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Até onde Haddad segura no gogó o corte de gastos? – 01/11/2024 – Adriana Fernandes

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Com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fora de Brasília, na próxima semana, em viagem internacional à Europa, o pacote de ajuste fiscal ganhou um ritmo diferente da pressão que faz o mercado financeiro para o anúncio urgente de medidas de corte de despesas.

Após reunião de integrantes da equipe econômica com o presidente Lula (PT), na noite da última terça-feira, a estratégia do governo foi esfriar a expectativa de um encaminhamento rápido da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que Haddad quer apresentar ao Congresso para conter o avanço das despesas obrigatórias e reduzir as incertezas com o futuro do arcabouço fiscal.

A viagem do ministro Fernando Haddad, num momento de escalada dos juros futuros, do dólar e da alta da tensão em torno do resultado da eleição presidencial nos Estados Unidos, é um sinal contundente de que há um longo caminho a ser percorrido até que as medidas saiam do forno e sejam apresentadas.

Haddad deixa o Brasil, mas os problemas ficam. As incertezas com o impacto das eleições americanas, na próxima terça-feira (5), amplificam os riscos.

A despeito da sinalização dada pelo ministro Rui Costa (Casa Civil) de convergência com Haddad na necessidade do pacote de ajuste fiscal, ficou claro que falta ainda sensibilizar o presidente Lula para a necessidade de medidas mais fortes para mudar a visão dos investidores sobre os riscos envolvendo o crescimento da dívida pública –um problema que não é só brasileiro.

Auxiliares do presidente reforçam que Lula não está preocupado com a pressão de prazos dada pelo mercado para o anúncio do pacote. O tempo da política é outro.

Haddad precisa de mais prazo. Tempo, sobretudo, para buscar consenso sobre as medidas dentro do governo. Na reunião desta semana, Lula ainda não decidiu todas as iniciativas de ajuste que poderão acompanhar a adoção de um limite global para as despesas obrigatórias, que seguiria o mesmo índice de correção do arcabouço fiscal (expansão de até 2,5% acima da inflação ao ano) com os gatilhos de contenção.

Como mostrou a Folha, as medidas de ajuste em estudo poderiam compor a lista de gatilhos ou ser implementadas de forma avulsa. É possível também combinar ambos os formatos. Os cenários ainda estão em análise. Não há nada fechado.

Sem essas medidas/gatilhos, não há como prometer o cumprimento do limite de despesas obrigatórias. Gasto obrigatório, como o nome diz, é obrigação. Não acaba simplesmente porque se fixou um teto.

A ameaça do ministro Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) de demissão caso alguma decisão sobre temas da sua pasta seja tomada (seguro-desemprego e abono salarial), mostrou as dificuldades e pode abrir uma crise no governo com apoio do PT raiz.

“Se eu for agredido, é possível [pedir demissão]”, afirmou Marinho em entrevista coletiva na quarta-feira (30). Foi o mais duro ataque público até agora de um ministro de Lula ao pacote de Haddad.

Há descontentes (silenciosos, por enquanto) em outros ministérios com o risco de serem atingidos pelo pacote. O mais importante neste momento, na avaliação do Palácio do Planalto, é alinhar internamente as medidas.

Não ajuda em nada Lula ter deixado (injustamente) a ministra Simone Tebet (Planejamento) de fora da reunião de convergência em torno das medidas.

A semana terminou com o dólar em R$ 5,86. Até onde Haddad vai segurar o tranco no gogó sem apresentar as medidas?


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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre

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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia-interna.jpg

Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.

A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).

O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.

Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.

“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.

O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.

Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.

Fhagner Soares – Estagiário



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