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Darwin se encanta por ex-escravizado em livro premiado – 20/01/2025 – Ilustrada

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Walter Porto

“O verdadeiro lugar do nascimento é aquele onde uma pessoa se descobre a si mesma”, diz Charles Darwin no romance “Siríaco e Mister Charles”. Se levarmos em conta o argumento do livro, o pai do evolucionismo bem que podia ser cabo-verdiano.

A obra venceu o Oceanos, prêmio mais prestigiado da literatura em língua portuguesa, contando uma improvável história que cruza os mares. O mister Charles do título é Darwin, retratado naquelas páginas como um garotão de seus 20 e poucos anos empolgado em descobrir o mundo.

“Por todas as experiências que tivera em Edimburgo e Cambridge, explicou Charles, o prazer e os conhecimentos adquiridos não chegaram perto do impacto da sua redescoberta como pessoa, ali na ilha de Santiago de Cabo Verde.”

“Quando você procura por Darwin, não encontra Charles”, diz o autor Joaquim Arena, que tem agora sua obra publicada no Brasil. “É como se ele não existisse antes de ser um naturalista famoso.”

O outro personagem-título, Siríaco, é um ex-escravizado que viajou ao Brasil com a Família Real portuguesa, fugindo das tropas de Napoleão, e terminou a vida no Cabo Verde natal de Arena.

A primeira coisa que se vê em sua figura é a pele negra marcada por vitiligo, que escondia por baixo uma personalidade sensível e o transformou em atração de espetáculos aberrantes de “freak show” no século 19, onde era “exibido como cão”, nas palavras do autor.

Os dois homens existiram e foram alvos de uma pesquisa minuciosa empreendida pelo escritor em arquivos de Portugal —onde Arena ficou vidrado numa pintura do menino Siríaco na Corte— e do Reino Unido —que guardava uma pouco explorada passagem de três semanas de Darwin pelas ilhas de Cabo Verde, a oeste da África, antes de avançar sua empreitada pela América do Sul.

“É mais um caso da história para que ninguém liga. Quando você lê estudos sobre a viagem de Darwin, que mudou toda a nossa maneira de pensar, Cabo Verde não faz parte dessas páginas. E é um absurdo, porque Darwin acorda ali para a geologia, os animais marinhos, e quando chega ao Brasil já leva na cabeça alguma coisa tropical.”

Se os personagens são bem reais, os laços de amizade que desenvolvem no livro são ficcionais. O que não quer dizer que sejam implausíveis, segundo Arena.

Algo perceptível em suas investigações de arquivo é que Darwin “se encanta pela natureza e pela espontaneidade das pessoas”. “Então ganho razão para pensar que se interessaria pelo lado humano de Siríaco, não pela raridade de sua pele de ‘homem-tigre’.”

O cientista britânico vinha de uma longa linhagem de intelectuais humanistas, defensores de causas progressistas para sua época —seu avô, o médico Erasmus Darwin, foi um abolicionista célebre do século 18.

O neto herdou os genes progressistas e, numa passagem do romance inspirada por acontecimentos reais, entra em conflito com o capitão de um navio negreiro ao se enojar com a maneira torturante como castigava um homem traficado como escravo.

Arena se lembra de ter encontrado, nos arquivos sobre Darwin, um episódio sobre sua amizade com um cientista negro que o ensinou técnicas de embalsamamento de animais durante seus estudos em Edimburgo. O futuro autor de “A Origem das Espécies” tinha cerca de 15 anos.

São cenas como essa que embasam a ficção de “Siríaco e Mr. Charles” —no enredo, o antigo subordinado da Corte portuguesa passa a vida rememorando o encontro com o britânico, então um rapagão elegante, e aguardando sua volta. Foi, afinal, o primeiro europeu que o viu por baixo da epiderme.

A ironia trágica, completa Arena, é que a teoria da evolução de Darwin acabou desfigurada num conceito torpe de “darwinismo social” que embasaria práticas eugênicas décadas adiante.

“Foi uma consequência que ele não previu. A base teórica da lei do mais forte veio a ser aproveitada, da pior maneira, para justificar a supremacia branca contra os africanos e índios. Abriu a porta para a legitimação de um massacre. Mas aí ele já não tem culpa dessa interpretação.”



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Ufac entrega equipamentos para Laboratório de Sismologia — Universidade Federal do Acre

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A Ufac realizou a entrega de novos equipamentos para o Laboratório de Sismologia da Estação de Geofísica Aplicada do Acre. Os dispositivos provêm de emenda parlamentar no valor de R$ 750 mil, alocada pela deputada federal Socorro Neri (PP-AC), inseridos em um investimento global de R$ 900 mil destinados ao projeto de pesquisa da universidade. O evento ocorreu na sexta-feira, 29, no auditório do bloco do curso de Física. 

O aporte viabilizou a aquisição de um sistema de videoconferência e monitoramento —composto por TVs, câmeras e nobreaks— além de workstations com GPU e servidores dedicados de alta performance para o Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) da universidade.

A estrutura física e computacional dará suporte a uma rede de seis estações sismográficas de banda larga com telemetria, que funcionarão de forma contínua (24 horas por dia, sete dias por semana) nos municípios de Rio Branco (campus-sede), Sena Madureira, Tarauacá, Assis Brasil, Marechal Thaumaturgo e Santa Rosa do Purus.

Além de atuar no monitoramento da atividade tectônica regional para fins de proteção junto à Defesa Civil do Estado, o laboratório utilizará métodos de sísmica passiva para o mapeamento de falhas profundas com potencial de geração e migração de hidrogênio geológico. 

“Este é o primeiro laboratório de sismologia da região Norte. Isso é muito importante porque nossa região sofre influência da atividade na borda de duas placas tectônicas”, explicou a reitora Guida Aquino.

Socorro Neri enfatizou o compromisso com o avanço científico regional, ressaltando que os novos dispositivos tecnológicos contribuirão diretamente para o monitoramento preciso e seguro de abalos na Amazônia.

O coordenador do projeto e da área de Física, professor Antonio Romero da Costa Pinheiro, destacou o caráter integrador do projeto. “Unimos a pesquisa de ponta à extensão universitária através da confecção de sismômetros didáticos de baixo custo com sensores Arduino para escolas públicas da rede estadual e municipal.”

Ufac entrega equipamentos para Laboratório de Sismologia-interna.jpg

Também compuseram o dispositivo de honra da solenidade a vice-reitora eleita, Almecina Balbino; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; o diretor do CCBN, José Ribamar Lima; e o coordenador do curso de Física, Victor Ribeiro.

(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)

 



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PZ realiza reunião para discutir prevenção de incêndios florestais — Universidade Federal do Acre

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PZ realiza reunião para discutir prevenção de incêndios florestais-interna.jpg

O Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac sediou uma reunião estratégica para debater alternativas de prevenção, controle, monitoramento e combate a incêndios florestais nas áreas verdes do campus-sede, projeto Humaitá e Fazenda Experimental Catuaba. O encontro ocorreu na sexta-feira, 29, na sala ambiente do PZ.

A iniciativa foi motivada pela necessidade de ampliar a articulação institucional frente à aproximação do período de estiagem. Nessa época, a combinação de vegetação seca, acúmulo de folhas e galhos e baixa umidade eleva drasticamente a vulnerabilidade desses espaços. Além do viés ambiental, a pauta destacou a relevância acadêmica das áreas para atividades de ensino, pesquisa e extensão de diversos cursos da universidade.

Os participantes discutiram propostas para fortalecer o controle de acesso, a vigilância e o planejamento preventivo. O histórico de sinistros na instituição, como o incêndio de 2010 ocorrido nas proximidades da Unidade de Tecnologia de Alimentos (Utal), foi lembrado para reforçar a urgência de tratar o tema de forma permanente.

Além disso, foi apresentada uma contextualização institucional do PZ e sua relevância para a Ufac e a sociedade acreana. O professor Rodrigo Perea expôs a pesquisa desenvolvida em 2025 por seu orientando, Moisés Pereira, aluno do doutorado Bionorte da Ufac, sobre risco de incêndio em áreas florestadas do campus-sede.

As discussões foram enriquecidas pelas contribuições do professor Moisés Barbosa de Souza, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), reconhecido por seu conhecimento sobre as áreas florestadas da Ufac, apontando para a necessidade de uma construção coletiva que envolva orientação, resposta rápida e proteção da biodiversidade.

“Esperamos que a organização de alternativas de prevenção, monitoramento e combate ao risco de incêndios florestais nas áreas da Ufac avance significativamente em 2026”, disse o diretor substituto do PZ, Wanderson Gomes. “Diante da previsão de uma estiagem mais severa, é fundamental que a universidade esteja preparada para agir de forma planejada, integrada e preventiva.”

Também participaram da reunião representantes da Prefcam, do CCBN, do CFCH, dos cursos de Geografia e Medicina Veterinária, do doutorado Bionorte, além de servidores e colaboradores ligados à temática ambiental.

Próximos passos

Para dar materialidade às ações propostas, foram definidos os seguintes encaminhamentos práticos:

– 3 de junho às 8h: visita in loco à trilha interna do PZ (trajeto de aproximadamente 3 quilômetros) para mapear pontos críticos, gargalos de acesso e possibilidades de intervenção;

– 12 de junho às 8h30: nova reunião de trabalho com o objetivo de dar continuidade às discussões e avançar na consolidação de medidas integradas.

 



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Projeto da Ufac integra exposição sobre memória da covid-19 — Universidade Federal do Acre

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Ministro da Saúde Alexandre Padilha

O projeto de extensão Relatos de Maternidade, da Ufac, desenvolvido entre setembro e dezembro de 2020, compõe a exposição A Infinita Memória da Pandemia: A História da Covid-19, cuja cerimônia de inauguração ocorreu na terça-feira, 26, no shopping Conjunto Nacional, em Brasília, e que também passará por Fortaleza, Manaus, Porto Alegre e São Paulo.

O projeto foi desenvolvido pelas professoras Ana Letícia de Fiori, do curso de Ciências Sociais e do programa de pós-graduação em Artes Cênicas, e Camila Bylaardt Volker, à época do curso de Letras e atualmente servidora do Ministério das Mulheres. Elas e seis estudantes entrevistaram, por WhatsApp, mais de 50 mulheres e mães, coletando relatos sobre suas experiências de maternidade e vida.

O trabalho abordou, ainda, cuidados, trabalho, família, medos, esperanças e projetos afetados pela pandemia da covid-19 no Acre, originando um e-book (162 p.) lançado pela Editora da Ufac (Edufac) em 2025, disponível para leitura online e download gratuito. Além disso, passou a integrar o Memorial Digital da Pandemia de Covid-19, como coleção.

Nessa quarta-feira, 27, as professoras Ana Letícia e Camila participaram, tratando dos relatos de maternidades, de mesa-redonda com os organizadores dos projetos Fala, Parente (PET Indígena, Unifap), a qual contou com depoimentos de indígenas do Amapá, Pará e Guiana Francesa.

A exposição levará a capitais brasileiras parte das coleções do Memorial da Pandemia de Covid-19, sediado no Rio de Janeiro e desenvolvido pela Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde, Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde e Centro de Humanidades Digitais da Unicamp.

 



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