ACRE
Deslocados do Líbano lutam contra a dor e o desespero ao voltarem para casa | Israel ataca o Líbano Notícias
PUBLICADO
2 anos atrásem
Beirute, Líbano – Quando Israel e o Hezbollah concordaram com um cessar-fogo na quarta-feira, Adnan Zaid deu um suspiro de alívio.
Ele e a sua família passaram a noite acordados por causa dos estrondosos ataques aéreos de Israel à capital do Líbano.
O medo diminuiu depois que o cessar-fogo previsto entrou em vigor às 4 da manhã, mas surgiu a inquietação quanto ao futuro.
“Honestamente, ainda estou preocupado que algo aconteça”, disse Zaid à Al Jazeera. “Tenho dúvidas de que o cessar-fogo será válido.”
Zaid é uma das cerca de 650 pessoas que fugiram das suas casas para uma pensão gerida por um grupo de ajuda humanitária local em Karantina, um distrito predominantemente de baixos rendimentos em Beirute.
Ele não é o único com sentimentos confusos sobre o cessar-fogo em vigor e com dúvidas sobre se será seguro voltar para casa.
Muitos estão ansiosos por reconstruir as suas vidas, mas alguns estão relutantes em regressar aos bairros devastados pela guerra, onde as casas e os meios de subsistência foram destruídos e toda a sensação de segurança desapareceu.
“Todas as portas e janelas da minha casa estão quebradas. O telhado desabou e os estilhaços de todas as explosões cobriram o interior”, disse Zaid.
“Não podemos voltar agora. Precisamos de tempo para consertar o lugar. Levaremos cinco ou seis dias para descobrirmos se nossa casa pode ser habitável.”
Relutante em sair
Israel e o Hezbollah começaram a lutar pela primeira vez em 8 de Outubro de 2023, quando o grupo libanês intensificou uma troca de tiros em baixa intensidade através da fronteira Israel-Líbano em solidariedade com o povo de Gaza, que sofria os bombardeamentos israelitas.
O Hezbollah prometeu parar se Israel terminasse a sua guerra no enclave sitiado, que começou após um ataque liderado pelo Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023.
Em vez disso, Israel intensificou os seus ataques desproporcionais contra o Hezbollah e anunciou uma invasão do sul do Líbano no final de setembro.
Mohamad Kenj, 22 anos, não quer voltar para sua casa, que está danificada, mas ainda habitável
A campanha de Israel, disse ele, destruiu todas as formas de vida social e comercial no seu bairro em Dahiyeh, um bairro movimentado nos subúrbios do sul de Beirute associado ao Hezbollah.
“Mesmo que eu consiga arrumar meu quarto e consertar minha casa, não existe vida por lá”, disse Kenj à Al Jazeera no modesto quarto em Karantina onde estava sentado com seu pai.
Mas Kenj sabe que terá que voltar em algum momento porque não tem mais para onde ir.
Os voluntários em Karantina esperam que o abrigo permaneça aberto durante várias semanas. Isto depende de quantas famílias deslocadas regressam às suas casas nos próximos dias e se o cessar-fogo for válido.
Disseram que o município local tomará a decisão final e não houve anúncios oficiais até agora.

Indo para casa
Assim que os aviões de guerra e drones israelitas deixaram os céus de Beirute, dezenas de famílias em Karantina começaram a empacotar os seus pertences.
Ao meio-dia de quarta-feira, cerca de metade do abrigo estava vazio e muito mais pessoas se preparavam para partir.
Fátima Haidar, 38 anos, estava em seu quarto guardando roupas, panelas, frigideiras e cobertores em malas.
A mãe divorciada de cinco filhos disse que veio pela primeira vez a Karantina com sua mãe e parentes poucos dias depois que Israel lançou 80 bombas em Dahiyeh em 27 de setembro para matar O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah.
O ataque de Israel levou a um êxodo em massa de Dahiyeh e obrigou Haidar e a sua família a dormir inicialmente nas ruas porque a maioria dos abrigos governamentais estavam lotados. Eles finalmente ouviram que havia espaço para eles em Karantina.
Durante semanas, eles se revezaram para ir a Dahiyeh para verificar seu apartamento e estavam ansiosos para voltar.
Mas foi danificado por ataques aéreos israelitas apenas um dia antes do cessar-fogo. As paredes, disse ela, desmoronaram e vidros quebrados e detritos cobriram sua casa.
“Estamos felizes porque a guerra finalmente acabou, mas estamos devastados, nossa casa foi destruída”, disse Haidar.
Embora este momento seja agridoce, Haidar recusa-se a ficar longe da sua comunidade por mais tempo e insiste que reconstruirão as suas vidas.
“Não sabemos exatamente para onde vamos, mas não vamos ficar aqui.”
Luto e perda
Israel intensificou os seus bombardeamentos em Beirute na noite de terça-feira, horas antes de o cessar-fogo entrar em vigor.
O primo de Kenj, Mohammed, foi morto num ataque aéreo israelita em Bashoura, um bairro densamente povoado no coração da cidade. Ele sobreviveu a toda a guerra, apenas para ser morto nas horas finais.
“Minha mãe foi hoje ao funeral para prestar suas condolências e chorar por ele”, disse ele à Al Jazeera. “Gostaria de conhecê-lo mais, mas ele era mais velho do que eu, tinha (esposa e filhos que sobreviveram à greve) e não tínhamos muito em comum.”
Kenj ainda luta contra a dor depois de perder um membro da família e sua sensação de lar e segurança.

Ao contrário dos conflitos anteriores entre o Hezbollah e Israel, ele não acredita que o último possa ser considerado uma vitória.
“Estamos de luto e estamos deprimidos. Qualquer um que diga que fomos vitoriosos está mentindo”, disse ele à Al Jazeera, relatando um sentimento comum no abrigo.
Ayat Mubarak, 64 anos, disse que o clima entre a sua família é bastante diferente em comparação com a guerra de 2006.
Apesar de terem perdido a sua casa, o seu ânimo estava elevado porque acreditavam firmemente que o Hezbollah era vitorioso. Desta vez, eles estão menos convencidos.
Dando uma tragada no cigarro, Mubarak acrescentou que seu marido estava indo para Dahiyeh para verificar se sua casa estava intacta. Ela espera que seja para que eles possam finalmente retornar.
“Se o meu marido nos disser que a nossa casa desapareceu, então esse é o plano de Deus”, disse ela com resignação.
“Deus escreve o destino de cada um de nós.”
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
21 horas atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
Relacionado
ACRE
Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
7 dias atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
Relacionado
ACRE
Consu aprova comissão para destinar cotas a pessoas transgênero — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 semana atrásem
1 de outubro de 2026O Conselho Universitário (Consu) da Ufac aprovou a criação de uma comissão para elaborar a proposta de cotas de acesso à graduação para pessoas transgênero, que é uma pauta da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), recentemente criada com o objetivo de expandir políticas de inclusão na universidade. A aprovação ocorreu nessa quarta-feira, 30, na 5ª Reunião Ordinária do Consu, realizada no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, campus-sede.
A Ufac já possui regulamentação que garante o acesso por cotas à comunidade transgênero na pós-graduação desde 2023. A proposta aprovada pelo Consu busca ampliar esse direito para a graduação, assegurando não apenas a entrada, mas também o acompanhamento para permanência de estudantes até a conclusão dos cursos.
A comissão terá prazo de 90 dias para realizar os estudos e apresentar a minuta final do projeto. O grupo terá formação intersetorial, reunindo representantes das três categorias acadêmicas: docentes, técnico-administrativos e discentes, além de representantes de entidades e movimentos sociais da sociedade civil voltados aos direitos da população transgênero no Acre.
“Reafirmamos nosso compromisso ao instituir a comissão que vai deliberar sobre as cotas trans”, disser o reitor Josimar Ferreira. “Trata-se de uma ação demandada pela sociedade para incluir populações historicamente invisibilizadas, garantindo que as ações afirmativas façam parte da história do nosso conselho.”
Segundo a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Letícia Mamed, a política visa transformar a realidade de um dos grupos mais marginalizados socialmente. “Precisamos atentar para a garantia de acesso, permanência e dignidade para que essa comunidade possa construir seus projetos de vida com mais oportunidades”, comentou. “No Brasil, cerca de 30 universidades já adotam políticas semelhantes, e a Ufac dá um passo essencial para consolidar essa transformação.”
Integrante do Consu, a professora Raquel Ishii ressaltou que a comissão foi criada para ir além da gestão superior da universidade. “Considero essa aprovação uma grande vitória para a sociedade civil e para a universidade. A comissão amplia o debate da pós-graduação para a graduação. Trata-se de um grupo bem amplo, constituído não só pela gestão, mas com convites abertos ao Diretório Central dos Estudantes e a movimentos sociais externos à universidade.”
(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login