NOSSAS REDES

ACRE

Acharam a arca do dilúvio. De novo? – 16/10/2024 – Cotidiano

PUBLICADO

em

No mês passado, o Museu Britânico divulgou um vídeo estrelado por um de seus mais célebres curadores, o professor Irving Finkel, especialista em textos cuneiformes da antiga Mesopotâmia. No vídeo, ele trata das descobertas sobre um dos temas mais intrigantes da literatura antiga, o relato do dilúvio.

Não demorou muito para que, nas redes sociais e nos jornais, se começasse a falar do deciframento de um mapa que apontaria onde atracou a arca de Noé, do relato bíblico do Gênesis. É um fenômeno conhecido: há uma obsessão por encontrar uma prova definitiva do dilúvio e praticamente todo ano uma expedição arqueológica anuncia uma pista extraordinária, que acaba se revelando ilusória.

Na verdade, o vídeo do Museu apenas resumiu os achados que Finkel havia publicado dez anos antes, no livro “The Ark Before Noah” (literalmente, “A Arca Antes de Noé”). São duas descobertas extraordinárias, mas têm pouco a ver com Noé.

A primeira descoberta ocorreu em 1985, quando o filho de um militar britânico que havia servido no Iraque levou ao museu um tablete de argila com inscrições cuneiformes. Ao ler as primeiras linhas, Finkel percebeu que estava diante de algo excepcional. Elas mencionavam Atra-hasis, o herói que sobreviveu ao dilúvio em um dos textos mesopotâmicos que descrevem o episódio. O tablete continha as instruções detalhadas que o deus Ea deu a Atra-hasis para a construção da arca.

A surpresa é que o grande barco que serviria para salvar todas as espécies vivas tinha um formato redondo. Sua fabricação lembra aquela de um cesto de vime com uma base circular, com hastes verticais nas quais são trançadas as tiras de palha. A informação é excepcional, pois no relato mesopotâmico mais famoso do dilúvio, o da Epopeia de Gilgamesh, a arca é quadrada. Uma arca redonda pode parecer estranha, mas barcos circulares foram comuns nos rios da Mesopotâmia desde a Antiguidade até recentemente.

A segunda descoberta também foi um golpe de sorte. O Museu Britânico possui um tablete de argila com o desenho de um mapa. É o primeiro mapa-múndi de que temos notícia, datado do século 6º a.C.

Nele, o mundo conhecido é representado no interior de um círculo formado por um rio de “águas amargas”, segundo a tradução literal, com a Babilônia no centro. Fora do círculo, há o universo distante ou fabuloso, representado na forma de oito montanhas. O mapa já era conhecido há mais de um século e estava incompleto. Mas, em 1995, uma estagiária encontrou um fragmento entre os milhares de cacos nos depósitos do Museu.

O fragmento permitiu que Finkel completasse uma das montanhas do mapa, encaixando-o acima da região identificada como Urartu, situada ao norte da Babilônia. Assim, a montanha poderia ser identificada como o Monte Ararat, na atual Turquia. O interessante é que o texto no verso do mapa-múndi menciona Uta-napishtim, o que vincula o mapa ao nome do sobrevivente do dilúvio na versão da Epopeia de Gilgamesh. Na interpretação de Finkel, o novo fragmento indicaria o local onde a arca do dilúvio mesopotâmico teria atracado.

E qual a relação de tudo isso com o dilúvio bíblico de Noé? É uma relação apenas indireta. As duas descobertas reforçam o consenso entre os especialistas de que a narrativa do dilúvio do Gênesis foi criada a partir dos textos mesopotâmicos no exílio babilônico ou mais tarde.

O “tablete da arca” é datado de cerca de 1800 a.C., mesma época em que foi escrito o mito de Atra-hasis. Portanto, são textos que precedem em séculos à escrita desse trecho da Bíblia hebraica. Já o mapa-múndi mostra que os redatores bíblicos, ao escreverem que a arca foi parar nas montanhas de Ararat, criaram suas histórias aproveitando detalhes geográficos do texto babilônico.



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Consu aprova comissão para destinar cotas a pessoas transgênero — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

2026.09.30 Reunião Consu-Ufac (2).JPG

O Conselho Universitário (Consu) da Ufac aprovou a criação de uma comissão para elaborar a proposta de cotas de acesso à graduação para pessoas transgênero, que é uma pauta da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), recentemente criada com o objetivo de expandir políticas de inclusão na universidade. A aprovação ocorreu nessa quarta-feira, 30, na 5ª Reunião Ordinária do Consu, realizada no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, campus-sede.

A Ufac já possui regulamentação que garante o acesso por cotas à comunidade transgênero na pós-graduação desde 2023. A proposta aprovada pelo Consu busca ampliar esse direito para a graduação, assegurando não apenas a entrada, mas também o acompanhamento para permanência de estudantes até a conclusão dos cursos.

A comissão terá prazo de 90 dias para realizar os estudos e apresentar a minuta final do projeto. O grupo terá formação intersetorial, reunindo representantes das três categorias acadêmicas: docentes, técnico-administrativos e discentes, além de representantes de entidades e movimentos sociais da sociedade civil voltados aos direitos da população transgênero no Acre.

“Reafirmamos nosso compromisso ao instituir a comissão que vai deliberar sobre as cotas trans”, disser o reitor Josimar Ferreira. “Trata-se de uma ação demandada pela sociedade para incluir populações historicamente invisibilizadas, garantindo que as ações afirmativas façam parte da história do nosso conselho.”

Segundo a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Letícia Mamed, a política visa transformar a realidade de um dos grupos mais marginalizados socialmente. “Precisamos atentar para a garantia de acesso, permanência e dignidade para que essa comunidade possa construir seus projetos de vida com mais oportunidades”, comentou. “No Brasil, cerca de 30 universidades já adotam políticas semelhantes, e a Ufac dá um passo essencial para consolidar essa transformação.”

Integrante do Consu, a professora Raquel Ishii ressaltou que a comissão foi criada para ir além da gestão superior da universidade. “Considero essa aprovação uma grande vitória para a sociedade civil e para a universidade. A comissão amplia o debate da pós-graduação para a graduação. Trata-se de um grupo bem amplo, constituído não só pela gestão, mas com convites abertos ao Diretório Central dos Estudantes e a movimentos sociais externos à universidade.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

A Diretoria Geral do Campus Floresta (DG-Camp), por meio do Setor de Assistência Estudantil (SAE-CZS), comunica a suspensão do Restaurante Universitário nesta segunda-feira, 28, para o Campus Floresta, em decorrência do ponto facultativo decretado pela Reitoria por meio da Portaria n.º 3.914, de 24/09/2026, em virtude da celebração do Aniversário do município de Cruzeiro do Sul (AC).
Contamos com a compreensão de toda a comunidade acadêmica.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS