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BOM EXEMPLO

‘Dias no Aterro’ emociona e lota Galeria de Arte do Sesc Centro

Assessoria, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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A abertura da exposição fotográfica Dias no Aterro foi um sucesso de público, cerca 100 pessoas visitaram a instalação na quinta-feira, 5, Dia da Amazônia, na Galeria de Arte do Sesc Centro. Entre os visitantes estiveram presentes, além da população em geral, catadores e artistas acreanos.

O Diretor Presidente da Fundação de Cultura, Esporte e Lazer Garibaldi Brasil (FGB) Sérgio de Carvalho; o artista visual Claudiney Alves, da Casa Masemba; a proprietária do Sucatão Rio Branco Karina de Souza e Nardia Tayna, representando o Sesc, também marcaram presença no evento.

“Sensação de dever cumprido”, foi o que disse o fotógrafo Dhárcules Pinheiro, após a abertura do evento. A curadora do projeto Talita Oliveira conta que a instalação foi um sucesso, pessoas choraram ao assistirem o documentário e se emocionaram com as fotografias.

“Foi um momento especial e emocionante para todos os presentes. Quando vi a reação e as impressões das pessoas, tive certeza que o objetivo da instalação foi alcançado”, apontou Talita.

A exposição está aberta ao público até o dia 30 de setembro na Galeria de Arte do Sesc Centro. Além das fotografias de Dhárcules, a instalação conta com peças fabricadas a partir de materiais recicláveis encontrados no aterro de inertes, produzidas por Claudiney e catadores que participaram de uma oficina de reciclagem.

Sérgio de Carvalho ressaltou o simbolismo de abrir a instalação no Dia da Amazônia: “Não haveria data melhor para abrir essa exposição do que o Dia da Amazônia, já que esse trabalho traz à tona a importância da reciclagem e do trabalho dos catadores para a preservação do meio ambiente.”

Raimundo Martins, um dos catadores presentes na abertura e personagem do documentário, ressaltou a importância da reciclagem para o seu sustento e da exposição para mudar a visão das pessoas sobre o trabalho dos catadores.

“Hoje o Aterro é o meu banco. No início, as pessoas me viam voltando todo sujo e tinham preconceito. Mas é com esse trabalho que sustento minha família e até já realizei o sonho que muitos têm de ter um carro. Espero que com essa exposição as pessoas mudem a visão e deixem de ter preconceito com a gente”, disse Martins.

Dhárcules Pinheiro, autor das fotografias, ressalta o objetivo do trabalho: “O objetivo maior dessa exposição é poder mostrar a importância do trabalho dos catadores principalmente para o meio ambiente, pois mensalmente eles retiram toneladas de resíduos e encaminham para a reciclagem. E a partir desse importante trabalho, geram renda e sustentam suas famílias. Ver essa galeria lotada me dá a sensação de dever cumprido.”

Maria Luzenira uma das catadoras prestigiadas na exposição foi vítima de feminicídio, antes do lançamento. Maria de Jesus, irmã da catadora, veio de Tarauacá apenas para visitar a exposição e  ficou muito emocionada.

As molduras

As fotografias do projeto “Dias no Aterro” estão emolduradas em peças produzidas por catadores junto com Claudiney Alves. A produção teve duração de aproximadamente 20 dias, desde o primeiro dia de oficina até a montagem da galeria. Para o artista visual a ideia é mostrar que tudo tem potencial para virar arte, ou melhor, tem chance de não poluir o planeta.

O catador Raimundo Martins participou da oficina, agora ele considera que pode pensar na possibilidade de criar obras, para que a sociedade possa ver e entender a verdadeira relação entre o homem e a natureza. “A oficina foi um aprendizado muito grande, mostrou que podemos reciclar ainda mais do que imaginávamos”, relata Martins.

O intuito

O objetivo do projeto é dar visibilidade ao trabalho dos catadores, que tanto contribuem com o bem estar da humanidade, mas que poucos reconhecem a importância deles na sociedade.

“Apesar de prestarem um trabalho de grande importância para o meio ambiente e para economia, transformando lixo em renda, há toda uma negação dessa importância que vem não só da sociedade mais também da administração pública. Eles sofrem preconceito, são estigmatizados e excluídos”, explica o fotógrafo.

Dias no Aterro

A instalação é fruto da vivência do fotógrafo Dhárcules Pinheiro no Aterro de Inertes, situado na Transacreana, em Rio Branco. Dhárcules documentou, durante um ano, o cotidiano dos trabalhadores do aterro, resultando em um amplo acervo de fotografias e vídeos que refletem sobre o conceito de lixo, meio ambiente e economia.

O projeto tem a curadoria de Talita Oliveira, é financiado pelo Fundo Municipal de Cultura, da Prefeitura de Rio Branco, por meio da Fundação de Cultura, Esporte e Lazer Garibaldi Brasil (FGB), e do Sesc, através do Calenarte. Conta também com apoio do Sucatão Rio Branco e Casa Massemba.

A ideia de realizar o projeto surgiu em junho de 2018 a partir de uma visita de Dhárcules ao local para realizar uma matéria relacionada a economia do lixo, sobre trabalhadores que tiram seus sustento do aterro de inertes. Desde então, o fotógrafo passou a visitar o aterro cerca de três vezes ou mais por semana para criar intimidade com os trabalhadores.

Documentário

Junto com a exposição, também foi lançado o documentário Dias no Aterro. O documentário tem a duração de 25 min com depoimentos de catadores que relatam conquistas e mostram um pouco da rotina de trabalho no aterro. De registro audiovisual foram dois meses de filmagem e 1 ano de registro fotográfico. A edição e montagem do trabalho foi realizado pelo jornalista Gilberto Lobo. A obra faz parte da instalação e ficará disponível na Galeria de Arte do Sesc até o dia 30 de setembro, em horário comercial.

Serviço:

Local: Galeria de Arte do Sesc Centro.

Visitação: 06 a 30 de setembro, das 8h às 12h e 14h às 18h, entrada gratuita

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