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Anielle se reuniu 5 vezes com terreiros antes de cartas – 21/11/2024 – Cotidiano

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Mariana Brasil

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, encontrou-se ao menos cinco vezes com grupos de terreiros até outubro deste ano, quando o desempenho da pasta criada em janeiro de 2023 motivou cartas de representantes de entidades de matriz africana ao presidente Lula (PT) com críticas e apoios. Entre as críticas, os autores citaram descaso e falta de diálogo.

Na agenda oficial de Anielle consta sua participação em dois eventos realizados no ano passado e três em 2024. Ao todo, o MIR (Ministério da Igualdade Racial) promoveu oito encontros de maior porte com os grupos em questão e 50 missões a territórios de povos tradicionais de matriz africana e terreiros.

Para especialistas ouvidos pela Folha, fatores como tempo de existência da pasta, orçamento e conjuntura política no Congresso dificultam uma avaliação sobre a gestão. Por outro lado, é enaltecido o simbolismo de um ministério da igualdade racial em funcionamento.

Procurado, o ministério disse que todos os compromissos com povos e comunidades tradicionais de matriz africana têm a participação de Anielle.

“Quando não presencialmente, a ministra realiza articulações permanentes e mantém contato direto com a equipe da diretoria de Diretoria de Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e de Terreiros (DPTMAT), criada desde janeiro de 2023 por demanda dela mesma e com função de atender exclusivamente esse grupo”, diz a pasta em nota.

O ministério afirmou ainda já ter em vista novos compromissos com as comunidades tradicionais de matriz africana.

Além dos eventos maiores e missões em território, o MIR disse ter realizado 15 reuniões com lideranças e 24 acolhimentos e recepções de denúncias de racismo religioso, por meio da DPTMAT.

Criada no terceiro mandato de Lula, a pasta comandada por Anielle traz como atribuições a elaboração de políticas e diretrizes destinadas à promoção da igualdade racial e étnica, políticas de ações afirmativas e combate e superação do racismo, políticas para quilombolas, povos e comunidades tradicionais, entre outras.

Ao longo de todo o período de governo, a pasta enviou dois projetos de lei, um para a Câmara dos Deputados e outro direto para a Presidência da República.

Para o Legislativo, o ministério enviou o projeto de lei que se tornou lei e instituiu o Dia Nacional Marielle Franco de Enfrentamento da Violência Política de Gênero e Raça para 14 de março, data do assassinato da vereadora e irmã da ministra.

A pasta também participou da articulação do projeto de lei que determinou como feriado nacional o Dia Nacional da Consciência Negra em 20 de novembro.

Para Lula, a pasta enviou o PL 1958/2021, que reserva às pessoas pretas e pardas, indígenas e quilombolas o percentual de 30% das vagas oferecidas nos concursos públicos. O projeto aguarda apreciação no Plenário da Câmara.

A pesquisadora Juliana Marques, do Geema (Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa) sinaliza a questão orçamentária como fator determinante nas possibilidades do ministério, que começou com um orçamento de R$ 89 milhões em 2023, frente a R$ 172 milhões, em 2024.

“Esse orçamento quase dobrou e é, sem dúvidas, resultado da gestão, da implementação das políticas públicas de igualdade racial que foram propostas pelo MIR”, diz. “Apesar de o orçamento ter quase dobrado de um ano para o outro, continua sendo o menor entre todos os ministérios.”

“Se olharmos a legislatura passada, a maioria dos projetos de lei que foram apresentados pelo Legislativo foram projetos que tinham como objetivo ou abolir ou alterar as cotas, para diminuir o seu alcance”, observa o cientista político João Feres Júnior, da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

“Dado o fato de o Congresso ser muito conservador, ficar abrindo pautas sobre igualdade racial para deliberação parlamentar pode ser um enorme risco”, analisa.

“O papel do ministério nesse momento da história brasileira é mais de um momento de defesa das políticas conquistadas, expansão das políticas conquistadas e um valor simbólico enorme de ter um ministério da igualdade racial funcionando.”

A carta que criticava Anielle foi assinada um mês após uma reunião da ministra com representantes do segmento, em que foram assinados projetos aprovados em edital voltado à área de matriz africana.

Entre as entidades participantes estiveram Associação Nacional Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu (Acbantu), Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro), Rede AfroAmbiental, Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-brasileira (Cenarab), Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos de Matriz Africana, Mulheres de Axé e Coordenador Geral do Ilabantu.

Destes grupos, a Renafro, o Fórum Nacional e o Mulheres de Axé assinaram a carta em apoio a Anielle. As demais entidades não assinam nenhuma das duas manifestações.

No documento contrário a condutas da ministra à frente da pasta, os grupos alegavam “descaso total”, queixavam-se da falta de diálogo e criticavam a demissão de Yuri Silva do Sinapir (Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial). Silva era ligado ao ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida, demitido após acusações de importunação sexual.

A carta pró-Anielle, por sua vez, afirmava que o ministério tem desempenhado papel crucial no diálogo com essas comunidades. Também lembra que a denúncia de Anielle junto a outras mulheres gerou “uma tentativa de desqualificação das denunciantes”, segundo os autores da carta.

  • Solenidade de Assinatura | Adesão das 30 comunidades de terreiros contempladas no Edital Mãe Gilda de Ogum. Iniciativa: Ministério da Igualdade Racial/Fiocruz (3 de setembro de 2024).

  • Escuta Ativa | Lideranças de Movimentos de Terreiro (14 de junho de 2024)

  • Encontro Nacional dos Povos e Comunidades de Matriz Africana e de Terreiros: Do Acesso aos Direitos à Efetivação de Políticas Públicas (22 de março de 2024)

  • 1º dia Encontros Regionais – Abre Caminhos pelo Brasil” | Diálogo com representantes e lideranças dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e Povos de Terreiro do Brasil.” (19 de julho de 2023)

  • Reunião com Líderes Quilombolas | Ações da Secretaria de Políticas para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos (SQPT) (5 de janeiro de 2023)



Leia Mais: Folha

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre

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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia-interna.jpg

Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.

A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).

O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.

Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.

“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.

O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.

Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.

Fhagner Soares – Estagiário



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