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Após esfaqueamentos, empresas de mídia social da China enfrentam escrutínio sobre discurso de ódio | Tecnologia

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Taichung, Taiwan – Para um usuário da plataforma de mídia social chinesa Weibo, o problema eram os americanos.

“Os britânicos também me deixam ansioso, mas odeio os americanos”, dizia o comentário do usuário.

Por outro lado, era japonês.

“Espero muito que os japoneses morram”, repetiu o usuário 25 vezes em uma postagem.

Comentários xenófobos e hipernacionalistas são fáceis de encontrar nas plataformas de redes sociais chinesas, mesmo depois de algumas das maiores empresas tecnológicas do país se terem comprometido no ano passado a reprimir o discurso de ódio na sequência de uma série de ataques com faca a cidadãos japoneses e americanos no país.

Desde o Verão, registaram-se pelo menos quatro esfaqueamentos de cidadãos estrangeiros na China, incluindo um incidente em Setembro em que um estudante japonês de 10 anos foi morto em Shenzhen.

O ataque, que ocorreu no aniversário de um evento de bandeira falsa orquestrado por militares japoneses para justificar a invasão da Manchúria, levou o governo japonês a exigir uma explicação do seu homólogo chinês, bem como garantias de que faria mais para proteger os japoneses. nacionais.

Após o incidente, algumas empresas japonesas ofereceram-se para repatriar os seus funcionários e as suas famílias para casa.

Uma mulher deposita flores do lado de fora da Escola Japonesa de Shenzhen, em Shenzhen, província de Guangdong, China, em 19 de setembro de 2024 (David Kirton/Reuters)

Meses antes, um ataque com faca que feriu quatro professores universitários americanos em Jilin colocou sob pressão as relações entre os Estados Unidos e a China, com o embaixador dos EUA, R. Nicholas Burns, a acusar as autoridades chinesas de não fornecerem informações sobre o incidente, incluindo o motivo do agressor.

Pequim, embora expressando pesar pelos ataques e condolências às famílias das vítimas, insistiu que a onda de esfaqueamentos foram incidentes isolados.

“Casos semelhantes podem acontecer em qualquer país”, disse Lin Jian, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, numa conferência de imprensa regular após o ataque em Shenzhen.

Embora o Ministério das Relações Exteriores da China e a embaixada chinesa em Tóquio não tenham respondido aos pedidos de comentários, um porta-voz da embaixada chinesa em Washington, DC disse que a lei chinesa “proíbe claramente o uso da Internet para espalhar o extremismo, o ódio étnico, a discriminação, a violência e outras informações”.

“O governo chinês sempre se opôs a qualquer forma de discriminação e discurso de ódio e apela a todos os setores da sociedade para manterem conjuntamente a ordem e a segurança do ciberespaço”, disse o porta-voz à Al Jazeera.

Embora a violência contra estrangeiros na China seja rara, o aparente aumento dos ataques em 2024 e a prevalência do discurso de ódio online suscitaram preocupação no país, disse Wang Zichen, antigo jornalista dos meios de comunicação estatais chineses e fundador do boletim informativo Pekingnology.

“Isso desencadeou discussões internas sobre este tipo de discurso e como contê-lo”, disse Wang à Al Jazeera.

Apesar das promessas das empresas tecnológicas chinesas de reprimir o discurso de ódio contra estrangeiros, o policiamento desse tipo de conteúdo está longe de ser simples, segundo Andrew Devine, estudante de doutoramento na Universidade de Tulane, nos EUA, especializado na política autoritária da China.

“Especialmente porque as empresas (de tecnologia) têm incentivos para não controlar o discurso de ódio”, disse Devine à Al Jazeera.

Embora os algoritmos utilizados pelas plataformas de redes sociais chinesas para distribuir conteúdos tenham sido partilhados com o governo chinês, não foram divulgados ao público, tornando difícil saber o mecanismo exato através do qual o discurso de ódio prolifera online.

Elena Yi-Ching Ho, analista de pesquisa independente focada em propaganda e mídia social na China, disse que os algoritmos usados ​​pelas plataformas de mídia social chinesas provavelmente não são diferentes daqueles usados ​​por plataformas fora do país.

“Eles querem maximizar o envolvimento entre os usuários em suas plataformas e querem que os usuários permaneçam em suas plataformas pelo maior tempo possível”, disse Ho à Al Jazeera.

Na busca pela atenção dos utilizadores, pode ser lucrativo para os influenciadores e vloggers chineses procurarem controvérsia com conteúdo hipernacionalista, disse Ho.

Na China de hoje, uma aparente falta de patriotismo pode atrair a ira pública.

No ano passado, a empresa chinesa de garrafas de água Nongfu Spring teve suas garrafas removidas em massa das lojas depois que usuários de redes sociais alegaram que o logotipo da empresa representava o Monte Fuji no Japão.

A condenação online estendeu-se ao proprietário da empresa, Zhong Shanshan, que teve a sua lealdade à China questionada, acusação amplificada pelo facto do seu filho possuir cidadania americana.

Em 2023, uma pedra e ovos foram atirados em duas escolas japonesas em Qingdao e Suzhou depois que Tóquio decidiu lançar no mar águas residuais radioativas tratadas da usina nuclear atingida de Fukushima.

Wang disse que a proliferação de comentários negativos sobre estrangeiros nas redes sociais chinesas foi em parte resultado da crescente hostilidade entre a China e alguns outros países.

“As relações chinesas com alguns países deterioraram-se significativamente nos últimos anos”, disse Wang.

A China e o Japão discutiram uma série de disputas históricas e territoriais, incluindo o estatuto das Ilhas Diaoyu/Senkaku no Mar da China Oriental.

Senkaku E Ilhas
Ilhas Diaoyu/Senkaku fotografadas em setembro de 2012 (Reuters/Kyodo)

Os EUA e a China também viram as relações despencarem nos últimos anos, no meio de disputas sobre temas que vão desde o comércio e as origens da pandemia da COVID-19 até às reivindicações de Pequim de propriedade sobre o autogovernado Taiwan.

Mas o discurso de ódio contra os estrangeiros é anterior a alguns destes confrontos recentes, segundo Ho.

“E o Japão e os japoneses têm sido alvos específicos disso”, disse ela.

Alguns bloggers chineses e utilizadores de redes sociais atribuíram as raízes do sentimento negativo em relação ao povo japonês ao que chamam de “educação para o ódio” em relação ao Japão, incluindo os abusos da era imperial na China.

Wang disse que as ações do Japão durante a Segunda Guerra Mundial afetaram profundamente a psique nacional da China.

“O Japão lançou invasões na Segunda Guerra Mundial, onde dezenas de milhões de chineses morreram, e isso permanece na mente de muitos chineses hoje”, disse ele.

“Para algumas pessoas, existe a sensação de que os japoneses não fizeram o suficiente para compensar isso.”

Ainda assim, alguns cidadãos chineses argumentam que as atrocidades do Japão não deveriam ser usadas para justificar o sentimento de ódio em relação ao povo japonês hoje.

“Acho que precisamos de mudar a forma como lidamos com o nosso passado se quisermos ver menos discurso de ódio”, disse Tina Wu, gestora de redes sociais de 29 anos em Xangai, à Al Jazeera.

Embora o discurso de ódio não seja um problema apenas na Internet da China, as plataformas de redes sociais chinesas, ao contrário das dos EUA, operam num ambiente fortemente censurado, onde a repressão sobre temas sensíveis é uma ocorrência semiconstante.

A China tem o ambiente de Internet menos livre do mundo, juntamente com Mianmar, de acordo com um relatório sobre 72 países da organização sem fins lucrativos Freedom House, com sede nos EUA.

Em 2020, mais de 35.000 palavras relacionadas apenas com o presidente chinês Xi Jinping foram submetidas à censura, de acordo com o China Digital Times.

Baidu
Uma página de resultados do mecanismo de busca chinês Baidu, retratada em 31 de março de 2018 (Fred Dufour/AFP)

Devine disse que embora alguns comentários odiosos estejam sujeitos à censura, o conteúdo que ecoa a posição oficial do governo chinês tem menos probabilidade de ser removido.

Ele disse não acreditar que a promessa das empresas de tecnologia chinesas de reprimir a xenofobia e o discurso de ódio contribua muito para mudar a proliferação de tal conteúdo.

“Ao mesmo tempo, as empresas de tecnologia querem evitar assumir o custo extra do policiamento”, disse ele.

Independentemente dos incentivos, as plataformas de redes sociais com mais de mil milhões de utilizadores activos não conseguem eliminar de forma realista todos os casos de discurso de ódio, disse Wang.

“Há tanta informação e mais informações são constantemente acrescentadas que simplesmente não há como erradicar ou eliminar tudo isso”, disse ele.

“Mesmo as capacidades de moderação chinesas têm os seus limites.”

Wang disse estar otimista de que os intercâmbios amistosos da China com alguns países recentemente e o crescente poder e influência do país levarão a menos sentimentos anti-estrangeiros.

“A China deveria ter a confiança de caminhar para o futuro com um maior sentimento de segurança e confiança, em vez de continuar a ser assombrada pelas memórias do passado”, disse ele.

Wu, de Xangai, também disse que espera ver uma reavaliação de algumas das narrativas dominantes na China, especialmente as relacionadas com os estrangeiros.

“É uma grande parte da história chinesa neste momento que somos constantemente vítimas de agressão estrangeira”, disse ela.

“E enquanto essa mensagem continuar a ser uma mensagem forte, temo que possam ocorrer mais ataques a estrangeiros na China.”



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Licenciatura Indígena realiza defesa de TCCs em aldeias no Juruá — Universidade Federal do Acre

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O curso de Licenciatura Indígena, do campus Floresta da Ufac, realizou o 1º Seminário Acadêmico de Apresentação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs). O evento possibilitou a defesa de 16 trabalhos nas aldeias Barão, da terra indígena Puyanawa, em Mâncio Lima (AC), e Morada Nova, na terra indígena Katukina/Kaxinawá, em Feijó (AC). As atividades ocorreram entre 25 de setembro e 2 de outubro, envolvendo estudantes, professores, egressos do curso, pós-graduandos e as comunidades locais.

Os TCCs defendidos nas aldeias são de autoria de discentes que ingressaram na Ufac em 2023 e deverão colar grau no início de 2027. Os temas das pesquisas contemplaram variados aspectos da vida indígena, abrangendo história, biografia, mitologia, organização política, território, medicina tradicional, grafismos, gênero, terminologias linguísticas, educação especial, atividade cinegética e rituais tradicionais.

A viabilização das defesas nas aldeias ocorreu pela primeira vez em 18 anos de existência da graduação e está de acordo com a pedagogia da alternância, pela qual parte da carga horária do curso é realizada nas comunidades indígenas dos alunos, por meio de pesquisa e extensão. Os recursos para realização do evento foram provenientes de projeto de extensão com o mesmo nome do seminário.

As bancas de avaliação foram compostas por docentes do curso, egressos de outras turmas da Licenciatura Indígena e egressos indígenas de outros cursos da Ufac, inclusive da pós-graduação. Também compuseram algumas bancas pessoas reconhecidas por suas comunidades com “notório saber”, expediente previsto no regulamento de TCC do curso. Além de familiares dos estudantes e moradores das aldeias, indígenas de outras etnias estiverem presentes no seminário.

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Organização

A atividade no município de Mâncio Lima, que é vizinho ao campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), ocorreu num só dia, em 25 de setembro, com a defesa de dois TCCs. Já para o evento em Feijó foi necessário um deslocamento de ônibus, com duração de quase seis horas, em 30 de setembro, até o porto da cidade. E, à noite, uma embarcação levou cerca de 20 pessoas até a aldeia Morada Nova, onde houve uma recepção musical para o grupo. Na manhã do dia seguinte começaram as defesas, que prosseguiram até 2 de outubro.

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Herbário da Ufac participa do 76º Congresso Nacional de Botânica — Universidade Federal do Acre

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A servidora Júlia Gomes da Silva, curadora do Herbário da Ufac, vinculado ao Parque Zoobotânico (PZ), representou a instituição no 76º Congresso Nacional de Botânica e 15º Encontro de Botânicos do Centro-Oeste, eventos ocorridos de 11 a 16 de outubro, em Campo Grande. Ela participou de mesa-redonda com apresentação das coleções dos herbários da região Norte.

Na ocasião, os curadores discutiram avanços, desafios estruturais e o futuro das coleções científicas do país. Durante sua exposição, Júlia conduziu o público por uma linha do tempo que remonta a 22 de outubro de 1979, data da primeira coleta registrada no campus-sede da Ufac: uma ‘Vismia’ (gênero científico de planta) coletada por L. Coêlho. Em razão desse registro, o herbário da Ufac comemora 47 anos nesta quinta-feira, 22.

Júlia destacou perspectivas importantes para o cenário científico acreano. Entre os projetos de destaque estão investimentos viabilizados via Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), incluindo a projeção de um novo prédio de cerca de 600 metros quadrados e a aquisição de armários compactadores modernos para garantir a preservação do acervo em longo prazo.

Também representaram a Ufac estudantes do campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), e a professora Simone Reis. A universidade enviou 11 resumos, dos quais oito foram apresentados. O evento possibilitou a troca de experiência com botânicos do país e conversas sobre parcerias de trabalho, incluindo a realização de expedições para grupos de plantas pouco estudados no Acre.

Herbário

O Herbário da Ufac tem uma equipe técnica composta por Júlia Gomes da Silva, Izailene Saar e colaboradores, como a ex-curadora e atual vice-reitora Almecina Balbino, o técnico Davi Borges e estagiários. O acervo abriga preciosidades da flora amazônica e sul-americana, registrando a superação de gargalos históricos de digitalização e integrando atualmente plataformas globais de dados de biodiversidade, como o SpeciesLink e o Global Biodiversity Information Facility.

Entre os marcos recentes destacados está o avanço na informatização de milhares de registros e a aposta em inovações, como a participação na Rede de Herbários Espectrais da Amazônia, que utiliza a espectroscopia no infravermelho próximo (tecnologia NIR portátil) para otimizar a identificação de espécies diante da escassez de taxonomistas na região.

A informatização completa do acervo ainda está em processo e figura como um dos principais objetivos da equipe, que agradeceu à direção do PZ e à Ufac pelo apoio contínuo aos servidores e à coleção, além de exaltar o esforço coletivo dos bolsistas, voluntários e parceiros que documentam, protegem e estudam a flora e funga brasileira.



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Ufac retoma Semana Acadêmica de Física após 6 anos, com planetário — Universidade Federal do Acre

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Ufac retoma Semana Acadêmica de Física após 6 anos, com planetário — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) realiza até esta sexta-feira, 23, a 3ª Semana Acadêmica de Física, no prédio do curso, no campus-sede, em Rio Branco. Iniciado nessa segunda-feira, 19, o evento retoma as atividades presenciais da semana acadêmica após seis anos de interrupção, causada pela pandemia de covid-19 e pela reorganização do calendário universitário.

A programação tem atrações abertas ao público, como oficinas de astronomia, observação do Sol com telescópio e um planetário móvel, instalado no segundo andar do prédio de Física. Há ainda palestras, apresentações de pesquisas de estudantes e minicursos práticos de elaboração de material didático, física experimental, criação de mapas, processamento de dados e sismologia.

Organizada em três eixos temáticos, a semana é voltada aos estudantes da licenciatura e do bacharelado em Física e do curso de Física Aplicada às Ciências da Terra. Os primeiros dias tiveram debates e palestras sobre o ensino de física e a formação docente. Em seguida, a programação trata de física pura, como mecânica quântica, relatividade e física de partículas, e termina com geofísica, astronomia e fenômenos naturais.

Segundo o coordenador do evento e professor do curso de Física, Victor Carreira, a retomada presencial reaproxima o curso da comunidade externa e das escolas de educação básica. Turmas do Instituto Federal do Acre visitaram a semana, e escolas da rede pública foram convidadas.

“A semana acadêmica é muito importante tanto para os nossos alunos quanto para a comunidade em geral de Rio Branco”, disse Carreira. “É uma oportunidade para jovens do ensino médio conhecerem a universidade e vivenciarem a ciência na prática.”

A cerimônia de encerramento ocorre nesta sexta-feira, 23, à tarde.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)

 



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