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Benefício Band Aid aos 40 – DW – 25/11/2024
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Em 1984, Etiópia foi atingida por uma seca devastadora que destruiu a maior parte da colheita do país africano. Quase 8 milhões de pessoas foram afetadas pela fome. O número de mortos não pôde ser contado, mas as estimativas variam entre 500 mil e um milhão.
Imagens de pessoas famintas, especialmente crianças, foram transmitidas por todo o mundo e desencadearam uma vontade de doação sem precedentes.
Entre os tocados pelos relatos estava o músico britânico Bob Geldofque imediatamente decidiu agir. Junto com seu colega músico Midge Ure, vocalista do Ultravox, ele montou um supergrupo de estrelas para gravar uma música beneficente para as vítimas da fome.
Gravado em 25 de novembro de 1984, o single “Do They Know It’s Christmas?” foi lançado no início de dezembro daquele ano, acompanhado de um videoclipe com todos os participantes.
Reuniu as maiores estrelas pop britânicas da época: Sting, Paul Young, Boy George, George Michael, Phil Collins, Annie Lennox, Duran Duran, Spandau Ballet, U2, Bananarama e muitos mais.
O single superou as expectativas dos produtores e alcançou o topo das paradas em 14 países diferentes, incluindo a Alemanha.
A ideia de Geldof de reunir superestrelas no estúdio por uma boa causa pegou.
Inspirou o artista e ativista pacifista Harry Belafonte a gravar outro single de caridade em janeiro de 1985. Este, no entanto, incluiria cantores negros, que, observou Belafonte, estavam praticamente ausentes no projeto de Geldof.
Ele foi acompanhado por Lionel Richie, Michael Jackson e Quincy Jones como produtores.
“We Are The World” foi criado em poucos dias e reuniu estrelas como Bruce SpringsteenStevie Wonder, Bob Dylan, Tina Turner, Cindy Lauper, Al Jarreau, Diana Ross, Dionne Warwick, Willie Nelson e muitos outros.
A Alemanha também apresentou a sua própria oferta. A canção beneficente intitulada “Nackt im Wind” (Naked in the Wind) foi gravada pelos hitmakers da época: Herbert Grönemeyer, BAP, Wolf Maahn, Nena, Heinz Rudolf Kunze, Alphaville, Klaus Lage, Udo Lindenberg, Peter Maffay e mais .
Muitos desses músicos voltaram ao estúdio em 2014 para gravar uma versão alemã de “Do They Know It’s Christmas?” para o 30º aniversário da música original.
Várias novas versões de “Do They Know It’s Christmas?” também foram regravados com novas estrelas nas últimas quatro décadas.
Uma imagem estereotipada de África
Apesar de todo o entusiasmo pelo projeto beneficente, a letra da música também atraiu críticas desde o início — a começar pelo título da música. Os etíopes sabem que é Natal; eles estiveram entre os primeiros a adotar o cristianismo no mundo, e ainda é a religião mais importante do país.
Os críticos afirmaram que a canção tinha uma perspectiva colonial e empregava generalizações condescendentes sobre a África. A linha cantada por Bono de U2 sobre as pessoas afetadas pela fome parecia um tanto insensível: “Bem, esta noite, graças a Deus, são eles e não você.” Bono não quis cantar a letra, mas outros apontaram seu sarcasmo, com o verso destacando visões ocidentais egoístas de tragédias distantes.
Midge Ure, que co-escreveu a letra, escreveu na sua autobiografia que deveríamos nos concentrar no que a música alcançou: arrecadou mais de 8 milhões de libras esterlinas (o equivalente hoje a mais de 13 milhões de euros) para ajudar as vítimas do desastre.
O hino do ‘salvador branco’
No entanto, as críticas persistiram ao longo dos anos, seja com a versão de 2004 gravada com Paul McCartneyRobbie Williams e Dido, ou com a versão atualizada de 2014, que angariou fundos para a crise do Ébola na África Ocidental.
Entre as estrelas convidadas para a versão de 2014 estava o músico britânico-ganense Fuse ODG, que se recusou a aderir ao projeto. Ele “preocupava-se que isso pudesse contribuir para o constante retrato negativo do continente africano no Ocidente”, escreveu ele em O Guardião no momento.
Fuse explicou que, embora campanhas como a Band Aid tenham recolhido enormes donativos, também reforçaram estereótipos prejudiciais sobre África e assim sufocaram o crescimento económico, o investimento e o turismo na região.
Agora, 10 anos depois, uma versão remix especial do single será lançada em 25 de novembro.
Fuse não mudou sua posição sobre a música, que tem sido chamada de “hino do salvador branco”, condenando-a por alimentar “piedade em vez de parceria”.
“Como africanos, não queremos que outras pessoas contem a nossa história”, escreveu Fuse no Instagram. Desde então, suas postagens geraram um debate público mais amplo.
Ed Sheeran também se distanciando
Os argumentos de Fuse convenceram Ed Sheeran. A cantora participou da gravação de aniversário há 10 anos, ao lado de One Direction, Angelique Kidjo, Chris Martin do Coldplay, Bono, Sinead O’Connor e outras estrelas.
Sheeran, porém, não quer mais ser incluído na versão 2024, que remixa vozes de gravações das últimas quatro décadas.
Mas isso será difícil, pois o single já está concluído e pronto para ser lançado.
Se ele tivesse sido questionado, Sheeran escreveu no Instagram, ele teria “respeitosamente recusado” que seus vocais fossem usados no novo single do Band Aid.
Bob Geldof, porém, não se cansa de defender a música e a ideia por trás dela. Ele disse ao 1News: “Essa pequena música pop manteve centenas de milhares, senão milhões, de pessoas vivas”.
No entanto, estações de rádio como a emissora suíça SRF estão actualmente a pensar com muito cuidado se devem ou não incluir a canção no seu programa de Natal deste ano.
Este artigo foi escrito originalmente em alemão.
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.
A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).
O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.
Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.
“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.
O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.
Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.
Fhagner Soares – Estagiário
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