem: Cazumbá-Iracema”, em solenidade realizada nesta sexta-feira, 6, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas. A ação é desenvolvida em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Associação dos Seringueiros da Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema.

Viabilizado por meio de emenda parlamentar do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), o projeto tem como foco promover uma educação contextualizada e inclusiva, com ações voltadas para docentes e estudantes da reserva, como formação em metodologias inovadoras, implantação de hortas escolares, práticas agroecológicas sustentáveis e produção de um documentário com registros da memória cultural da comunidade.

A reitora Guida Aquino destacou a importância da iniciativa. “É um momento ímpar da universidade, que cumpre de fato seu papel social. O projeto nasce a partir da escuta da comunidade, com apoio fundamental do senador Petecão, que tem investido fortemente na educação.” Ela também agradeceu o apoio financeiro para funcionamento da instituição. “Se não fossem as emendas, não teríamos fechado o ano passado com energia, segurança e limpeza garantidas.”

Petecão frisou que o investimento em educação é o melhor caminho para transformar a realidade da juventude e manter as comunidades nas reservas. “Não tem sentido incentivar as pessoas a deixarem a floresta. O mundo todo quer conhecer a Amazônia e o nosso povo quer sair de lá. Está errado. A reserva Cazumbá-Iracema é um exemplo de paz e organização, e esse projeto pode virar referência nacional.”

Ele reafirmou seu apoio à universidade. “A Ufac é um patrimônio do Acre. Já destinamos mais de R$ 40 milhões em emendas para a instituição. Vamos continuar apoiando. Educação não tem partido.”

O pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes, explicou que a proposta foi construída a partir de escutas com lideranças da reserva. “O projeto mostra que a universidade pública é espaço de formulação de políticas. Educação é direito, não mercadoria.” Ele também defendeu a atualização da legislação que rege as fundações de apoio, para permitir a inclusão de moradores de comunidades extrativistas como bolsistas em projetos de extensão.

Durante o evento, foram entregues placas de agradecimento à reitora Guida Aquino, ao senador Sérgio Petecão e ao pró-reitor Carlos Paula de Moraes, além de cestas com produtos da comunidade.

A reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema possui cerca de 750 mil hectares nos municípios acreanos de Sena Madureira e Manoel Urbano, com 18 escolas, 400 estudantes e aproximadamente 350 famílias.

Também participaram da mesa de honra o coordenador do projeto, Rodrigo Perea; o diretor do Parque Zoobotânico, Harley Araújo; o chefe do ICMBio em Sena Madureira, Aécio dos Santos; a subcoordenadora do projeto, Maria Socorro Moura; e o estudante Keven Maia, representante dos alunos da Resex.



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Grupo de pesquisa da Ufac realiza minicurso sobre escrita científica — Universidade Federal do Acre

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Grupo de pesquisa da Ufac realiza minicurso sobre escrita científica — Universidade Federal do Acre

O grupo de pesquisa Elos: Estudos em Economia, Finanças, Política e Segurança Alimentar e Nutricional, da Ufac, realiza o minicurso Escrita Científica em 12 de fevereiro, em local ainda a ser definido. A ação visa proporcionar uma introdução aos fundamentos da produção acadêmica. A carga horária do minicurso é de duas horas e os participantes receberão certificado. As inscrições estão disponíveis online.

Serão ofertadas duas turmas no mesmo dia: turma A, às 13h30, e turma B, às 17h20. A atividade é coordenada pela professora Graziela Gomes, do Centro de Ciências Jurídicas e Sociais Aplicadas.

A metodologia inclui exposição teórica e atividades práticas orientadas. A atividade abordará técnicas de citação, paráfrase, organização textual e ética na escrita científica, contribuindo para a redução de dificuldades recorrentes na elaboração de trabalhos acadêmicos e para a prevenção do plágio não intencional.

 

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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre

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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre

A Ufac realizou a cerimônia de certificação dos estudantes concluintes do ensino médio do Colégio de Aplicação (CAp), referente ao ano letivo de 2025. Pela primeira vez, a solenidade ocorreu no campus-sede, na noite dessa quinta-feira, 29, no Teatro Universitário, e marcou o encerramento de uma etapa da formação educacional de jovens que agora seguem rumo a novos desafios acadêmicos e profissionais.

A entrada da turma Nexus, formada pelos concluintes do 3º ano, foi acompanhada pela reitora Guida Aquino; pelo diretor do CAp, Cleilton França dos Santos; pela vice-diretora e patronesse da turma, Alessandra Lima Peres de Oliveira; pelo paraninfo, Gilberto Francisco Alves de Melo; pelos homenageados: professores Floripes Silva Rebouças e Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti; além da inspetora homenageada Suzana dos Santos Cabral.

Guida destacou a importância do momento para os estudantes, suas famílias e toda a comunidade escolar. Ela parabenizou os formandos pela conquista e reconheceu o papel essencial dos professores, da equipe pedagógica e dos familiares ao longo da caminhada. “Tenho certeza de que esses jovens seguem preparados para os próximos desafios, levando consigo os valores da educação pública, do conhecimento e da cidadania. Que este seja apenas o início de uma trajetória repleta de conquistas. A Ufac continua de portas abertas e aguarda vocês.”

Durante o ato simbólico da colocação do capelo, os concluintes reafirmaram os valores que orientaram sua trajetória escolar. Em nome da turma, a estudante Isabelly Bevilaqua Rodrigues fez o discurso de oradora.

A cerimônia seguiu com a entrega dos diplomas e as homenagens aos professores e profissionais da escola indicados pelos concluintes, encerrando a noite com o registro da foto oficial da turma.

 



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