NOSSAS REDES

ACRE

Análise: O cessar-fogo Hezbollah-Israel pode ser mantido? | Israel ataca o Líbano Notícias

PUBLICADO

em

Beirute, Líbano – Um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah continuou em vigor na sexta-feira, apesar das alegações de ambos os lados de que o outro o violou.

O acordo de cessar-fogo de 60 dias, mediado pelos Estados Unidos e pela França, entrou em vigor às 4h da quarta-feira, após quase 14 meses de ataques transfronteiriços e pouco mais de dois meses após uma escalada israelense que causou devastação generalizada no sul do Líbano, no leste do Vale do Bekaa e na região de Beirute. subúrbio ao sul, conhecido como Dahiyeh.

Ao abrigo do cessar-fogo, o sul do Líbano será libertado do Hezbollah, que recuará para norte do rio Litani, e de Israel, que se retirará do Líbano para o sul da Linha Azul.

As Forças Armadas Libanesas (LAF) deverão ser destacadas para monitorar o sul ao lado das forças de manutenção da paz da ONU, UNIFIL.

(Al Jazeera)

Violação(ões)

Cláusula 2 do acordo de cessar-fogo diz que Israel não realizará operações ofensivas dentro do território libanês e que o governo libanês impedirá o Hezbollah ou outros grupos armados de atacar Israel.

No entanto, surgiram vários incidentes de ataques de Israel no Líbano.

“Tecnicamente, parece que os israelenses já violaram a cláusula 2 ao abrir fogo dentro do Líbano”, disse Nicholas Blanford, membro sênior do Conselho do Atlântico, à Al Jazeera.

Israel também tem tentado restringir o movimento de pessoas no sul do Líbano, divulgando um mapa com uma zona marcada em vermelho, exigindo que as pessoas de lá não voltem para casa, “o que não faz parte do acordo de cessar-fogo”, disse Blanford.

A Al Jazeera informou anteriormente que Israel poderia estar tentando criar um zona tampão no sul do Líbano através da utilização de fósforo branco e outras tácticas.

INTERACTIVE_Israel_lebanon buffer map_Nov29_2024
(Al Jazeera)

Na quinta-feira, as forças israelitas abriram fogo contra pessoas num carro, chamando-as de “suspeitos”, no sul do Líbano.

Israel afirma que estes “suspeitos” violaram o cessar-fogo – o Hezbollah disse que Israel atacou pessoas que tentavam regressar a casa.

Israel disse na quinta-feira que estava impondo um toque de recolher no sul e também atacou o que alegou ser uma “instalação do Hezbollah” contendo foguetes de médio alcance na região de Sidon, ao norte de Litani.

Israel também feriu três pessoas em Markaba e dois jornalistas em Khiam – um por tiros e outro por bombardeios – na quarta-feira.

O exército libanês disse na noite de quinta-feira que estava investigando “várias” violações israelenses e que compilaria um relatório.

Uma trégua frágil

Embora as violações relatadas por Israel tenham atraído a condenação de figuras do Hezbollah, o grupo evitou qualquer resposta militar.

Na verdade, na sexta-feira, o grupo reiterou o seu compromisso com o acordo de cessar-fogo.

No seu primeiro discurso televisivo desde que a trégua entrou em vigor, o secretário-geral Naim Qassem disse que trabalharia com o exército libanês para fazer cumprir o cessar-fogo, acrescentando que não imaginava “problemas ou desacordos” com o exército.

“A coordenação entre a resistência e o exército libanês será de alto nível”, disse Qassem.

Quase 14 meses de guerra, enquanto o Hezbollah e as forças israelitas trocavam tiros quase diariamente desde o início da guerra em Gaza, em Outubro de 2023, tiveram um impacto especialmente pesado nas pessoas das aldeias fronteiriças.

Do lado libanês, pelo menos 3.961 pessoas foram mortas por fogo israelense. Cerca de 140 soldados e civis foram mortos pelo fogo do Hezbollah em Israel.

INTERATIVO - Milhares de deslocados internos no Líbano - 28 de novembro de 2024
(Al Jazeera)

Os ataques de Israel, que se intensificaram quando invadiu o Líbano em Setembro, causaram destruição em grande escala de habitações e infra-estruturas em todo o país, estimando o Banco Mundial 2,8 mil milhões de dólares em danos apenas em habitações residenciais.

Estima-se que 99.000 casas foram parcial ou totalmente destruídas.

À medida que milhares de pessoas começaram voltando para suas casas na quarta-feira, muitos libaneses temiam que os ataques não tivessem cessado totalmente.

No bairro de Khandaq al-Ghamik, em Beirute, um ataque israelita destruiu vários andares de um edifício residencial no último dia antes do cessar-fogo.

Na Quarta-feira, Sleiman Omairat ficou do lado de fora do prédio vizinho onde mora e tem um escritório. Seu escritório foi destruído pelos destroços da explosão, assim como seu carro, estacionado em frente.

“Ainda não há sensação de segurança”, disse ele. “Os sionistas não permitem que você tenha nenhum.”

Por enquanto, porém, Omairat disse que o cessar-fogo “restaurou a dignidade no país” graças “aos meninos do sul”, referindo-se ao Hezbollah.

O Hezbollah poderia responder? ‘Agora não é a hora’

À medida que o cessar-fogo se concretizava, o Hezbollah aproveitou a oportunidade para reivindicar a vitória.

Na quinta-feira, afirmou ter alcançado “a vitória sobre o inimigo delirante que não conseguiu minar a sua determinação ou quebrar a sua vontade”.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant, falaram frequentemente em querer destruir a capacidade militar do Hezbollah, sugerindo que Israel não iria parar até que isso fosse alcançado.

No entanto, o Hezbollah lançou ataques contra Israel até às últimas horas antes do cessar-fogo.

Mas parece que ambos os lados tiveram de ceder terreno. Apesar da sobrevivência do Hebollah e da sua contínua capacidade de disparar foguetes e mísseis, os analistas dizem que a “vitória” também veio acompanhada de compromissos para ele.

Antes do seu assassinato, o falecido líder do Hezbollah Hassan Nasrallah estabeleceu uma condição para acabar com a guerra: acabar com a guerra de Israel contra Gaza. Isso não aconteceu e, em última análise, a ligação entre as frentes de Gaza e do Líbano rompeu-se com este cessar-fogo.

Libaneses voltam para casa
Moradores coletam itens pessoais de suas casas destruídas após retornarem à aldeia de Chehabiyeh, sul do Líbano, na quinta-feira, 28 de novembro de 2024 (Hussein Malla/AP)

“O partido manteve-se firme… ofereceu o que tinha de mais importante para o bem da Palestina e de Gaza”, disse à Al Jazeera o comentador político Kassem Kassir, que se acredita ser próximo do Hezbollah.

“É difícil negar que esta guerra foi má para o Hezbollah”, explica Elia Ayoub, escritora, investigadora e autora do boletim político Hauntologies, residente no Reino Unido, explicando que o Hezbollah sofreu inúmeras perdas.

Mas, disse Ayoub, o comportamento de Israel em relação ao Líbano terá fornecido mais motivos para aqueles que acreditam na resistência armada.

“O facto de os israelitas já não serem capazes de ocupar o sul do Líbano como antes reforçam a narrativa do Hezbollah de que a única forma de o Líbano não seguir o caminho de Gaza ou da Cisjordânia é a militarização”, disse Ayoub.

Entretanto, porém, os analistas dizem que o Hezbollah tem outras prioridades, com a sua comunidade a cambalear, envolvida na reconstrução de casas e vidas.

Agora não é o momento para retaliação contra as violações do cessar-fogo, dizem eles – seria demasiado prejudicial para as pessoas no Líbano.

“O Hezbollah no terreno estava numa posição precária e, claro, a comunidade em geral também, com 1,2 milhões de deslocados e sem fim à vista”, disse Michael Young, especialista em Líbano do Carnegie Middle East Center, à Al Jazeera.

O Hezbollah não abriria novamente uma frente contra Israel com as pessoas a regressarem às suas casas no sul, disse ele, acrescentando: “Seria uma loucura.

“Neste momento, o Hezbollah vai estar mais… concentrado em analisar as necessidades de bem-estar da comunidade xiita que tem sido maltratada”, disse Blanford. “Essa será a sua prioridade, mesmo para além da reconstrução da sua capacidade militar.”

A realidade do pós-guerra deixa grandes questões sobre o futuro do Hezbollah.

“Eles terão que passar por uma grande reorganização”, disse Blanford. “A sua liderança superior foi decapitada e, embora tenham muitas outras pessoas que podem assumir o comando, precisam de se reorganizar e limpar a loja.

“É evidente que os israelitas penetraram profundamente nesta organização e isso permitiu-lhes matar os principais comandantes sempre que quisessem”, disse ele. “Eles precisam descobrir o que deu errado e como corrigi-lo.”



Leia Mais: Aljazeera

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac-reitor-e-vice.jpg

O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, reuniu-se com os novos pró-reitores da administração superior para marcar o início da gestão do quadriênio 2026-2030 e tratar das primeiras ações e prioridades a serem tomadas na universidade. O encontro ocorreu nesta quarta-feira, 12, na Reitoria, campus-sede. A sessão solene pública de transmissão de cargo da Reitoria será realizada na sexta-feira, 21, às 17h, no Teatro Universitário.

Josimar afirmou que a eficiência na aplicação dos recursos e a austeridade estarão entre os princípios da gestão. Hoje ele também se reúne com as equipes das áreas de planejamento e administração para avaliar o orçamento disponível para execução das atividades até o fim do ano. “Esse é um princípio que adotamos desde o primeiro dia”, afirmou.

Entre as primeiras medidas anunciadas está a retomada das reuniões presenciais dos conselhos universitários. Segundo o reitor, a mudança será implementada já nesta primeira semana de gestão.

Outra ação prevista é a criação de uma nova pró-reitoria, voltada a ações afirmativas, equidade, gênero e inclusão. De acordo com Josimar, a proposta é colocar essas políticas no centro da estrutura administrativa da universidade e ampliar sua atuação nas políticas acadêmicas.

A nova gestão também dará continuidade ao processo de realização do vestibular do curso de Medicina. O reitor informou que a Ufac já garantiu recursos e iniciará a fase de contratação da empresa responsável pelo certame. A previsão é que as provas sejam aplicadas nas cinco regionais do Acre, com manutenção do bônus regional.

A interiorização também está entre as prioridades apresentadas. A gestão pretende iniciar discussões sobre a ampliação da presença permanente da universidade no interior, incluindo a regional do Purus, em Sena Madureira, e a região de Tarauacá e Envira.

Josimar destacou ainda a intenção de ampliar a aproximação da Ufac com diferentes setores da sociedade. “Queremos aproximar a relação com a sociedade, com o serviço, com o comércio, com a indústria, e com isso fortalecer o nosso tripé, o ensino, a pesquisa e a extensão.”

Integram a nova administração superior a vice-reitora Almecina Balbino; a pró-reitora de Graduação, Danila Torres; o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Dionatas Meneguetti; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Marco Amaro; a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Aline Nicolli; o pró-reitor de Planejamento, Edcarlos Souza; o pró-reitor de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Thiago Lima; e o pró-reitor de Administração, Tone Roca.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Proaes lança plataforma para cadastro da assistência estudantil — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Proaes lança plataforma para cadastro da assistência estudantil-i.jpg

A Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes), da Ufac, oficializou o lançamento do Cadastro da Assistência Estudantil (Caes) nessa terça-feira, 11. A nova plataforma digital foi desenvolvida para reformular o processo de seleção de bolsas e auxílios financeiros da instituição, com o objetivo de reduzir a burocracia, otimizar o fluxo socioeconômico e ampliar o acesso dos acadêmicos aos programas de permanência universitária.

A plataforma já está disponível para acesso e o preenchimento do cadastro poderá ser realizado ao longo do ano de 2026. A transição completa do fluxo de seleção para o novo ambiente digital será concluída para ter validade nos editais previstos para o ano letivo de 2027.

O sistema apresenta interface que se adapta, permitindo o preenchimento e acompanhamento das etapas diretamente por dispositivos móveis, como celulares e tablets. Outra mudança estrutural do Caes é a otimização do formulário socioeconômico, que teve sua extensão reduzida de 14 para 9 páginas. O documento passa a ser pré-preenchido de forma automática com dados cadastrais já existentes nas bases de dados integradas da Ufac, evitando a inserção repetitiva de informações pessoais pelos discentes.

O modelo operacional introduz a aprovação prévia do cadastro socioeconômico, que terá validade mínima de dois anos. Com a homologação efetuada pela equipe de assistentes sociais da Proaes, o estudante integrará um banco de dados unificado, ficando apto a diferentes modalidades de auxílios e bolsas por meio de uma manifestação de interesse digital, sem a necessidade de reapresentar a documentação completa a cada novo edital lançado. Apenas modalidades específicas que demandem comprovações complementares, como o auxílio-creche, exigirão anexos pontuais.

O desenvolvimento da ferramenta durou aproximadamente dez meses e foi viabilizado por uma cooperação técnica entre a Proaes, o projeto WebAcademy, sob coordenação do professor Daricélio Moreira, o Núcleo de Tecnologia da Informação e o corpo de assistentes sociais da universidade, que atuaram na especificação das regras de negócio do software. Três acadêmicos selecionados via edital atuaram diretamente na programação e construção do sistema.

“O Cadastro da Assistência Estudantil vai trazer uma redução na burocracia e a possibilidade de melhorar o acesso dos estudantes aos benefícios da Proaes”, disse o pró-reitor de Assuntos Estudantis, Isaac Dayan. “Temos vários aspectos que ajudam o estudante a ter uma melhor experiência na hora de concorrer, como uma interface intuitiva e a redução da quantidade de páginas do formulário. Acreditamos que será um grande avanço na política de assistência estudantil.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Brinquedoteca da Ufac oferece atividades lúdico-pedagógicas — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Brinquedoteca da Ufac oferece atividades lúdico-pedagógicas-c.jpg

A Brinquedoteca da Ufac, inaugurada em 11 de fevereiro de 2016, localizada no Bloco Multidisciplinar, campus-sede, funciona como um Laboratório Pedagógico de Ensino, Pesquisa e Extensão para os cursos de licenciatura da instituição, tendo o jogo e as brincadeiras como elementos centrais do desenvolvimento infantil.

Atendendo crianças de 3 a 10 anos, o espaço contempla as comunidades interna e externa. O horário de funcionamento regular é de segunda a sexta-feira, no turno vespertino, das 13h30 às 17h30. No período matutino, o funcionamento depende da programação, que é divulgada previamente.

Entre as atividades desenvolvidas, estão: desenho e pintura (com tinta, lápis de cor e giz de cera); jogos teatrais e de tabuleiro; dança e confecção de brinquedos; contação de histórias e sessões de cinema com pipoca. Durante os eventos, o uso de smartphones é proibido.

Desde 2025, o espaço conta com o projeto de extensão Brincarte, coordenado pela professora Giane Lucélia Grotti, visando desenvolver, no Laboratório da Brinquedoteca, um ambiente de interação e socialização, estimulando habilidades sociais e culturais por meio de atividades lúdicas, e contribuir para o desenvolvimento integral da criança.

O campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, também conta com uma brinquedoteca, inaugurada em 2025 e coordenada pela professora Adma de Oliveira Martins, com funcionamento de manhã e à tarde, atendendo crianças de 4 a 11 anos.

Confira mais informações sobre a Brinquedoteca da Ufac

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS