NOSSAS REDES

ACRE

Tweets excluídos, avisos perdidos e apelos ao ‘carrasco’: as amargas consequências políticas das enchentes na Espanha | Espanha

PUBLICADO

em

Sam Jones

O sol ainda não tinha nascido na terça-feira, 29 de Outubro, quando o presidente da Câmara de Utiel, Ricardo Gabaldón, analisou novamente os avisos do serviço meteorológico estatal de Espanha e ordenou o encerramento de todas as escolas da pequena cidade valenciana.

“O aviso naquela manhã – às 5h ou 6h – era laranja”, disse ele. “Foi quando eu estava pensando se deveria fechar as escolas aqui. No final, ordenei que fechassem às seis ou sete da manhã. Logo depois, o alerta ficou vermelho.”

Embora a chuva tenha provocado inundações que até agora já custaram pelo menos 223 vidas em Espanha – seis deles em Utiel – Gabaldón sabe que o número de mortos poderia ter sido muito maior na sua cidade se as escolas estivessem abertas. Crianças e seus pais teriam morrido em estradas inundadas durante o trajeto vindo das aldeias vizinhas, e os alunos poderiam ter morrido afogados nos corredores das escolas. “Graças a Deus que as crianças não estavam aqui”, disse ele. “Caso contrário, estaríamos falando sobre algo totalmente diferente.”

A visão e a iniciativa que Gabaldón demonstrou nos primeiros momentos do pior desastre natural da história moderna de Espanha estavam longe de ser omnipresentes. Os alertas enviados para os telemóveis das pessoas em tempos de emergência civil só foram enviados pelo governo regional valenciano depois das 20h00 de terça-feira. Nessa altura, a chuva equivalente a um ano tinha caído em algumas áreas numa questão de horas e as águas das cheias em Utiel atingiram três metros de altura.

Carlos Mazón, ao centro, e o Rei Felipe VI, à direita, são interpelados em Paiporta. Fotografia: Manaure Quintero/AFP/Getty Images

Enquanto as equipas de emergência procuram as 78 pessoas ainda listadas como desaparecidas, estão a ser colocadas questões sobre a forma como as autoridades estão a lidar com a crise, que revelou o que há de pior e de melhor nas pessoas.

A catástrofe foi declarada uma emergência de nível dois, o que significa que o governo regional – dirigido pelo conservador Partido Popular (PP) – tem a responsabilidade. Se as autoridades valencianas tivessem concluído que já não conseguiam lidar com a situação, o nível poderia ter sido aumentado para permitir que o governo central liderado pelos socialistas interviesse e assumisse o controlo.

Embora grande parte do debate tenha se dividido em linhas políticas familiares, uma cronologia dos acontecimentos de terça-feira revela quando as principais decisões foram ou não tomadas. Pouco antes das 23h de segunda-feira, 28 de outubro, o escritório meteorológico espanhol, Aemet, emitiu alertas meteorológicos laranja e vermelho para partes de Valência.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. Fotografia: Siddharaj Solanki/EPA

Às 7h36 da manhã seguinte, atualizou os alertas na região e às 9h41 toda a província de Valência estava em alerta vermelho, com as pessoas alertadas para o “perigo extremo” em algumas zonas e instadas a manterem-se afastadas de rios, barrancos e planícies propensas a inundações. Ao meio-dia, Aemet divulgou um vídeo pedindo às pessoas que permanecessem onde estavam.

À medida que a gravidade das inundações se tornou evidente, a representante do governo central em Valência cancelou a sua agenda e telefonou três vezes ao ministro do Interior da região, entre o meio-dia e as 14h00, oferecendo ajuda e recursos.

Por volta das 13h de terça-feira, o presidente regional do PP de Valência, Carlos Mazón, foi gravado em vídeo dizendo que as chuvas estavam diminuindo e iriam diminuir em Valência no início da noite. Um vídeo de sua previsão foi posteriormente removido de sua conta no X.

De acordo com relatos da mídia espanhola, Mazón almoçou longamente com um jornalista até cerca das 18h. Ele chegou ao centro de comando de emergência por volta das 19h30, onde foi informado sobre o estado das enchentes.

O governo valenciano, que mantém o controlo da emergência, só solicitou o envio da Unidade de Emergências Militares (UME) das Forças Armadas espanholas para toda a região depois das 20h00 de terça-feira, altura em que foi finalmente emitido o alerta da protecção civil.

Na quinta-feira da semana passada, o ministro do Interior da região disse à TV valenciana que ela só descobriu a tecnologia de alerta móvel depois de um telefonema do ministério do meio ambiente do governo central.

pular a promoção do boletim informativo

Mazón respondeu às críticas de procurando culpar o governo socialista da Espanha e até mesmo a UME. Mas fontes da administração do primeiro-ministro Pedro Sánchez estão inflexíveis de que fez tudo o que pôde para alertar sobre o desastre e está a fazer tudo o que está ao seu alcance para aliviar as suas consequências dentro das restrições de um Estado altamente descentralizado.

Embora o PP tenha agradecido incisivamente às outras regiões que governa por enviarem ajuda a Valência, acusou Sánchez de agir de “má-fé” durante a crise.

Outros foram mais longe na condenação do primeiro-ministro. Uma coluna na direita abc jornal esta semana acusou Sánchez e seu governo de tentarem atribuir as mortes às mudanças climáticas e a incapacidade das pessoas de atender aos avisos meteorológicos.

“Se os espanhóis de hoje não fossem tão medrosos, nós os estaríamos enforcando, esquartejando e expondo seus restos mortais em praça pública para que pudessem servir de isca para moscas e carniceiros, como deveria ser o destino dos tiranos. ”, acrescentou.

Atrasos no fornecimento e atualização do número de mortos e desaparecidos deram origem a teorias da conspiração e desinformação alimentada. A tragédia humana, entretanto, foi abraçada por um influenciador autodeclarado “fascista” que usa o TikTok gosta de decidir quais das áreas afetadas devem receber ajuda paga por seus seguidores.

Mas apesar da politicagem, da recriminação e os surtos de saquesa característica mais notável do desastre foi a onda de solidariedade que suscitou. Voluntários com vassouras e proprietários de tratores chegaram às partes mais atingidas de Valência, oferecendo ajuda, força e conforto.

Além dos vídeos de carros girando indefesos ao longo de torrentes de água cor de lama e de fotos de pilhas de móveis encharcados, uma das imagens permanentes do desastre será a de os milhares de voluntários com vassouras e baldes atravessando uma ponte em Valência para chegar aos necessitados. Quando as águas finalmente baixarem e os últimos corpos tiverem sido retirados da lama, as suas acções, pelo menos, serão irrepreensíveis.



Leia Mais: The Guardian

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Pavic-Lab da Ufac apresenta seis trabalhos em congresso internacional de computação — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Pavic-Lab da Ufac apresenta seis trabalhos em congresso internacional de computação — Universidade Federal do Acre

Pesquisadores do projeto Pavic-Lab, da Universidade Federal do Acre (Ufac), apresentaram seis trabalhos científicos durante a Conference on Graphics, Patterns and Images (SIBGRAPI 2026), congresso internacional de referência nas áreas de computação gráfica, processamento de imagens e visão computacional, realizado de 29 de setembro a 2 de outubro, em Goiânia (GO). As pesquisas foram desenvolvidas no projeto de pesquisa e desenvolvimento (P&D) Pesquisas Aplicadas em Visão e Inteligência Computacional (Pavic-Lab), uma iniciativa de cooperação técnico-científica entre a Ufac, Motorola, Flextronics e Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape).

Segundo a professora do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas (CCET), Ana Beatriz Alvarez Mamani, a participação no congresso contribui para divulgar a produção científica desenvolvida no Acre e ampliar o intercâmbio com outras instituições. Ela destacou que a presença da Ufac em eventos científicos também ajuda a reduzir as desigualdades regionais na ciência brasileira, além de possibilitar novas parcerias e o aperfeiçoamento das pesquisas.

A equipe foi composta pela professora Ana Beatriz Alvarez Mamani, pelo pesquisador Quefren Leher, pelos mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação (PPGCC) Clécio Silva, Lucas Carvalho, Gustavo Ferreti, Julio Martins e Ian Teixeira, além do graduando em Sistemas de Informação Kauã Galvão de Macedo.

Dos seis trabalhos apresentados, um integrou uma sessão especial do congresso e já foi publicado na revista científica Computers & Graphics. Outros três foram apresentados na programação principal, com previsão de publicação nos anais do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) e na biblioteca digital da Sociedade Brasileira de Computação (SBC). Os dois trabalhos restantes foram apresentados em workshops, também com previsão de publicação na biblioteca digital da SBC.

As pesquisas estão divididas em duas áreas principais: reconstrução tridimensional e processamento de imagens. Na primeira, Clécio Silva apresentou um método computacional para criar representações digitais mais detalhadas de ambientes internos a partir de imagens. A tecnologia pode ser aplicada em jogos, realidade virtual e aumentada, simulações e projetos da construção civil.

Na área de processamento de imagens, Lucas Carvalho apresentou uma pesquisa para reconstruir imagens de alta faixa dinâmica (HDR) a partir de uma única imagem convencional, buscando recuperar detalhes em regiões claras e escuras. Gustavo Ferreti desenvolveu uma rede neural para combinar imagens com diferentes níveis de exposição e melhorar a qualidade visual dos resultados.

Julio Martins apresentou uma metodologia para reduzir o custo computacional da reconstrução de imagens HDR, preservando a qualidade das imagens produzidas. Ian Teixeira investigou o uso de mecanismos de atenção em modelos de inteligência artificial para recuperar informações em imagens de baixa qualidade. Já Kauã Galvão de Macedo apresentou uma abordagem que combina redes neurais e técnicas de processamento de sinais para melhorar imagens capturadas em ambientes com pouca iluminação.

Os métodos desenvolvidos apresentam potencial de aplicação em sistemas embarcados com recursos computacionais limitados, como dispositivos eletrônicos que integram processamento de imagens, permitindo aprimorar a qualidade visual com menor demanda de processamento.

Para o graduando Kauã Galvão de Macedo, a participação no congresso proporcionou a oportunidade de apresentar os resultados de sua pesquisa e conhecer novas abordagens científicas. “Foi uma ótima experiência, tanto pela oportunidade de apresentar minhas pesquisas desenvolvidas na Ufac quanto pela troca de conhecimentos com pesquisadores de outras instituições”, afirmou.

Segundo Kauã, as discussões realizadas durante o evento possibilitaram o contato com técnicas que poderão contribuir para suas pesquisas e para os projetos desenvolvidos pelo Pavic-Lab, além de abrir oportunidades de colaboração científica.

O mestrando em Ciência da Computação Gustavo de Souza Ferreti também destacou a importância da experiência para sua formação acadêmica. “Tive a oportunidade gratificante de conhecer professores e pesquisadores com ampla trajetória no nosso campo, além de ouvir sobre suas vivências e receber orientações valiosas para aprimorar meu trabalho”, disse.

O Pavic-Lab desenvolve atividades de pesquisa voltadas ao processamento de imagens, ao aprimoramento da qualidade visual e à reconstrução tridimensional de ambientes e objetos. Após a participação no congresso, a equipe dará continuidade às pesquisas científicas, com novos experimentos e avaliações para aperfeiçoar os métodos, reduzir custos computacionais e ampliar as possibilidades de aplicação prática dos resultados.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac abre 1ª Conferência Internacional Amazônia Nexus — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac abre 1ª Conferência Internacional Amazônia Nexus — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) iniciou, na manhã desta segunda-feira, 19, a 1ª Conferência Internacional Amazônia Nexus. A solenidade de abertura ocorreu no auditório do e-Amazônia, no campus-sede, em Rio Branco, e reuniu professores, estudantes, participantes externos e palestrantes locais, nacionais e internacionais.

A vice-reitora da Ufac, Almecina Balbino, destacou que o evento busca fortalecer a produção científica regional e estreitar os laços interinstitucionais. Segundo ela, a conferência favorece a criação de uma rede de conexão entre os programas de pós-graduação e viabiliza a internacionalização por meio da cooperação Sul-Sul, permitindo que pesquisadores externos contribuam diretamente para os estudos sobre o território amazônico.

O pró-reitor de Extensão e Cultura, Marco Amaro, ressaltou o papel da extensão universitária na articulação do conhecimento científico com a comunidade. “Não existe integração entre ensino, pesquisa e extensão se a gente tirar as pesquisas da prateleira sem estarmos envolvidos com ações de extensão, que fazem a intermediação entre o conhecimento da universidade e a sociedade”, declarou. Ele também destacou que a rede de contatos estabelecida entre as diferentes áreas fortalece a qualidade acadêmica da instituição.

O coordenador do evento, professor Flávio Roberto Chaves da Silva, expressou satisfação com o início da conferência e destacou a dimensão coletiva da iniciativa. “É com muita alegria, satisfação e gratidão que damos início a este projeto que nasceu do desejo de fortalecer a ciência, a cooperação e a internacionalização da pesquisa na Amazônia. Celebramos a coragem de começar, a força do trabalho coletivo e a realização de um sonho. Que esta seja a primeira de muitas edições, promovendo o conhecimento e contribuindo para o desenvolvimento sustentável da nossa região”, afirmou o docente, agradecendo a parceria dos palestrantes, da comissão organizadora e dos apoiadores.

Durante a abertura, a mesa de debates destacou a importância do encontro para a região. O professor e pesquisador Lin Shau Ming, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), um dos palestrantes do dia, ressaltou que os estudos sobre plantas medicinais e agrobiodiversidade contribuem para o bem-estar das comunidades tradicionais. Segundo ele, o tema está alinhado à proposta central do evento de promover a integração de diferentes saberes e áreas do conhecimento na universidade.

A coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal na Amazônia Ocidental, Cíntia Daudt, destacou o compromisso social da universidade com a produção de conhecimento e o desenvolvimento regional. “É um evento bem importante para a nossa região e para a nossa universidade. Estamos aqui cumprindo o nosso ato de educação. Como dizia Paulo Freire, ‘educar é um ato político’. Nós estamos cumprindo a nossa parte, unindo ensino, pesquisa e extensão em um único evento”, afirmou.

A cerimônia de abertura contou ainda com a participação do pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, Dionatas Meneguetti; dos coordenadores Fernando da Silva Souza, de Ciência, Inovação e Tecnologia para a Amazônia; Felipe Souza, de Ciência Florestal; Regina Lúcia Ferreira, de Produção Vegetal; e da vice-coordenadora Danúsia Rocha, de Saúde Coletiva.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac promove ação de prevenção à saúde da mulher durante o Outubro Rosa — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac promove ação de prevenção à saúde da mulher durante o Outubro Rosa — Universidade Federal do Acre

A Ufac, por meio da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (Progep) e da Diretoria de Saúde e Qualidade de Vida (DSQV), realizou nesta sexta-feira, 16, no estacionamento H (bloco de Medicina) do campus-sede, uma ação de prevenção e cuidado à saúde da mulher em alusão à campanha Outubro Rosa. Com o tema “A rotina pode esperar um pouco. Cuidar de você também é prioridade”, a iniciativa disponibilizou exames preventivos do colo do útero (PCCU) e testes rápidos para toda a comunidade acadêmica.

A diretora de Saúde e Qualidade de Vida da Ufac, Ane Kelly Severino Salvino, destacou a importância de facilitar o atendimento no próprio ambiente de trabalho para servidoras e terceirizadas. “A ideia é que elas parem por um momento, deixem o trabalho um pouquinho de lado e passem a se cuidar. Oferecer essa facilidade é muito gratificante”, afirmou. Ela ressaltou ainda as parcerias com a Uninorte, o sindicato e a Residência em Enfermagem Obstétrica para ampliar a ação.

A coordenadora de Vigilância à Saúde do Servidor, Priscila Miranda, ressaltou a importância de uma abordagem integral da saúde feminina e chamou a atenção para a sobrecarga da rotina das mulheres. “Trazemos esse olhar para mostrar que a mulher precisa se conscientizar sobre a prioridade de cuidar de si mesma e de sua saúde física e mental, não apenas no Outubro Rosa. Trazer esses exames para dentro da universidade dá a elas o tempo necessário para o autocuidado”, pontuou.

Conscientização e prevenção

Durante a ação, residentes do programa de Enfermagem Obstétrica da Ufac atuaram no acolhimento e na orientação das mulheres atendidas, reforçando a importância da prevenção do câncer do colo do útero, apontado como o segundo tipo com maior mortalidade feminina no mundo.

A enfermeira residente Francisca da Silva enfatizou que a campanha é um momento estratégico de mobilização. “Nós temos todos os 12 meses do ano para orientar, mas o mês de outubro é quando toda a rede intensifica ações para chamar as mulheres a realizarem seus exames o quanto antes”, ressaltou.

A enfermeira residente Vitória Amorim alertou que o câncer do colo do útero é assintomático no início, mas pode ser prevenido por meio do rastreamento e do tratamento de lesões precursoras. “Com o rastreamento periódico pelo PCCU, é possível diagnosticar e tratar lesões pré-cancerígenas anos antes que a doença se desenvolva. Por isso, promover essa educação em saúde no campus é vital para estimular o cuidado rotineiro”, explicou.

A iniciativa contou com a parceria do programa de Residência em Enfermagem Obstétrica da Ufac, dos cursos de Medicina e Enfermagem da Uninorte e do sindicato da categoria, que contribuíram para o suporte técnico e o atendimento às participantes.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS