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Como a Guerra da Ucrânia pode chegar ao fim em 2025 – 13/01/2025 – Mundo

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Jonathan Beale

“Devo dizer que a situação está mudando drasticamente”, declarou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em sua entrevista coletiva de fim de ano em dezembro de 2024. “Há movimento em toda a linha de frente. Todos os dias.”

No leste da Ucrânia, a máquina de guerra de Moscou está se movimentando gradualmente, quilômetro a quilômetro, pelos amplos campos abertos de Donbass, envolvendo e dominando vilarejos e cidades.

Alguns civis estão fugindo antes que a guerra os alcance. Outros esperam até que os projéteis comecem a explodir ao seu redor antes de empacotar os pertences que podem carregar e embarcar em trens e ônibus para um local seguro mais a oeste.

A Rússia está ganhando terreno mais rapidamente do que em qualquer outro momento desde que lançou sua invasão em grande escala em fevereiro de 2022, apesar do impressionante histórico de ataques assimétricos bem divulgados de Kiev contra seu poderoso vizinho.

À medida que a invasão chega ao final de seu terceiro ano, com um custo estimado de um milhão de pessoas mortas ou feridas, a Ucrânia parece estar perdendo.

Enquanto isso, na distante Washington, o imprevisível Donald Trump, que não é famoso por seu amor pela Ucrânia ou por seu líder, está prestes a assumir o comando da Casa Branca.

Parece um ponto de inflexão. Mas será que 2025 pode realmente ser o ano em que esse devastador conflito europeu finalmente chegará ao fim e, se for o caso, como será o desfecho?

‘Falar de negociações é uma ilusão’

A promessa de Trump de encerrar o conflito dentro de 24 horas após assumir o cargo é uma ostentação tipicamente grandiosa, mas vem de um homem que claramente perdeu a paciência com a guerra e com o envolvimento dispendioso dos Estados Unidos.

“O número de jovens soldados mortos nos campos de todo o lugar é impressionante”, disse ele. “É uma loucura o que está acontecendo.”

Mas o novo governo dos EUA enfrenta desafios duplos, de acordo com Michael Kofman, membro sênior do Carnegie Endowment for International Peace. “Primeiro, eles herdarão uma guerra em uma trajetória muito negativa, sem um tempo enorme para estabilizar a situação”, disse ele em dezembro do ano passado. “Em segundo lugar, eles vão herdá-la sem uma teoria clara de sucesso.”

O presidente eleito deu algumas pistas em entrevistas recentes sobre como pretende abordar a guerra. Ele disse à revista Time que discordava veementemente da decisão do governo Biden, em novembro, de permitir que a Ucrânia disparasse mísseis de longo alcance fornecidos pelos EUA contra alvos dentro da Rússia. “Estamos apenas aumentando essa guerra e piorando-a”, disse.

Em 8 de dezembro, ele foi questionado pela NBC News se a Ucrânia deveria se preparar para receber menos ajuda. “Possivelmente”, respondeu ele. “Provavelmente, com certeza.”

Mas para aqueles que temem, como muitos temem, que o novo líder dos EUA esteja inclinado a se afastar da Ucrânia, ele ofereceu dicas de tranquilidade. “Na minha opinião, não é possível chegar a um acordo se você abandonar”, disse ele.

A verdade é que: As intenções de Trump estão longe de ser claras. E, por enquanto, as autoridades ucranianas rejeitam qualquer conversa sobre pressão, ou a sugestão de que a chegada de Trump significa necessariamente que as negociações de paz são iminentes.

“Fala-se muito em negociações, mas isso é uma ilusão”, diz Mikhailo Podoliak, assessor do chefe do gabinete do presidente Volodimir Zelenski. “Nenhum processo de negociação pode ocorrer porque a Rússia não foi obrigada a pagar um preço alto o suficiente por essa guerra.”

O ‘exercício de estratégia inteligente’ de Zelenski

Apesar de todas as dúvidas de Kiev sobre negociar enquanto as forças russas continuam seu avanço inexorável no leste, está claro que o presidente Zelenski está ansioso para se posicionar como o tipo de homem com quem Trump pode fazer negócios.

O líder ucraniano não demorou a parabenizar Trump por sua vitória eleitoral e não perdeu tempo em enviar altos funcionários para se reunir com a equipe do presidente eleito. Com a ajuda do presidente da França, Emmanuel Macron, Zelenski também conseguiu um encontro com Trump quando os dois visitaram Paris para a reabertura da catedral de Notre-Dame.

“O que estamos vendo agora é um exercício de estratégia muito inteligente do presidente Zelenski”, disse seu ex-ministro das Relações Exteriores, Dmitro Kuleba, ao Conselho de Relações Exteriores dos EUA em dezembro. O ucraniano, segundo ele, estava “sinalizando construtividade e prontidão para se envolver com o presidente Trump”.

Com poucos sinais óbvios de que o Kremlin esteja fazendo gestos semelhantes, o governo de Kiev está claramente tentando sair na frente. “Como Trump ainda não explicou completamente como vai fazer isso, os ucranianos estão tentando dar a ele algumas ideias que ele pode apresentar como suas”, diz Orisia Lutsevich, chefe do Fórum da Ucrânia na Chatham House. “Eles sabem como trabalhar com esse ego”.

O Plano de Vitória: possíveis jogos finais

Mesmo antes da eleição nos EUA, havia sinais de que Zelenski estava procurando maneiras de reforçar o apelo da Ucrânia como um futuro parceiro para um presidente eleito como Trump, que é instintivamente transacional e relutante em continuar a garantir uma segurança europeia mais ampla.

Como parte de seu “Plano de Vitória”, revelado em outubro do ano passado, Zelenski sugeriu que as tropas ucranianas, com experiência em batalha, poderiam substituir as forças dos EUA na Europa após o fim da guerra com a Rússia. Além disso, ele ofereceu a perspectiva de investimentos conjuntos para explorar os recursos naturais da Ucrânia, incluindo urânio, grafite e lítio. Esses recursos estratégicos, alertou Zelenski, “fortalecerão a Rússia ou a Ucrânia e o mundo democrático”.

Mas outros elementos do Plano de Vitória do líder ucraniano —a adesão à Otan e seu apelo por um “pacote abrangente de dissuasão estratégica não nuclear”— parecem ter recebido uma resposta morna entre os aliados de Kiev.

A filiação à Otan, em particular, continua sendo um ponto de atrito, como tem sido desde muito antes da invasão em grande escala da Rússia. Para Kiev, essa é a única maneira de garantir a sobrevivência futura do país, contra um inimigo russo voraz que pretende subjugar a Ucrânia.

Mas, apesar de ter declarado em julho passado que a Ucrânia estava em um “caminho irreversível para a plena integração euro-atlântica, incluindo a adesão à Otan”, a aliança está dividida, com os EUA e a Alemanha ainda não favoráveis à emissão de um convite.

O presidente Zelenski indicou que, se uma oferta de associação fosse estendida a todo o país, dentro das fronteiras internacionalmente reconhecidas da Ucrânia, ele estaria disposto a aceitar que ela se aplicasse, inicialmente, apenas ao território sob o controle de Kiev.

Isso, disse ele à Sky News em novembro passado, poderia encerrar a “fase quente” da guerra, permitindo que um processo diplomático abordasse a questão das fronteiras finais da Ucrânia. Mas, segundo ele, essa oferta ainda não foi feita.

A posição instável de Kiev

Se não for a Otan, então o que será? Com a possibilidade de conversações de paz lideradas por Trump se aproximando e a Ucrânia perdendo terreno no campo de batalha, o debate internacional se concentra em reforçar a posição instável de Kiev. “É fundamental ter garantias fortes, legais e práticas”, disse Andri Iermak, chefe do gabinete do presidente Zelenski, à emissora pública da Ucrânia em 12 de dezembro.

O passado recente da Ucrânia, segundo ele, deixou um legado amargo. “Infelizmente, com base em nossa experiência, todas as garantias que tínhamos antes não resultaram em segurança.”

Sem mecanismos concretos semelhantes ao tipo de conceito de defesa coletiva incorporado pelo artigo 5º do tratado de fundação da Otan, os observadores temem que não haja nada que impeça outro ataque russo.

“Zelenski entende que não pode simplesmente fazer um cessar-fogo puro e simples”, diz Orisia Lutsevich. “Tem que ser um cessar-fogo mais. Seria suicídio para Zelenski simplesmente aceitar um cessar-fogo e não ter nenhuma resposta sobre como proteger a Ucrânia.”

Nos fóruns de políticas europeias, os especialistas têm procurado maneiras pelas quais a Europa pode ajudar a assumir essa pesada responsabilidade.

As ideias incluem o envio de forças de paz para a Ucrânia (uma proposta apresentada pela primeira vez em fevereiro passado por Macron) ou o envolvimento da Força Expedicionária Conjunta liderada pelos britânicos, que reúne forças de oito países nórdicos e bálticos, além da Holanda.

Mas Kofman é cético. “Garantias de segurança que não têm os Estados Unidos envolvidos como um dos garantidores são como uma rosquinha com uma metade gigante faltando.”

Essa é uma opinião que ecoa em Kiev. “Que alternativa poderia haver? Não há alternativas hoje”, diz Podoliak.

Pedaços de papel, como o Memorando de Budapeste de 1994 (sobre as fronteiras pós-soviéticas da Ucrânia) ou os acordos de Minsk de 2014-15 (que buscaram acabar com a Guerra do Donbass) são inúteis, argumenta ele, sem a ameaça adicional de dissuasão militar. “A Rússia precisa entender que, assim que iniciar uma agressão, receberá um número significativo de ataques em resposta”, diz ele.

Grã-Bretanha, Biden e o papel do Ocidente

Na ausência de um acordo sobre o futuro de longo prazo da Ucrânia, seus aliados estão fazendo o que podem para reforçar suas defesas.

Em dezembro, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse que tudo estava sendo analisado, inclusive o fornecimento de sistemas adicionais de defesa aérea, em parte para proteger a infraestrutura de energia danificada do país de uma nova onda de ataques coordenados de mísseis e drones russos.

Como a Ucrânia continua enfrentando uma grave escassez de mão de obra, o secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, disse que o governo poderia estar disposto a enviar tropas britânicas à Ucrânia para ajudar no treinamento.

Por sua vez, o governo Biden parece determinado a entregar à Ucrânia o máximo de assistência militar aprovada pelo Congresso antes de deixar o cargo, embora os relatórios sugiram que talvez não haja tempo para enviar tudo.

Em 21 de dezembro, foi noticiado que Trump continuaria a fornecer ajuda militar à Ucrânia, mas exigiria que os membros da Otan aumentassem drasticamente seus gastos com defesa.

Os aliados de Kiev também continuaram a aumentar as sanções contra Moscou, na esperança de que a economia russa dos tempos de guerra, que se mostrou obstinadamente resistente, possa finalmente quebrar.

“Houve uma profunda frustração pelo fato de as sanções não terem simplesmente destruído a economia russa de forma irreparável”, disse uma fonte do Congresso dos EUA, sob condição de anonimato.

Depois de várias rodadas de sanções (15 somente da União Europeia), os funcionários do governo ficaram cautelosos quanto à previsão de seu impacto bem-sucedido. Mas os indicadores recentes são cada vez mais alarmantes para o Kremlin.

Com taxas de juros de 23%, inflação acima de 9%, queda do rublo e expectativa de desaceleração drástica do crescimento em 2025, as pressões sobre a economia russa raramente pareceram mais agudas.

Putin está se mostrando corajoso. “As sanções estão tendo um efeito”, disse ele durante sua entrevista coletiva de fim de ano, “mas não são de importância fundamental”.

Juntamente com as perdas surpreendentes da Rússia no campo de batalha —autoridades ocidentais estimam que Moscou está perdendo uma média de 1.500 homens, mortos e feridos, todos os dias— o custo dessa guerra ainda pode levar Putin à mesa de negociações.

Mas quanto mais território a Ucrânia terá perdido —e quantas pessoas mais terão sido mortas— quando esse ponto for atingido?

Esta reportagem foi originalmente publicada aqui.



Leia Mais: Folha

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Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre

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Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio-interna.jpg

A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.

A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.

O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.

Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.

A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.

A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.

O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.



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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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