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Apenas 5,1% dos diplomatas embaixadores são pessoas negras – 11/10/2024 – Mercado

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Adriana Fernandes

Os diplomatas, médicos e analistas da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) têm a pior representatividade de pessoas negras entre os cargos da chamada elite do funcionalismo do Executivo federal. É o que mostra levantamento feito pela República.org, instituto voltado para promover o debate de políticas públicas de gestão de pessoas no serviço público.

O instituto fez um ranking dos 15 cargos com menor proporção de pessoas negras dentro do funcionalismo federal.

O levantamento, antecipado à Folha, aponta que, no Itamaraty, apenas 5,1% dos diplomatas no posto de ministro de primeira classe (embaixadora ou embaixador) são pessoas negras, o que representa 6 dos 124 ocupantes do cargo. Entre os ministros de segunda classe, elas representam 7,4%. Esses cargos ocupam o primeiro e o segundo lugares do ranking e são os mais altos da hierarquia da diplomacia brasileira.

Outros dois cargos do Ministério das Relações Exteriores aparecem no ranking. Na quarta posição está o de conselheiro (com 12,9% de negros) e na 13ª posição o de primeiro secretário (com 18,8% de negros). O salário inicial dos diplomatas é R$ 20.927.

Os médicos que trabalham para o setor público federal, com vínculo de 20 horas, ocupam o terceiro lugar da lista com apenas 9,4% de pessoas negras. Nesse grupo, o salário inicial é de R$ 4.905.

Já os analistas da CVM —órgão supervisor do mercado de capitais vinculado ao Ministério da Fazenda—ocupam a quinta posição na lista de menor representatividade com 13,5% de pessoas negras. O salário inicial da categoria é de R$ 20.925.

“Quando olhamos os dados sobre servidores no Brasil, identificamos que as desigualdades chamam muita atenção”, diz a doutora em ciência política Vanessa Campagnac, que coordenou o levantamento. Segundo ela, as desigualdades refletem salários mais baixos.

A pesquisa verificou dados de 313 cargos de carreiras que contam, em 2024, mais de 100 vagas ocupadas. A pesquisadora explicou que o cargo de defensor público da União não tem remuneração inicial e final declarada no Painel Estatístico de Pessoal, fonte de dados do levantamento. A ausência dessa informação gerou uma lacuna no ranking em relação aos dados de salários para essa carreira.

A pesquisa fez também um ranking dos cargos com maior proporção de pessoas negras. Nessa lista, os salários são mais baixos. Os agentes de Polícia Civil estão no topo, com 85,3% de pessoas negras, seguidos pelos servidores públicos que são auxiliares de operação de serviços diversos (73,7%), cujo salário inicial é de R$ 3.237.

A doutora em ciência política Vanessa Campagnac, que coordenou o levantamento, explica que o cargo de agente de Polícia Civil existe no Executivo federal por causa dos servidores dos ex-territórios, extintos pela Constituição e incorporados à União.

Campagnac defende o sistema de cotas para a entrada no serviço público. Segundo ela, quanto mais representativos forem os grupos dentro do serviço público, maior a possibilidade de atendimento de serviços para todos os brasileiros.

Pessoas negras correspondem a 39,3% dos servidores efetivos do governo federal, de acordo com os dados coletados do Siape (Sistema Integrado de Administração de Pessoal). Em março de 2024, mais de 50% das pessoas brancas receberam acima de R$ 12.862, enquanto entre as pessoas negras esse valor ficou em R$ 9.916.

Isso pode ser explicado pela distribuição de pessoas brancas e negras entre as carreiras de maior e menor remuneração, de acordo com Renata Vilhena, presidente do conselho da República.org.

No levantamento, que será apresentado pela República.org na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), foram feitos cruzamentos também com as informações da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), do IBGE ( Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)

Para Renata Vilhena, é essencial que haja maior representatividade da população negra na linha de frente dos serviços públicos —sobretudo em carreiras que desempenham um papel mais estratégico nas tomadas de decisão do governo, afirma.

Programa afirmativo

Em nota, o Itamaraty afirma à Folha que foi o primeiro ministério a implementar seu Programa de Ação Afirmativa para Pessoas Negras, em 2002, com distribuição de bolsas-prêmio a aspirantes à carreira diplomática. Segundo a pasta, a tendência de aumento é positiva e está em curso.

“Desde 2015, como as demais instituições públicas brasileiras, o Ministério de Relações Exteriores cumpre a cota de 20% de pessoas negras em seus concursos de admissão às carreiras do serviço exterior brasileiro”, diz a pasta das Relações Exteriores.

O ministério afirma também reconhecer a necessidade de ampliar diversidade de seus quadros e diz que a atual administração está empenhada em série de medidas de promoção da diversidade e da inclusão.

Além disso, o Instituto Rio Branco (escola de formação dos diplomatas no Brasil) aumentou a representatividade negra no corpo docente, nas bancas de concursos e no conteúdo de seus cursos. O Ministério de Relações Exteriores também informa que alterou critérios de inclusão de diplomatas cotistas na lista de antiguidade, além de criar prêmio no Instituto Rio Branco para valorizar o melhor desempenho de aluno cotista.

O concurso de admissão à carreira diplomática de 2024 previu mudanças no edital que pretendem aumentar as oportunidades para pessoas negras, mulheres e pessoas com deficiência.

Para o Itamaraty, as mudanças possíveis se dão a partir de medidas de incentivo à maior entrada e ascensão de pessoas negras, que estão sendo adotadas, mas seu impacto na alta chefia tende a ser de médio e longo prazo.

Segundo o ministério, a turma que se formou no Instituto Rio Branco em 2024 é a mais diversa da história, com 22% de mulheres negras, mas sua chegada à alta chefia tende a demorar muitos anos. A primeira turma de cotistas, de 2015, não alcançou um terço do tempo médio de promoção a embaixador. A primeira turma do Programa de Ação Afirmativa, de 2002, ainda não alcançou o topo da carreira.

Os dados do Itamaraty sobre a parcela de pessoas negras nos cargos diferem para mais ou para menos do levantamento da República.org, mas são próximos. Pelos dados oficiais da pasta, nos cargos intermediárias e iniciais, a proporção de pessoas negras vem aumentando: na classe de conselheiro, são 14%; na classe de primeiro secretário, são 17%; na classe de segundo secretário, são 24%; na classe de terceiro secretário, são 27%. Nos cargos superiores, são 5% de pessoas negras no cargo de ministro de primeira classe (embaixadora ou embaixador) e 9% na classe de ministro de segunda classe.

Procurado, o MGI (Ministério de Gestão e da Inovação em Serviços Públicos), responsável pela folha de pessoal e a política de contratação do governo federal, não respondeu ao pedido da reportagem sobre medidas que podem ser adotadas para aumentar a representatividade.



Leia Mais: Folha

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre

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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia-interna.jpg

Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.

A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).

O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.

Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.

“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.

O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.

Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.

Fhagner Soares – Estagiário



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