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Um cara nota 10 – Noticias do Acre

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Francilene Moura

Transformar condições que, para muitos, poderiam ser vistas como desfavoráveis e limitantes em oportunidades para crescer, aprender e vencer na vida é uma capacidade extraordinária que poucos possuem. Apresento aqui a surpreendente e inspiradora história de vida do acreano Leonardo Fleming: policial militar, escritor best-seller, Acadêmico Imortal e, recentemente, um dos 10 melhores palestrantes do Brasil na categoria Educação, no concurso The Best Speaker Brasil. Essa plataforma renomada reúne os principais talentos da oratória e do desenvolvimento humano no país, e, neste ano, contou com cerca de 19 mil inscritos. Mas, para chegar a esse momento, a trajetória de Leonardo não foi nada fácil.

Desde cedo, Léo, como é carinhosamente chamado, percebeu que era diferente. Começou a falar apenas aos 5 anos e, mesmo com o passar do tempo, tinha dificuldades para pronunciar as palavras corretamente. Ele não se encaixava nos padrões sociais dos ambientes que frequentava. Na escola, sofreu diversas formas de bullying, tinha dificuldades para compreender os conteúdos aplicados nas aulas, tirava notas baixas e recebia apelidos depreciativos. Muitas vezes era taxado como “burro” por professores e colegas, sentimento que carregou por muito tempo, entrando em um processo de depressão e ansiedade.

Felizmente, o menino pobre, morador da periferia de Rio Branco, encontrou em sua jornada o que ele chama de verdadeiros anjos. O maior deles foi sua mãe, dona Leci, que, apesar do pouco estudo, detinha grande sabedoria. Auxiliar de limpeza na escola onde Léo estudava, ela acompanhava de perto as dificuldades do filho, sempre o defendia e incentivava. Pensando “fora da caixa”, passaram a buscar formas alternativas para que Léo pudesse aprender. Foi assim que ele criou seu próprio método de aprendizagem: o Nota 10 na Vida, que ele define como “uma abordagem que não só ensina a aprender, mas também a superar os próprios limites”. Com muita luta, Leonardo concluiu os estudos e, em 2002, veio a primeira grande conquista: a aprovação no concurso para soldado da Polícia Militar do Acre (PMAC). Já dá para imaginar as inúmeras situações difíceis pelas quais ele passou nesse processo — uma vida cheia de altos e baixos, mas sem nunca desistir.

Como é comum atualmente, somente na fase adulta, já trabalhando como policial militar, Leonardo descobriu os transtornos que o afetavam. Foi diagnosticado com quatro deles: dislexia e discalculia (transtornos de aprendizagem), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Transtorno do Espectro Autista (TEA), ambos do neurodesenvolvimento. Não bastasse tudo isso, recentemente ele foi diagnosticado com Espondilite Anquilosante, uma doença autoimune degenerativa que trouxe novos desafios emocionais e físicos, obrigando-o a se afastar definitivamente do trabalho após 22 anos de serviço na instituição militar.

Mesmo antes dos diagnósticos, Leonardo já demonstrava sua incrível capacidade de superação. Em vez de se deixar abater, percebeu que podia ajudar outras pessoas. Ele transformou suas barreiras em desafios e motivação para ensinar e inspirar, com a meta de levar sua história o mais longe possível. A essa altura, já ministrava mentorias, escreveu sua experiência e método no livro Seja o Nota 10 na Vida: Aprenda a Conquistar Seus Sonhos, que se tornou best-seller na Amazon, e começou a ministrar palestras. Mas não parou por aí. Já acompanhado de sua esposa e filha, mudou-se para o município de Cabedelo, na Paraíba, onde conquistou uma cadeira na Academia Cabedelense Infantojuvenil de Artes e Letras Litorânea, sendo o primeiro autor neurodivergente a se tornar Acadêmico Imortal no Brasil.

Na nova cidade, Léo se divide entre tratamentos e terapias, momentos com a família, que lhe dá total apoio, e os cuidados com a filha Luane, de apenas dois anos, sem jamais deixar de levar sua mensagem por meio de novos projetos, como o Palestra na Rua, voltado para comunidades de baixa renda. Além disso, o palestrante Nota 10 continua na disputa do The Best Speaker Brasil, no qual alcançou o primeiro lugar pelo voto popular. Foram mais de 2.000 votos na primeira fase e, na segunda, seu vídeo alcançou quase 4.000 visualizações no YouTube em apenas sete dias, solidificando ainda mais sua liderança na competição. Léo considera essa conquista o reconhecimento de sua jornada de superação e dedicação, bem como reflexo da força do Movimento Nota 10 na Vida, criado por ele para incentivar as pessoas a enxergarem os obstáculos como degraus para o crescimento.

O mundo é pequeno para Léo, que sonha com um país onde cada indivíduo tenha a oportunidade de aprender, crescer e se tornar a melhor versão de si mesmo, independentemente dos desafios da vida. Assim, ele se destaca como uma voz poderosa no cenário de palestras e motivação do Brasil. Sua jornada de superação, seu compromisso com a educação e o desenvolvimento humano, e sua mensagem, carregada de força e autenticidade, tornam Leonardo Fleming um dos palestrantes mais inspiradores do país.

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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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