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Um crime de sangue: os impactos da infecção por HI…
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Uma nódoa, fruto de atitude irresponsável e criminosa, manchou o reputado e exemplar programa brasileiro de transplantes. Há uma semana, o país entrou em consternação a partir da revelação de que seis pacientes que superaram a espera por um órgão tinham sido infectados pelo vírus da aids depois de passar pelo procedimento no Rio de Janeiro. Desde a confirmação, a contaminação inédita no Sistema Nacional de Transplantes (SNT), reconhecido internacionalmente por seu rigor e abrangência, virou caso de polícia e transbordou em nuances de descuidos motivados por lucro, além da suspeita de conchavos políticos que teriam beneficiado o laboratório PCS Lab Saleme, responsável pelos testes que deveriam proteger os transplantados, simples assim.
O alerta de que algo havia saído de controle brotou em 13 de setembro, quando foi constatada a infecção no primeiro paciente. No último dia 2, houve a segunda comprovação, desencadeando a retestagem das amostras guardadas de 288 doadores do período de dezembro de 2023 a setembro deste ano, durante o qual o laboratório prestou serviços à Secretaria de Estado da Saúde do Rio de Janeiro por meio de licitação. Daí veio a espantosa descoberta de que dois doadores viviam com HIV e o vírus havia chegado a seis pessoas operadas.
A semana começou com a Operação Verum, deflagrada pela Polícia Civil do Rio, que, até a quinta-feira 17, havia prendido quatro indivíduos ligados ao PCS Lab Saleme: Walter Vieira, sócio e signatário de um dos laudos; Jacqueline Iris Bacellar de Assis, auxiliar administrativa e signatária do segundo laudo; Ivanilson Fernandes dos Santos, responsável pela análise clínica do material que chegava da Central Estadual de Transplantes. Ainda seguia foragido o biólogo Cleber de Oliveira dos Santos, também analista de materiais colhidos — este último preso na quarta-feira 16, ao desembarcar no Aeroporto do Galeão. Detida depois de se entregar na última terça-feira, 15, Jaqueline, contratada para um trabalho de escritório, teria usado o carimbo com registro profissional de outra pessoa para assinar o laudo que liberava o uso do órgão a ser transplantado em uma mulher de 40 anos. Em sua defesa, disse ter formação em análises laboratoriais e negou envolvimento direto no caso.
Associação criminosa, falsidade ideológica, falsificação de documento particular e infração sanitária estão entre os crimes investigados. “Houve uma quebra do controle de qualidade, visando à maximização de lucro e deixando de lado a preservação e a segurança da saúde”, afirmou o delegado André Neves, da Delegacia do Consumidor do Rio, que está à frente do caso. Diante do escândalo, o governador Cláudio Castro (PL) anunciou uma auditoria extraordinária realizada pela Controladoria Geral do Estado (CGE) para inspecionar todos os contratos entre a Fundação Saúde, vinculada à pasta estadual, e o laboratório PCS Lab Saleme, que foi interditado. A previsão é que ela seja concluída em 45 dias. “Estamos trabalhando desde quando soubemos desse erro inadmissível, para atender às vítimas e garantir que isso nunca mais aconteça”, declarou Castro.

Tão logo a notícia veio à tona, os caminhos que podem ter levado a empresa de análises clínicas a ganhar o processo licitatório também começaram a ser delineados. E esse rastro leva até Luiz Antônio Teixeira Júnior, o Dr. Luizinho, deputado federal desde 2019, com trajetória política ligada à área da saúde. Médico de formação, hoje ele comanda o Progressistas em território fluminense e é líder do PP na Câmara, em Brasília, graças ao bom relacionamento com o líder nacional da sigla, Ciro Nogueira. Atuou de 2013 a 2015 como secretário municipal de Saúde de Nova Iguaçu (RJ), cidade onde fica a sede do PCS Lab Saleme. Em janeiro do ano passado, comandou pela segunda vez a Secretaria de Estado da Saúde na gestão de Castro, cargo que deixou em setembro. Desde o final de 2022, o laboratório recebeu 21,2 milhões de reais dos cofres estaduais. Mas apenas em fevereiro do ano passado a empresa passou a ter vínculo formal com o governo para atender Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Boa parte desse montante, contudo, foi pago com dispensa de licitação. A ligação entre o estado e o laboratório cresceu justamente quando Dr. Luizinho era secretário estadual. Em nota divulgada, o deputado destacou que, embora conheça a empresa, não participou de sua escolha — até porque a contratação ocorreu quando ele já havia deixado a pasta. Walter Vieira, um dos sócios que assinou um dos laudos fraudados, por sua vez, é casado com a tia do deputado. Já Matheus Vieira, levado à delegacia para prestar esclarecimentos, é filho de Walter e, portanto, primo do parlamentar.
O lamentável episódio mina um dos alicerces do sistema de transplantes nacional, a segurança. Tal pilar é perseguido desde o início dos procedimentos no Brasil, na década de 1960, e se aprimorou a partir de então, sobretudo depois que a legislação sobre o tema foi implementada, em 1997. Todo o processo — da captação dos órgãos à cirurgia em si — passa por etapas ágeis e rigorosas. A identificação de potenciais doadores é realizada pelas Organizações de Procura de Órgãos (OPOs) em parceria com as Comissões Intra-hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante, ambas ligadas às Centrais Estaduais de Transplante.
Embora a fila de espera seja única, há uma organização por estado ou região e monitoramento para que a mesma pessoa não ocupe mais de uma posição. Essa cadeia tem como objetivo permitir que, ao ser constatada a morte encefálica, o protocolo seja disparado para a obtenção e implantação do órgão dentro de prazos máximos que variam de quatro (coração) a 48 horas (rins). “O Brasil tem um sistema de transplante robusto e reconhecido globalmente”, afirma Lígia Pierrotti, coordenadora da Comissão de Infecção em Transplantes da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos. “São mais de 40 000 pessoas que dependem disso para continuar vivendo.” Se incluídas aquelas que aguardam por uma córnea, a fila chega perto de 70 000.

A corrida contra o relógio é intensa. Porém, não exclui os exames necessários para comprovar que o receptor terá a saúde resguardada. Isso passa obrigatoriamente pela realização de testes capazes de verificar a presença de patógenos como o HIV, os vírus das hepatites B e C e o parasita da doença de Chagas. A infecção pelo agente causador da aids é um fator de exclusão para doação de órgãos no Brasil — há países que permitem que pessoas que vivem com HIV doem para quem também apresenta o vírus. “Todos os laboratórios credenciados fazem esse exame nos doadores para dar segurança à equipe transplantadora e ao receptor”, diz a infectologista Raquel Stucchi, da Câmara Técnica de Infecção em Transplantes do SNT.
Foi nessa etapa crítica que a negligência cometida no Rio foi escancarada. Ainda que o governo classifique o episódio como caso isolado, especialistas preocupam-se com o impacto da ocorrência. “Cada doador pode ajudar até dez pessoas, mas muitas doações ainda não são efetivadas por recusa da família”, diz Raquel, do SNT. Em 2023, o índice de negativa familiar foi de 42%. Outro ponto sensível é o acolhimento que deve ser dado aos transplantados infectados pelo HIV: eles terão de receber um tratamento para conter o vírus. Felizmente, a terapia não prejudica a ação dos medicamentos utilizados para evitar a rejeição do transplante. A principal medida para evitar que isso se repita é investigar e punir os envolvidos. Trata-se de combater um crime contra a vida.
Publicado em VEJA de 18 de outubro de 2024, edição nº 2915
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Projeto Capes/Cofecub executa missão de trabalho em MG — Universidade Federal do Acre
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13 de julho de 2026O projeto “Agricultura Tropical e Subtropical, Pecuária e Desenvolvimento Regional: Cooperação entre Brasil e França”, coordenado pela Ufac, realizou visitas técnicas em Minas Gerais, entre 26 de junho e 5 de julho. Aprovado em chamada pública do programa Capes/Cofecub, o Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil, o projeto está no segundo ano de execução, num total de quatro anos.
A missão ocorreu no Centro de Pesquisa de Cana-de-açúcar da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa); na Unidade de Ensino, Pesquisa e Extensão em Melhoramento Genético e Sistemas de Produção de Palmáceas e Outras Oleaginosas; na Universidade Federal de Viçosa (UFV); nas fazendas São Pedro, Guimarinho, Santa Cruz e Serra das Cabeças, além do sítio Jardim.
É a primeira vez na história do programa Capes/Cofecub, iniciado na década de 1970, que uma instituição acreana coordena um projeto aprovado, cuja execução fica a cargo de professores e pós-graduandos das Universidade Federais do Acre, de Viçosa e do Paraná, além do Instituto Agrícola de Dijon (Agro Dijon, França).
Participaram das visitas os pesquisadores Almecina Balbino e Eduardo Mattar, da Ufac; Natalia Torres, do PPG em Produção Vegetal, da Ufac; Luís Cláudio da Silveira, Denise Cunha, Raquel Barro e Aziz da Silva Junior, da UFV; Ridha Ibidhi e Christelle Phileppeau, do Agro Dijon.
Rede de trabalho
O projeto formou uma rede de trabalho internacional que objetiva propor sistemas integrados de produção focados em uma sustentabilidade econômica, social e ambiental, através de proposição de sistemas e execução de pesquisas aplicadas. Até o momento, estão sendo executados estes projetos de pesquisa em cooperação:
– Early Development of Trichanthera Gigantea Under Different Light Conditions;
– ‘Cratylia argentea’ (Desv.) Kuntze: Da Prospecção de Acessos à Conservação Ex Situ na Amazônia Ocidental;
– Caracterização Ecológica de Espécies Forrageiras Não Convencionais Arbóreas e Arbustivas para Uso de Sistemas Silvipastoris;
– Representação Dasimétrica da Lotação Animal Bovina: Um Estudo de Caso no Acre;
– Sistema Silvipastoril Sucessional: Opção para Recomposição de Reserva Legal na Amazônia Sul-Ocidental Brasileira;
– Ecosystem Services in Livestock-Based Integrated Systems in South America: A Bibliometric and Qualitative Review;
– Agroecological Performance of Dairy Farms in the Brazilian Amazon: An Assessment Using the TAPE Methodology;
– Agroecological Performance of Integrated Farming Systems in the Brazilian Amazon: Evidence from Reca Cooperative Using the TAPE Methodology.
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Ufac lança Plano de Acessibilidade no campus-sede em 17/07 — Universidade Federal do Acre
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13 de julho de 2026O projeto Ufac em Ação: Acessibilidade, Inclusão e Segurança realiza o lançamento do Plano de Acessibilidade da Infraestrutura Física da Ufac 2026-2029, nesta sexta-feira, 17, às 9h, no auditório Pedro Martinello, no Centro de Convenções. O objetivo da ação é promover a acessibilidade e a inclusão, além de eliminar barreiras na infraestrutura física da universidade.
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Ufac entrega cartão para fortalecer curricularização da extensão — Universidade Federal do Acre
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13 de julho de 2026A Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex), da Ufac, realizou a entrega do cartão Acex, sigla para Ações Curriculares de Extensão Universitária, o qual garantirá condições materiais e financeiras para execução dessas ações nos cursos de graduação. A solenidade ocorreu nesta segunda-feira, 13, na sala de reuniões da Pró-Reitoria de Graduação, campus-sede.
O instrumento foi operacionalizado pelo edital Proex n.º 38/2025, com R$ 300 mil provenientes de emenda parlamentar de bancada. Segundo a reitora Guida Aquino, a iniciativa está alinhada ao planejamento estratégico da instituição e é resultado da atuação conjunta de diferentes setores da universidade. “Ninguém faz nada sozinho; nós somos mais fortes e é assim que saiu o cartão Acex”, afirmou.
Nesta primeira edição, foram contemplados seis dos oito centros acadêmicos da Ufac. Guida destacou a importância da continuidade da iniciativa nas próximas edições e desejou que os professores beneficiados desenvolvam ações que fortaleçam a presença da universidade junto à sociedade.
O pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes, classificou a entrega como um momento histórico e explicou que a implantação do cartão exigiu a articulação entre a Proex e as Pró-Reitorias de Graduação e Pesquisa e Pós-Graduação. O processo também envolveu a regulamentação das ações e a criação de condições para a operacionalização dos recursos.
Carlos ressaltou que a Ufac optou por regulamentar a curricularização da extensão antes de buscar os recursos necessários para sua execução. “Nós organizamos a casa, mostramos a regulamentação e partimos em busca do financiamento.” Para ele, o cartão Acex despertou o interesse de representantes de outras universidades do país.
Com a maioria dos cursos já regularizados em relação à curricularização da extensão, a iniciativa busca contribuir para a qualidade das ações inseridas nos currículos. Conforme Carlos, essas atividades fortalecem o compromisso social da universidade e ampliam a atuação de estudantes e professores nos diferentes territórios.
Durante a solenidade, também foi informada a destinação de R$ 700 mil, pelo Ministério da Educação, para apoiar as ações de curricularização da extensão. Os recursos poderão contribuir para continuidade e ampliação da iniciativa na Ufac.
Também participaram da solenidade a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Lima Carvalho; e o diretor de Ações de Extensão, Gilvan Martins do Nascimento.
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