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uma criança de 9 anos grávida após violação, o debate sobre o aborto ainda paralisado
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Este é um caso emblemático de abuso infantil cometido em ambiente religioso em Senegal. Awa, de 9 anos, está esperando um filho após um estupro cometido por seu professor corânico. A história da menina, revelada durante um programa de televisão há um mês, surpreendeu os moradores da sua cidade, Joal-Fadiouth, 100 km ao sul de Dakar. Apesar da sua gravidade, este caso, como tantos outros regularmente noticiados pela imprensa, revela o constrangimento político face a um tema delicado e com consequências desastrosas para as vítimas.
A mais velha de três filhos, Awa Barry (pseudônimo) denunciou as ações de sua professora, Aliou S., após quatro meses de provação. Matriculada na turma CM2, teve aulas particulares do Alcorão com este professor, na casa dos quarenta, viúvo e pai de “crianças grandes”. Através de seu conhecimento religioso, ele ganhou fama na vizinhança. “Todos tinham confiança nele. Os adultos foram aprender religião em sua casa, relata Souleymane Barry, pai de Awa. Quando minha filha mais nova nasceu, foi ele quem a batizou. Awa já estava grávida, mas não sabíamos. »
No início de novembro, após passar mal, um ultrassom revelou que a criança estava grávida. Diante dos pais, ela desmaia e revela os abusos impostos por seu mestre durante meses. “No final das aulas particulares, ele pedia que ela ficasse para ajudá-lo em algumas tarefas domésticas, relata o comandante-mor Diabang, da gendarmaria Joal-Fadiouth, onde a família apresentou queixa. Depois o fez beber água que dizia ser sagrada para melhorar a memória da criança. Uma vez drogado, ele a estuprou. »
O caso ecoa outro, que chegou às manchetes em Março de 2023. Em Touba, uma cidade considerada sagrada pelos Mourides, 27 jovens acusaram o seu mestre corânico, parente de uma poderosa família marabutica, de violações repetidas. Desde então, o homem está preso aguardando julgamento.
Mutismo
Estes incidentes de violência sexual estão longe de ser isolados, como relatam os defensores dos direitos humanos. A Associação de Juristas Senegaleses (AJS), uma organização histórica para a protecção dos direitos das mulheres, vê cada vez mais casos passarem pelas suas instalações. Em 2022, “das 331 vítimas de estupro registradas, 43% tinham entre 4 e 14 anos”, responde pela associação, que assegura a defesa de Awa Barry. Mas, na ausência de estatísticas nacionais, continua a ser impossível estabelecer o número de gravidezes resultantes de violação.
Estes seriam “significativo”, indica, no mínimo, um relatório da Federação Internacional dos Direitos Humanos (FIDH) publicado em Setembro e baseado em inquéritos produzidos por diversas ONG. “Entre 2016 e 2017, o Centro de Orientação Infantil e Familiar de Dakar registou 97 casos de violação ou incesto contra menores e 21 casos de violação seguida de gravidez, com idade média de 11 anos, apenas na região de Dakar”, alertar os autores do documento.
Somado ao trauma do ato sexual forçado está o alto risco de morrer no parto. Porque no Senegal, mesmo em casos de violação e incesto, o aborto continua proibido. Contudo, em 2004, o país, signatário do protocolo de Maputo relativo aos direitos das mulheres, prometeu promulgar uma lei autorizando a interrupção voluntária da gravidez (aborto) em situações extremas.
Contudo, o assunto suscita o silêncio de toda uma classe política que costuma estar ávida por debate. O seu silêncio sublinha uma grande contradição na política de promoção dos direitos das mulheres levada a cabo nos últimos anos. Desde 2010, uma lei exige que o “paridade absoluta” entre os sexos em todas as instituições eletivas. Por outro lado, nenhum governo se arriscou a legislar sobre o aborto, por medo de ser pressionado por religiosos, muçulmanos e cristãos, e pelas consequências eleitorais.
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Denunciando o aborto como prática “importado do Ocidente” e contrário a “Valores africanos”, algumas organizações oferecem como alternativa a continuação da gravidez e a colocação de crianças nascidas de violação em creches.
Punição dupla
Por sua vez, as organizações feministas tentam lançar o debate, apoiando-se no caso de Awa. As novas autoridades, eleitas em Março, ainda não disseram nada. Se os novos líderes são jovens – 44 anos para o Presidente Bassirou Diomaye Faye, 50 anos para o Primeiro-Ministro Ousmane Sonko – o seu programa social é acima de tudo conservador e alguns activistas temem que a lei não evolua.
“Em vez de respeitarem os seus compromissos, sucessivos governos optaram por criminalizar as vítimas. Aquelas que decidem abortar após serem estupradas ou que cometem neonaticídio acabam na prisão”lamenta uma ativista feminista que deseja permanecer anônima por medo de represálias. Ela lembra que estes crimes representam a segunda causa de encarceramento de mulheres e meninas no Senegal, depois do tráfico de drogas.
Para as sobreviventes de violação, a dupla punição também é ilustrada pela ausência de cuidados médicos. Tal como muitos sobreviventes, Awa não beneficia de apoio psicológico. A criança fala sobre sua fé para curar seu trauma: “No início, à noite, voltei a ver imagens. Agora, quando eles chegam, eu os afasto com oração. »
Sexta-feira, 6 de dezembro, Amy Sakho Tall, membro da AJS, acompanhou-o à consulta do sexto mês numa clínica em Thiès. Nesta fase da gravidez, a ginecologista estava especialmente preocupada com o seu baixo peso. “A criança está crescendo bem, mas Awa não está ganhando peso suficiente. O médico pede aos pais que a alimentem melhor”, indica o advogado. Difícil de imaginar para o casal Barry, sem renda fixa. O pai perdeu o emprego como motorista e a mãe, vendedora de amendoim, reduziu os passeios por medo de olhares debochados. “As pessoas dizem que é minha culpa ela estar grávida. Eles vieram até aqui para me repreender. Então eu tenho medo de sair”, ela confidencia.
Confissões
Awa, por sua vez, se apega à escola apesar de seu futuro sombrio. “Não quero que isso me impeça de estudar. Meu sonho sempre foi ser parteira para ajudar mulheres pobres a dar à luz, ela sussurra, brincando com uma seção de seu véu.. É difícil o que está acontecendo comigo, mas não sou o único que está passando por isso. Esta garotinha, vou amá-la como uma mãe. »
A família Barry teme que o caso seja abafado pela suposta influência do acusado. Parentes da professora teriam tentado subornar os pais, segundo eles, em troca da retirada da denúncia. “Um grupo de velhos sugeriu que o mestre se casasse com Awa e nos pagasse 500.000 francos CFA (762 euros), garante o tio materno, Ibrahima Ba. Somos pobres, mas a dignidade e o futuro dos nossos filhos são mais importantes do que qualquer coisa. »
Souleymane Barry também se pergunta sobre outras vítimas potenciais. Porque segundo a filha, boatos sobre a atuação do professor circulavam entre os alunos do bairro. “Antes de começar as aulas, as crianças repetiam: “esse professor não é bom”. Só entendi depois”ela disse. Na gendarmaria Joal-Fadiouth, onde foi aberta uma investigação, o Comandante-Major Diabang garante, no entanto, que“nenhuma outra família ainda apresentou queixa”.
O professor escapou por pouco de ser linchado quando os moradores locais descobriram o caso. Diante da multidão reunida em frente à sua mercearia, Aliou S. admitiu os estupros e a gravidez de Awa. “Ele nos disse que era tudo verdade e que não aconteceu apenas uma vez. Este homem é como um caminhão sem freio numa estrada cheia de crianças. Ele deve ser punido”, lamenta Ibrahima Ba. Encarcerado na prisão de Mbour por “violação seguida de gravidez de menor”, Aliou S. reiterou a sua confissão durante a sua audição, garante a gendarmaria. Ele enfrenta prisão perpétua.
Coumba Kane (Joal-Fadiouth, Senegal, correspondente especial)
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Ufac inaugura núcleo de apoio administrativo às coordenações de curso — Universidade Federal do Acre
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14 de outubro de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) inaugurou, na manhã desta terça-feira, 13, o Núcleo Integrado de Apoio às Coordenações (NIAC), instalado na Pró-Reitoria de Graduação (Prograd). A iniciativa tem como objetivo oferecer suporte administrativo aos cursos de graduação, neste momento com atendimento prioritário a oito coordenações que estão sem servidores técnico-administrativos. A proposta prevê também o desenvolvimento de outras ações de apoio às coordenações no âmbito do núcleo. A solenidade contou com a participação do reitor Josimar Ferreira, da vice-reitora Almecina Balbino, da pró-reitora de Graduação, Danila Torres, e da pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas substituta, Juliana Queirós.
O reitor destacou a importância da iniciativa para o funcionamento dos cursos e reconheceu a colaboração dos servidores envolvidos. “Quero parabenizar toda a equipe da Prograd, reconhecer o voluntariado dos nossos secretários de curso e o apoio das coordenações”, afirmou Josimar. Segundo ele, o serviço dará suporte especialmente às coordenações que estão sem secretários, mas também poderá atender aos demais coordenadores de curso.
A criação do NIAC é uma iniciativa da Prograd e da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (Prodgep), que contou também com a participação inicial do Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca). O espaço foi organizado nas instalações da Prograd para facilitar o acompanhamento das atividades e o apoio aos servidores.
Segundo a pró-reitora Danila Torres, a proposta surgiu da necessidade de atender coordenações que enfrentam dificuldades na execução das atividades administrativas. Algumas delas estão há mais de oito meses sem servidores técnicos, deixando os coordenadores responsáveis também pelas rotinas administrativas. “A gente vai tentar apoiar as coordenações naquilo que elas precisam”, explicou.
O núcleo funciona por meio de uma escala de revezamento de servidores técnico-administrativos de outras coordenações. Atualmente, sete profissionais participam voluntariamente da iniciativa, com autorização das chefias imediatas, dedicando dois dias por semana ao atendimento compartilhado, sem deixar suas atividades nas unidades de origem.
A meta é ampliar a equipe para dez servidores, permitindo a presença de dois profissionais no turno da manhã e dois à tarde. “O serviço deles é padrão, é comum, então não tem um técnico para uma coordenação. Todos trabalham em todas essas oito coordenações”, explicou Danila.
Entre as primeiras demandas do NIAC está o lançamento das ofertas de disciplinas do semestre letivo 2026.2 no sistema acadêmico, considerando o início das solicitações de matrícula pelos estudantes nesta quinta-feira, 15. A medida busca assegurar o andamento dos procedimentos acadêmicos nas coordenações que não dispõem de técnicos para executar essas atividades.
Além do atendimento inicial às oito coordenações, a proposta é ampliar gradualmente a atuação do núcleo para oferecer suporte às demais unidades acadêmicas, incluindo o auxílio a novos coordenadores nas rotinas administrativas dos cursos e o desenvolvimento de outras ações de apoio às coordenações.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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5 dias atrásem
9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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6 dias atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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