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Veja os melhores novos livros para ler antes da COP29 – 11/10/2024 – Mercado

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Pilita Clark

Em pouco mais de cinco semanas, a conferência anual da ONU sobre o clima deste ano, a COP29, começará na capital do Azerbaijão, Baku.

Será a 29ª reunião desse tipo e, se você já quis entender como funciona a diplomacia climática internacional, por que ainda está lutando para conter o aquecimento global e o que isso significa na prática, um novo lote de livros oferece respostas.

Confira as indicações :

Todd Stern oferece uma visão admiravelmente legível do mundo bizantino das negociações climáticas em Landing the Paris Climate Agreement: How it Happened, Why it Matters and What Comes Next (Conquistando o Acordo Climático de Paris: como aconteceu, por que é importante e o que vem a seguir, em tradução livre). Como principal negociador climático de Barack Obama, Stern passou anos no centro das disputas que eventualmente produziram uma das maiores conquistas do processo climático da ONU até agora, o Acordo de Paris de 2015.

Seu relato revela a natureza complicada das negociações entre quase 200 países, em que delegados exaustos passam noites sem dormir lutando para adotar decisões por consenso. Quando as negociações estavam à beira do fracasso na COP de Copenhague em 2009, o geralmente reservado Stern lembra que, após ter “duas sonecas de 30 minutos em um chão duro nas últimas 48 horas”, explodiu e gritou “vergonha de vocês!” para oficiais da ONU perplexos.

Mais crises aconteceram nos anos seguintes, até que as negociações fossem colocadas nos trilhos após Copenhague, especialmente quando se tratava da relação crucial entre os EUA e a China. Um acordo foi finalmente forjado em Paris, mas não antes de um momento de tirar o fôlego quando Stern percebeu que o texto preliminar do acordo havia sido alterado para dizer que os países desenvolvidos “deverão” liderar a redução de emissões em vez de “deveriam”. “Eu não podia acreditar que todo esse acordo, que mudaria o mundo, se desmancharia por algo tão insensato”, ele escreve.

No final, os governos assinaram um acordo que supostamente limita o aquecimento global a bem abaixo de 2°C em comparação com os níveis pré-industriais, e idealmente a 1,5°C. Mas nove anos depois, esses objetivos estão em risco, já que o uso de combustíveis fósseis, que é de longe o maior impulsionador do aquecimento, continua a aumentar.

Por quê isso acontece? Uma razão pode ser a natureza ilusória da ideia de transições energéticas, argumenta Jean-Baptiste Fressoz em “More and More and More: An All-consuming History of Energy” (Mais e Mais e Mais: uma história totalmente consumidora de energia). Este trabalho crítico ataca a ideia amplamente aceita de um mundo onde a madeira foi gradualmente substituída pelo carvão, depois o carvão pelo petróleo e gás, todos os quais eventualmente serão superados pelo vento, solar e outras fontes renováveis.

Fressoz, um historiador da ciência e tecnologia, diz que o fato é que, após dois séculos de chamadas transições energéticas, a humanidade nunca queimou tanta madeira, carvão, petróleo e gás. Os aproximadamente 2 bilhões de metros cúbicos de madeira cortados a cada ano para queima são três vezes mais do que há um século, e não apenas em nações em desenvolvimento. Os EUA queimam duas vezes mais madeira do que na década de 1960.

Da mesma forma, o carvão teve o maior crescimento de sua história entre 1980 e 2010, muito depois da revolução industrial. E enquanto os países europeus empurraram o carvão para fora de seus próprios sistemas energéticos, o carvão usado para fabricar suas importações significa que eles ainda impulsionam indiretamente seu crescimento.

Fressoz não quer sugerir que a energia verde nunca possa dominar. Mas ele teme que as empresas de combustíveis fósseis promovam a ideia de transição para atrasar mudanças que devem ser muito mais radicais .

Fora da academia e da diplomacia, a mudança climática tem impactos preocupantes, escreve o jornalista ambiental Peter Schwartzstein em “The Heat and the Fury: On the Frontlines of Climate Violence” (O Calor e a Fúria: na linha de frente da violência climática). Com base em uma década de reportagens em mais de 30 países, Schwartzstein oferece uma série de exemplos desanimadores de como a seca, o calor e outros extremos estão exacerbando conflitos.

No Iraque, ele descobriu que agricultores que perderam colheitas em meio à diminuição das chuvas eram mais propensos a apoiar o Estado Islâmico do que aqueles próximos a rios, que podiam manter boas colheitas.

Em algumas regiões, eles pareciam se juntar aos jihadistas a uma taxa aproximadamente três vezes maior do que seus pares que viviam em lugares melhores para o plantio. Na Jordânia, onde o calor escaldante e a escassez de água ameaçam os meios de subsistência rurais, Schwartzstein testemunha aldeões protestando queimando retratos do rei.

Suas viagens por Bangladesh, África e outras regiões afetadas pelo clima revelam mais pressões, mas também oferecem esperança na forma de construção de paz ambie ntal destinada a acalmar hostilidades alimentadas pelo clima. Schwartzstein vê evidências de sucesso no norte do Sahel, onde chuvas irregulares e pastagens em declínio haviam estimulado assassinatos e matanças de animais em retaliação. Mas as tensões diminuíram depois que uma ONG agrícola interveio para ajudar a gerenciar números adequados de rebanhos e compensações.

Finalmente, longe do mundo tenso do clima, a bióloga de vida selvagem Diane K Boyd escreveu o inspirador livro de memórias “A Woman Among Wolves: My Journey Through Forty Years of Wolf Recovery” (Uma Mulher entre Lobos: minha jornada de quarenta anos na recuperação dos lobos).

Em 1979, quando Boyd foi trabalhar para o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA no norte de Minnesota, ela era, ao que sabia, a única mulher na América do Norte capturando lobos para pesquisa e para ajudar a proteger o gado. Jornais locais escreveram sobre “a atraente loira caçadora de lobos” e colegas homens céticos apostaram que ela nunca capturaria um lobo de verdade.

Boyd provou que eles estavam errados e passou décadas no centro de uma longa disputa que colocava fazendeiros e caçadores contra conservacionistas que tentavam proteger um predador outrora comum, caçado até quase a extinção. Ela sobreviveu ao fedor de carcaças de gado, a travessias geladas de rios selvagens e à hostilidade ocasional de madeireiros, para testemunhar a recuperação de um animal que eventualmente se espalharia por todo o Meio-Oeste.

Mais recentemente, em alguns estados dos EUA e partes da Europa, a antiga guerra contra os lobos foi retomada. Mas Boyd tem fé na resiliência —e valor— das criaturas. “Podemos viver sem lobos”, ela escreve, “mas o mundo é um lugar muito mais rico com lobos nele.”



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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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