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Além dos direitos ao aborto: por que Kamala Harris perdeu o voto das mulheres? | Notícias
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2 anos atrásem
A derrota de Donald Trump sobre a vice-presidente Kamala Harris nas eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2024 sinalizou que os direitos das mulheres – especificamente o direito ao aborto – eram uma questão menos importante do que o esperado para os eleitores.
Esta foi a primeira eleição presidencial desde que o Supremo Tribunal anulou a histórica decisão judicial Roe v Wade de 1973, que pôs fim ao direito da mulher de interromper a gravidez. Trump reivindicou repetidamente o crédito por esse veredicto de 2022, o que foi possível graças à nomeação de três juízes conservadores para o tribunal superior.
A campanha de Harris deu grande importância à posição de Trump sobre os direitos reprodutivos numa tentativa de atrair eleitoras, especialmente nos estados indecisos. No entanto, as primeiras pesquisas nacionais mostraram que Harris conquistou o apoio de 54 por cento das mulheres, menos do que o presidente Joe Biden conseguiu em 2020, quando teve o apoio de 57 por cento.
Então, o que aconteceu com o voto feminino?
Por que se esperava que o aborto fosse significativo nesta eleição?
A derrubada do Supremo Tribunal Roe x Wade em junho de 2022 foi um grande ponto de viragem para os direitos reprodutivos das mulheres nos EUA e provocou uma reação massiva por parte dos grupos médicos e de defesa dos direitos das mulheres.
Derrubar Roe foi uma promessa de campanha importante que Trump disputou com sucesso nas eleições de 2016.
À luz do alvoroço sobre a decisão do Supremo Tribunal, os democratas esperavam que a questão se tornasse importante nesta eleição, e Harris moldou grande parte da sua campanha em torno dela.
Como os candidatos fizeram campanha sobre a questão do aborto?
A campanha de Harris se concentrou em destacar as declarações que Trump fez sobre o aborto.
Por exemplo, um anúncio que a campanha de Harris publicou perto das urnas intitulava-se Punição, fazendo referência a uma declaração de Trump antes das eleições de 2016, na qual sugeria que as mulheres que tentassem obter abortos deveriam ser punidas.
No entanto, em 2016, Trump recuou desta posição, esclarecendo que qualquer punição seria para os médicos que realizassem o procedimento, e não para as mulheres que o realizassem.
Em 29 de outubro deste ano, Harris afirmou que Trump iria “forçar os estados a monitorar a gravidez das mulheres”. Ela apelou aos ouvintes para “Google Project 2025 e lerem os planos por si próprios”, referindo-se a um plano político conservador elaborado por alguns dos apoiantes de Trump, mas do qual Trump se distanciou.
Esta afirmação de Harris foi considerado falso pelo PolitiFactum meio de verificação de fatos.
Em última análise, embora seja verdade que Trump e os seus assessores republicanos foram criticados por fazerem comentários sexistas sobre as mulheres, Trump compensou distanciando-se estrategicamente da noção de um proibição federal do aborto no período que antecedeu esta eleição, afirmando que acreditava que deveria caber aos estados individuais decidir sobre as leis sobre o aborto.
Em vez disso, concentrou-se em angariar apoio entre a classe trabalhadora, concentrando-se na política económica como o principal impulso da sua campanha.
Companheiro de chapa de Trump, JD Vanceem 2022 disse que apoiava a proibição do aborto em todo o país. No entanto, em julho deste ano, Vance disse estar alinhado com Trump na ideia de que o aborto deveria ser uma questão com a qual cada estado lida.
Se não o aborto, o que as mulheres estavam preocupadas com esta eleição?
De acordo com um inquérito às eleitoras realizado pela Kaiser Family Foundation e publicado em 11 de Outubro, a principal questão que surgiu para as eleitoras em geral foi a inflação, incluindo o aumento das despesas domésticas. Mais de um terço (36 por cento) dos entrevistados citaram-na como a questão mais importante.
Seguiram-se ameaças à democracia, citadas por 24 por cento dos entrevistados, e à imigração e à segurança das fronteiras, citadas por 13 por cento das mulheres. O mesmo número – 13 por cento – citou o aborto como a questão mais importante.
As pesquisas de boca de urna nacionais foram consistentes com isso.
De acordo com uma sondagem nacional preliminar realizada pelo fornecedor de dados Edison Research, 31 por cento dos eleitores disseram que a economia era mais importante na definição da sua decisão de votar, enquanto 14 por cento citaram o aborto.
Como as mulheres votaram nesta eleição?
As mulheres votaram em Harris, mas por uma margem menor do que nos democratas nas eleições anteriores – em Biden em 2020 e em Hillary Rodham Clinton em 2016.
As pesquisas de boca de urna da CNN descobriram que Harris conquistou o apoio das eleitoras por 10 pontos percentuais sobre Trump. Mas em 2020, Biden conquistou o seu apoio por 15 pontos percentuais e, em 2016, Clinton por 13 pontos percentuais.
Embora Harris tenha feito pequenas incursões entre as eleitoras brancas, Trump ainda as venceu por 8 pontos percentuais. Historicamente, as mulheres brancas votaram no candidato republicano.
De acordo com as pesquisas da CNN, Harris também obteve 92% dos votos de Mulheres negrasem comparação com os 8 por cento de Trump. Este valor foi superior aos 90,5% dos votos de Biden em 2020.
No entanto, os Democratas perderam apoio entre Mulheres latinas desta vez. Harris obteve 61 por cento dos votos nesta eleição – 22 pontos percentuais acima de Trump. Mas esta margem foi marcadamente inferior à vantagem de 39 pontos que Biden tinha sobre Trump com as mulheres latinas em 2020.

O que Harris fez de errado e Trump fez de certo?
Harris concentrou-se demasiado no aborto em vez de questões mais salientes, como as políticas económicas, que atrairiam os eleitores da classe trabalhadora, incluindo as mulheres, disse David Schultz, autor e professor de ciências políticas na Universidade Hamline, no Minnesota, à Al Jazeera.
Os eleitores tinham mais confiança na capacidade de Trump para gerir a economia, e o candidato republicano era aparentemente melhor a persuadir os eleitores da classe trabalhadora e da classe média sobre as suas políticas económicas. Harris, por outro lado, atraiu mais eleitores de classe média alta com ensino superior.
As mulheres brancas com diploma universitário tenderam a votar em Harris nesta eleição – 53,5 por cento o fizeram – enquanto 64 por cento das mulheres brancas sem diploma votaram em Trump, de acordo com uma pesquisa da CNN.
“A campanha de Harris não fez necessariamente um bom trabalho ao explicar como suas políticas ajudariam a classe média, ou pelo menos essa mensagem não estava realmente repercutindo em muitos eleitores”, Melissa Deckman, cientista política e CEO da Public Instituto de Pesquisa Religiosa, disse à agência de notícias Reuters.
Schultz acrescentou que isso fez com que Harris perdesse estados cruciais de batalha que haviam votou consistentemente nos democratas antes de 2016. “Harris perdeu Wisconsin porque perdeu a classe trabalhadora e não conquistou mulheres, subúrbios e eleitores jovens”, disse ele.
Uma das primeiras sondagens nacionais mostrou que 51 por cento dos eleitores confiavam em Trump para gerir a economia, em comparação com 47 por cento que confiavam em Harris.
Uma análise do think tank Brookings Institution, com sede em Washington, DC, também descobriu que Harris herdou a desaprovação dos Estados Unidos em relação a Biden, que cresceu durante a sua presidência devido à insatisfação económica. Os americanos ficaram particularmente descontentes com a forma como Biden lidou com a inflação, de acordo com pesquisas compiladas pelo site FiveThirtyEight. Desde que Biden chegou ao poder, os preços ao consumidor aumentaram mais de 19 por cento.
A análise da Brookings também indicou que Harris fez algumas escolhas táticas erradas. Por exemplo, sua decisão de evite entrevistas na mídia quando ela apareceu pela primeira vez na chapa democrata fez com que os eleitores perdessem a confiança em sua capacidade de pensar por conta própria, disse Brookings.
Deckman acrescentou que a escolha por Harris do governador de Minnesota, Tim Walz, como seu companheiro de chapa à vice-presidência em vez do governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, foi outro dos “vários erros” cometidos pelos democratas na preparação para esta eleição. Isso ocorre porque Walz não ajudou Harris a influenciar nenhum estado decisivo. Minnesota votou nos democratas em todas as eleições presidenciais desde 1976.
O direito ao aborto está em perigo nos EUA sob Trump?
Quando Trump assumir o poder em Janeiro, uma proibição nacional do aborto parece improvável, mas os estados poderão restringir o aborto.
Antes da eleição deste ano, Trump disse que vetaria qualquer proibição federal ao aborto porque acredita que o aborto é uma questão que deveria ser deixada ao critério de cada estado.
A partir desta semana, o aborto foi proibido em 13 estados em quase todas as circunstâncias. Em mais quatro estados, o aborto é proibido após as seis semanas de gravidez.
Alguns estados estabelecem limites de 12 semanas, 15 semanas ou 18 semanas ou têm limites gestacionais mais longos. Nove estados e o Distrito de Columbia não impõem restrições ao aborto.
Na terça-feira, 10 estados votaram sobre a incorporação do direito ao aborto em suas constituições. Essas medidas foram levadas à votação por grupos de direitos ao aborto.
Sete estados aprovaram as alterações aos direitos ao aborto, abrindo caminho para o levantamento das restrições ao aborto no Missouri, onde o aborto foi proibido em quaisquer circunstâncias, exceto em emergências médicas, e no Arizona, onde os abortos foram proibidos nas últimas 15 semanas. Essas restrições serão suspensas nas próximas semanas.
As medidas também foram aprovadas no Colorado, Nova Iorque, Maryland, Montana e Nevada, onde o aborto é legal, mas agora isso será consagrado nas constituições estaduais.
Flórida, Nebraska e Dakota do Sul não conseguiram aprovar suas próprias emendas e suas proibições permanecem. A Flórida proíbe o aborto após as seis semanas de gravidez, Nebraska proíbe-o após 12 semanas e Dakota do Sul proíbe-o em quase todas as circunstâncias.
No entanto, o New York Times relatado na quarta-feira que os republicanos antiaborto pressionarão Trump para promulgar uma proibição federal ao aborto.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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22 horas atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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7 dias atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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Consu aprova comissão para destinar cotas a pessoas transgênero — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
1 de outubro de 2026O Conselho Universitário (Consu) da Ufac aprovou a criação de uma comissão para elaborar a proposta de cotas de acesso à graduação para pessoas transgênero, que é uma pauta da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), recentemente criada com o objetivo de expandir políticas de inclusão na universidade. A aprovação ocorreu nessa quarta-feira, 30, na 5ª Reunião Ordinária do Consu, realizada no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, campus-sede.
A Ufac já possui regulamentação que garante o acesso por cotas à comunidade transgênero na pós-graduação desde 2023. A proposta aprovada pelo Consu busca ampliar esse direito para a graduação, assegurando não apenas a entrada, mas também o acompanhamento para permanência de estudantes até a conclusão dos cursos.
A comissão terá prazo de 90 dias para realizar os estudos e apresentar a minuta final do projeto. O grupo terá formação intersetorial, reunindo representantes das três categorias acadêmicas: docentes, técnico-administrativos e discentes, além de representantes de entidades e movimentos sociais da sociedade civil voltados aos direitos da população transgênero no Acre.
“Reafirmamos nosso compromisso ao instituir a comissão que vai deliberar sobre as cotas trans”, disser o reitor Josimar Ferreira. “Trata-se de uma ação demandada pela sociedade para incluir populações historicamente invisibilizadas, garantindo que as ações afirmativas façam parte da história do nosso conselho.”
Segundo a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Letícia Mamed, a política visa transformar a realidade de um dos grupos mais marginalizados socialmente. “Precisamos atentar para a garantia de acesso, permanência e dignidade para que essa comunidade possa construir seus projetos de vida com mais oportunidades”, comentou. “No Brasil, cerca de 30 universidades já adotam políticas semelhantes, e a Ufac dá um passo essencial para consolidar essa transformação.”
Integrante do Consu, a professora Raquel Ishii ressaltou que a comissão foi criada para ir além da gestão superior da universidade. “Considero essa aprovação uma grande vitória para a sociedade civil e para a universidade. A comissão amplia o debate da pós-graduação para a graduação. Trata-se de um grupo bem amplo, constituído não só pela gestão, mas com convites abertos ao Diretório Central dos Estudantes e a movimentos sociais externos à universidade.”
(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)
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