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A visão do Guardian sobre a tenacidade da esperança: uma virtude necessária em tempos difíceis | Editorial

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Editorial

EUNa introdução a uma nova compilação sazonal dos seus discursos sobre a esperança, o Papa Francisco reflete sobre o legado do grande teólogo alemão João Batista Metz. Moldada pela experiência inicial de viver os horrores da era nazista, a teologia política de Metz foi uma advertência apaixonada contra o perigo de uma piedade cristã egocêntrica. Em vez disso, ele apelou a um “misticismo de olhos abertos” esperançoso – que testemunhe com clareza e procure aliviar o sofrimento dos outros.

Numa época do ano associada à renovação e ao novo nascimento, não é necessário partilhar as convicções religiosas de Metz para sentir o poder dessa mensagem. Este ano foi repleto de imagens comoventes das guerras em curso em Gaza, na Ucrânia, no Sudão e noutros locais. O fim de semana trouxe relatórios de ainda mais vítimas inocentes da implacável campanha de bombardeamento de Israel, incluindo crianças abrigadas numa escola. Enquanto isso, mais de 12.000 civis foram mortos desde o início do ataque de Vladimir Putin à Ucrânia, juntamente com mais de 43.000 soldados, de acordo com estimativas de Kyiv.

Confrontados com uma catástrofe humana de tal escala, há a tentação de nos afastarmos em desespero ou resignação. Mais horror veio na sexta-feira, na forma do terror chocante ataque no mercado de Natal de Magdeburg, onde cinco pessoas, incluindo um menino de nove anos, foram mortas. É necessário compreender melhor os motivos do agressor, um refugiado nascido na Arábia Saudita que alegadamente era um apoiante anti-muçulmano do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha. Mas a atrocidade já está a ser explorada para alimentar o sentimento anti-imigrante generalizado, antes das eleições antecipadas na Alemanha, em Fevereiro.

Estes parecem tempos sombrios. No entanto, no meio de tanta tragédia e tristeza, continuam a existir exemplos inspiradores de esperança comprometida. Em Gaza, os trabalhadores da ONG War Child – uma das instituições de caridade ligadas ao conflito apoiada pelo apelo de Natal do Guardian and Observer deste ano – suportou riscos letais para dar apoio vital a mais de 100.000 crianças presas numa paisagem infernal. No leste da República Democrática do Congo, devastado pela guerra, onde os Médicos Sem Fronteiras criaram clínicas para ajudar milhares de vítimas de violência sexual, nosso repórter foi contada sobre a incrível compaixão dos sobreviventes que têm como tarefa confortar e consolar os recém-chegados.

Noutros lugares, ocorreram actos extraordinários de heroísmo individual destinados a promover o bem comum. Na França, Gisèle Pelicot decisão insistir que o julgamento dos seus múltiplos violadores fosse realizado em público foi um importante acto de solidariedade com outras vítimas. A sua coragem suscitou esperanças de uma mudança cultural duradoura e tardia. A morte do activista Alexei Navalny, que morreu enquanto estava detido numa prisão 64 quilómetros a norte do Círculo Polar Árctico, foi um momento desesperadamente sombrio na Rússia de Putin. Mas o dele afirmação no Facebook que “se as suas convicções significam alguma coisa, você deve estar preparado para defendê-las” inspirará futuros ativistas democráticos.

As reflexões do papa foram publicadas em conjunto com o último ano jubilar da Igreja Católica, que começa na véspera de Natal e é dedicado ao tema da esperança. Eles podem não encontrar muitas estantes seculares nos próximos feriados. Mas antes de um ano em que a promoção da paz deverá tornar-se a prioridade absoluta do mundo, a fé metziana na nossa capacidade de navegar através do pior, em direcção à luz, parece um ponto de partida decente.



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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre

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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia-interna.jpg

Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.

A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).

O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.

Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.

“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.

O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.

Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.

Fhagner Soares – Estagiário



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