NOSSAS REDES

ACRE

Uma história de resistência – 24/12/2024 – Opinião

PUBLICADO

em

Lusmarina Campos Garcia

O Natal é uma história da esperança humana e, nesse sentido, uma história de todos nós. O imaginário presente nas narrativas dos diferentes evangelhos articulam figuras simbólicas e miraculosas a fim de afirmar que a realidade, por mais crua que seja, pode se tornar surpreendente e inverter sua própria lógica e sentido.

Assim, transitam anjos e magos pela Belém periférica, cenário do refúgio de um casal sem casa e de uma criança sem lugar para nascer. A manjedoura, centro simbólico da vida excluída e desabrigada, carrega a força da inversão e a teimosia da resistência de quem ressurge dos escombros produzidos pelo sistema gerador de desigualdades e morte.

A criança nasce, e sobre ela cantam anjos e brilham estrelas. Visitantes longínquos caminham cerca de um ano na direção apontada pela estrela vista no oriente. A tradição os chama de magos e reis. Eles buscam uma presença tão intensa que seja capaz de iluminar a vida. Seguem o seu desejo profundo de encontrar graça e amor suficientemente amplos que abrigue a humanidade inteira.

A palavra “desejo” é linda! Vem do latim “desiderare” e é composta pela preposição “de” e “sider”, “sidus”, estrela. Assim, etimologicamente falando, “desejo” significa “o que procede de uma estrela”. Não é surpreendente que, ao longo da história, nossos antepassados tenham escolhido situar a “casa” de Deus nos céus, no meio das estrelas, porque Deus é o nome do nosso desejo mais profundo. Quando pronunciamos a palavra “Deus” estamos nomeando a energia pulsante que está dentro de nós e, ao mesmo tempo, além de nós; estamos nominando nossos antigos anseios entranhados bem lá no fundo e, simultaneamente, dando asas a nós mesmos.

Os magos, que Heródoto diz ser originalmente uma tribo que habitava na região de Medes e se tornado uma casta sacerdotal entre os persas, são considerados pela tradição como sábios, observadores das estrelas; hoje seriam astrônomos.

Quando, de acordo com a narrativa, eles se encontram com Herodes indagando sobre o paradeiro da criança, dizem que “viram no oriente a sua estrela”. A palavra grega para “oriente” é “anatolai”, que está no plural. No singular, a palavra “anatolé” significa “nascente”. “A sua estrela no oriente” significa “a sua estrela nascente”, ou “a estrela que se levanta”.

No mundo antigo era comum associar o nascimento de uma grande pessoa ou um grande evento ao aparecimento de estrelas ou sinais celestes. Estudiosos contemporâneos dizem que o que os reis magos viram não era uma estrela, mas o encontro dos planetas Vênus e Mercúrio, que acontece a cada 400 anos e dá a impressão de ser uma grande estrela no céu. Outros astrônomos pensam tratar-se do cometa Halley, que passa pela Terra a cada 70 anos. Independentemente do fenômeno cósmico que tenha ocorrido (ou não), essa história carrega em si muitas outras histórias.

Em Herodes estão os poderosos do mundo que, estando em governos, empresas ou bancos, agem sem piedade. Nele estão os banqueiros que impõem taxas de juros excruciantes, tornando a vida insuportável; estão governos como o de Israel e seus parceiros, que matam indiscriminadamente mulheres e crianças palestinas numa guerra injustificável e cruel; estão os membros do governo passado que planejaram o assassinato do presidente e vice-presidente eleitos e do ministro da Corte Suprema. Nele estão todos aqueles e aquelas que naturalizam os mecanismos geradores de desigualdades, exclusões e mortes.

A história do Natal é uma história de resistência a esses poderes tortos. É a afirmação de que a periferia sabe inverter o destino a ela designado por quem não a ama. É o nosso desejo de uma humanidade mais humana e é a nossa esperança de que recomeços são possíveis.

TENDÊNCIAS / DEBATES

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

A Diretoria Geral do Campus Floresta (DG-Camp), por meio do Setor de Assistência Estudantil (SAE-CZS), comunica a suspensão do Restaurante Universitário nesta segunda-feira, 28, para o Campus Floresta, em decorrência do ponto facultativo decretado pela Reitoria por meio da Portaria n.º 3.914, de 24/09/2026, em virtude da celebração do Aniversário do município de Cruzeiro do Sul (AC).
Contamos com a compreensão de toda a comunidade acadêmica.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Gestão da Ufac realiza visita ao laboratório Charles Mérieux — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

2026.09.24 Visita ao laboratório Charles Mérieux (2).jpg

A Ufac realizou uma visita institucional ao Centro de Infectologia Charles Mérieux (CICM). A agenda reuniu a gestão superior da universidade, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e representantes do centro para alinhar propostas de cooperação que permitam o desenvolvimento de pesquisas avançadas e projetos de inovação em saúde pública nas instalações do laboratório. O encontro ocorreu nessa quinta-feira, 24.

O coordenador de Gestão e Infraestrutura do CICM, George Dobré, apresentou as propostas operacionais para viabilizar o uso da infraestrutura laboratorial por equipes de pesquisadores e estudantes da Ufac. A iniciativa visa unificar o potencial de pesquisa acadêmica da universidade com a capacidade tecnológica e de vigilância do centro.

A reunião contou com a presença do reitor Josimar Ferreira; do pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Dionatas Meneguetti; do diretor de Pesquisa da Ufac, Thiago Augusto da Cunha; do diretor-geral da Fiocruz-RO, Jansen Medeiros; e dos pesquisadores da Fiocruz, Gabriel Melim e Deusilene Vieira, que também atua como coordenadora de Pesquisa, Vigilância e Educação do CICM.

(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Membros da Academia Acreana de Letras visitam a Ufac — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

2026.09.25 Visita da Academia Acreana de Letras (2).JPG

O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, recebeu membros da Academia Acreana de Letras (AAL), que vieram parabenizá-lo pelo mandato e iniciar as tratativas para fortalecimento da parceria institucional, com incentivo à cultura, à literatura e à extensão acadêmica no Estado. A visita de cortesia ocorreu nesta sexta-feira, 25, na sala de reuniões da Reitoria, campus-sede.

As instituições definiram como encaminhamento a elaboração de um termo de cooperação técnica para aproximar as ações da AAL dos cursos de graduação e das pró-reitorias, com destaque para a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura. A parceria busca integrar a universidade aos projetos culturais da academia, além de apoiar a realização de um grande evento comemorativo ao aniversário da AAL, previsto para este ano, entre 29 de outubro e 17 de novembro.

“Recebo a Academia Acreana de Letras com muita gratidão. Vamos aproximá-la dos nossos processos formativos e das nossas ações de extensão”, disse o reitor Josimar Ferreira. “A universidade já planeja lançar um edital na área de cultura por meio da Agência de Inovação e a academia terá um papel central nesse contexto.”

O presidente da AAL, José Dourado de Souza, ressaltou a relevância da aproximação com a Ufac. “Ficamos muito felizes em prestar essa homenagem ao reitor Josimar, uma pessoa de muita experiência e aberta ao diálogo. A academia busca esse apoio institucional e de materiais para continuar promovendo eventos culturais e ações nas escolas.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS