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Uso de pedras portuguesas no calçamento remonta à colônia – 10/10/2024 – Andanças na metrópole

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Vicente Vilardaga

Está certo. O mais importante é que as calçadas das cidades sejam planas, acessíveis e sem buracos, o que acontece pouco em São Paulo. Mas elas também podem ser uma marca de identidade, como se vê no Rio de Janeiro e nos seus pisos com ondas em Copacabana. Em vez de serem apenas locais de passagem, elas se tornam algo belo, uma característica estética do lugar.

O centro de São Paulo, a partir do final dos anos 1960, passou a ter suas calçadas feitas de pedras portuguesas com um mapa estilizado do estado. O prefeito José Vicente Faria Lima, que governou a cidade entre 1965 e 1969, talvez observando o que acontecia no estado vizinho, quis ter uma calçamento para chamar de seu e abriu um concurso público para desenhá-lo. Quem acabou ganhando foi a artista plástica Mirthes Bernardes, falecida em 202o.

O uso da pedra portuguesa vem do período colonial, quando se decide trazer para o Brasil o mesmo padrão de piso usado em Lisboa. A primeira cidade do país que ganha um calçamento desse tipo é Manaus e depois vem o Rio de Janeiro. A calçada de onda também é uma importação e pode ser vista, por exemplo, na praça do Rossio, na capital portuguesa.

A calçada paulistana de mapa começou a ser instalada na rua da Consolação e tomou todo o centro durante décadas. Hoje, o que se vê são fragmentos desse belo piso em lugares como a avenida São Luís, o viaduto Nove de Julho, a rua Maria Paula e a Assembleia Legislativa.

Embora no presente o padrão seja mais funcional, ele é feio. As calçadas estão sendo feitas de concreto com uma faixa de acessibilidade para deficientes visuais. A própria Consolação ganhou esse novo estilo de quatro anos para cá e todo o centro velho está sendo pavimentado com o mesmo material, assim como foi feito na avenida Paulista, que tinha um piso de pedra portuguesa desenhado pela artista Rosa Kliass.

De um modo geral, o proprietário do imóvel é responsável pela calçada que há em frente à sua casa, explica Wans Spiess, que lidera um projeto de ativismo urbano chamado “Calçada SP”, cujo objetivo é chamar a atenção para a história e o valor cultural desses pisos.

“Mas em vias de muito movimento, como as do centro da cidade, em praças ou diante de hospitais e prédios públicos, a Prefeitura acaba assumindo essa responsabilidade pela instalação e conservação das calçadas”, completa.

Nos anos 1990, segundo Spiess, começou uma grande reforma no Centro e as calçadas com mapa rarearam. “Houve uma razão prática para isso: a falta mão de obra para cuidar delas”, diz. O piso de pedra portuguesa, se não for bem feito, fica irregular a escorregadio, dificultando a vida de pessoas com deficiência.” Alguns materiais substituem a pedra portuguesa, como o granito e o ladrilho hidráulico.

Há algumas calçadas interessantes na cidade. Na Casa das Rosas, na Paulista, existe um vestígio em pedra portuguesa do antigo projeto de Kliass. Outra calçada legal é a do Conjunto Nacional que se integra com o interior da galeria.

Vale conhecer também o piso que cerca a Biblioteca Mário de Andrade, concebido pela artista plástica Regina Silveira. Nele está escrita a palavra biblioteca em 12 idiomas. Um exemplo de uma bonita calçada concebida pela iniciativa privada é a da rua Avanhandava, onde fica o restaurante Famiglia Mancini.


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Herbário do PZ recebe acervo de algas da Dr.ª Rosélia Marques Lopes — Universidade Federal do Acre

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Herbário do PZ recebe acervo de algas da Dr.ª Rosélia Marques Lopes — Universidade Federal do Acre

O Herbário do Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac realizou cerimônia para formalizar o recebimento da coleção ficológica da Dr.ª Rosélia Marques Lopes, que consiste em 701 lotes de amostras de algas preservadas em meio líquido. O acervo é fruto de um trabalho de coleta iniciado em 1981, cobrindo ecossistemas de águas paradas (lênticos) e correntes (lóticos) da região. O evento ocorreu em 9 de abril, no PZ, campus-sede.

A doação da coleção, que representa um mapeamento pioneiro da flora aquática do Acre, foi um acordo entre a ex-curadora do Herbário, professora Almecina Balbino, e Rosélia, visando deixar o legado de estudos da biodiversidade em solo acreano. Os dados da coleção estão sendo informatizados e em breve estarão disponíveis para consulta na plataforma do Jardim Botânico, sistema Jabot e na Rede Nacional de Herbários.

Professora titular aposentada da Ufac, Rosélia se tornou referência no Estado em limnologia e taxonomia de fitoplâncton. Ela possui graduação pela Ufac em 1980, mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo.

Também estiveram presentes na solenidade a curadora do Herbário, Júlia Gomes da Silva; o diretor do PZ, Harley Araújo da Silva; o diretor do CCBN, José Ribamar Lima de Souza; e o ex-curador Evandro José Linhares Ferreira.

 



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VÍDEO: Veja o que disse Ministra em julgamento do ex-governador Gladson Cameli

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No julgamento desta quarta-feira, dia 15/04/2026, a Corte Especial do STJ, por unanimidade, determinou o imediato desentranhamento dos Relatórios de Inteligência Financeira de n°s 50157.2.8600.10853, 50285.2.8600.10853 e 50613.2.8600.10853, a fim de que fosse viabilizada a continuidade do julgamento de mérito da ação penal. A própria Ministra Relatora Nancy Andrighi foi quem suscitou referida questão de ordem, visando regularizar e atualizar o processo. 

O jornalista Luis Carlos Moreira Jorge descreveu o contexto com as seguintes palavras:

SITUAÇÃO REAL
Para situar o que está havendo no STJ: o STF não determinou nulidade, suspensão de julgamento e retirada de pauta do processo do governador Gladson. O STF apenas pediu para desentranhar provas que foram consideradas ilegais pela segunda turma da Corte maior. E que não foram usadas nem na denúncia da PGR. O Gladson não foi julgado ontem em razão da extensão da pauta do STJ. O julgamento acontecerá no dia 6 de maio na Corte Especial do STJ, onde pode ser absolvido ou condenado. Este é o quadro real.

A posição descrita acima reflete corretamente o quadro jurídico do momento.

Veja o vídeo:

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



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