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Artesão faz decoração incrível de jardim com ‘bichos’ de lendas amazônicas

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Jardim reúne 10 esculturas de lendas amazônicas em Casa Mapinguari em Rio Branco. Enock Tavares diz que é importante preservar lendas nortistas.

Foto de capa: Artesão decora jardim com lendas amazônicas: ‘Eram os super-heróis da minha infância’ — Foto: Tácita Muniz/G1.

A Amazônia é uma área que reúne um vasto mundo de águas e florestas, mas também esconde uma coleção de lendas que povoam o imaginário. A lenda mais conhecida é do boto cor-de-rosa, que se transforma em um belo homem e atrai as mulheres.

Seringueiros e indígenas propagaram, durante longos anos, por meio da narrativa, outros personagens comuns dentro da floresta amazônica. Quem é do Norte, provavelmente já ouviu falar em curupira, cobra grande, matinta perera, Iara e, claro, o mapinguari.

São personagens tidos como defensores da floresta, que puniam e guardavam o território para preservá-lo, segundo os mais antigos. Natural do estado do Pará, o artesão Enock Tavares, hoje com 69 anos, sempre foi embalado na infância com essas histórias das lendas amazônicas, ao ponto de se tornar um apaixonado pela “mitologia amazônica”, como ele gosta de chamar.

Morando no Acre há 12 anos, ele fez questão de transformar o quintal de casa em um verdadeiro museu desses personagens das histórias que ouvia na infância.

Personagens ficam espalhados pelo quintal de Enock  — Foto: Tácita Muniz/G1

Personagens ficam espalhados pelo quintal de Enock — Foto: Tácita Muniz/G1.

Ao todo, atualmente ele coleciona 10 esculturas lendárias no espaço que ele batizou de “Casa Mapinguari”. O espaço fica na Vila Custódio Freire, em Rio Branco, e chama a atenção de quem por ali passa.

Logo na entrada, o Mapinguari gigante, com 5 metros de concreto, ícone do estado acreano, dá as boas-vindas para quem quer conhecer mais sobre esse mundo e histórias que sobreviveram ao passar dos anos.

Enock Pessoa quis fazer museu no quintal de casa para preservar lendas amazônicas  — Foto: Tácita Muniz/G1

Enock Pessoa quis fazer museu no quintal de casa para preservar lendas amazônicas — Foto: Tácita Muniz/G1.

“Com 12 e 15 anos, eu convivi com caçador, seringueiros, índios e caboclos que contavam essas histórias como se fossem verdades mesmo. Isso fazia parte da vida deles. Então, cresci com esse sonho e deu certo”, conta.

Nos caminhos do jardim, você consegue passar pela vitória-régia, saci pererê. Ao lado do muro, uma fonte jorra água para amparar a sereia Iara e o boto cor de rosa. Quintal adentro, você também encontra um mapinguari menor, de mais ou menos 2,5 metros. Ao lado da sereia Iara, curupira também aparece para compor o elenco.

Matinta Perera, com o apito de osso, está logo mais a frente. Alguns galhos a deixam quase imperceptível no primeiro olhar. Chegando mais perto, é possível ver a senhora de cabelos brancos que, pela lenda, é dona de um assobio estridente e que traria notícias sobrenaturais.

Visitas

Aposentado, o artesão mantém as esculturas abertas ao público sem nenhuma ajuda do poder público e não cobra pelas visitas ao espaço ao céu aberto. As esculturas são feitas pra aguentar as mudanças do tempo, como sol e chuva.

“Vem muita gente. Uma média de cinco pessoas passam por aqui diariamente, mas no domingo sempre vem mais. Muitas creches vêm e visitam. Às vezes as professoras contam as histórias de cada personagem, às vezes eu mesmo conto”, explica empolgado.

Claro que o que chama mais atenção entre os pequenos é o gigante Mapinguari, oponente na entrada da casa, ele deriva de uma lenda dos índios da região amazônica.

Os caboclos contam que dentro da floresta vive o Mapinguari, um gigante peludo com um olho na testa e a boca no umbigo. Para uns, ele é realmente coberto de pelos, porém, usa uma armadura feita do casco da tartaruga, para outros, a sua pele é igual ao couro de jacaré.

Ao longo do tempo, ele foi tomando a forma em que aparece hoje. Um gigante peludo e olho no umbigo.

Vitória-régia

Outra história do folclore brasileiro é a da vitória-régia, também nascida na região Norte, ela explica que a planta, encontrada nos rios da Amazônia, na verdade, era uma índia que se afogou ao tentar beijar a lua, se transformando assim na planta aquática que é símbolo da Amazônia.

Artesão explica a lenda amazônica do curupira

Curupira

Anão, ágil e de pés para trás. Assim seria a figura do curupira, conhecido como defensor da floresta. A história conta que os pés virados para trás é uma forma de enganar alguém que pretenda segui-lo olhando para suas pegadas. Muitos o apontam como “demônio da floresta” e o tem como persona non grata devido às travessuras.

Enock ao lado da escultura que representa matinta perera — Foto: Tácita Muniz/G1

Enock ao lado da escultura que representa matinta perera — Foto: Tácita Muniz/G1.

‘Mitologia amazônica’

Filho de pais adventistas, Enock conta que quando começou a fazer os primeiros projetos dos personagens folclóricos chegou a ser advertido pelo pai. “Mas, assim que comecei a fazer, procurei o significado de lenda e vi que lendas eram coisas que não ofendiam. Mostrei pra meu pai e depois disso ele não achou mais ruim”, relembra.

Além das esculturas que decoram seu jardim, o artesão também recicla e transforma lixo em personagens da mitologia amazônica, como gosta de chamar. Ele também faz biojóias e transforma papelão e papel machê em miniesculturas que são levadas para escolas também.

Das encomendas, ele consegue tirar cerca de R$ 500 por semana. Porém, nem sempre há demanda. “Tenho pouca encomenda porque essa questão do artesanato ainda está engatinhando no estado. Minha satisfação é virem aqui, tirarem foto e divulgarem meu nome. Até porque o artista só valorizam depois que morre”, acredita.

Mapinguari de 5 metros dá boas vindas ao quintal do artesão em Rio Branco  — Foto: Tácita Muniz/G1

Mapinguari de 5 metros dá boas vindas ao quintal do artesão em Rio Branco — Foto: Tácita Muniz/G1.

‘Eram nossos heróis’

Enock diz que, independente de religião, as lendas amazônicas precisam ser preservadas, não só pelos povos tradicionais, mas também porque ouviu as histórias e hoje pode contar as narrativas daquela época.

Ele destaca que quando criança ouvia com encanto e curiosidade as histórias do povo da mata. “Essas histórias sempre existiram e vão existir pra sempre. Na nossa época, não tinha esses heróis de hoje. Esses das lendas eram os nossos super-heróis daquela época. É como se fosse a nossa mitologia, assim como tem a mitologia grega. Isso eram os nossos semideuses. O caboclo, longe da civilização, o índio, tinham a certeza de que alguém protegia aquilo [floresta]”, finaliza.

Está entre os planos de Enock reabrir a pequena oficina que montou entre as lendas para ensinar a arte de esculpir às crianças da comunidade. Ele chegou a dar aulas em alguns anos, mas por falta de incentivo acabou dando uma pausa no projeto. “Mas, pretendo continuar ensinando assim que puder voltar”, se compromete.

Passeio em jardim retrata a história de lendas amazônicas  — Foto: Tácita Muniz/G1

Passeio em jardim retrata a história de lendas amazônicas — Foto: Tácita Muniz/G1.

Conheça a história da Iara, sereia dos rios amazônicos

Conheça a história da Iara, sereia dos rios amazônicos.

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Com 100 m², Memorial Chico Mendes é inaugurado em parque ambiental de Rio Branco: ‘Retomar conexão’

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Espaço fica no Parque Ambiental Chico Mendes, estava fechado desde 2021 e começou a ser revitalizado em dezembro do ano passado. Inauguração ocorreu nesta sexta-feira (7) faz parte da programação da Semana do Meio Ambiente.

Capa: Memorial Chico Mendes é inaugurado no Parque Ambiental Chico Mendes, em Rio Branco — Foto: Aline Nascimento/g1.

Como parte da programação da Semana do Meio Ambiente, foi inaugurado nesta sexta-feira (7) o Memorial Chico Mendes, no Parque Ambiental Chico Mendes, na capital acreana. O local, fechado desde 2021 para revitalização, já está aberto ao público para visitação.



A cerimônia contou com a participação de autoridades e parentes do líder seringueiro, morto em 1988. O espaço visa homenagear e preservar a memória de Chico.

Dentro do espaço de 100 metros quadrados há utensílios, aparelhos, livros e demais itens que contam a história do seringueiro. Além disto, há uma TV multimídia onde passa vídeos educativos, e o cantinho ‘Chico Ensina, que conta com livros infantis na temática ambiental. No centro do espaço, há uma seringueira, que é símbolo do estado, e um totem do próprio Chico em tamanho real na varanda do espaço.

Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Nasserala, o espaço estava deteriorado, oferecia riscos aos visitantes e, então, passou por reconstrução desde dezembro do ano passado. O valor da obra foi orçado em R$ 104,9 mil.

“Aqui no nosso parque é um lugar muito movimentado. Em 2021, até hoje, já passaram por aqui 558 mil pessoas nesse Parque Chico Mendes. Só esse ano foram 45 mil pessoas, então é um lugar que realmente tem que preservar. Sem falar que nós temos visitantes do mundo inteiro aqui. E chegando aqui, visitava o parque, céu aberto, mas faltava exatamente a característica, o local que deu origem ao nome do nosso grande Chico Mendes”, complementou.

A gerente do parque, Joseline Guimarães, falou que o local é um atrativo para a população e que esse momento de devolução é importante para que as pessoas rememorem o legado e a luta de Chico Mendes.

“É um espaço que conta toda a luta, o legado do Chico Mendes, e também vai ser um espaço multiuso, um espaço cultural, onde os artistas acreanos podem fazer o seu vernissage, atividades educativas, reuniões”, diz.

Legado

Sandino Mendes, filho do líder ambiental, participou da cerimônia de abertura do espaço e destacou que o local traz o objetivo de eternizar a luta de Chico e mostrar a importância dele para as futuras gerações.

“A inauguração do Memorial de Chico Mendes serve não só como um espaço para preservar a memória do meu pai, esse grande líder, mas que também nos inspira a dar continuidade aos seus ideais, a sua luta, ao seu legado”, falou.

Angélica Mendes, neta de Chico, pontuou também sobre legado e do reconhecimento internacional dele. Além disto destacou também sobre a necessidade de perpetuar a causa ambiental, que é de responsabilidade de toda a sociedade.

“Esse parque ele representa muito não só pra gente, como família, mas pra toda a população de Rio Branco, porque a gente precisa de áreas verdes, a gente precisa voltar essa conexão que a gente tem com as flores. A gente precisa retomar a conexão com as nossas raízes. É muito importante porque nós somos amazônidas, nós somos Amazônia, nós somos o presente e nós somos o futuro”, frisou.

 

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Ex-deputado Luiz Calixto assume secretaria de governo do Acre

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Nomeação foi publicada nesta quarta-feira (5) no Diário Oficial do Estado (DOE). Alysson Bestene, que ocupava a pasta, foi exonerado em razão da pré-candidatura a vice-prefeito de Rio Branco.

O governo do Acre nomeou, nesta quarta-feira (5), Luiz Calixto como secretário de governo da Secretaria de Estado de Governo (Segov). O decreto foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE).

O gestor já foi parlamentar estadual na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) de 1999 a 2011, é auditor fiscal aposentado da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) e, desde janeiro de 2023, ocupava o cargo de secretário-adjunto da Segov.

Calixto substitui Alysson Bestene, que ocupava o cargo desde junho de 2021, quando a Segov foi criada.

A exoneração dele também foi publicada nesta quarta. Ele deixa o cargo para disputar as eleições municipais de 2024, como pré-candidato a vice-prefeito na chapa de Tião Bocalom (PP).

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Piloto nega transporte de passageiro em avião que caiu em rio no Acre; destino da aeronave era o Pará

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Pedro Neto afirmou que foi contratado por Wesley Lopes, copiloto, para levar a aeronave até o Pará e resolveu passar pelo Acre porque conhece a rota e os pontos de abastecimento. Avião caiu no Rio Tarauacá na última segunda-feira (20).

Pedro Rodrigues Parente Neto, piloto do avião que caiu no Rio Tarauacá, na cidade de mesmo nome, interior do Acre, na última segunda-feira (20), negou durante depoimento à Polícia Civil que a aeronave levava três pessoas no momento da queda. Segundo o depoimento prestado à Polícia Civil nesta quarta-feira (22), apenas ele e Wesley Evangelista Lopes estavam no avião.

“Lá pro dia 2 de maio o Wesley, eu não conhecia ele, ele mandou mensagem num grupo de spotted de avião, de entusiastas de aviação. Eu só tô nesse grupo pra tentar vender meu curso pro pessoal que gosta de avião. Aí ele me contratou pra fazer um planejamento pra ele”, disse em entrevista ao g1.

Neto disse então a princípio deveria voltar do Pará, mas como, segundo ele, não há locais de abastecimento na Amazônia, orientou Lopes a utilizar o Acre como rota. “Como meu planejamento ficou bom ele me chamou [para pilotar a aeronave]”, contou o piloto.

Ele contesta a versão de que a aeronave levava três pessoas, o que seria acima da capacidade. “Não tinha passageiro, esse cara que se machucou estava em um barco e se machucou afobado para tentar ajudar”, afirmou.

Contudo, conforme informações do Corpo de Bombeiros de Tarauacá, além do piloto e de Lopes, Genésio Rodrigues de Olinda, que mora no Jordão, estava na aeronave. Ele quebrou o nariz, foi atendido no hospital da cidade e transferido para Cruzeiro do Sul na terça-feira (21).

O g1 confirmou com um parente de Genésio que ele está bem e segue em Cruzeiro do Sul. O familiar reafirmou que o homem estava na aeronave que caiu no rio.

Copiloto Wesley Lopes já foi preso anteriormente por tráfico internacional de drogas — Foto: Arquivo pessoal

Copiloto Wesley Lopes já foi preso anteriormente por tráfico internacional de drogas — Foto: Arquivo pessoal

Na declaração, Pedro Rodrigues Neto, que se apresenta como dono da empresa Céu Livre Aerodesporto, especializada em ‘voos panorâmicos e cursos de pilotagem’, nas redes sociais disse que mora no Rio de Janeiro e foi contratado por Wesley Evangelista Lopes para levar a aeronave do Espírito Santo (ES) para uma cidade no interior do Pará (PA).

Avião de pequeno porte levava três pessoas, sendo um passageiro, o piloto e copiloto — Foto: Reprodução

Avião de pequeno porte levava três pessoas, sendo um passageiro, o piloto e copiloto — Foto: Reprodução

Investigação

 

O delegado Ronério Silva confirmou ao g1 que investiga se há algum crime envolvido no acidente aéreo. Ele deve ouvir ainda o copiloto Wesley Evangelista Lopes e Genésio Rodrigues de Olinda para levantar mais informações sobre o caso.

“Vou dar continuidade à investigação, não tem flagrante nenhum. Nossa investigação é criminal, o Cenipa investiga as causas. Vamos ficar só na parte criminal, não houve vítimas, qual seria a destinação da aeronave. Não foi encontrado nada, mas são atitudes suspeitas de um avião que teria o destino final o Pará, ter passado por aqui”, resumiu.

Queda

 

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a aeronave tem capacidade para transportar duas pessoas, mas levava três. A situação do avião é considerada regular.

No entanto, ainda de acordo com a Anac, a aeronave não tem autorização para fazer táxi aéreo. Não há informação se era esse tipo de voo que era feito no momento da queda, que ocorreu próximo à Fazenda Santa Luzia. Ninguém morreu e o governo do estado publicou uma nota afirmando que está prestando o apoio necessário aos feridos.

O local onde a aeronave caiu fica a duas horas de distância da área urbana. Na tarde de segunda, bombeiros e populares retiraram a aeronave da água.

Avião foi retirado da água com ajuda de populares — Foto: Arquivo pessoal

Avião foi retirado da água com ajuda de populares — Foto: Arquivo pessoal

Um vídeo que viralizou nas redes sociais mostra mergulhadores dos bombeiros e alguns moradores ajudando na remoção.

Uma equipe do Sétimo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa VII) deve investigar o que ocasionou a queda do avião em Tarauacá. Em nota enviada ao g1, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), localizado em Manaus (AM), afirmou que os investigadores foram acionados para realizar a ação inicial da ocorrência envolvendo a aeronave.

“Na Ação Inicial são utilizadas técnicas específicas, conduzidas por pessoal qualificado e credenciado que realiza a coleta e a confirmação de dados, a preservação dos elementos, a verificação inicial de danos causados à aeronave, ou pela aeronave, e o levantamento de outras informações necessárias à investigação”, complementou.

O Cenipa frisou ainda que o posicionamento do órgão se dá somente a partir do fim das investigações, já que o objetivo, segundo eles, é de prevenir que novos acidentes com características semelhantes ocorram.

“A conclusão dessa investigação terá o menor prazo possível, dependendo sempre da complexidade da ocorrência e, ainda, da necessidade de descobrir os possíveis fatores contribuintes”, garantiu.

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