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Coppola arriscou império de vinhos para ter ‘Megalópolis’ – 02/11/2024 – Turismo

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Rodrigo Salem

“Ao saltarmos no desconhecido, provamos que somos livres” é uma das frases mais marcantes de “Megalópolis”, primeiro filme de Francis Ford Coppola em 13 anos. Ela também reflete a ambição do seu diretor, que perseguiu o projeto por décadas e, com o desinteresse dos grandes estúdios, tomou a decisão de investir mais de US$ 100 milhões do próprio bolso, colocando em risco o futuro de uma das suas grandes paixões (e rendimentos): seu império de vinhos.

Para bancar a superprodução com Adam Driver que estreou no Brasil nesta quinta-feira (31), ele buscou recursos na vinícola que leva seu nome. Localizada na linda região de Geyserville, à beira do vale de Alexander, uma das sub-regiões de vinhos mais famosas do condado de Sonoma, no norte da Califórnia, a Francis Ford Coppola Winery foi comprada pelo cineasta em 2005 e renovada três anos depois em um investimento que muitos consideraram uma insanidade.

“Durante a crise financeira de 2008, peguei US$ 20 milhões emprestados para construir uma vinícola com piscinas e jogos como os Jardins de Tivoli, na Dinamarca, onde as crianças pudessem fazer algo enquanto seus pais passavam o dia tomando vinho”, disse Coppola no último Festival de Cannes, onde “Megalópolis” teve sua estreia mundial. “Esse risco econômico deu origem a uma vinícola que todo mundo hoje em dia tenta imitar.”

A ousadia se pagou. O lugar se transformou em um ponto turístico com a renovação comandada por Dean Tavoularis, diretor de arte de “O Poderoso Chefão”: um parque de diversões com piscinas, restaurantes, degustações de vinho e várias relíquias dos filmes do seu dono, como estatuetas do Oscar, a armadura usada por Gary Oldman em “Drácula” (1992), o veículo de “Tucker – Um Homem e Seu Sonho” (1988) e até a famosa mesa de Vito Corleone.

Com garrafas a preços acessíveis e levando nomes como Sofia, um espumante em homenagem à diretora e filha de Coppola, a vinícola virou referência comercial.

Em 2021, ele vendeu a Francis Ford Coppola Winery junto da menos conhecida Virginia Dare Winery e o vinhedo Archimedes ao grupo Delicato Family Wines por cerca de US$ 650 milhões em dinheiro e ações —o cineasta ainda ganhou um lugar no conselho da empresa, agora uma das maiores produtoras e exportadoras de vinhos dos EUA.

“Ao longo da minha vida, Coppola se tornou um nome conhecido em toda a América”, exaltou o diretor-vinicultor, em uma declaração oficial. “O que começou como um sonho de comprar uma casa de campo se transformou em um negócio com a produção de mais de um milhão de vinhos emblemáticos e premiados.”

A venda foi inesperada, mas logo explicada quando Coppola obteve uma linha de crédito inicial de US$ 200 milhões com o objetivo de finalmente realizar o sonho de filmar “Megalópolis”, um projeto que começou a rascunhar em 1977. “Fui ao banco e disse ‘quanto posso pegar emprestado?’”, resumiu o diretor ao The Wall Street Journal. Em troca, ele ofereceu parte das suas ações na empresa como garantia.

Mesmo com o risco de perder parte do seu império de vinhos, Coppola não economizou nos gastos da produção. Separou US$ 4 milhões para comprar um albergue de luxo para abrigar sua equipe e elenco durante as filmagens no estado da Georgia.

Após o término dos trabalhos no longa, o lugar virou um hotel onde os hóspedes têm acesso a salas de edição, dois cinemas e uma área isolada para atrair outros cineastas em busca de sossego na finalização dos seus projetos. Por causa disso, ele ganhou incentivos fiscais, mas o orçamento final do longa teria ultrapassado os US$ 120 milhões com os custos de distribuição e divulgação.

Como “Megalópolis” só rendeu US$ 12 milhões após um mês em cartaz nos EUA e outros países, o prejuízo é certo. Resta saber, apenas, o tamanho dos danos. Coppola, porém, não está preocupado. “Não tenho problema com riscos financeiros. Além disso, meus filhos têm carreiras maravilhosas sem fortunas. Eles não precisam disso”, afirmou Coppola. “Dinheiro não importa.”

O desprendimento material não chega a ser uma surpresa. Em 1981, Coppola estava no topo do mundo após entregar quatro sucessos de crítica e público em sequência: “O Poderoso Chefão” (1972), “A Conversação” (1974), “O Poderoso Chefão 2” (1974) e “Apocalypse Now” (1979).

No longa seguinte, ele recusou a oferta milionária da MGM para dirigir “O Fundo do Coração” e comprou os direitos para filmá-lo de forma independente com sua produtora, a Zoetrope Studios. O fracasso da obra nas bilheterias fez Coppola mergulhar em dívidas, pedir falência três vezes ao longo da década seguinte e aceitar dirigir projetos apenas pelo salário, inclusive a malfadada terceira parte do épico da família Corleone.

Além disso, a Francis Ford Coppola Winery é apenas uma parcela dos investimentos do cineasta na vinicultura. Sua joia da coroa, a vinícola Inglenook, não estava no acordo de venda e continua nas mãos da família Coppola. Situada em Rutherford, no coração do Vale do Napa, a região vinícola mais prestigiada (e cara) dos Estados Unidos, ela foi comprada em 1975 pelo diretor e sua mulher, Eleanor Coppola, que morreu em maio passado, após o cineasta receber seus lucros pelo sucesso dos dois primeiros “O Poderoso Chefão”.

A Inglenook foi fundada em 1879 por um comerciante finlandês e adquiriu fama na ascensão dos vinhos de Napa na primeira metade do século 20. Nas décadas seguintes, foi vendida para um grupo que mirou mais na quantidade e menos a qualidade. Entrou em decadência.

Foi quando Coppola comprou a linda propriedade de 1.700 hectares, com sua mansão imponente, vinhedos históricos e espelhos d’água para produzir vinhos sob o nome de Niebaum-Coppola, pois a marca Inglenook não fez parte do contrato de compra, só adquirida pelo cineasta em 2011 por um preço superior ao que ele pagou pela vinícola inteira, anos atrás.

Não há planos para o cineasta se desfazer do local. Há o valor sentimental e prático, já que Francis Ford Coppola vive a maior parte do tempo na mansão ao sopé da montanha Bald que abriga seu arquivo pessoal de filmes e perto da casa erguida para o resto da família.

Na sede da vinícola, há uma exposição permanente de lanternas mágicas, projetores e lembranças dos filmes do cineasta. A ideia de Coppola também é de se dedicar aos vinhos de prestígio, já que uma garrafa da safra mais recente do histórico Rubicon, um blend de cabernet sauvignon, cabernet franc e Merlot que é o carro-chefe da Inglenook desde 1978, custa cerca de US$ 260.

Recentemente, a Inglenook passou por renovações na sua cava que abriga os tanques de fermentação e na sala de degustação, chamada de The Athenaeum, redesenhada por Dean Tavoularis para simular um clube de jazz da década de 1920. A vinícola é aberta para visitantes das degustações de vinhos, que variam entre US$ 75 e US$ 150, mas as reservas precisam ser feitas com antecedência. Talvez um ingresso mais satisfatório que o de “Megalópolis”.



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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

 Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.

Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.

“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.

Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”

Mostra em 4 atos

A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).

O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.

No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.

No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.

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I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."

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I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."

09 e 10 de ABRIL
Local: Teatro Universitário da UFAC
11 de ABRIL
Local: Anfiteatro Garibaldi Brasil UFAC

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