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POLÍTICA

Braga Netto não é o primeiro 4 estrelas preso (mas…

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rprangel2004@gmail.com (Ricardo Rangel)

Walter Souza Braga Netto — general-de-exército, ex-ministro da Defesa, ex-chefe do Estado Maior do Exército, ex-comandante do Comando Militar do Leste, ex-chefe da intervenção no Rio de Janeiro — foi preso. Por interferir na investigação da tentativa de golpe que ele mesmo chefiou.

Não é o primeiro quatro estrelas a ser preso. O primeiro — e único, pelo que se sabe — foi o marechal Hermes da Fonseca. Era ainda mais graduado do que Braga: contava com cinco estrelas, já tinha sido ministro da Guerra (o que incluía o comando do Exército) e até presidente da República.

Hermes foi preso duas vezes: a primeira, em 2 de julho de 1922, por incitar desobediência no Exército, durou menos de 24 horas. A segunda, três dias depois, por chefiar a tentativa de golpe militar que desaguou no episódio conhecido como “os 18 do Forte”, durou seis meses.

O golpismo era uma tradição na família de Hermes: seu tio, o marechal Deodoro da Fonseca, derrubou a monarquia; seu filho, o capitão Euclides Hermes, comandou a revolta no Forte de Copacabana; seu primo, general Clodoaldo da Fonseca, apoiou a insurreição de 1922.

Nos 102 anos que se passaram desde a prisão do marechal, incontáveis generais se envolveram em diversos esforços golpistas, mas nenhum nunca havia sido preso. O primeiro, no mês passado, foi o general de brigada (duas estrelas) Mario Fernandes, criador do plano para sequestrar e/ou matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes. Na última sexta-feira, foi a vez do tetraestrelado Braga Netto.

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Braga não será o último. Devem segui-lo os generais Paulo Sérgio de Oliveira (ex-comandante do Exército), Augusto Heleno e Estevam Theophilo. Além do almirante-de-esquadra Almir Garnier (ex-comandante da Marinha). Todos têm quatro estrelas. Espera-se que fiquem presos muito mais tempo do que os seis meses do marechal.

Haverá na cadeia generais suficientes para formar uma constelação de (pelo menos) 22 estrelas. Sem a contar a penca de oficiais menos graduados, incluindo um certo capitão.

Que a centenária tradição de impunidade para militar golpista seja quebrada é uma lufada de ar fresco. Que isso ocorra sem que se ouçam resmungos ou ameaças vindas de militares é uma notícia excepcional.

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É o primeiro passo para o fim do golpismo na caserna.

(Por Ricardo Rangel em 15/12/2024)



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OPINIÃO

Opinião: A ciranda troca de partidos e a busca por cargos públicos

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Foto de capa [arquivo pessoal]
Os parlamentares que mudam de partido – como macacos puladores de galho – ou se candidatam a outros cargos no Legislativo e no Executivo apenas para preservar privilégios demonstram desrespeito à República e deveriam sentir vergonha de tal conduta. Essa prática evidencia a ausência de compromisso ideológico e a busca incessante por posições de poder, transmitindo à sociedade a imagem de oportunistas movidos por conveniências pessoais. A política deveria ser encarada como missão cívica, exercício de cidadania e serviço transitório à nação. Encerrado o mandato, o retorno às profissões de origem seria saudável para a oxigenação da vida pública.  
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Infelizmente, o sistema político brasileiro está povoado por aqueles que veem na política não um espaço de serviço público, mas um negócio lucrativo. Como já destacou o jornal El País, ser político no Brasil é um grande negócio, dadas as vantagens conferidas e auferidas — e a constante movimentação de troca de partidos confirma essa percepção.  
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A cada eleição, o jogo se repete: alianças improváveis, trocas de legenda na janela partidária e negociações de bastidores que pouco têm a ver com as necessidades reais da população. Em vez de missão cívica, vemos aventureiros transformando a política em palco de interesses pessoais e cabide de empregos. A busca incessante pela reeleição e por cargos demonstra que, para muitos, a política deixou de ser a casa do povo e tornou-se um negócio.  
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Convém lembrar aos que se consideram úteis  e insubstituíveis à política que o cemitério guarda uma legião de ex-políticos esquecidos, cuja ausência jamais fez falta ao país.  
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As próximas eleições são a oportunidade para os eleitores moralizarem o Legislativo, elegendo apenas candidatos novos, sem os vícios da velha política, que tenham conduta ilibada e boa formação cultural. Por outro lado, diga não à reeleição política, aos trocadores de partidos, aos que interromperam o mandato para exercer cargos nos governos, e àqueles que já sofreram condenação na Justiça ou punição no Conselho de Ética do Legislativo. 
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Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC

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POLÍTICA

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