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Alemanha toma medidas para proteger tribunal superior contra a extrema direita – DW – 11/10/2024

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A coligação governamental da Alemanha pretende fortalecer o Tribunal Constitucional Federal para melhor protegê-lo da influência política, em parte como uma salvaguarda contra a força crescente do Alternativa para a Alemanha (AfD). Secções do partido de extrema-direita foram consideradas uma ameaça à ordem constitucional pelas agências de inteligência, e os receios aumentaram quando membros da AfD ameaçaram usar o poder do partido no parlamento estadual da Turíngia para bloquear a eleição do novo presidente parlamentar em Setembro.

Um projecto de lei elaborado pelos três partidos da coligação e pela oposição conservadora União Democrata Cristã (CDU) foi debatido esta semana no parlamento alemão, com o objectivo de consagrar certas características do Tribunal Constitucional na Constituição alemã, a Lei Básica, tornando-as mais difíceis. para mudar. Apenas a AfD manifestou qualquer oposição à proposta, argumentando que era desnecessária.

Entre outras coisas, a lei proposta fixaria o número de juízes (16), os mandatos dos juízes (12 anos) e a sua idade máxima (68). Também consagraria a estrutura do tribunal: dois senados de oito juízes cada, subdivididos em câmaras. Um projecto de lei separado também está a ser formulado para criar caminhos alternativos para a eleição de juízes caso haja um impasse no parlamento alemão.

“É certo e apropriado que utilizemos os meios da lei para proteger a nossa democracia”, disse o ministro da Justiça, Marco Buschmann, do Partido Democrático Livre (FDP), no debate. “Não estamos apenas a proteger o Tribunal Constitucional Federal do caso teórico de maiorias simples que querem atacá-lo, estamos também a propor um mecanismo que o protege de minorias bloqueadoras destrutivas”.

A Lei Básica da Alemanha garante a separação de poderes

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No início deste ano, o Conselho Federal propôs reformas semelhantes destinadas a ancorar as regras que regem o Tribunal Constitucional na constituição alemã e tornar mais difícil para futuros governos alterá-las.

A crise da reforma judicial na Polónia desencadeou ações

As mentes dos legisladores parecem ter sido focadas pelas recentes controvérsias nos estados-membros da União Europeia, Polónia e Hungria, e pelo sucesso da AfD, actualmente com cerca de 18% de votos a nível nacional.

Ulrich Karpenstein, vice-presidente da Ordem dos Advogados Alemã e um dos maiores especialistas em direito público do país, considera que tais mudanças são vitais. “O Tribunal Constitucional não está protegido contra bloqueios das minorias parlamentares, especialmente quando se trata de selecionar juízes”, disse ele à DW no início deste ano. “Também não está protegido contra maiorias simples no Bundestag, como o cenário criado pelo partido PiS na Polónia.”

“Poder-se-ia realizar o chamado ‘empacotamento de tribunais’ – por outras palavras, simplesmente nomear juízes adicionais ou criar secções adicionais com os seus próprios juízes, por exemplo”, acrescentou. “Existem maneiras de melhorar isso e, na verdade, o consenso é que há necessidade de fazer alguma coisa”.

Até que ponto as opiniões neonazis influenciam a AfD alemã?

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Mas Stefan Martini, investigador sénior em direito público na Universidade de Kiel, pensa que, embora as reformas possam parecer bastante razoáveis, os legisladores precisam de ter alguma cautela. “Eu teria muito cuidado”, disse ele à DW em fevereiro. “Certamente faz sentido escrever algumas das regras sobre o Tribunal Constitucional na Lei Básica, mas eu limitar-me-ia a regras muito fundamentais.”

Martini acha que as regras que limitam o mandato dos juízes e os proíbem de serem reeleitos fazem sentido, mas disse que tem “sentimentos confusos” sobre forçar maiorias de dois terços para selecionar os juízes. “Porque se você fizer isso, terá que descobrir como contornar os bloqueios parlamentares”, disse ele. “E não existe uma solução perfeita para isso – seja outro ramo do governo assumindo a responsabilidade, ou um painel de juízes, e isso traria menos legitimidade democrática”.

A recente crise da reforma judicial na Polónia estimulou muitos advogados na Alemanha a procurar formas de salvaguardar o Tribunal Constitucional alemão. Esta crise, que provocou protestos em massa, começou em 2015, quando o Partido Polaco Lei e Justiça (PiS) foi acusado de empacotamento judicial depois que assumiu o poder. Gozando de maioria absoluta no parlamento polaco, o partido conservador nacionalista alterou as leis que regem o Tribunal Constitucional e nomeou cinco novos juízes para o tribunal.

Em 2019, o governo do PiS também criou uma nova câmara do Supremo Tribunalchamada Câmara Disciplinar, e mudou a lei para permitir que o governo nomeasse e demitisse o chefe do Supremo Tribunal. As reformas foram prejudicadas pelo Tribunal de Justiça Europeu, que decidiu em 2019 que violavam a legislação da UE e minavam a independência do poder judicial.

O Tribunal Constitucional da Polónia “é um tribunal de marionetes”

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Tornar as leis mais difíceis de mudar nem sempre é uma coisa boa, alertam analistas

Crises semelhantes ocorreram em outros lugares – reformas levadas a cabo pelo partido nacionalista Fidesz na Hungria em 2013 foram criticados internacionalmente por enfraquecerem a separação de poderes entre o legislativo e o judiciário.

“O Tribunal Constitucional é fundamental para a democracia e para o Estado de direito, a fim de proteger os direitos fundamentais, a separação de poderes e eleições livres”, afirmou Karpenstein. “Imagine se no final de uma legislatura tivéssemos um cenário como o do (Presidente dos EUA Donald)Trump ou (Presidente brasileiro Jair) Bolsonaro – por outras palavras, presidentes que não querem renunciar dizendo que a eleição foi fraudulenta. Neste momento precisamos de um tribunal que decida se tais afirmações são verdadeiras.”

Mas Martini alertou que tornar as leis mais difíceis de mudar nem sempre é uma coisa boa. “Quando um governo iliberal for eliminado e um governo progressista for eleito, por exemplo, eles também precisarão de garantir uma maioria para reverter as políticas”. ele disse. “E isso se torna mais difícil se certas regras forem consagradas na constituição.”

Karpenstein acolheu as propostas na terça-feira. “As discussões entre a CDU e os representantes da coligação levaram a propostas importantes e inteligentes que enfatizam a independência do tribunal e protegem os seus juízes de interferências políticas”, afirmou num comunicado.

Acrescentou que as propostas excluíam efectivamente a aglomeração de tribunais e outros perigos constitucionais, mas sugeriu que, no futuro, o Tribunal Constitucional poderia ser ainda mais fortalecido se o Bundesrat fosse envolvido nas decisões tomadas sobre novos juízes e outras regras.

“É importante que futuras alterações à Lei do Tribunal Constitucional Federal, e em particular aos quóruns para a eleição dos juízes e às decisões do Tribunal Constitucional Federal, não possam mais ser alteradas por uma maioria simples do Bundestag”, disse Karpenstein.

Este artigo foi publicado pela primeira vez em fevereiro de 2024 e atualizado em 23 de julho de 2024 e em 11 de outubro de 2024, para refletir o progresso da reforma proposta.

Editado por: Rina Goldenberg

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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre

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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre

A Ufac realizou a cerimônia de certificação dos estudantes concluintes do ensino médio do Colégio de Aplicação (CAp), referente ao ano letivo de 2025. Pela primeira vez, a solenidade ocorreu no campus-sede, na noite dessa quinta-feira, 29, no Teatro Universitário, e marcou o encerramento de uma etapa da formação educacional de jovens que agora seguem rumo a novos desafios acadêmicos e profissionais.

A entrada da turma Nexus, formada pelos concluintes do 3º ano, foi acompanhada pela reitora Guida Aquino; pelo diretor do CAp, Cleilton França dos Santos; pela vice-diretora e patronesse da turma, Alessandra Lima Peres de Oliveira; pelo paraninfo, Gilberto Francisco Alves de Melo; pelos homenageados: professores Floripes Silva Rebouças e Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti; além da inspetora homenageada Suzana dos Santos Cabral.

Guida destacou a importância do momento para os estudantes, suas famílias e toda a comunidade escolar. Ela parabenizou os formandos pela conquista e reconheceu o papel essencial dos professores, da equipe pedagógica e dos familiares ao longo da caminhada. “Tenho certeza de que esses jovens seguem preparados para os próximos desafios, levando consigo os valores da educação pública, do conhecimento e da cidadania. Que este seja apenas o início de uma trajetória repleta de conquistas. A Ufac continua de portas abertas e aguarda vocês.”

Durante o ato simbólico da colocação do capelo, os concluintes reafirmaram os valores que orientaram sua trajetória escolar. Em nome da turma, a estudante Isabelly Bevilaqua Rodrigues fez o discurso de oradora.

A cerimônia seguiu com a entrega dos diplomas e as homenagens aos professores e profissionais da escola indicados pelos concluintes, encerrando a noite com o registro da foto oficial da turma.

 



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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre

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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre

O curso de especialização em Enfermagem Obstétrica teve sua aula inaugural nesta terça-feira, 27, na sala Pedro Martinello do Centro de Convenções, campus-sede da Ufac. O curso é promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais, com financiamento do Ministério da Saúde, no âmbito da Rede Alyne; a Ufac é um dos 39 polos que sedia essa formação em nível nacional.

A especialização é presencial, com duração de 16 meses e carga horária de 720 horas; tem como objetivo a formação e qualificação de 21 enfermeiros que já atuam no cuidado à saúde da mulher, preparando-os para a atuação como enfermeiros obstetras. A maior parte dos profissionais participantes é oriunda do interior do Estado do Acre, com predominância da regional do Juruá.

“Isso representa um avanço estratégico para o fortalecimento da atenção obstétrica qualificada nas regiões mais afastadas da capital”, disse a coordenadora local do curso, professora Sheley Lima, que também ressaltou a relevância institucional e social da ação, que está alinhada às políticas nacionais de fortalecimento da atenção à saúde da mulher e de redução da morbimortalidade materna.

A aula inaugural foi ministrada pela professora Ruth Silva Lima da Costa, com o tema “Gravidez na Adolescência e Near Miss Neonatal na Região Norte: Dados da Pesquisa Nascer no Brasil 2”. Ela é doutora em Ciências da Saúde pela Fiocruz, enfermeira da Ufac e docente da Uninorte.

 



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Calendário 2026 do Acre: Veja o calendário do Governo e Judiciário que vai ditar o ritmo do ano

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Foto de capa [internet]

Clique aqui para baixar o calendário estadual completo: Decreto 11.809, Calendário 2026 Acre, ed. 14.173-B, de 22.12.2025

Há quem organize a vida por metas, há quem organize por boletos… e existe um grupo que planeja o ano inteiro por uma régua silenciosa, porém poderosa: o calendário oficial. Desde início de janeiro, essa régua ganhou forma no Acre com dois instrumentos que, na prática, definem como o Estado vai pulsar em 2026 — entre atendimentos, plantões, prazos, audiências e aquele respiro estratégico entre uma data e outra.

De um lado, o Governo do Estado publicou o Decreto nº 11.809, de 22 de dezembro de 2025, fixando feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos do Poder Executivo, do dia 1º de janeiro ao último dia do ano, com a ressalva de que serviços essenciais não podem parar.

Do outro, o Tribunal de Justiça do Acre respondeu com a sua própria cartografia do tempo: a Portaria nº 6569/2025, que institui o calendário do Poder Judiciário acreano para 2026, preservando o funcionamento em regime de plantão sempre que não houver expediente. O texto aparece no DJe (edição nº 7.925) e também em versão integral, como documento administrativo autônomo.

Clique aqui para baixar o calendário forense completo: DJE – Portaria 6.5692025, edição 7.925, 22.12.2025

O “mapa do descanso” tem regras — e tem exceções

No calendário do Executivo, as datas nacionais aparecem como pilares já conhecidos (como Confraternização Universal, Tiradentes, Dia do Trabalho, Independência, Natal), mas o decreto também reforça a identidade local com feriados estaduais e pontos facultativos típicos do Acre.

Chamam atenção duas engrenagens que costumam passar despercebidas fora da rotina pública:

  1. ponto facultativo não é sinônimo de folga garantida — a chefia pode convocar para expediente normal por necessidade do serviço;
  2. quando o servidor é convocado nesses dias, o decreto prevê dispensa de compensação para quem cumprir horário no ponto facultativo.

No Judiciário, a lógica é parecida no objetivo (manter o Estado funcionando), mas diferente na mecânica. A Portaria do TJAC prevê expressamente que, havendo necessidade, pode haver convocação em regime de plantão, respeitando-se o direito à compensação de horas, conforme regramento administrativo interno.

Quando o município faz aniversário, a Justiça muda o passo

O “calendário do fórum” também conversa com o mapa das cidades. A Portaria prevê que, em feriado municipal por aniversário do município, não haverá expediente normal nas comarcas correspondentes — apenas plantão. E, quando o município declara ponto facultativo local, a regra traz até prazo de comunicação no interior: pelo menos 72 horas de antecedência para informar se haverá adesão.

É o tipo de detalhe que não vira manchete — mas vira realidade para quem depende de balcão, distribuição, atendimento e rotina de cartório.

Um ano que já começa “com cara de planejamento”

Logo na largada, o Executivo lista 1º de janeiro como feriado nacional e já prevê, para 2 de janeiro, ponto facultativo (por decreto específico citado no anexo). Também aparecem o Carnaval e a Quarta-feira de Cinzas como pontos facultativos, desenhando, desde cedo, o recorte de semanas que tendem a ser mais curtas e mais estratégicas.

No Judiciário, a Portaria organiza o mesmo período com olhar forense — e, além de datas comuns ao calendário civil, agrega as rotinas próprias do Poder Judiciário, preservando a prestação jurisdicional via plantões e regras de compensação.

Rio Branco também entra no compasso de 2026

Para além do calendário estadual e do Judiciário, a capital também oficializou seu próprio “mapa do tempo”: o Prefeito de Rio Branco editou o Decreto Municipal nº 3.452, de 30/12/2025, estabelecendo os feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos e entidades do Poder Executivo Municipal, com referência expressa ao calendário do Estado.

Na prática, a cidade reforça o mesmo recado institucional: serviços essenciais não param, funcionando por escala ou plantão, e os gestores ficam autorizados a convocar servidores em dias de ponto facultativo, sem exigência de compensação para quem cumprir expediente. No anexo, aparecem datas que impactam diretamente a rotina da população, como o Carnaval (16 a 18/02, ponto facultativo), o Dia do Servidor Público (28/10, ponto facultativo) e o Aniversário de Rio Branco (28/12, feriado municipal) — fechando o ano com a véspera de Ano Novo (31/12, ponto facultativo).

Clique aqui para baixar o calendário municipal completo: DOE, edição 3.452, de 30.12.2025 – Calendário Prefeitura de Rio Branco-AC

Por que isso importa 

O calendário oficial é mais do que uma lista de “dias marcados”: ele é o roteiro do funcionamento do Estado. Para o cidadão, significa previsibilidade; para advogados e jurisdicionados, significa atenção ao modo como cada órgão funcionará em datas críticas; para gestores, significa logística e escala; e para o próprio Acre, significa um desenho institucional que equilibra tradição, trabalho e continuidade.

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