Na terceira sexta-feira deste mês de novembro não tem aula. Assim como o dia 20, que é o Dia da Consciência Negra, dia 15 também é feriado nacional: é o Dia da Proclamação da República. Mas você sabe o que exatamente é isso?
Proclamar, como você já deve ter deduzido, é quando a gente anuncia algo em voz alta, para todo mundo ouvir. Mas e República? Essa palavra, que dá nome a um feriado, mas também a praças pelo Brasil afora, é usada, antes de tudo, para descrever regimes de países em que os governantes são escolhidos por meio de eleições —como a que tivemos no mês passado e que pode ter rendido um ou dois dias sem aula.
Hoje em dia, vários países são repúblicas. Mas nem todos. A Espanha, por exemplo, é uma monarquia: é governada por um rei, que fica no cargo até morrer ou ceder o lugar para outra pessoa que o suceda —sem precisar perguntar aos espanhóis quem eles gostariam de ter como líder.
O Brasil já foi assim. Em 1500, quando os portugueses chegaram ao nosso território, que na época era habitado pelos povos indígenas, nos tornamos uma colônia (um território governado por alguém que não é dali) de Portugal. Foi assim até 1822, quando o Brasil se tornou independente.
Mas quem declarou a independência do Brasil foi dom Pedro, que era da família real portuguesa. Ou seja: nós ficamos independentes de Portugal, mas ainda éramos governados por um homem português, que não havia sido escolhido pelos brasileiros.
Antes da independência, já tinha gente incomodada com essa situação, como os mineiros da Inconfidência Mineira e os pernambucanos da Revolução Pernambucana —esses conflitos eram liderados por pessoas que queriam governar os seus próprios territórios, sem dar satisfações a Portugal.
Em 1839, depois da independência, o pessoal que vive no que hoje são os estados de Rio Grande do Sul e Santa Catarina tentou fazer o mesmo com a chamada Revolução Farroupilha.
Mas o Brasil só passou a ser governado por alguém que não era dessa família real de origem portuguesa em 15 de novembro de 1889, quando o marechal Deodoro da Fonseca, um militar, reuniu suas tropas e desfilou com elas pelo centro do Rio de Janeiro proclamando: “Viva a República!”.
No dia seguinte, ele expulsou do país o imperador dom Pedro 2º e os seus parentes, que se exilaram na Europa, e o nosso país passou a se chamar, veja só, Estados Unidos do Brasil.
Foi nessa ocasião que ganhamos a bandeira que usamos até hoje. Alguns historiadores afirmam que os republicanos (as pessoas que queriam que o Brasil se tornasse uma república) não estavam exatamente defendendo os interesses dos brasileiros, mas sim os deles próprios.
Toda essa história que estamos contando aqui só teria acontecido, entre outros motivos, porque, um ano antes, a princesa Isabel, que era da família real, assinou a Lei Áurea, que deu liberdade aos escravos sem dar nada em troca aos seus antigos donos —os poderosos daquela época, que ficaram revoltados com a situação e quiseram, eles mesmos, comandar o país.
A primeira eleição do Brasil só aconteceu em 1891, mas ainda foi indireta. Só votaram naquele pleito alguns militares, advogados, médicos, engenheiros e jornalistas, um grupo formado pelas elites da época para conduzir essa transição entre o Império e a República. As mulheres, por exemplo, só puderam votar a partir de 1932, e os analfabetos, a partir de 1988, com a atual Constituição Federal.
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login