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Bloqueios em vias na Bolívia se intensificam para evitar possível prisão de Evo Morales

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  • Contexto: Ex-presidente da Bolívia Evo Morales chama de ‘mentira’ suposto caso de estupro de menor sob investigação
  • Em setembro: Evo Morales exige que Arce troque Gabinete em 24 horas ‘se quiser continuar governando’ a Bolívia

Nesta terça-feira, a ABC reportou duas novas rotas bloqueadas, que se somam às três de segunda-feira. Em Paratono, um povoado que liga Cochabamba a La Paz, foram registrados pelo segundo dia consecutivo confrontos entre civis e partidários de Morales e a polícia, sem confirmação de feridos. Os civis, em sua maioria cocaleiros, usaram pedras, fogos de artifício e fogueiras, e a polícia respondeu com gás lacrimogêneo, de acordo com as imagens da televisão Unitel.

Os protestos para proteger Morales começaram na segunda-feira, dia que terminou com pelo menos seis presos. À frente dos bloqueios está o Pacto de Unidade, uma coalizão de organizações próximas ao ex-presidente de 64 anos, que está se mobilizando “para proteger a liberdade, a integridade e (impedir) o sequestro” de Morales, de acordo com um manifesto.

  • Análise: Fracasso de golpe de Estado revela força política de Arce na Bolívia

Além disso, segundo o El País, os bloqueios também têm o objetivo de pressionar o governo pela falta de dólares e a escassez de combustível, dois problemas da crise econômica do país.

O governo convocou conversas com Morales na segunda-feira, mas sem sucesso.

Apoiador do ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, é detido pela polícia de choque durante um bloqueio de estrada em Parotani, Bolívia — Foto: Kawsachun Coca / AFP

Morales, o primeiro indígena a governar a Bolívia entre 2006 e 2019, está sendo investigado pelos crimes de “estupro e tráfico de pessoas”. Na quinta-feira, ele não cumpriu uma intimação do Ministério Público do departamento de Tarija para depor, o que poderia levar as autoridades a ordenar sua prisão.

Hoje um opositor do governo de seu ex-ministro Luis Arce, o ex-presidente chama o caso de “mais uma mentira” que foi investigada e arquivada pelo sistema judiciário em 2020.

O suposto abuso remonta ao período em que o líder cocaleiro era presidente, em 2015. Morales se envolveu com uma menor de 15 anos, com quem teve uma filha em 2016, segundo a denúncia que está sendo investigada pelo MP. Os fatos teriam ocorrido em Tarija, um departamento no sul da Bolívia.

De acordo com o processo, os pais da vítima — também investigados — a inscreveram na “guarda juvenil” de Morales “com a única finalidade de escalar politicamente e obter benefícios […] em troca de sua filha menor”.

  • Visita à Bolívia: Lula tentará reaproximar Arce e Morales para fortalecer campo democrático após tentativa de golpe de Estado

A defesa do ex-presidente alega que o caso já foi revisado e arquivado em 2020. Afirma ainda que a acusação é infundada por falta de provas, já que a vítima se recusa a testemunhar e seus pais são acusados, não acusadores. A acusação baseia-se principalmente em uma certidão de nascimento onde o suposto pai reconhece a filha como tendo 16 anos na época.

Em seu manifesto, os seguidores de Morales atacaram Arce, outrora aliado do ex-mandatário e que agora mantém uma disputa pela candidatura do partido governista para as eleições presidenciais de 2025.

“O governo traidor […] não respondeu ao nosso pedido, nem teve a vontade de convocar para o diálogo sobre o abastecimento de combustível, a escassez de dólares, o aumento do custo de vida, o grave endividamento interno e externo”, entre outras questões que afetam a economia, afirmou o Pacto de Unidade.

Com o protesto dos apoiadores de Morales em curso, o presidente boliviano mudou, nesta segunda-feira, todo o alto comando policial.

— A polícia tem a missão constitucional” de “defender o povo de toda ameaça que possa atentar contra sua integridade — disse Eduardo del Castillo, ministro de Governo (Interior), durante a cerimônia de posse de 20 oficiais.

Na segunda-feira, a promotora responsável pela investigação, Sandra Gutiérrez, não quis responder aos jornalistas se pedirá a prisão de Morales.

— Por estratégia investigativa, vamos evitar dar mais detalhes sobre o caso — comentou.

O pai da suposta vítima foi preso na sexta-feira por não comparecer, assim como Morales, para depor ao MP. O homem teve decretada prisão preventiva de quatro meses, de acordo com a Promotoria.

Em meio ao primeiro dia de protestos, Morales voltou a acusar o governo Arce de reativar o processo judicial para prendê-lo ou até mesmo matá-lo, com o objetivo de impedir que ele concorra à Presidência em 2025.

“Eles pretendem nos inabilitar através de processos judiciais. E, finalmente, promover tal nível de violência legitimada que resulte em episódios como o atentado” frustrado contra a ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, em 2022, escreveu Morales na rede social X.

Morales e Arce travam uma disputa pelo poder há meses. O influente líder indígena acusou seu ex-ministro da Economia de se aliar a juízes para impedi-lo de concorrer novamente à Presidência em 2025 — Arce até agora não disse se concorrerá. Em setembro, Arce chegou a acusar o ex-aliado e padrinho político de tentar um golpe de Estado através das marchas e bloqueios. Segundo o presidente, Morales ameaçou “quer fazer o que a Constituição do Estado não lhe permite fazer: se requalificar como candidato.”

Em dezembro, o Tribunal Constitucional Plurinacional (TCP) fixou em dois mandatos, contínuos ou não, o tempo máximo em que o presidente e o vice-presidente poderão permanecer no cargo. Morales já cumpriu três: entre 2006 e 2009, 2009 e 2014, e 2014 e 2019. Morales argumenta que pode se candidatar novamente, já que passou um mandato presidencial depois de deixar o poder. Com o apoio da ala de seu partido, ele tenta reverter a proibição por meio da pressão popular.

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Curso de Medicina Veterinária da Ufac promove 4ª edição do Universo VET — Universidade Federal do Acre

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Curso de Medicina Veterinária da Ufac promove 4ª edição do Universo VET — Universidade Federal do Acre

As escolas da rede municipal realizam visitas guiadas aos espaços temáticos montados especialmente para o evento. A programação inclui dois planetários, salas ambientadas, mostras de esqueletos de animais, estudos de células, exposição de animais de fazenda, jogos educativos e outras atividades voltadas à popularização da ciência.

A pró-reitora de Inovação e Tecnologia, Almecina Balbino, acompanhou o evento. “O Universo VET evidencia três pilares fundamentais: pesquisa, que é a base do que fazemos; extensão, que leva o conhecimento para além dos muros da Ufac; e inovação, essencial para o avanço das áreas científicas”, afirmou. “Tecnologias como robótica e inteligência artificial mostram como a inovação transforma nossa capacidade de pesquisa e ensino.”

A coordenadora do Universo VET, professora Tamyres Izarelly, destacou o caráter formativo e extensionista da iniciativa. “Estamos na quarta edição e conseguimos atender à comunidade interna e externa, que está bastante engajada no projeto”, afirmou. “Todo o curso de Medicina Veterinária participa, além de colaboradores da Química, Engenharia Elétrica e outras áreas que abraçaram o projeto para complementá-lo.”

Ela também reforçou o compromisso da universidade com a democratização do conhecimento. “Nosso objetivo é proporcionar um dia diferente, com aprendizado, diversão, jogos e experiências que muitos estudantes não têm a oportunidade de vivenciar em sala de aula”, disse. “A extensão é um dos pilares da universidade, e é ela que move nossas ações aqui.”

A programação do Universo VET segue ao longo do dia, com atividades interativas para estudantes e visitantes.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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Doutorandos da Ufac elaboram plano de prevenção a incêndios no PZ — Universidade Federal do Acre

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Doutorandos da Ufac elaboram plano de prevenção a incêndios no PZ — Universidade Federal do Acre

Doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (Rede Bionorte) apresentaram, na última quarta-feira, 19, propostas para o primeiro Plano de Prevenção e Ações de Combate a Incêndios voltado ao campus sede e ao Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre (Ufac). A atividade foi realizada na sala ambiente do PZ, como resultado da disciplina “Fundamentos de Geoinformação e Representação Gráfica para a Análise Ambiental”, ministrada pelo professor Rodrigo Serrano.

A ação marca a primeira iniciativa formalizada voltada à proteção do maior fragmento urbano de floresta em Rio Branco. As propostas foram desenvolvidas com o apoio de servidores do PZ e utilizaram ferramentas como o QGIS, mapas mentais e dados de campo.

Entre os produtos apresentados estão o Mapa de Risco de Fogo, com análise de vegetação, áreas urbanas e tráfego humano, e o Mapa de Rotas e Pontos de Água, com trilhas de evacuação e açudes úteis no combate ao fogo.

Os estudos sugerem a criação de um Plano Permanente com ações como: Parcerias com o Corpo de Bombeiros; Definição de rotas de fuga e acessos de emergência; Manutenção de aceiros e sinalização; Instalação de hidrantes ou reservatórios móveis; Monitoramento por drones; Formação de brigada voluntária e contratação de brigadistas em período de estiagem.

O Parque Zoobotânico abriga 345 espécies florestais e 402 de fauna silvestre. As medidas visam garantir a segurança da área, que integra o patrimônio ambiental da universidade.

“É importante registrar essa iniciativa acadêmica voltada à proteção do Campus Sede e do PZ”, disse Harley Araújo da Silva, coordenador do Parque Zoobotânico. Ele destacou “a sensibilidade do professor Rodrigo Serrano ao propor o desenvolvimento do trabalho em uma área da própria universidade, permitindo que os doutorandos apliquem conhecimentos técnicos de forma concreta e contribuam diretamente para a gestão e segurança” do espaço.

Participaram da atividade os doutorandos Alessandro, Francisco Bezerra, Moisés, Norma, Daniela Silva Tamwing Aguilar, David Pedroza Guimarães, Luana Alencar de Lima, Richarlly da Costa Silva e Rodrigo da Gama de Santana. A equipe contou com apoio dos servidores Nilson Alves Brilhante, Plínio Carlos Mitoso e Francisco Félix Amaral.

 



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Ufac sedia 10ª edição do Seminário de Integração do PGEDA — Universidade Federal do Acre

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Ufac sedia 10ª edição do Seminário de Integração do PGEDA — Universidade Federal do Acre

A Rede Educanorte é composta por universidades da região amazônica que ofertam doutorado em Educação de forma consorciada. A proposta é formar pesquisadores capazes de compreender e enfrentar os desafios educacionais da Amazônia, fortalecendo a pós-graduação na região.

Coordenadora geral da Rede Educanorte, a professora Fátima Matos, da Universidade Federal do Pará (UFPA), destacou que o seminário tem como objetivo avaliar as atividades realizadas no semestre e planejar os próximos passos. “A cada semestre, realizamos o seminário em um dos polos do programa. Aqui em Rio Branco, estamos conhecendo de perto a dinâmica do polo da Ufac, aproximando a gestão da Rede da reitoria local e permitindo que professores, coordenadores e alunos compartilhem experiências”, explicou. Para ela, cada edição contribui para consolidar o programa. “É uma forma de dizer à sociedade que temos um doutorado potente em Educação. Cada visita fortalece os polos e amplia o impacto do programa em nossas cidades e na região Norte.”

Durante a cerimônia, o professor Mark Clark Assen de Carvalho, coordenador do polo Rio Branco, reforçou o papel da Ufac na Rede. “Em 2022, nos credenciamos com sete docentes e passamos a ser um polo. Hoje somos dez professores, sendo dois do Campus Floresta, e temos 27 doutorandos em andamento e mais 13 aprovados no edital de 2025. Isso representa um avanço importante na qualificação de pesquisadores da região”, afirmou.

Mark Clark explicou ainda que o seminário é um espaço estratégico. “Esse encontro é uma prática da Rede, realizado semestralmente, para avaliação das atividades e planejamento do que será desenvolvido no próximo quadriênio. A nossa expectativa é ampliar o conceito na Avaliação Quadrienal da Capes, pois esse modelo de doutorado em rede é único no país e tem impacto relevante na formação docente da região norte”, pontuou.

Representando a reitora Guida Aquino, o diretor de pós-graduação da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg), Lisandro Juno Soares, destacou o compromisso institucional com os programas em rede. “A Ufac tem se esforçado para estruturar tanto seus programas próprios quanto os consorciados. O Educanorte mostra que é possível, mesmo com limitações orçamentárias, fortalecer a pós-graduação, utilizando estratégias como captação de recursos por emendas parlamentares e parcerias com agências de fomento”, disse.

Lisandro também ressaltou os impactos sociais do programa. “Esses doutores e doutoras retornam às suas comunidades, fortalecem redes de ensino e inspiram novas gerações a seguir na pesquisa. É uma formação que também gera impacto social e econômico.”

A coordenadora regional da Rede Educanorte, professora Ney Cristina Monteiro, da Universidade Federal do Pará (UFPA), lembrou o esforço coletivo na criação do programa e reforçou o protagonismo da região norte. “O PGEDA é hoje o maior programa de pós-graduação da UFPA em número de docentes e discentes. Desde 2020, já formamos mais de 100 doutores. É um orgulho fazer parte dessa rede, que nasceu de uma mobilização conjunta das universidades amazônicas e que precisa ser fortalecida com melhores condições de funcionamento”, afirmou.

Participou também da mesa de abertura o vice-reitor da Ufac, Josimar Batista Ferreira.



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