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Ataque: STF, governo e oposição citam 8/1 e lobo solitário – 14/11/2024 – Poder

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Catia Seabra, Ranier Bragon, Renato Machado

As explosões ocorridas na noite de quarta-feira (13) na praça dos Três Poderes motivaram discursos distintos no mundo político e jurídico. Da parte do governo e do STF (Supremo Tribunal Federal), as falas vinculam o atentado aos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. Já a oposição sustenta que houve uma ação isolada de um “lobo solitário”.

Embora essas posições ainda dependam de confirmação pelas investigações, há objetivos claros em torno da discussão de possível anistia aos que participaram do 8 de janeiro.

Na manhã desta quinta-feira (14), o ministro do STF Alexandre de Moraes e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, foram a público com discursos em tom uníssono, o de que o ato do chaveiro e ex-candidato a vereador Francisco Wanderley Luiz tem clara conexão com as mensagens de ódio bolsonaristas e com os ataques golpistas do início de 2023.

A argumentação vai na direção contrária aos interesses dos que defendem anistia, como o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, que conseguiram emplacar o tema em uma comissão especial da Câmara dos Deputados.

“Só é possível essa necessária pacificação do país com a responsabilização de todos os criminosos. Não existe possibilidade de pacificação com anistia a criminosos”, disse Moraes. A investigação da PF sobre o ataque foi enviada ao ministro após a corte ver conexão com os ataques de 8 de janeiro, que já estão sob a guarda dele no tribunal.

Moraes afirmou ainda que o ocorrido não é um ato isolado e começou com o chamado “gabinete do ódio” na gestão Bolsonaro.

Já Andrei declarou que, ainda que a “ação visível” seja individual, “por trás nunca há só uma pessoa, é sempre um grupo ou ideias de um grupo, ou extremismos e radicalismos que levam ao cometimento desses delitos”.

O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e o decano, Gilmar Mendes, foram na mesma linha. “Querem perdoar sem antes sequer condenar”, disse o primeiro. “O discurso de ódio, o fanatismo político e a indústria de desinformação foram largamente estimulados pelo governo anterior”, completou o segundo.

Cármen Lúcia disse, ao abrir sessão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), presidido por ela, que se tratou de um ato grave e que “o Brasil foi dormir preocupado com os acontecimentos”.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, publicou em rede social que, como disse Moraes, o atentado “confirma que é imprescindível processar e punir todos os envolvidos no 8 de janeiro, […] a começar pelos mandantes e pelo chefe de todos, que é o maior inspirador do terrorismo da extrema direita”, em referência a Bolsonaro.

Na opinião de líderes partidários e ministros, o ato de Francisco, que concorreu ao cargo de vereador pelo PL em 2020, fortalece o papel do STF na condução do inquérito sobre o 8 de janeiro e ajuda a frear o impulso político aos bolsonaristas ocorrido com a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

Titular da Secretaria de Comunicação da Presidência, o ministro Paulo Pimenta sugere que o autor do atentado estaria atendendo a orientações de lideranças.

“Por que está acontecendo isso? Por que o Alexandre de Moraes como alvo? Basta abrir as redes [sociais], é o tal do apito de cachorro: a liderança fala, e as coisas acontecem embaixo. Eles têm que responder por isso. Essas conexões têm que ser investigadas, se tem financiamento, se não tem, [eles] têm que ser responsabilizados.”

O ministro da Secretaria de Comunicação também questiona a versão de que o autor do atentado teria se suicidado. Argumenta que, ao analisar o vídeo, chegou à conclusão de que ele teria caído quando uma bomba estourou em sua mão.

Sobre a repercussão política, Pimenta afirma que compromete o avanço do debate em favor da anistia dos participantes dos ataques de 8 de janeiro. “Impunidade é o fermento do ódio e da violência.”

Sob reserva, um ministro diz que a anistia virou palavrão neste momento.

Líder do governo na Câmara, o deputado José Guimarães (PT-CE) afirma que o fato “enterra de vez qualquer possibilidade de votação de anistia” na Casa, opinião compartilhada reservadamente por outros parlamentares governistas.

“Nunca foi nem será um ato isolado. É um projeto encorajado de violência e retrocesso”, escreveu em suas redes a ministra Anielle Franco (Igualdade Racial).

Simone Tebet, ministra do Planejamento, também relativizou a ideia de iniciativa individual, afirmando que, “no ataque à democracia, os ‘lobos’ nunca são solitários” e “há, sempre, um ‘apito’ a encorajá-los”. Para ela, o ato “foi mais um sinal de alerta de que, enquanto permanecerem esses ‘apitos’, a luta democrática não permite qualquer tipo de trégua”.

O vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), defendeu por sua vez apuração célere e classificou o episódio como triste e grave. “Triste pela perda de vida e grave por ser um atentado a uma instituição da República, Poder da República, e que deve ser apurado com extrema rapidez e com extremo rigor.”

Na oposição, o tom predominante foi o de lamentar o episódio, mas afastar o atentado de Bolsonaro e também de vínculos com o 8 de janeiro.

Tanto o ex-mandatário quanto os presidentes do PL, Valdemar Costa Neto, e do PP, Ciro Nogueira, usaram a expressão “fato isolado”.

“Apesar de configurar um fato isolado, e ao que tudo indica causado por perturbações na saúde mental da pessoa que, infelizmente, acabou falecendo, é um acontecimento que nos deve levar à reflexão”, escreveu Bolsonaro em suas redes.

“Já passou da hora de o Brasil voltar a cultivar um ambiente adequado para que as diferentes ideias possam se confrontar pacificamente, e que a força dos argumentos valha mais que o argumento da força”, continuou o ex-mandatário.

“Temos quase 1 milhão de filiados no Brasil, claramente esse era um sujeito desequilibrado. Foi um caso isolado”, disse Valdemar à coluna Painel.

“O ato isolado de um desequilibrado é o que é: um absurdo. Mas daí a extrapolar uma atitude mentecapta de um indivíduo para dar contornos institucionais a esse incidente abominável é dizer que nossa democracia não é sólida e resiliente como ela é”, afirmou Ciro Nogueira.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), criticou Moraes e reafirmou articulação para a concessão de anistia.

O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) ironizou a posição dos bolsonaristas. “Lobo solitário? De alguma matilha ele saiu”.



Leia Mais: Folha

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Ufac lança projeto de implantação de unidade de produção rural — Universidade Federal do Acre

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Ufac lança projeto de implantação de unidade de produção rural-interna-1.jpg

A Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex) da Ufac realizou o lançamento do projeto “Extensão Universitária: Implantação e Divulgação de Unidade de Produção Rural Integrada para a Amazônia”, o qual coordenado pela professora Marilene Santos, é viabilizado por emenda parlamentar do senador Alan Rick (Republicanos-AC), no valor de R$ 5,7 milhões. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 3, no laboratório de mecanização, e foi marcado pela entrega de equipamentos agrícolas para uso de agricultores familiares.

A rede de apoio atende produtores orgânicos, integrantes do Movimento das Mulheres Camponesas e produtores de cacau de Acrelândia (AC), englobando ações em municípios acreanos como Rio Branco, Porto Acre, Bujari e Capixaba. Entre as frentes técnicas desenvolvidas, destacam-se a implantação de sistemas agroflorestais, o incentivo à adubação verde, melhorias na suinocultura, o manejo de pastagens e o fomento à cultura do cacau, com a meta de ampliar a produção regional para mais de 10 mil pés.

No total, a iniciativa atende a cinco grupos de produtores que recebem o acompanhamento especializado de uma equipe de cinco pesquisadores da Ufac, cinco engenheiros agrônomos, técnicos de nível superior, além de bolsistas de graduação e de mestrado.

“Aqui temos os melhores pesquisadores. Estamos muito felizes com essa entrega, que temos certeza de que ajudará nossos estudantes a entrarem com uma perspectiva diferente no mercado de trabalho”, destacou a reitora Guida Aquino.

A coordenadora do projeto, Marilene Santos, disse que a ação é uma semente que foi plantada e colherá bons frutos quando chegar ao resultado final. “Agradeço ao senador pela iniciativa.” Segundo Alan Rick, é preciso investir na base. “Não vamos conseguir colher a plantação se não houver nada plantado”, pontuou. “É um imenso prazer saber que contribuí em um projeto como esse.”

Ufac lança projeto de implantação de unidade de produção rural-interna2.jpg

A equipe técnica e de pesquisadores que compõem o projeto é formada pelos professores Almecina Balbino Ferreira, Bruna Viana, Eduardo Pacca Matar, Eduardo Mitke Brandão, Matheus Matos e Sebastião Elviro Neto, além dos colaboradores Patrícia Cunha e Rogério da Silva Correia.

Também compuseram o dispositivo de honra os vereadores Neném Almeida (MDB) e Zé Lopes (Republicanos).

(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)

 



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Ufac obtém 3º lugar nacional em chamada pública do Procel — Universidade Federal do Acre

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Ufac obtém 3º lugar nacional em chamada pública do Procel.jpg

Proposta da Ufac, elaborada pelo Instituto eAmazônia, sobre energia sustentável e inovação para o edifício múltiplo do campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, obteve o 3º lugar na classificação nacional e o 2º na classificação da região Norte na chamada pública Energia Zero em Prédios Públicos, do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel).

O projeto contempla a modernização dos sistemas de iluminação e de climatização do edifício, além da instalação de um sistema de geração de energia fotovoltaica. As intervenções têm como objetivo reduzir o consumo de energia elétrica da edificação e equilibrar a geração local com o consumo anual, caracterizando o conceito de “Edifício Energia Zero”.

A nota final da proposta da Ufac foi de 7,62. No projeto, o eAmazônia prevê investimento de R$ 1.348.587,92 em recursos não reembolsáveis da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional S.A., no âmbito do Procel.

Após a homologação do resultado da chamada pública, a Ufac dará continuidade aos procedimentos para assinatura do termo de cooperação técnica. A previsão é que a execução das intervenções ocorra em até 24 meses, seguida por um período de monitoramento para verificação das metas estabelecidas pelo programa.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)

 



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Fórum de reitores debate desafios para ensino superior público — Universidade Federal do Acre

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A reitora Guida Aquino participou do 1º Fórum de Reitoras e Reitores da América Latina e do Caribe, realizado na segunda-feira, 29, e terça-feira, 30, em Foz do Iguaçu (PR), reunindo dirigentes de 89 instituições brasileiras, entre universidades e institutos federais, além de 67 representantes de 17 países latino-americanos e caribenhos, para debater os desafios e as perspectivas da educação superior pública, da cooperação internacional e da integração regional.

“A integração entre as universidades da América Latina e do Caribe é fundamental para o fortalecimento da educação superior pública, da produção científica e da construção de respostas conjuntas aos desafios sociais, econômicos e ambientais que compartilhamos enquanto região”, disse a reitora.

Durante a programação, foram debatidos temas estratégicos como a democratização do acesso ao ensino superior, a inclusão social, a mobilidade acadêmica, a pesquisa e a inovação, bem como mecanismos para ampliar a cooperação internacional e fortalecer as redes de produção científica e tecnológica entre os países participantes.

O evento contou com a participação do ministro da Educação, Leonardo Barchini, e do secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Marcus David, além de representantes de organismos internacionais e lideranças acadêmicas.

 



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