NOSSAS REDES

ACRE

De forma participativa, ribeirinhos, extrativistas, agricultores familiares e povos indígenas definem metodologia para realização das consultas públicas no Acre

PUBLICADO

em

Ângela Rodrigues

De forma participativa, ribeirinhos, extrativistas, agricultores familiares e povos indígenas das cinco regionais do Acre dialogaram e defenderam a melhor metodologia para a realização das consultas públicas, que irão definir a pactuação da atualização da repartição de benefícios do Programa Isa Carbono, do Sistema de Incentivo a Serviços Ambientais (Sisa).

O evento, sob a coordenação técnica do Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC), encerrou na noite desta terça-feira, 3, no auditório do Centro Universitário Uninorte, com a criação de Grupos de Trabalho (GTs) onde foram debatidas as particularidades de cada território e comunidades tradicionais e agricultores familiares.

Ribeirinhos, extrativistas, agricultores familiares e povos indígenas definem metodologia para realização das consultas públicas no Acre. Foto: Pedro Henrique Alves/Sepi

“Foram dois dias de muito diálogo e construção participativa, onde os representantes das comunidades tradicionais, agricultores familiares e povos indígenas puderam defender suas particularidades e contribuir no processo de realização das consultas públicas. É um marco importante para o governo Gladson Cameli, que nos delegou essa honrosa missão de fortalecer e ampliar as políticas públicas ambientais do Acre respeitando as salvaguardas socioambientais e os direitos das populações tradicionais e povos indígenas”, destacou a presidente do Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC), Jaksilande Araújo.

Encaminhamentos do Fórum Participativo

Após o mapeamento, os participantes definiram que serão realizadas seis consultas públicas nas cinco regionais acreanas. Antes da realização das consultas, ficou acordado que serão realizadas reuniões  preparatórias, a fim de capacitar os participantes sobre a temática da repartição de benefícios do Sisa, REDD+, Salvaguardas Socioambientais, mercado de crédito de carbono, financiamentos climáticos e outros relacionados.

Outro importante encaminhamento foi voltado para a comunicação e capacitação com a produção de material didático com linguagem simplificada para melhor compreensão das temáticas que serão tratadas ao longo das consultas públicas. 

Grupo de Trabalho das comunidades tradicionais e agricultura familiar realizaram contribuições. Foto: Pedro Henrique Alves/Sepi

Foi acordado, ainda, que após a conclusão das seis consultas públicas será realizado um fórum deliberativo, na capital acreana, onde serão dados os encaminhamentos finais para a definição da pactuação da nova repartição de benefícios do Sisa. 

Todo o processo foi acompanhado pelos membros que integram a Comissão Estadual de Validação e Acompanhamento (Ceva), câmaras temáticas Indígena e de Mulheres (CTI e CTM), ambas instâncias de governança do Sisa, de onde partiu a deliberação para realização do fórum participativo.

Grupo de Trabalho com povos indígenas apresentou suas contribuições para a realização das consultas públicas. Foto: Pedro Henrique Alves/Sepi

Para dar transparência, o fórum foi transmitido ao vivo pelo YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=0YV-YX11QCM), e pode ser acessado por meio do canal oficial do governo do Acre: https://www.youtube.com/@noticiasdoacre

Uma equipe especializada foi designada para realizar a relatoria completa dos dois dias do evento, com detalhamento de toda a programação, bem como as contribuições e encaminhamentos finais. O documento final será disponibilizado na página eletrônica do IMC (https://imc.ac.gov.br/), em até 30 dias. 

Esforços e parcerias

A realização do evento mobilizou esforços das secretarias de Estado de Povos Indígenas (Sepi); de Meio Ambiente (Sema), de Fazenda (Sefaz); Planejamento (Seplan) e Coordenação do Programa REM e da Companhia de Desenvolvimento em Serviços Ambientais (CDSA).

Evento contou com esforços de várias secretarias estaduais e com a parceria de organismos internacionais. Foto: Diego Gurgel/Secom

O governo do Acre contou com a importante parceria dos organismos internacionais, representados pela conselheira sênior da Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (Norad), Borghild Tønnessen-Krokan; o conselheiro do Clima e Floresta da Embaixada da Noruega, Ole Bergum; a conselheira do Clima e Floresta da Embaixada da Noruega, Inês Marques; o oficial de Programas de Clima e Meio Ambiente do PNUD, Gustavo Matsubara; diretor sênior de políticas para florestas tropicais do Environmental Defense Fund – EDF (Fundo de Defesa Ambiental), Steve Schwartzman; presidente do Earth Innovation Institute (EII), Daniel Nepstad; a diretora de políticas públicas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

O que eles disseram

“Estamos prontos para debater, preparados para fazer uma grande mudança, sair de uma agricultura tradicional para trazer algo novo. Então, precisamos do REDD+ e do governo do Estado junto conosco. Temos uma causa em comum, que é defender o meio ambiente. Nosso maior exemplo de humanidade foi o Raimundão [Raimundo Mendes, primo de Chico Mendes], que veio de uma luta de muito tempo e criou todos os movimentos e trata todos com muito respeito. Então, precisamos estar juntos, debatendo e pensando em uma causa só”, representante do GT de Povos e Comunidades Tradicionais e da Agricultura Familiar no fórum, representante da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Acre (Fetacre), em Cruzeiro do Sul, Lisiane de Araújo Pedrosa.

Líder indígena, Tashka Peshaho Yawanawa, ao lado da presidente do IMC, no encerramento do Fórum Participativo. Foto: Ângela Rodrigues/Sema

“Esse é o momento histórico entre povos indígenas, seringueiros e comunidades tradicionais, juntos num só objetivo. Nós, povos indígenas, estamos num momento de construção e diálogo com o governo e com as populações tradicionais. Temos esse entendimento de união entre povos indígenas na luta pelos nossos direitos. Sempre estaremos unidos na defesa de nossos interesses, como estamos aqui neste fórum. Esse tema é muito importante e vamos seguir na defesa e interesse de nosso povo”, destacou o líder indígena, Tashka Peshaho Yawanawa.

Francisca Arara destaca união e respeito em fala de encerramento do Fórum Participativo. Foto: Pedro Henrique Alves/Sepi

“Saímos deste fórum muito felizes de ver o tamanho do respeito do governador às populações tradicionais e povos indígenas. Ele tem priorizado o diálogo, a transparência e construído um planejamento, de forma participativa, para continuidade das políticas públicas de curto, médio e longo prazo, que irão gerar benefícios a milhares de pessoas que vivem da agricultura familiar, extrativista e territorial, que tanto contribuem para a conservação do meio ambiente”, destacou a gestora da Sepi, Francisca Arara.

Leonardo Carvalho, titular da Sema, destaca empenho do governador Gladson Cameli na realização do fórum. Foto: Felipe Freire/Secom

“O governador reconhece a importância que é envolver as comunidades para que a gente tenha aí um processo muito bem feito, robusto, de alta integridade para que a gente possa responder essas demandas e acessar recursos gerados a partir desses ativos ambientais, os quais vão possibilitar a continuidade das políticas públicas no enfrentamento ao desmatamento ilegal e execução de projetos que gerem benefícios  àqueles que conservam nossas florestas”, disse o gestor da Sema, Leonardo Carvalho.

Visualizações: 1



Leia Mais: Agência do Acre

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio-interna.jpg

A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.

A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.

O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.

Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.

A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.

A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.

O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS