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África muda compreensão de gênero, diz Oyeronke Oyewumi – 14/11/2024 – Ilustrada

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Walter Porto

“Quando me perguntei o que era gênero, entendi qual era o trabalho que precisava fazer”, disse Oyeronke Oyewumi ao ouvir essa mesma pergunta no palco da Flup na noite desta quinta-feira.

Socióloga nigeriana reconhecida pelo seminal “A Invenção das Mulheres”, ela conversou com a holandesa Gloria Wekker com mediação da curadora Mame-Fatou Niang, na mesa que deveria ter aberto a programação internacional do Festa Literária das Periferias, mas precisou ser adiada por questões logísticas.

A mesa abordou a importância de repensar gênero e raça a partir dos próprios parâmetros das mulheres negras, sem passar pela legitimação das instâncias brancas e ocidentais.

Oyewumi lembrou que, ao começar seu trabalho de pesquisadora nos Estados Unidos, ouvia falar muito sobre as barreiras entre gêneros e sentia que havia alguma coisa errada. Até que teve uma luz.

“O iorubá, cultura de onde eu vim, era o oposto do que eu ouvia ali. Não há palavra pra diferenciar filho e filha nessa língua, não tem palavra pra irmão ou irmã”, disse.

A partir daí, elaborou sua crítica ao feminismo branco. “A linguagem sempre foi central no meu trabalho porque, ao falar sobre como minha cultura não concordava com nada que estava se falava no Ocidente, ninguém me escutava. Então eu precisava usar a língua como prova de que não era eu que estava dizendo.”

Ela defendeu como é essencial “falar a partir de nós mesmas”, um muro que derrubou com determinação em sua obra como socióloga —ela recordou, inclusive, que não se aceitavam os estudos da África nas universidades como sociologia, só antropologia, como se fosse o estudo do primitivismo.

Mas era essencial para ela afirmar as relações sociais que existiram ao longo de 300 mil anos de história africana, descartadas pela literatura especializada ocidental. “Em algumas sociedades havia casamentos entre mulheres sem qualqurer conotação sexual, mas era uma instituição importante. Em outras, para um rei ter poder, ele precisava de uma matriarca.”

Wekker, de família do Suriname e tornada a segunda professora negra a dar aulas numa universidade na Holanda, também reforçou como é fundamental partir do trabalho da linguagem para estudar as mulheres.

Ela se lembrou de um estudo feito entre diversas mulheres da classe trabalhadora afro-surinamesa, cujas idades iam de 23 a 84 anos. “Notei que as mulheres tinham um leque amplíssimo para falar sobre si mesmas, nelas a palavra ‘eu’ é maleável. Muda muito conforme falam.”

A mesa que fechou o dia também abordou a criação do que pode ser a identidade feminina negra, mas pela via de duas grandes ficcionistas, como apontou a mediadora Eliana Alves Cruz.

A francesa Marie NDiaye, que venceu o Goncourt em 2009 por um livro ainda inédito no Brasil, traduzível como “Três Mulheres Poderosas”, dialogou de perspectiva muito distinta da brasileira Luciany Aparecida, que acaba de vencer o Prêmio São Paulo de Literatura por seu romance “Mata Doce”.

Filha de pai senegalês e mãe francesa, NDiaye apontou que não tinha muitos modelos de escritoras como ela na cena literária do país. “Mas eu não me via como uma mulher negra escritora, e sim como uma jovem que escrevia, sem distinção de cor de pele.”

A autora de “A Vingança É Minha” lembrou que entre suas leituras formativas estavam os clássicos de Marcel Proust, “um homem judeu homossexual que escrevia recluso no começo do século”. “Mas a ausência de semelhança entre nós foi completamente abolida pela magia da literatura.”

Já Luciany Aparecida afirmou fazer questão de se filiar a uma tradição de mulheres negras romancistas que, segundo ela, prolifera cada vez mais e produz um novo letramento estético na literatura brasileira.

Abrindo sua fala apontando que para ela “é revolucionário ser lida”, argumentou que as mulheres negras que escrevem depois de toda a violência da colonização “reelaboram o contar de si, e isso proporciona um refinamento da narrativa”.

“A intelectualidade hegemônica tem o costume de dizer que eu não tenho intelectualidade, e a minha literatura faz a escolha de dialogar com isso, de tocar nessa zona de tensão.”

A Flup continua até domingo com uma programação gratuita de mesas, shows e apresentações no Circo Voador, no centro do Rio de Janeiro.

O jornalista viajou a convite do festival



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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Consu aprova comissão para destinar cotas a pessoas transgênero — Universidade Federal do Acre

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O Conselho Universitário (Consu) da Ufac aprovou a criação de uma comissão para elaborar a proposta de cotas de acesso à graduação para pessoas transgênero, que é uma pauta da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), recentemente criada com o objetivo de expandir políticas de inclusão na universidade. A aprovação ocorreu nessa quarta-feira, 30, na 5ª Reunião Ordinária do Consu, realizada no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, campus-sede.

A Ufac já possui regulamentação que garante o acesso por cotas à comunidade transgênero na pós-graduação desde 2023. A proposta aprovada pelo Consu busca ampliar esse direito para a graduação, assegurando não apenas a entrada, mas também o acompanhamento para permanência de estudantes até a conclusão dos cursos.

A comissão terá prazo de 90 dias para realizar os estudos e apresentar a minuta final do projeto. O grupo terá formação intersetorial, reunindo representantes das três categorias acadêmicas: docentes, técnico-administrativos e discentes, além de representantes de entidades e movimentos sociais da sociedade civil voltados aos direitos da população transgênero no Acre.

“Reafirmamos nosso compromisso ao instituir a comissão que vai deliberar sobre as cotas trans”, disser o reitor Josimar Ferreira. “Trata-se de uma ação demandada pela sociedade para incluir populações historicamente invisibilizadas, garantindo que as ações afirmativas façam parte da história do nosso conselho.”

Segundo a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Letícia Mamed, a política visa transformar a realidade de um dos grupos mais marginalizados socialmente. “Precisamos atentar para a garantia de acesso, permanência e dignidade para que essa comunidade possa construir seus projetos de vida com mais oportunidades”, comentou. “No Brasil, cerca de 30 universidades já adotam políticas semelhantes, e a Ufac dá um passo essencial para consolidar essa transformação.”

Integrante do Consu, a professora Raquel Ishii ressaltou que a comissão foi criada para ir além da gestão superior da universidade. “Considero essa aprovação uma grande vitória para a sociedade civil e para a universidade. A comissão amplia o debate da pós-graduação para a graduação. Trata-se de um grupo bem amplo, constituído não só pela gestão, mas com convites abertos ao Diretório Central dos Estudantes e a movimentos sociais externos à universidade.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

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SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

A Diretoria Geral do Campus Floresta (DG-Camp), por meio do Setor de Assistência Estudantil (SAE-CZS), comunica a suspensão do Restaurante Universitário nesta segunda-feira, 28, para o Campus Floresta, em decorrência do ponto facultativo decretado pela Reitoria por meio da Portaria n.º 3.914, de 24/09/2026, em virtude da celebração do Aniversário do município de Cruzeiro do Sul (AC).
Contamos com a compreensão de toda a comunidade acadêmica.

 



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