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Chineses e americanos dividiram atenção na corrida à Lua – 25/12/2024 – Ciência

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Salvador Nogueira

O ano de 2024 marcou o início da era de exploração comercial da Lua, por parte dos Estados Unidos, e pela primeira vez uma espaçonave trouxe de volta amostras do hemisfério oculto do satélite natural, cortesia da missão chinesa Chang’e 6.

Ambos os casos exemplificam como a disputa para o retorno à Lua após décadas de abandono dominou o ano que passou e dividiu as atenções entre as duas maiores potências espaciais do século 21: Estados Unidos e China.

Os americanos, com uma nova estratégia para fomentar a exploração lunar, engajando a iniciativa privada para a criação de módulos de pouso robóticos de baixo custo, tendo a Nasa (agência espacial americana) como apenas uma das clientes.

Os chineses, por sua vez, focados em seu programa lunar estatal, que já serve como precursor para futuras missões tripuladas à Lua, que a CNSA (agência espacial chinesa) pretende conduzir até 2030.

É essencialmente uma disputa entre o novo e o velho modelo. E, como se esperaria de uma competição nesses moldes, o esquema antigo produz resultados mais seguros e chamativos, enquanto o novo enfrenta percalços, mas oferece a perspectiva de um futuro promissor.

Duas missões lunares americanas foram lançadas à Lua: a Peregrine, da empresa Astrobotic, partiu em janeiro, mas teve um vazamento de combustível que impediu sequer uma tentativa de alunissagem; já a Odysseus, espaçonave da companhia Intuitive Machines, foi lançada em 15 de fevereiro e uma semana depois se tornou a primeira missão privada a realizar um pouso suave lunar. Apesar de ter tombado na descida, suas cargas úteis operaram normalmente em uma região próxima ao polo sul da Lua.

Já os chineses lançaram sua Chang’e 6 em maio, e a sonda operou perfeitamente para trazer amostras da região da bacia do Polo Sul-Aitken, no lado afastado da Lua –cerca de 2 kg, trazidos de volta à terra em 25 de junho. As rochas já estão sendo analisadas e começam a revelar os segredos do hemisfério oculto lunar, que se mostra bem diferente do lado próximo, que podemos ver daqui da Terra.

O ano também foi marcado pelo primeiro pouso suave de uma sonda robótica japonesa na Lua, em 19 de janeiro. A Slim demonstrou uma técnica nova de descida de alta precisão e sobreviveu até mesmo ao frio (-120°C) de três noites lunares, um bônus inesperado. Com a missão, o Japão se tornou o quinto país a pousar um artefato na Lua, depois de EUA, Rússia, China e Índia.

NOVOS FOGUETES

A última temporada também foi prolífica no teste de novos lançadores. A empresa United Launch Alliance, americana, demonstrou com sucesso o seu foguete Vulcan, em 8 de janeiro, com o qual o governo americano espera ter redundância para lançamentos militares caso haja algum problema com os lançadores da SpaceX, hoje a principal fornecedora.

Os europeus também voltaram ao jogo dos lançamentos com o primeiro voo de seu novo veículo de grande porte, o Ariane 6. Desenvolvido pela empresa francesa Arianespace, ele atingiu a órbita em 9 de julho, mas apresentou um problema com o segundo estágio, que ainda precisa ser totalmente demonstrado.

O foguete que roubou todas as atenções, contudo, foi o Starship, graças ao programa agressivo de testes da SpaceX. O mais poderoso lançador já construído voou nada menos que quatro vezes em 2024, depois de ter feito dois voos em 2023.

As quatro missões deste ano demonstraram o desempenho confiável do primeiro e do segundo estágios na ascensão e em um deles, em 13 de outubro, até mesmo a demonstração da recuperação do primeiro estágio para futuro reuso, com pouso na própria plataforma de lançamento –algo nunca feito antes.

A Nasa conta com o Starship para realizar o primeiro pouso lunar tripulado do século 21, na missão Artemis 3, marcada para 2027.

Já os chineses estão desenvolvendo seu próprio foguete lunar, o Longa Marcha 10. Ele só deve fazer seu primeiro voo em 2027, mas neste ano, em 30 de novembro, os chineses realizaram o primeiro voo do Longa Marcha 12, um lançador menor, mas que usa os mesmos motores que o 10 usará em seu primeiro estágio.

A China também ambiciona estimular empresas startups espaciais, e um marco importante foi atingido por lá em 2024: o foguete de médio porte Gravity-1, da companhia Orienspace, teve sucesso e atingiu a órbita em seu primeiro voo, em janeiro. O veículo foi especialmente desenhado para baixo custo e voo frequente, capaz de atender à demanda de grandes constelações de satélites.

Na esteira do sucesso da SpaceX, a Boeing se tornou a segunda empresa do mundo a lançar astronautas à órbita da Terra. Mas a glória se transformou em constrangimento quando, após um lançamento marcado por problemas antes, durante e depois, a Nasa decidiu não arriscar o retorno dos astronautas na cápsula Starliner, que voltou vazia. Ao menos a reentrada foi conforme o esperado.

A grande dúvida que o projeto deixa para o ano que vem é se ele vai continuar, embora a agência americana conte com ele. Por ora, só a SpaceX segue com capacidade de transporte de astronautas, e caberá a ela trazer Butch Wilmore e Suni Williams, os tripulantes da Starliner, em fevereiro próximo.

PARA ALÉM DA LUA

O ano de 2024 também trouxe marcos importantes para missões interplanetárias. A maior delas é a Europa Clipper, prioridade da Nasa para a exploração robótica do Sistema Solar. Em outubro, ela foi lançada por um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, a caminho de Júpiter, onde vai investigar a habitabilidade de Europa, uma das luas daquele planeta, que tem um oceano de água líquida sob sua superfície congelada. A jornada, contudo, é muito longa, e a chegada é prevista somente para 2030.

Também partiu em outubro uma missão da ESA (Agência Espacial Europeia), a Hera. Propelida por um foguete Falcon 9, da SpaceX, ela visitará o asteroide duplo Dídimo, para investigar os efeitos da missão de redirecionamento de asteroide conduzida pela Nasa em 2022, a Dart. Sua chegada ao destino deve acontecer em dezembro de 2026.



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Rede de trabalho franco-brasileira atua em propriedades amazônicas — Universidade Federal do Acre

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Rede de trabalho franco-brasileira atua em propriedades amazônicas — Universidade Federal do Acre

A Ufac integra uma rede de trabalho técnico-científico formada por pesquisadores do Brasil e da França, desenvolvendo trabalhos nas áreas de pecuária sustentável e produção integrada. Também compõem a rede profissionais das Universidades Federais do Paraná e de Viçosa, além do Instituto Agrícola de Dijon (França).

A rede foi construída a partir do projeto “Agropecuária Tropical e Subtropical e Desenvolvimento Regional: Cooperação entre Brasil e França”, aprovado em chamada nacional da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e do Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil. Esse programa iniciou na década de 1970 e, pela primeira vez, uma instituição do Acre teve um projeto aprovado.

Atualmente, alunas do doutorado em Agronomia da Ufac, Natalia Torres e Niqueli Sales, realizam parte do curso no Instituto Agrícola de Dijon, na modalidade doutorado sanduíche. Elas fazem estudos sobre sistemas que integram produção de bovinos, agricultura e a ecofisiologia de espécies forrageiras arbustivas/arbóreas.

Além disso, a equipe do projeto realiza entrevistas com criadores de gado (leite e corte), a fim de produzir informações para proposição de melhorias e multiplicação das experiências de sucesso. Há, ainda, um projeto em parceria com a equipe da Cooperativa Reca para fortalecer a pecuária integrada e sustentável. 

Outra ação da rede é a proposta do sistema silvipastoril de alta densidade de plantas, com objetivo de auxiliar agricultores que possuem embargos ambientais na atividade de recomposição de reservas.  No momento, a equipe discute um consórcio de plantas que atende à legislação ambiental. Da Ufac, fazem parte da rede os professores Almecina Balbino Ferreira, Vanderley Borges dos Santos, Eduardo Mitke Brandão Reis e Eduardo Pacca Luna Mattar, que trabalham nos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária e Engenharia Florestal.

 



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Professora publica livro sobre sítios naturais sagrados do povo Nukini — Universidade Federal do Acre

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Professora publica livro sobre sítios naturais sagrados do povo Nukini — Universidade Federal do Acre

A professora Renata Duarte de O. Freitas, do curso de Direito do campus Floresta da Ufac, lança o livro “Aldeia Isã Vakevu, do Povo Originário Nukini: Um Sítio Natural Sagrado no Coração do Juruá” (Lumen Juris, 240 p.). O evento ocorre neste sábado, 7, às 19h, no teatro dos Nauas, em Cruzeiro do Sul. Resultado de investigação científica, a obra integra a cosmologia indígena aos marcos regulatórios da justiça ambiental.

A pesquisa é fundamentada na trajetória de resistência do povo Nukini. O livro presta homenagem à memória de Arlete Muniz (Ynesto Kumã), matriarca, parteira e liderança espiritual que preservou os conhecimentos milenares do Povo da Onça frente aos processos de aculturação e violência histórica.

O texto destaca a continuidade desse patrimônio imaterial, transmitido de geração para geração ao seu neto, o líder espiritual Txane Pistyani Nukini (Leonardo Muniz). Atualmente, esse legado sustenta a governança espiritual no Kupixawa Huhu Inesto, onde a aplicação das medicinas da floresta e a proteção territorial dialogam com a escrita acadêmica para materializar a visão de mundo Nukini perante a sociedade global.

Renata Duarte de O. Freitas introduz no cenário jurídico eixos teóricos que propõem um novo paradigma para a conservação ambiental: sítios naturais sagrados, que são locais de identidade cultural e espiritual; direito achado na aldeia, cuja proposta é que o ordenamento jurídico reconheça que a lei também emana da sacralidade desses locais; e direitos bioculturais, que demonstram que a biodiversidade da Serra do Divisor é preservada porque está ligada ao respeito pelos sítios naturais sagrados.

Ao analisar a sobreposição de uma parte do território Nukini com o Parque Nacional da Serra do Divisor, a obra oferece uma solução científica: o reconhecimento de que áreas protegidas pelo Estado devem ser geridas em conjunto com os povos originários, respeitando seus territórios sagrados.

 



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Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre

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Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre

A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, na Reitoria, campus-sede, a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, no âmbito da caravana Aqui Tem MEC, iniciativa do Ministério da Educação voltada ao acompanhamento de ações e investimentos nas instituições federais de ensino.

Durante a agenda, o ministro destacou que a caravana tem percorrido instituições federais em diferentes Estados para conhecer a realidade de cada campus, dialogar com gestores e a comunidade acadêmica, além de acompanhar as demandas da educação pública federal.

Ao tratar dos investimentos relacionados à Ufac, a reitora Guida Aquino destacou a obra do campus Fronteira, em Brasileia, que conta com R$ 40 milhões em recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A estrutura terá seis cursos, com salas de aula, laboratórios, restaurante universitário e biblioteca.

Abordando a visita, Guida ressaltou a importância da universidade para o Estado e a missão da educação pública. “A Ufac é a única universidade pública federal de ensino superior do Acre e, por isso, tem papel estratégico na formação e no desenvolvimento regional. A educação é que transforma vidas, transforma o país.”

Outro tema tratado durante a agenda foi a implantação do Hospital Universitário no Acre. Camilo Santana afirmou que o Estado é o único que ainda não conta com essa estrutura e informou que o governo federal dispõe de R$ 50 milhões, por meio do Novo PAC, para viabilizar adequações e a implantação da unidade.

Ele explicou que a prioridade continua sendo a concretização de uma parceria para doação de um hospital, mas afirmou que, se isso não ocorrer, o MEC buscará outra alternativa para garantir a instalação do serviço no Estado. “O importante é que nenhum Estado desse país deixe de ter um hospital universitário”, enfatizou.

Guida reforçou a importância do projeto e disse que o Hospital Universitário já poderia ser celebrado no Acre. Ao defender a iniciativa, contou que a unidade contribuiria para qualificar o atendimento, reduzir filas de tratamento fora de domicílio e atender melhor pacientes do interior, inclusive em casos ligados às doenças tropicais da Amazônia. Em tom crítico, declarou: “O cavalo selado, ele só passa uma vez”, ao se referir à oportunidade de implantação do hospital.

Após coletiva de imprensa, o ministro participou de reunião fechada com pró-reitores, gestores, políticos e parlamentares da bancada federal acreana, entre eles o senador Sérgio Petecão (PSD) e as deputadas Meire Serafim (União) e Socorro Neri (PP).

A comitiva do MEC foi formada pela secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt; pelo secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli; pelo secretário de Educação Superior, Marcus Vinicius David; e pelo presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Arthur Chioro.

Laboratório de Paleontologia

Depois de participar de reunião, Camilo Santana visitou o Laboratório de Paleontologia da Ufac. O professor Edson Guilherme, coordenador do espaço, apresentou o acervo científico ao ministro e destacou a importância da estrutura para o avanço das pesquisas no Acre. O laboratório foi reformulado, ampliado e recentemente reinaugurado.

Aberto para visitação de segunda a sexta-feira, em horário de expediente, exceto feriados, o local reúne fósseis originais e réplicas de animais que viveram no período do Mioceno, quando o oeste amazônico era dominado por grandes sistemas de rios e lagos. A entrada é gratuita e a visitação é aberta a estudantes e à comunidade em geral.

 



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