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‘Divisão de Homicídios’ é central para autor de ‘The Wire’ – 13/01/2025 – Ilustrada
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Mauricio Stycer
Repórter policial do The Baltimore Sun desde 1982, quando terminou a faculdade, David Simon chegou ao fim da primeira década de trabalho irritado com os chefes e infeliz com os caminhos que o jornal estava tomando.
Acolheu, então, uma ideia ouvida de um investigador e pediu autorização ao chefe da polícia da cidade para acompanhar o trabalho da divisão de homicídios por um ano, com o objetivo de escrever um livro sobre a experiência. Inexplicavelmente, observa, a proposta foi aceita e resultou no livro “Divisão de Homicídios”.
Com o título de “estagiário policial”, Simon entrou para a polícia em janeiro de 1988. Enfrentou, como seria de se esperar, enorme desconfiança dos policiais, que foram contra a sua presença no departamento, além de sofrer bullying, nos momentos de folga, por ter baixa resistência a bebidas alcoólicas. Falando pouco, escutando mais e anotando com discrição tudo o que via e ouvia, terminou sendo aceito e incorporado à turma de investigadores.
Com graves problemas sociais, Baltimore exibiu em 1988 uma taxa de 8,4 homicídios por mil habitantes, ou 237 assassinatos, um número bem alto, que obrigava os investigadores a lidarem, cada um, com cerca de 15 casos por ano, o dobro do que seria recomendável.
“A televisão nos deu o mito da busca frenética, da perseguição em alta velocidade, mas a verdade é que isso não existe. A divisão de homicídios sempre chega depois de os cadáveres tombarem”, escreve.
Com um texto cristalino, descrições detalhadas, alguma ironia e eventualmente uma ponta de humor, Simon transporta o leitor para as cenas de crime e para as salas de interrogatório.
Veja a descrição que faz de um policial, Tom Pellegrini, um mestre nos interrogatórios: “Com seu jeito lento e lacônico, levava três minutos para dizer tudo que tinha comido no café da manhã ou, então, cinco minutos contando uma piada envolvendo um padre, um pastor e um rabino. Embora isso fosse incrivelmente irritante, era perfeito para interrogar criminosos”.
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Publicado originalmente em 1991, “Divisão de Homicídios” mudou os rumos da carreira de Simon. Em 1993, o livro inspirou a criação de uma série, chamada “Homicide: Life on the Street”, exibida em sete temporadas na rede de TV NBC, até 1999. Ainda tateando no riscado, ele elaborou de alguns roteiros para a série.
No Brasil, com o título de “Homicídio”, a série foi apresentada na TV Manchete e pelo canal pago USA, hoje Universal Channel. Em agosto do ano passado, a série chegou, finalmente, a uma plataforma de streaming, a Peacock, infelizmente não disponível no Brasil.
Já fora do jornal, em parceria com Ed Burns, um ex-policial da divisão de homicídios, Simon publicou em 1997 “The Corner”, uma investigação sobre uma região de Baltimore dominada pelo tráfico de drogas. O livro virou uma minissérie da HBO em 2000, mas o título não está mais disponível na Max.
A obra-prima de Simon nasceu em 2002. “A Escuta”, uma minissérie de 60 episódios em cinco temporadas, mergulha com mais profundidade e complexidade em todos os temas que o jornalista abordou nos trabalhos anteriores e em sua vida como repórter. “The Wire”, seu título original, está disponível no Max.
É uma das realizações mais ambiciosas da chamada era de ouro da TV americana. É uma série policial, mas vai muito além dos crimes investigados, com a clara intenção de provocar debates públicos. Simon mostra os projetos absurdos para restringir o tráfico de drogas, discute a decadência do porto de Baltimore, expõe o sistema público de educação, descreve as minúcias do jogo político na cidade e, num fecho de ouro, aponta a câmera para próprio jornal em que trabalhou para iluminar a crise da imprensa escrita e a tentação do sensacionalismo.
De volta à “Divisão de Homicídios”, é preciso registrar o trabalho da editora Darkside, que preenche uma lacuna importante com a publicação deste livro no Brasil, tantos anos depois da edição original. Com 740 páginas, em capa dura, muito bem traduzido por Diego Gerlach, o catatau inclui um texto altamente esclarecedor de Simon escrito em 2006, 15 anos depois do lançamento.
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Ufac entrega equipamentos para Laboratório de Sismologia — Universidade Federal do Acre
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1 de junho de 2026A Ufac realizou a entrega de novos equipamentos para o Laboratório de Sismologia da Estação de Geofísica Aplicada do Acre. Os dispositivos provêm de emenda parlamentar no valor de R$ 750 mil, alocada pela deputada federal Socorro Neri (PP-AC), inseridos em um investimento global de R$ 900 mil destinados ao projeto de pesquisa da universidade. O evento ocorreu na sexta-feira, 29, no auditório do bloco do curso de Física.
O aporte viabilizou a aquisição de um sistema de videoconferência e monitoramento —composto por TVs, câmeras e nobreaks— além de workstations com GPU e servidores dedicados de alta performance para o Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) da universidade.
A estrutura física e computacional dará suporte a uma rede de seis estações sismográficas de banda larga com telemetria, que funcionarão de forma contínua (24 horas por dia, sete dias por semana) nos municípios de Rio Branco (campus-sede), Sena Madureira, Tarauacá, Assis Brasil, Marechal Thaumaturgo e Santa Rosa do Purus.
Além de atuar no monitoramento da atividade tectônica regional para fins de proteção junto à Defesa Civil do Estado, o laboratório utilizará métodos de sísmica passiva para o mapeamento de falhas profundas com potencial de geração e migração de hidrogênio geológico.
“Este é o primeiro laboratório de sismologia da região Norte. Isso é muito importante porque nossa região sofre influência da atividade na borda de duas placas tectônicas”, explicou a reitora Guida Aquino.
Socorro Neri enfatizou o compromisso com o avanço científico regional, ressaltando que os novos dispositivos tecnológicos contribuirão diretamente para o monitoramento preciso e seguro de abalos na Amazônia.
O coordenador do projeto e da área de Física, professor Antonio Romero da Costa Pinheiro, destacou o caráter integrador do projeto. “Unimos a pesquisa de ponta à extensão universitária através da confecção de sismômetros didáticos de baixo custo com sensores Arduino para escolas públicas da rede estadual e municipal.”

Também compuseram o dispositivo de honra da solenidade a vice-reitora eleita, Almecina Balbino; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; o diretor do CCBN, José Ribamar Lima; e o coordenador do curso de Física, Victor Ribeiro.
(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)
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PZ realiza reunião para discutir prevenção de incêndios florestais — Universidade Federal do Acre
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1 de junho de 2026O Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac sediou uma reunião estratégica para debater alternativas de prevenção, controle, monitoramento e combate a incêndios florestais nas áreas verdes do campus-sede, projeto Humaitá e Fazenda Experimental Catuaba. O encontro ocorreu na sexta-feira, 29, na sala ambiente do PZ.
A iniciativa foi motivada pela necessidade de ampliar a articulação institucional frente à aproximação do período de estiagem. Nessa época, a combinação de vegetação seca, acúmulo de folhas e galhos e baixa umidade eleva drasticamente a vulnerabilidade desses espaços. Além do viés ambiental, a pauta destacou a relevância acadêmica das áreas para atividades de ensino, pesquisa e extensão de diversos cursos da universidade.
Os participantes discutiram propostas para fortalecer o controle de acesso, a vigilância e o planejamento preventivo. O histórico de sinistros na instituição, como o incêndio de 2010 ocorrido nas proximidades da Unidade de Tecnologia de Alimentos (Utal), foi lembrado para reforçar a urgência de tratar o tema de forma permanente.
Além disso, foi apresentada uma contextualização institucional do PZ e sua relevância para a Ufac e a sociedade acreana. O professor Rodrigo Perea expôs a pesquisa desenvolvida em 2025 por seu orientando, Moisés Pereira, aluno do doutorado Bionorte da Ufac, sobre risco de incêndio em áreas florestadas do campus-sede.
As discussões foram enriquecidas pelas contribuições do professor Moisés Barbosa de Souza, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), reconhecido por seu conhecimento sobre as áreas florestadas da Ufac, apontando para a necessidade de uma construção coletiva que envolva orientação, resposta rápida e proteção da biodiversidade.
“Esperamos que a organização de alternativas de prevenção, monitoramento e combate ao risco de incêndios florestais nas áreas da Ufac avance significativamente em 2026”, disse o diretor substituto do PZ, Wanderson Gomes. “Diante da previsão de uma estiagem mais severa, é fundamental que a universidade esteja preparada para agir de forma planejada, integrada e preventiva.”
Também participaram da reunião representantes da Prefcam, do CCBN, do CFCH, dos cursos de Geografia e Medicina Veterinária, do doutorado Bionorte, além de servidores e colaboradores ligados à temática ambiental.
Próximos passos
Para dar materialidade às ações propostas, foram definidos os seguintes encaminhamentos práticos:
– 3 de junho às 8h: visita in loco à trilha interna do PZ (trajeto de aproximadamente 3 quilômetros) para mapear pontos críticos, gargalos de acesso e possibilidades de intervenção;
– 12 de junho às 8h30: nova reunião de trabalho com o objetivo de dar continuidade às discussões e avançar na consolidação de medidas integradas.
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Projeto da Ufac integra exposição sobre memória da covid-19 — Universidade Federal do Acre
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28 de maio de 2026O projeto de extensão Relatos de Maternidade, da Ufac, desenvolvido entre setembro e dezembro de 2020, compõe a exposição A Infinita Memória da Pandemia: A História da Covid-19, cuja cerimônia de inauguração ocorreu na terça-feira, 26, no shopping Conjunto Nacional, em Brasília, e que também passará por Fortaleza, Manaus, Porto Alegre e São Paulo.
O projeto foi desenvolvido pelas professoras Ana Letícia de Fiori, do curso de Ciências Sociais e do programa de pós-graduação em Artes Cênicas, e Camila Bylaardt Volker, à época do curso de Letras e atualmente servidora do Ministério das Mulheres. Elas e seis estudantes entrevistaram, por WhatsApp, mais de 50 mulheres e mães, coletando relatos sobre suas experiências de maternidade e vida.
O trabalho abordou, ainda, cuidados, trabalho, família, medos, esperanças e projetos afetados pela pandemia da covid-19 no Acre, originando um e-book (162 p.) lançado pela Editora da Ufac (Edufac) em 2025, disponível para leitura online e download gratuito. Além disso, passou a integrar o Memorial Digital da Pandemia de Covid-19, como coleção.
Nessa quarta-feira, 27, as professoras Ana Letícia e Camila participaram, tratando dos relatos de maternidades, de mesa-redonda com os organizadores dos projetos Fala, Parente (PET Indígena, Unifap), a qual contou com depoimentos de indígenas do Amapá, Pará e Guiana Francesa.
A exposição levará a capitais brasileiras parte das coleções do Memorial da Pandemia de Covid-19, sediado no Rio de Janeiro e desenvolvido pela Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde, Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde e Centro de Humanidades Digitais da Unicamp.
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