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‘Branca de Neve’: como filme da Disney se tornou polêmico – 16/03/2025 – Cinema e Séries
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1 ano atrásem
Caryn James
BBC Culture
Pouca gente imaginaria que a guerra em Gaza teria impacto em um remake da Disney. Mas a versão live-action do clássico “Branca de Neve e os Sete Anões” acabou não só sendo capturada pelo debate em torno do conflito no Oriente Médio, como também virou mais um ponto em torno do qual as profundas divisões políticas e sociais do mundo de hoje se manifestam.
Tudo isso ainda antes de seu lançamento global, previsto para o próximo dia 21 de março.
A escalação da atriz Rachel Zegler, de ascendência colombiana, como protagonista gerou uma reação negativa inicialmente. Mais recentemente, foram comentários da atriz a favor da Palestina que suscitaram críticas, assim como manifestações pró-Israel feitas pela atriz israelense Gal Gadot, que interpreta a madrasta de Branca de Neve, a Rainha Má.
Também há um debate em andamento sobre se deveria haver anões, com atores de fato ou feitos por CGI (sigla para computer-generated imagery, imagens geradas por computador).
Com uma recepção muitas vezes hostil, o filme inadvertidamente tem refletido a polarização profunda que cada vez mais mexe com a sociedade e a política em países ao redor do mundo.
“Branca de Neve” está em produção desde 2019, ganhando tração em 2021 com a escalação de Zegler.
Desde então, os ataques em torno de seu perfil supostamente “woke” se multiplicaram, tornando o filme um para-raios para opiniões que têm pouco a ver com o conto de fadas em que se baseia.
A ponto de, em um artigo recente, o Hollywood Reporter questionar: “Alguns erros de relações públicas combinados com a indignação ‘anti-woke’ transformaram o marketing do filme em uma maçã envenenada?”
O conselho editorial do jornal New York Post — de propriedade de Rupert Murdoch, o magnata conservador cuja empresa também é dona da Fox News — se manifestou nesta semana, declarando o filme um desastre financeiro antes de sua estreia, emendando: “A controvérsia da Disney sobre ‘Branca de Neve’ prova mais uma vez: aposte no ‘woke’, aposte na falência!”
O DEBATE SOBRE ATUALIZAÇÃO
Qualquer versão da animação original precisaria de uma atualização.
Se, de um lado “Branca de Neve e os Sete Anões” elevou o nível que passaria a se esperar dos filmes da Disney dali para frente, também introduziu músicas como “O Meu Príncipe Vai Chegar”, deturpando as expectativas de gerações de garotas ao sugerir que esperassem por uma espécie de príncipe encantado.
No caso de Branca de Neve, ela varre alegremente o chão para os anões até que seu herói apareça para resgatá-la com um beijo depois que ela morde a maçã envenenada da Rainha.
Logo após o anúncio do elenco, Zegler disse ao programa de televisão Extra que na antiga Branca de Neve “havia um grande foco na história de amor dela com um cara que literalmente a persegue”.
Na verdade, no filme original o príncipe diz que a “procurou por toda parte” para encontrá-la depois de se apaixonar à primeira vista e desaparece por boa parte do enredo, então não se deve levar o comentário muito a sério. A própria Zegler falou dando risada. Mas, em um sinal precoce das reações negativas que estavam por vir, postagens nas redes sociais reclamaram na época que ela seria “anti-amor”.
Alguns também se incomodaram com o fato de Branca de Neve fosse interpretada por uma atriz latina. A jovem chegou a ser alvo de trolls racistas, em uma repercussão semelhante à experimentada pela atriz negra Halle Bailey quando foi escalada como Ariel em “A Pequena Sereia”, de 2023.
O filme atraiu polêmica também quando suas atrizes principais expressaram opiniões políticas. Em agosto de 2024, Zegler agradeceu aos fãs no X pela resposta ao trailer de “Branca de Neve”, acrescentando: “lembrem-se sempre, Palestina livre”.
Gadot expressou seu apoio a Israel nas redes sociais e, especialmente desde os ataques de 7 de outubro pelo Hamas, tem sido vocal nas manifestações em defesa de seu país e contra o antissemitismo. Isso levou, por um momento, usuários das redes sociais pró-palestinos a fazerem apelos para que o filme fosse boicotado.
As repercussões acaloradas se intensificaram após a eleição presidencial dos EUA em 2024. Zegler postou no Instagram que estava “de coração partido” e com medo, e que esperava que “os eleitores de Trump e o próprio Trump nunca conhecessem a paz”.
Em resposta, Megyn Kelly, ex-personalidade da Fox News, atacou Zegler, chamando-a de “porca” e sugerindo que a Disney a substituísse no papel.
A atriz se desculpou com os eleitores de Trump, dizendo “Deixei minhas emoções tomarem conta de mim”.
A QUESTÃO DOS ANÕES
Mesmo quando as pessoas que reagiram ao filme concordaram, como em relação ao fato de que os atores com nanismo merecem mais oportunidades, elas discordaram sobre como esses objetivos deveriam ser atingidos.
Peter Dinklage, talvez o ator mais conhecido do mundo com nanismo, questionou todo o projeto antes que muitos detalhes fossem conhecidos, criticando a animação de 1937 por retratar “sete anões vivendo juntos em uma caverna”.
No dia seguinte, a Disney anunciou que, “para evitar reforçar estereótipos do filme de animação original”, adotaria uma abordagem diferente com os sete personagens.
Eles foram então feitos em CGI e reclassificados como “criaturas mágicas”, não anões. Uma espiada no trailer, contudo, revela que a aparência dessas “criaturas”, que mantiveram os mesmos nomes da versão original, no fim das contas, é exatamente igual à de anões feitas por CGI.
As mudanças causaram reação em algumas pessoas com nanismo, que refutaram Dinklage e acusaram a Disney de privá-los de papéis de atuação.
Na última semana, um deles disse em entrevista ao jornal britânico Daily Mail: “Acho que a Disney está se esforçando demais para ser politicamente correta, mas ao fazer isso está prejudicando nossas carreiras e oportunidades”.
Em meio ao turbilhão de controvérsias, a Disney alterou o tratamento estilo tapete vermelho que um filme importante como esse receberia. Depois de uma estreia na Espanha em 12 de março, a premiére em Los Angeles aconteceu no sábado (15) em um horário incomum, à tarde.
Jornalistas que geralmente fazem a cobertura do tapete vermelho não foram convidados, embora, como grupo, não sejam conhecidos por fazer perguntas desafiadoras.
Tentar evitar mais celeuma política e social não é o único problema da Disney com “Branca de Neve”. Há muita especulação online de que o filme pode ser simplesmente ruim.
O primeiro trailer completo foi recebido com uma onda de reclamações sobre o CGI decepcionante. “A coisa mais feia já colocada na tela”, para o jornal britânico The Guardian.
O filme tem novas músicas de Benj Pasek e Justin Paul, a equipe por trás de “La La Land”. A que foi lançada como uma espécie de clipe, “Waiting On a Wish”, tem um estilo Disney genérico e sem graça.
Há expectativa de que a bilheteria do fim de semana de estreia chegue a US$ 50 milhões (cerca de R$ 287 milhões), um resultado sólido, mas aquém do sucesso que um filme que supostamente custou mais de US$ 200 milhões poderia gerar.
Claro, dado o rolo compressor da Disney —o recente “Moana 2” arrecadou mais de US$ 1 bilhão e “Mufasa: O Rei Leão”, que teve um começo lento, mais arrecadou mais de US$ 712 milhões —, o desastre que levou à estreia de “Branca de Neve” pode não prejudicá-lo em nada nas bilheterias.
Ou o filme pode se tornar vítima de seu momento, uma princesa de conto de fadas coberta de lama.
Este texto foi publicado originalmente aqui.
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7 de abril de 2026A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.
Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.
O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.
O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.”
Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)
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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre
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7 de abril de 2026Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.
Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.
“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.
Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”
Mostra em 4 atos
A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).
O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.
No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.
No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.
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