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Australianos querem cutucar monopólio dos Moreira Salles – 13/01/2025 – Mercado
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2 anos atrásem
Pedro Lovisi
Na cidade mineira de Araxá, conhecida pelas águas termais e a fabricação de queijo, uma mineradora australiana tenta contestar o monopólio na extração de nióbio dos Moreira Salles. A família, uma das mais ricas do Brasil, é controladora da CBMM, dona de 80% do mercado mundial.
A St. George iniciou no ano passado o processo de aquisição de um projeto de extração de nióbio —metal importante para a transição energética— no município mineiro, a 360 quilômetros de Belo Horizonte, e na terça-feira (7) lançou ações na Bolsa de Sydney para captar 20 milhões de dólares australianos (R$ 76 milhões).
A empresa, controlada por investidores australianos, quer extrair 5.000 toneladas de nióbio a partir de 2027 na cidade, onde também estão as instalações da CBMM.
A quantia não representa nem 5% das 150 mil toneladas que a mineradora dos Moreira Salles consegue produzir por ano, mas a chegada da mineradora nas redondezas de uma empresa hegemônica há 60 anos é sinal de ousadia dos australianos, que disputarão mão de obra local com a CBMM.
A St. George foi fundada há 14 anos para pesquisar jazidas de lítio, níquel e cobre na Austrália. Não chegou a extrair os minerais, mantendo em seu portfólio projetos passíveis de serem vendidos para mineradoras maiores –estratégia comum entre as junior mining companies, como essas empresas são conhecidas.
Mas a empresa viu o valor de seus ativos caírem nos últimos anos à medida que cresciam as barreiras financeiras e tecnológicas para a transição energética –lítio, níquel e cobre são metais associados à eletrificação, alternativa de vários setores para a queima de combustíveis fósseis.
Assim, segundo Thiago Amaral, diretor da St. George no Brasil e executivo da CBMM até julho de 2024, a mineradora foi atrás de metais com mercados mais consolidados, como o do nióbio –o metal ficou conhecido entre investidores australianos após as ações de uma mineradora dispararem com a descoberta de reservas no deserto australiano.
“O nióbio traz um mercado mais estável ao longo do tempo e tem previsão de crescimento bem delineada”, diz Amaral. O governo americano considera o nióbio o segundo metal mais crítico para a transição energética, devido a sua concentração –90% está no Brasil.
Folha Mercado
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O mercado mundial de nióbio foi desenvolvido pela própria CBMM, que na década de 1950 encontrou grandes reservas do metal em Araxá e em 1973 firmou acordo de partilha com o governo de Minas Gerais –até hoje, 25% do lucro líquido da empresa vai para os cofres do estado. O repasse somou R$ 1,1 bi até setembro do ano passado, cerca de 1% da receita do governo, atolado em dívidas com a União.
Coincidentemente, Araxá é a cidade do governador mineiro, Romeu Zema, e onde sua família iniciou seus negócios milionários.
Quase todo nióbio extraído hoje é usado na confecção de ferronióbio, matéria-prima de aços mais resistentes, como aqueles usados em gasodutos, automóveis e na indústria imobiliária. Esse tipo de aço também compõe a estrutura de turbinas eólicas e de alguns carregadores de carros elétricos.
“As torres eólicas e os motores estão ficando maiores e mais pesados, então o nióbio na estrutura da torre ajuda a aumentar sua resistência e deixá-la mais leve. Com 300 gramas de nióbio por tonelada de aço, você muda a estrutura do aço”, explica Gustavo Macedo, diretor comercial da Boston Metal e especialista no mercado de nióbio. “Economicamente falando, em termos da atribuição das propriedades, o nióbio é imbatível.”
Outra rota do metal é na produção de óxido de nióbio, matéria-prima de motores e turbinas de avião. Recentemente, a CBMM também anunciou a criação de baterias para veículos feitas a partir do óxido de nióbio –o dispositivo, ainda muito caro para ser lançado no mercado, foi recarregado em apenas dez minutos durante um teste feito com ônibus elétrico.
A mineradora dos Moreira Salles é a única das três produtoras mundiais de nióbio (ainda há a chinesa CMOC, em Goiás, e a Niobec, no Canadá) a fazer óxido. No final do ano passado, a empresa inaugurou uma planta em Araxá capaz de produzir 3.000 toneladas do material e até 2030 pretende expandir para 20 mil toneladas, já prevendo demanda por essas baterias.
A St. George ainda não bateu o martelo sobre qual rota seguirá, mas é provável que priorize a fabricação de óxido.
Independentemente de qual caminho escolher, os australianos devem encontrar barreiras. A começar pelo teor do mineral encontrado nas reservas, muito menor do que o da CBMM. Além disso, como sua produção também será em Araxá, a St. George também seria afetada por eventuais riscos de fornecimento da CBMM causados por desastres ou legislações locais –ou seja, não haveria alteração na criticidade do metal.
E os australianos sabem disso. “O nosso volume é muito pequeno, então seria muita prepotência dizer que a gente está entrando numa concorrência grande com a CBMM”, afirma Amaral. “Mas existem clientes e produtos que não são 100% atendidos pela CBMM e, por isso, acabam utilizando outros elementos em vez do nióbio. Queremos trabalhar nessas lacunas para atender nichos e, com isso, ganhar o mercado.”
Agora, a St. George tenta concluir a aquisição do projeto, de US$ 21 milhões. A tarefa não é fácil, já que no ano passado, ainda durante as negociações, a empresa tentou levantar 21,25 milhões de dólares australianos (US$ 13,3 milhões), mas conseguiu apenas 3 milhões de dólares australianos (US$ 1,87 milhão). Paralelamente, a empresa tenta também fechar um acordo de offtake (antecipação de recursos em troca de parte da produção) com uma trading chinesa.
Questionado sobre se a empresa poderia vender o projeto para outra grande mineradora, como é comum entre as junior mining companies, Amaral diz: “Dentro de um negócio, existe sempre a possibilidade de vendas, mas não é esse o objetivo”.
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publicado:
09/09/2026 10h59,
última modificação:
09/09/2026 11h03
As inscrições são gratuitas e estão abertas no site do 5º Simeco.
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Egressa de mestrado em CZS obtém prêmio de pós-graduação — Universidade Federal do Acre
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1 de setembro de 2026A engenheira agrônoma Mirian Soares de Amorim, aluna egressa do curso de Agronomia e do mestrado em Ciências Ambientais, do campus Floresta da Ufac, em Cruzeiro do Sul, obteve o 2º lugar na categoria Pós-Graduação do 5º Prêmio Margarida Alves de Estudos sobre Ruralidades e Feminismos, cujo resultado final foi divulgado em 17 de março. O evento foi promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.
O estudo destaca a articulação entre a transição agroecológica e a igualdade de gênero, enfatizando o papel central das mulheres rurais, ribeirinhas e agricultoras na preservação da agrobiodiversidade e na soberania alimentar na Amazônia. No mestrado, sob orientação do professor Kleber Andolfato de Oliveira, Mirian também aprofundou investigações sobre o desenvolvimento sustentável e o papel das populações rurais no manejo dos ecossistemas amazônicos.
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Ufac consolida criação do curso de Farmácia com 50 vagas — Universidade Federal do Acre
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31 de agosto de 2026O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, reuniu-se com membros da comissão responsável pela proposta de criação do curso de Farmácia. O encontro ocorreu nesta segunda-feira, 31, na sala de reuniões da Reitoria, visando consolidar o Projeto Político-Pedagógico da nova graduação, além de homenagear, com a entrega, pela Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), de Menção Honrosa ao reitor e a pessoas cujo empenho culminou na abertura do curso.
A iniciativa faz parte do programa Universidades Transformadoras, pactuada com o Ministério da Educação (MEC). O curso prevê a oferta de 50 vagas para estudantes e liberação de 11 códigos de vagas para professores. A aula inaugural e início das atividades acadêmicas estão previstos entre 2028 e 2029.
“Esse é um curso que se assenta fortemente na demanda de conhecer os bioativos da floresta amazônica e transformar esse conhecimento em riqueza, patentes, inovação e qualidade de vida para a sociedade”, disse Josimar Ferreira. Além disso, ele ressaltou a necessidade de conectar o novo curso às estruturas já consolidadas da Ufac, otimizando disciplinas e espaços curriculares em conjunto com as áreas de saúde e química.
A presidente da comissão de criação do curso, Andréia Andrade, lembrou que o projeto começou em 2011. “Hoje nos reunimos com a perspectiva de viabilizar a abertura do curso diante do que já temos na instituição. Nosso objetivo é ofertar uma formação generalista, com investimento otimizado na estrutura existente e com forte inserção na pesquisa e extensão, aproveitando a nossa biodiversidade e criando caminho para futuros programas de pós-graduação.”
Também participaram da reunião representantes externos da categoria profissional, como a ex-conselheira federal, membro da comissão e diretora de Relações Institucionais da Fenafar, Isabela de Oliveira Sobrinho. “Acompanhei a busca por esse projeto pedagógico desde o início e ver essa etapa final é um avanço enorme”, pontuou. “É um trabalho a muitas mãos para trazer o melhor para a Ufac. Trata-se de um curso de grande magnitude, focado em tecnologias de medicamentos e em pesquisas com nossas plantas nativas para gerar qualidade de vida à população.”
(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)
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