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Um além-do-homem nos gramados europeus – 11/01/2025 – Muniz Sodré
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Frente aos temores generalizados de fim do mundo, este ano de 2025 começa, entretanto, com a revelação de um novo homem. Nenhum milenarista, nenhum suposto redentor dos desamparados, mas um jovem de 24 anos chamado Vinicius José Paixão de Oliveira Junior. Ele mesmo, o ponta-esquerda do Real Madrid, eleito melhor do mundo pela Fifa.
A busca de figuras exemplares costuma focalizar o passado. O que é notável na obstinação americana em “tudo reconstituir de um passado e de uma história que não era a deles e que por eles foi destruída em grande parte. Os castelos da Renascença, os elefantes fósseis, os indígenas nas reservas, as sequoias em holograma” (Jean Baudrillard, em “América”).
Já os europeus, saturados de história, idealizam o novo em algum momento das convulsões sociais ou em sistemas de pensamento. É o caso de Nietzsche em “Zaratustra”, com a figura do Übermensch, ou seja, uma condição evoluída da humanidade, o “além-humano”, com moralidade própria. Nele, três atributos: faculdade de esquecer/superar, afirmação do eterno retorno e amor ao destino.
Negro, nascido em São Gonçalo (RJ), de família pobre, Vini Jr. supera o absolutismo dos valores que tentam sufocá-lo desde a infância. Na prática, um niilista ativo. Primeiro se impôs como jogador excepcional. Depois compôs perfil original ao transformar o gramado dos campos de futebol em plataforma contra o racismo, mostrando que existe algo a ser abandonado na ideia ocidental de humanidade. Trata-se de superar o homem atual.
Eterno retorno é metáfora para a imanência renovada da existência. O que sempre retorna é a vida. Sem mascarar a cor da pele nem renegar a adversidade na transformação pessoal, Vini Jr. abraça sem restrições a sua própria vida, poderia vivê-la novamente caso houvesse um retorno. O que é concebível quando se ama o destino (“amor fati”, diz Nietzsche), isto é, quando o sujeito não se arrepende de nenhuma decisão consciente, pois ela terá sido constituinte de si mesmo.
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Nenhuma surpresa se o espírito dominado por valores regressivos achar absurdo descer das montanhas especulativas para a planície do comum. O nazifascismo quis traduzir Übermensch como um supermacho ariano a ser criado. Ridículo atroz. O além-humano sempre esteve e continua a estar aí, em todo espírito livre que mobilize por potência própria sua liberdade e a de outros. “Mensch” (e não “Mann”) não delimita gênero: o além acontece no feminino presente ou numa ancestral, como agora com Eunice Paiva por Fernanda Torres. A transmissão não está entre artistas, e sim na ancestralidade despertada pela arte.
Nisso, nenhum identitarismo, mas potência, ao alcance do sujeito ativo na luta social. A cor da pele, velho gatilho para insultos racistas, não é o leitmotiv dos ataques ao jogador: os campos europeus convivem há muito tempo com diversidade. O que há é sobressalto psíquico ante alguém sempre mais vivo após as mortificações, a percepção inquietante de um novo ou um além no humano. Corpo luminoso frente à ressonância chula, o brilho de Vini Jr. recobre admiradores e desafetos. Algo como Zaratustra ao acordar: “Grande estrela! Qual seria a sua felicidade se não houvesse aqueles por quem você brilha?”
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Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital — Universidade Federal do Acre
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26 de junho de 2026A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou da solenidade de inauguração da nova sede da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape), da qual ela é presidente do Conselho Curador. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 26, no campus-sede, local em que se localiza o espaço administrativo e operacional da fundação.
Guida destacou a importância da Fundape para a Ufac e para outras instituições da Região Norte. Para ela, a fundação passou por um processo de fortalecimento nos últimos anos. “A Fundape hoje nos faz realizar, na verdade, todas as parcerias de formação de docentes, de ensino, de pesquisa, de extensão, de inovação”, afirmou.
Segundo a reitora, a fundação ampliou sua atuação para além do Acre, atendendo também instituições de Rondônia, Amapá e Roraima. “Olha a grandeza disso. E nós, enquanto Universidade Federal do Acre, temos que nos orgulhar”, pontuou.
O diretor-presidente da Fundape, Ismar Bernardo de Araújo, disse que a inauguração da sede própria representa uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe e visão de futuro. “Hoje não celebramos apenas a abertura de um novo espaço físico; celebramos uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe, visão de futuro e confiança.”

Ismar lembrou que a Fundape foi instituída em 22 de junho de 1998 e completa 28 anos em 2026. Atualmente, a fundação conta com 38 colaboradores, representa quatro universidades federais, três institutos federais e um hospital universitário, estando presente em quatro Estados da região Norte.
Membro fundador da Fundape e pró-reitor de Planejamento da Ufac, Alexandre Hid, relembrou a criação da fundação e os desafios enfrentados ao longo da trajetória institucional. “Hoje a fundação está aí forte e firme para maiores e melhores desafios.”

Também participaram da solenidade a reitora da Unir, Marília Pimentel; o procurador-geral adjunto para Assuntos Administrativos e Institucionais do MP-AC, Carlos Roberto da Silva Maia, representando o procurador-geral Oswaldo Lima Neto; o diretor técnico da Fundape, Camilo Gouveia; o diretor administrativo-financeiro da Fundape, Dionel de Araújo; Gemil Júnior, suplente do senador Alan Rick (Republicanos-AC); a pró-reitora de Inovação, Pesquisa e Pós-Graduação do Ifac, Alana Chocorosqui, representando o reitor Fábio Storch; o ex-reitor da Ufac, Minoru Kinpara; além de dirigentes, coordenadores de projetos, colaboradores e representantes de instituições parceiras.
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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre
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7 dias atrásem
23 de junho de 2026O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no âmbito do mestrado interinstitucional para técnico-administrativos da Ufac e do Instituto Federal do Acre (Ifac), realiza o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública, de 14 a 16 de julho, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede da Ufac. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 16 de julho, por meio online.
O evento será transmitido pelo YouTube e terá como tema “Governança, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios Estruturais para o Acre”, propondo um debate sobre questões territoriais, sociais, ambientais, urbanas, institucionais e econômicas que atravessam a realidade amazônica e acreana.
A programação científica será organizada em quatro eixos temáticos: governança urbana, mobilidade e direito à cidade na Amazônia; infraestrutura, saneamento e resiliência em contextos de enchentes e queimadas; governança ambiental, desenvolvimento sustentável e capacidade estatal na Amazônia; e educação e empreendedorismo na Amazônia.
O seminário tem como público-alvo a comunidade universitária e gestores públicos, contando com a participação de autoridades locais, pesquisadores da UTFPR, docentes da Ufac e do Ifac, bem como especialistas convidados de diferentes áreas.
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Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre
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17 de junho de 2026A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.
Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.
A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.
“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).
A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.
“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”
A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.
Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.
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